Salve a Amazônia
18 de setembro de 2020
publicado às 16h34
Queimadas continuam batendo recordes em setembro

 

Primeiros dias do mês tiveram aumento de 86% na Amazônia em relação a 2019 e mais de 5 mil focos no Pantanal

Depois dos enormes desastres no mês de agosto, em que foram registrados quase 30 mil focos de fogo na Amazônia e houve o maior número de queimadas no Pantanal nos últimos 10 anos, setembro caminha para resultados ainda mais trágicos nos dois biomas, conforme dados do Programa de Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Segundo o Inpe, apenas nas duas primeiras semanas deste mês, foram contabilizados mais de 20 mil focos de queimadas na Amazônia, o que significa um aumento de 86% quando comparados ao mesmo de período de 2019.

No número acumulado, a quantidade de focos de calor no bioma de 1º de janeiro até 14 de setembro é 12% maior do que a de 2019 (quando os dados já eram alarmantes) e 28% a mais do que a média dos últimos três anos. Já quando a comparação é em relação aos últimos dez anos, a média de queimadas na Amazônia é de um impressionante 43% maior em 2020.

A situação, porém, consegue ser ainda mais grave no Pantanal, onde especialistas classificam que os focos de queimadas estão “fora de controle”, com números recordes e o fogo atingindo importantes regiões de preservação ambiental do bioma.

Até agosto deste ano, o fogo já tinha atingido uma área de mais de 1,8 milhão de hectares no Pantanal, o que representa 12% do tamanho total do bioma. Porém, ao virar o mês, o problema só aumentou: nos 14 primeiros dias de setembro foram registrados 5300 focos de calor, praticamente o mesmo número do mês inteiro de agosto, com 5935 pontos.

“Dessa forma, setembro será o mês com maior número de focos de queimadas no Pantanal desde o início do monitoramento, em 1998”, comenta a gerente do WWF-Brasil para Ciências, Mariana Napolitano.

Perdas à biodiversidade
Outro problema, além do número de focos de queimadas, é a região para onde essas queimadas estão caminhando, colocando em risco locais de proteção ambiental que são redutos de espécies em perigo de extinção. A Terra Indígena Kadiwéu (MS) e o Parque Estadual Encontro das Águas (MT) são algumas das áreas de proteção que foram mais atingidas.

O PE Encontro das Águas é considerado o maior abrigo de onças-pintadas do mundo e há registros de que mais de 80% de sua área já foi queimada. As araras-azuis são consideradas, hoje, pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) como “vulneráveis à extinção” e, por causa das atuais queimadas no Pantanal, perderam um importante abrigo: a RPPN Sesc Pantanal –a maior RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do centro-oeste brasileiro (com mais de mil quilômetros quadrados) e que serve de dormitório para essa espécie, abrigando dezenas de ninhos (naturais e artificiais).

A perda e a degradação de habitats, causadas principalmente por desmatamento, são algumas das principais causas de perda de biodiversidade de fauna e flora no mundo. O relatório Planeta Vivo 2020, divulgado recentemente pela rede WWF, mostra que tivemos um declínio médio de 68% nas populações monitoradas desde 1970. Esse número é ainda mais alarmante para a América Latina e Caribe: 94% das populações animais monitoradas mostraram tendência de declínio nos últimos 46 anos.

Aqui no Brasil, um dos exemplos dessa perda de biodiversidade é o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), que está na lista vermelha como vulnerável à extinção e tem as suas maiores populações no Pantanal. A espécie, já ameaçada pela caça e por doenças causadas pela proximidade com o gado, é uma das grandes afetadas com o fogo no bioma.

De acordo com Napolitano, é importante ressaltar que mesmo os animais que sobreviverem terão uma disponibilidade muito menor de alimentos, além de sofrer com a poluição gerada no ar e nos cursos d’agua, agravando ainda mais o cenário e a necessidade de acabar com esse ciclo de tragédias.

“As queimadas sem controle, da forma como estamos vendo hoje, têm como principal causa a ação do homem, que usa o fogo para a limpeza do pasto ou de áreas desmatadas. Para impedir que desastres como esses aconteçam, precisamos combater o desmatamento -no caso especial da Amazônia e do Cerrado- e incentivar um manejo correto e bem planejado do fogo, além de aumentar a fiscalização e punição para quem descumpre a lei. Caso contrário, vamos continuar assistindo desastres como esses todos os anos”, diz Napolitano.
Fonte: WWF Brasil
O WWF-Brasil tem atuado intensamente em ações de conservação na Amazônia, Pantanal e no Cerrado, como o apoio a organizações local e doações de equipamentos de proteção individual a brigadistas comunitários.
Saiba mais e seja um doador: http://doe.wwf.org.br/pantanal

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