Salve a Amazonia
27 de julho de 2016
publicado às 13h12
São Caetano e Colares são alternativas para quem busca tranquilidade nestas férias

São Caetano e Colares são alternativas para quem busca tranquilidade nestas férias

A rota que leva aos principais balneários paraenses também oferece ao veranista opções de localidades com características bem interioranas e que mostram um lado pouco conhecido da Amazônia Atlântica.

A 94 quilômetros de Belém, na região do Salgado, está um desses lugares: São Caetano de Odivelas. A cidade é um dos destinos favoritos de quem prefere um programa mais tranquilo. Com uma população estimada em 17,5 mil habitantes, o município tem uma área de quase 744 km² e é cercado pelo Rio Mojuim. A fundação de São Caetano de Odivelas remonta à presença dos padres jesuítas, que no período colonial ocuparam o território com a missão de difundir o catolicismo e catequizar os índios que habitavam a região.

Um passeio pela orla oferece uma vista incrível para o rio e suas inúmeras ilhas, que trazem nomes curiosos como Feiticeira, Cotovelo, Macaca, Tubarão e Marinheiro. As mais famosas somam onze. No passeio pelo mercado municipal “Benedito Farias Rendeiro”, inaugurado em 1979, o visitante pode encontrar uma diversidade de mariscos e peixes frescos.

Entre as espécies mais comuns na região estão a pescada amarela, gó, piramutaba, tainha e corvina. Ainda na sede da cidade é possível visitar o Centro Cultural, a praça da feirinha e a famosa rampa em frente à prefeitura local. É de lá que saem e chegam a todo momento dezenas de barcos trazendo o pescado.

Além da pesca, outra atividade que ajuda a movimentar a economia local é a coleta do caranguejo, que garante a subsistência de boa parte da população. As ilhas do entorno são ricas em manguezais, ambiente propício à reprodução da espécie. Os cunhados Paulo Bahia e Matias Lopes são nativos da região e vivem há mais de 30 anos da extração do caranguejo nos mangues. Mais da metade do que é coletado por eles é destinado à exportação.

É graças aos catadores de caranguejos de São Caetano que as deliciosas iguarias feitas a partir desse crustáceo chegam à mesas de milhares de paraenses. Pouca gente sabe, mas a cidade também é referência na produção de ostras. Pelo rio ou pela estrada é possível chegar à região do Pereru de Fátima, onde se concentra uma das maiores produções de ostras da região. Julho é o período de maior disponibilidade desse alimento. Uma dúzia da ostra baby, varidedade que mede de 6 a 8 centímetros, chega a ser comercializada a R$ 10 nessa época. Já a ostra grande é encontrada a R$ 15.

Com tantos rios e a diversidade de peixes, mariscos e moluscos, não é de se estranhar que a pescaria seja um dos maiores atrativos turísticos da região. Várias pessoas costumam sair de Belém em busca de um refúgio para essa prática no município. O assessor técnico Carlos Lima abriu mão da vida na capital e há oito anos fixou residência em São Caetano. As muitas viagens feitas à cidade com esse objetivo fizeram com que ele se apaixonasse pelo lugar. “A tranquilidade da cidade e a possibilidade de poder pescar a qualquer hora me motivaram a vir para cá”, conta. Assim como ele, diversos pescadores não profissionais aproveitam as folgas e as férias do meio e fim de ano para se dedicar à pesca esportiva.

Quem não tem barco ou lancha para praticar a pescaria não precisa se preocupar. Alguns estabelecimentos da cidade oferecem aluguel de embarcações. No bar “Trapiche”, por exemplo, localizado na orla da cidade, o turista pode alugar por cerca de R$ 500 um barco com condutor. Mas é preciso ter todos os apetrechos necessários à pescaria em mãos, pois eles não estão inclusos no pacote.

Segundo os pescadores da região, o melhor período para a prática é a chamada maré de pesca, que se dá de 15 em 15 dias. É nesta época que a água o rio ganha um tom esverdeado e as lanchas tomam conta da paisagem. Em alguns dias registra-se uma média de 150 delas espalhadas ao longo do Mojuim.

No passeio pelas ruas da cidade, que ainda conservam a cobertura em paralelepípedos – o que dá a São Caetano ares ainda mais bucólicos – é fácil encontrar casas com placas onde se anuncia a venda de caranguejos. Caso o visitante esqueça de passar no mercado municipal, ainda tem a chance de adquirir algumas unidades em um desses pontos. Roberto Leal é um dos moradores que vende o crustácio na porta de casa. “Trabalho com isso desde os 14 anos. Já fui procurado por visitantes que vieram de Belém e até de outros estados, como o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador”, conta.

A vida cultural de São Caetano de Odivelas está intimamente ligada à tradição dos bois de máscaras. O Boi Tinga e a Vaca Velha são exemplos de grupos típicos da região. Ambos trazem na história a memória de pescadores que há muitos anos celebravam as datas festivas que incluíam a utilização de bois vivos trazidos de outras cidades.

A tradição foi passando de geração em geração e com o tempo sofreu adaptações, como a substituição dos bois vivos por suas representações folclóricas – estruturas confeccionadas com arame, papelão e tecido – mantendo-se assim até os dias de hoje. Também foram incluídas nas manifestações locais as figuras do pierrot, do vaqueiro e dos cabeçudos. O único adereço original que foi conservado são os chifres usados pelo Boi Tinga.

O turista que quiser conhecer de perto essas manifestações culturais pode visitar as sedes dos grupos. A do Boi Tinga fica na Rua Floriano Peixoto, nº 85, e o da Vaca Velha fica na Avenida Presidente Vargas, nº 55, no centro de São Caetano. O bloco da Vaca, por exemplo, tem por tradição sair às ruas do município no final do mês de julho. Este ano a programação será no dia 30. Portanto, ainda dá tempo de se programar.

E para quem quer descansar, os hotéis na cidade oferecem diárias que custam, em média, R$ 120, com quartos que comportam até cinco pessoas e tem café da manhã incluso. Outra boa dica para quem estiver na cidade é o passeio de barco até a praia da Romana, no município vizinho de Curuçá. A viagem dura aproximadamente 40 minutos e compensa pelas belas paisagens.

Colares

Saindo da terra do caranguejo, a viagem segue rumo a Colares. Pela PA-140 percorre-se o caminho até a estrada de acesso à localidade de Penhalonga, em Vigia, e depois inclui uma travessia rápida de balsa pelo rio Guajará-Miri, que dura em média sete minutos. A passagem para carros grandes custa R$ 17,00 e para pequenos R$ 13,50. Aos que preferem fazer a rota a partir de Belém, a distância até o município é de 62,30 quilômetros.

Ao desembarcar da balsa, o roteiro é retomado pela PA-238. Conhecida pelo lendário registro de invasão extraterrestre na década de 70, a cidade de Colares conserva essa fama até hoje. Para todos os lados que se olha é possível esbarrar na figura de simpáticos alienígenas. Eles podem ser vistos nas varandas das casas, nas pinturas das paredes e até no artesanato da região. Se quiser presentear alguém com souvenires de Colares, pode ter certeza de que os ETs são peças indispensáveis.

Os moradores mais antigos trazem na memória as histórias que viraram notícia internacional e motivo de investigação da Aeronáutica brasileira na chamada “Operação Prato”. Dona Tereza Monteiro, 78 anos, relembra, como se fosse hoje, a aparição estranha que ganhou os céus da cidade. “Quem mais via eram os pescadores. Era uma luz forte, colorida, parecia um holofote. Quando essa luz se aproximava a gente ficava paralisado. A população fazia fogueira, soltava pistola, fazia de tudo para tentar espantar aquelas coisas”, recorda.

Alguns moradores chegaram a ser atingidos pela tal luz. O único que ainda vive para contar a história é o seu Newton Cardoso, 60 anos. Seus relatos já ganharam páginas de livros, revistas, trabalhos científicos e até cenas em filmes e documentários. Diante de tanta visibilidade, ele montou uma espécie de mini museu em frente ao seu sítio, na Estrada Real de Pacatuba, em Colares. “Recebo constantemente a visita de turistas, pesquisadores e curiosos. Então, resolvi montar esse espaço onde reúno minhas coisas”, explica.

Seu Newton conta que quando tinha 18 anos, estava dormindo em uma rede no pátio da casa da então namorada, hoje esposa, e no meio da noite foi atingido pela luz misteriosa. Sem ter consciência do que estava acontecendo, ele lembra que começou a se agitar muito. A namorada, ao ouvir o barulho e ver a cena começou a gritar e pedir ajuda. Foi aí que ele acordou sem entender o que estava acontecendo, se sentindo mal, fraco e com algumas dores no corpo. “Cheguei a ficar com uma marca no pescoço, tipo uma queimadura. Fiz  vários exames à época”, relembra.

Interessado nessas histórias, o oficial da Marinha Hilberto Freitas resolveu aportar em Colares para investigar melhor os casos. Curioso por esse tipo de assunto, se dedicou à pesquisa, tornando-se um ufólogo (estudioso sobre alienígenas). Para ele, ao “sugar” de um ser humano, o que os ETs querem mesmo é a sua energia vital e não o sangue, como criam algumas pessoas. Diante de tantos relatos de moradores atingidos pela luz misteriosa, os ETs ganharam o apelido de “chupa-chupa”.

Apesar da luz misteriosa ser sempre assunto em Colares, não é só disso que a cidade vive. Cercada de rios e praias, o município oferece ainda opções de balneários e igarapés. Bem na orla, encontra-se a praia de Humaitá, onde aportam barcos e pescadores que chegam a todo instante trazendo a produção pesqueira, e onde ainda resiste uma samaumeira centenária que, segundo os moradores, servia de ponto de concentração dos OVNIs.

Seguindo pela orla até a praia do Sonrisal encontra-se o mercado de Colares, que reúne pontos de venda de peixes frescos. O melhor horário para comprar o pescado é às 9h. A pescada amarela, por exemplo, sai a R$ 10 o quilo, já a gurijuba é vendida a R$ 12, o quilo. Também na orla estão vários hotéis e pousadas com diárias médias de R$ 120. Os barzinhos que circundam os balneários da cidade oferecem cardápio diversificado, com iguarias como camarão, peixes, caranguejo e arraia, a preços que variam entre R$ 15 e R$ 30.

De férias em Colares, a professora Patrícia Bastos aproveita para curtir a tranquilidade das praias do município. “Costumo vir aqui desde os oito anos. Tudo é muito bonito, as pessoas são acolhedoras e o banho de rio e igarapé é calmo. Tudo de bom”, diz.

No final da praia do Sonrisal, comtempla-se o encontro das águas do mar com o igarapé que leva o mesmo nome. Segundo os frequentadores do local, o balneário recebeu esse nome porque a água geladinha cura a ressaca de qualquer banhista. Mais à frente, distante 500 metros, está outro igarapé, o do Tubinho. O lugar foi a opção da estudante Larissa Vale, 20 anos. De férias na cidade, ela preferiu curtir as águas refrescantes e claras do balneário. “Adoro vir para cá. Minha família alugou uma casa e viemos passar as férias aqui”, conta.

Quem preferir uma praia mais tranquila, quase deserta, a pedida pode ser a praia do Machadinho, distante três quilômetros do centro da cidade. Quando a maré está baixa é permitida a entrada de carros, mas na cheia o jeito é deixar o automóvel na rampa e seguir o restante do caminho a pé. Ainda com pouca estrutura de barracas, o recanto conserva as belezas naturais e costuma ser bastante concorrido.

A proximidade de Colares com outras cidades permite que de barco se chegue a Mosqueiro, à Ilha do Marajó e a vários outros pontos da região. Mas, se mesmo assim o turista preferir algo mais reservado e tranquilo, a opção é o balneário Rayanne. Distante cerca de seis quilômetros da via principal da cidade, o bar/hotel/restaurante oferece a alternativa de contato direto com a natureza.

Para acesso ao local é cobrada uma taxa de R$ 3 para adultos e R$ 1 para crianças. A hospedagem custa R$ 80 a diária, em quartos com capacidade para até cinco pessoas, sem ar condicionado, mas com café da manhã incluso. Quem quiser aproveitar o espaço das acomodações ao máximo, a administração orienta que se leve redes. Se quiser apenas almoçar no local, os pratos variam entre R$ 15 e R$ 30.

A diversão na cidade fica por conta do grupo “Timbora”, responsável por organizar desde o carnaval até os grandes eventos comemorativos ao longo do ano.

Segurança

A segurança em Colares e São Caetano de Odivelas foi reforçada neste mês. Além do efetivo existente, a Polícia Militar deslocou 2.226 policiais para oito grandes comandos do interior, que tem abrangência em 51 localidades.

As rotinas operacionais da Polícia Civil contam com 615 servidores públicos a mais enviados para garantir apoio aos efetivos locais nas delegacias da região do Salgado. Já o Corpo de Bombeiros colocou 797 guarda-vidas para atuar em várias cidades do interior.

Distâncias
Belém-São Caetano: 94,74km
Belém-Colares: 62,30km

Como chegar:
São Caetano de Odivelas: BR-316 e PA-140
Colares: BR-316/PA-140 até a estrada de acesso à Penhalonga

Passagens:
São Caetano: média de R$ 16,00 de ônibus no Terminal Rodoviário de Belém
Colares: média de R$ 14,00 de ônibus no Terminal Rodoviário de Belém

(Por Bianca Teixeira – Agência Pará).

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