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6 de outubro de 2015
publicado às 16h27
Saúde de mulheres indígenas é tema de debate em aldeia no Mato Grosso

Saúde de mulheres indígenas é tema de debate em aldeia no Mato GrossoO encontro “Mulheres indígenas em ação de prevenção as IST/aids/hepatites virais e prevenção de câncer de colo de útero e mama” ocorre entre 05 e 09 de outubro na Comunidade Indígena da Aldeia Santa Isabel do Morro, em São Felix de Araguaia (MT).

Atualmente existem 896,9 mil pessoas indígenas no Brasil, segundo dados do Censo 2010. Metade desta população é constituída por mulheres. Globalmente, as desigualdades de gênero determinam que as mulheres estejam em situação de vulnerabilidade no que diz respeito à sua saúde sexual e reprodutiva. Para as mulheres indígenas não é diferente.

Neste grupo os desafios ainda são maiores em função do preconceito, da discriminação, da restrição do acesso à informação e aos serviços. Esses e outros entraves serão discutidos durante o evento “Mulheres Indígenas em Ação de Prevenção as IST/aids/hepatites virais e prevenção ao câncer de colo de útero e mama”, que ocorrerá entre 05 e 08 de outubro na Comunidade Indígena da Aldeia Santa Isabel do Morro, em São Felix de Araguaia (MT).

O evento, apoiado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) tem o objetivo de implementar uma estratégia de promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos entre mulheres indígenas, através de uma abordagem multiprofissional e diferenciada que contemple os aspectos socioculturais, incluindo a transmissão das informações na língua materna desta população.

A meta é incidir na vida de ao menos 50% das mulheres indígenas dos estados de Tocantins e de Mato Grosso. A atividade, organizada pela Associação Indígena Ijylyhinã do Vale do Araguaia e o Conselho Nacional de Mulheres Indígenas, conta ainda com apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A expectativa é que o evento conte com 400 participantes.

“Muitas vezes as mulheres deixam de utilizar os serviços de saúde e se tornam suscetíveis a inúmeras patologias transmitidas por seus parceiros, seja pelo desconhecimento de seu corpo ou desconhecimento de ações preventivas. Por viverem em comunidades em que a figura do homem as sobrepõe, existe uma fragilidade significante nas orientações em saúde, que por muitas vezes não contemplam e respeitam os aspectos socioculturais das mulheres indígenas”, destacou Conselheira Nacional de Mulheres Indígenas (Conami), Eliana Karajá.

A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos de Povos Indígenas destaca, no Artigo 24, que além do direito aos seus medicamentos tradicionais e a manter suas práticas de saúde, “as pessoas indígenas têm também direito ao acesso, sem qualquer discriminação, a todos os serviços sociais e de saúde”. E reconhece que esta população “tem direito, sem discriminação, a todos os direitos humanos reconhecidos no direito internacional, e que os povos indígenas possuem direitos coletivos que são indispensáveis para sua existência, bem-estar e desenvolvimento integral”.

Serão oferecidas no evento, oficinas sobre autoconhecimento e autocuidado; orientações sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV/aids; orientações sobre os métodos de prevenção de câncer de colo de útero e mama, infecções sexualmente transmissíveis; realização de exame preventivo para câncer de colo de útero e autoexame de mama; orientações sobre a imunização para Hepatite B e para HPV; e por fim, será criado um material informativo na língua mãe voltado à prevenção dessas doenças para as indígenas.

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