Salve a Amazonia
21 de julho de 2016
publicado às 12h17
Seringueiros de Feijó assinam primeiro contrato de venda de folhas de borracha

Seringueiros de Feijó (AC) assinam primeiro contrato de venda de folhas de borracha

Uma cooperativa de seringueiros da cidade de Feijó, no estado do Acre, deu recentemente um grande passo para aliar a produção sustentável com a conservação da biodiversidade amazônica: após quatro anos produzindo folhas de borracha coloridas e vulcanizadas do tipo Folha Semi Artefato (FSA), eles assinaram o seu primeiro contrato de venda desta matéria-prima.

A articulação, apoiada pelo WWF-Brasil, garante não só a geração de renda para os seringueiros de Feijó, mas também a produção sustentável da borracha, que é confeccionada por meio de boas práticas que não agridem a floresta.

A cooperativa em questão chama-se Cooperativa de Produção e Comercialização de Produtos Agroextrativistas de Feijó (Cooperafe). Ela representa 43 famílias extrativistas, seu trabalho ajuda a proteger as florestas acrianas e também estimula a produção sustentável na agricultura familiar.

Seringueiros de Feijó (AC) assinam primeiro contrato de venda de folhas de borracha2

Empoderamento

Segundo o contrato assinado recentemente, os seringueiros se comprometem a fornecer, para a designer e empreendedora social Flávia Amadeu, 300 quilos de borracha, em duas remessas: uma a ser entregue em agosto e outra, em dezembro. Eles receberão, por cada quilo, R$ 24 – sendo que R$ 18 vão direto para os seringueiros e o restante servirá para o pagamento de impostos e para o custeio da logística envolvida nesta atividade econômica.

Antes deste contrato, os seringueiros recebiam encomendas avulsas, que eram intermediadas pelo WWF-Brasil. Isso não ocorrerá mais: “Um dos objetivos do contrato é justamente transferir essas responsabilidades para a cooperativa, no sentido de empoderá-la e fazer com que ela passe a representar, de fato, os seringueiros. Esse contrato também traz segurança pois garante a venda do produto e a chegada de rendimentos para as comunidades”, contou a analista de conservação do WWF-Brasil, Kaline Rossi.

O acordo comercial possibilitará ainda que a Cooperafe emita notas fiscais e controle, de forma mais eficiente, os custos do processo produtivo, como os gastos com insumos, equipamentos, mão-de-obra e logística.

Apoiar e ajudar

O presidente da Cooperafe, Antonio José da Conceição, conhecido como “Toinho”, afirmou que a assinatura do contrato “é uma grande responsabilidade”. “Representar meus colegas neste tipo de iniciativa é grandioso”, afirmou.

Toinho disse ainda que a ideia é que a Cooperafe assine outros contratos com outras instituições. “Vejo que este contrato é uma porta que se abre e que não se fecha para outras. Quanto mais contratos tivermos, mais a cooperativa vai poder apoiar os seringueiros e é isso que estamos buscando. Queremos ajudar esses profissionais a dar uma vida digna para seus familiares, dar a eles todo o respeito e apoio possíveis”, declarou.

A compradora da borracha de Feijó é a designer e empreendedora social Flávia Amadeu. Flávia produz, com aquele material, biojoias – pulseiras, colares e anéis feitos com borracha amazônica. Ela vende suas peças para diversos países, entre elas Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra.

“Para mim, a grande vantagem deste contrato é a garantir o fornecimento regular da matéria-prima. Quero aumentar minha produção, mas para isso preciso ter garantias de que vou receber determinado volume de borracha. Esse contrato me dá essa segurança”, afirmou.

Vantagens

Flávia disse ainda que o contrato reforça o caráter social e sustentável da parceria entre ela e os extrativistas de Feijó – ela compra borracha de lá há 5 anos. “Queremos que esses profissionais continuem produzindo borracha da maneira que eles fazem hoje – de forma responsável, possibilitando a inclusão das mulheres na cadeia produtiva, respeitando a floresta e alcançando mercados dentro e fora do Brasil”, disse a designer.

A borracha produzida pelos extrativistas de Feijó é chamada de borracha FSA (Folha Semi Artefato).  Criada pelo projeto Laboratório de Tecnologia Química da Universidade de Brasília (Lateq/UnB), a FSA possibilita que os seringueiros produzam em suas comunidades, num processo simples, fácil e seguro. Por conta disso, eles vendem um produto de maior valor agregado e podem aumentar seu lucro, complementando sua renda familiar sem precisar sem empenhar em atividades que causem desmatamento – como a pecuária, por exemplo.

É possível saber mais sobre a borracha FSA na publicação “Produção de Borracha FDL e FSA: Guia de Treinamento”, lançada pelo WWF-Brasil em 2015 e que detalha a criação, as vantagens e os processos de fabricação e venda deste produto. (WWF-Brasil).

 

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