Salve a Amazonia
5 de abril de 2017
publicado às 17h28
WWF-Brasil apoia a recuperação de 70 nascentes em Mato Grosso

Amazon forest, Acre, Brazil

O Pantanal é a maior área úmida do planeta: seus 170.500,92 km2 se estendem por parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Bolívia e Paraguai. Suas matas verdes, a diversidade de aves e peixes e as áreas alagadas formam o cartão-postal mais conhecido por todos. Mas toda essa beleza e grandiosidade estão em risco. O desmatamento, a falta de saneamento básico e as más práticas agropecuárias são grandes ameaças às espécies – mais de 4 mil animais e plantas já registrados – e principalmente às nascentes, lagos e rios das cabeceiras do Pantanal, onde nascem as águas que abastecem a planície e sua biodiversidade. Pensando nisso, o WWF-Brasil vem desde julho de 2015 implementando diversas ações com o objetivo de conservar os rios e as nascentes dessa região, que abrange 25 municípios de Mato Grosso. Hoje, 70 fontes de água doce que alimentam os rios Jaurú, Sepotuba, Cabaçal e Alto Paraguai estão em processo de recuperação.

“Recuperar nascentes não é agir apenas no local onde ela está. É conservar toda uma cadeia hidrológica, todo um ecossistema como o Pantanal, que tem mais de quatro mil espécies animais e vegetais registradas ”, afirma Júlio César Sampaio, coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil.

De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, até 2009 o Pantanal perdeu 23.160 km2 de vegetação nativa, o equivalente a 15,31% de sua área total. Uma pesquisa realizada pelo WWF-Brasil mostrou que os níveis de turbidez – quando a água perde a transparência – e de quantidade de sólidos dissolvidos nos rios Jauru, Sepotuba e Alto-Paraguai vem aumentando. Sem a vegetação, os rios ficam desprotegidos e expostos às chuvas, que carregam sedimentos pela correnteza, provocando aumento da turbidez e do assoreamento, processo pelo qual os rios vão ficando cada vez mais rasos. A turbidez afeta o ciclo de vida dos peixes, pela falta de transparência na água, além de dificultar o tratamento da água que será distribuída à população por parte das empresas de saneamento.

O assoreamento dificulta a navegação, o fluxo das águas, a migração dos peixes e também deixa o rio vulnerável à transbordamentos em época de chuvas. A destruição da vegetação pode provocar um efeito ainda mais grave: secar completamente uma nascente. Por sua vez, a falta de um sistema de tratamento faz com que os dejetos humanos de uma localidade sejam diretamente despejados nos rios e córregos, contaminando águas, solo e até o lençol freático. Um estudo do Instituto Trata Brasil e WWF-Brasil identificou que menos de 10% do esgoto na região recebe tratamento antes do descarte.

Ações executadas

A recuperação das 70 nascentes faz parte do Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, movimento de conservação de rios e recuperação de nascentes criado pelo WWF e hoje constituído por mais de 47 entidades (entre prefeituras, governo do estado de Mato Grosso, empresas e ONG’s).

Outros resultados positivos do Pacto até o momento são: 20 famílias beneficiadas com a instalação de biofossas (além de solucionarem a falta de saneamento básico, evitam a proliferação de doenças e a contaminação das águas – nascentes, córregos e aquíferos); 76 pequenas propriedades prontas para receber Pagamento por Serviços Ambientais (PSA); 3 viveiros florestais em andamento; cursos de capacitação para produtores rurais e a instituição de leis municipais de criação do PSA em Mirassol D’oeste e Tangará da Serra, em Mato Grosso. WWF – Brasil

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