{"id":10076,"date":"2025-09-09T14:06:32","date_gmt":"2025-09-09T17:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=10076"},"modified":"2025-09-13T14:14:42","modified_gmt":"2025-09-13T17:14:42","slug":"o-chamado-global-que-ecoa-da-africa-para-belem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/o-chamado-global-que-ecoa-da-africa-para-belem\/","title":{"rendered":"O chamado global que ecoa da \u00c1frica para Bel\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>Na C\u00fapula do Clima da \u00c1frica, autoridades defenderam uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa e acess\u00edvel, e sugeriram que a COP30, em Bel\u00e9m, marque o in\u00edcio da implementa\u00e7\u00e3o efetiva de solu\u00e7\u00f5es. O debate destacou a urg\u00eancia do tema, com o relato de que 600 milh\u00f5es de africanos ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade<\/p>\n<div id=\"page-document\" class=\"ui container view-wrapper newsitem-view\">\n<p>Em um painel estrat\u00e9gico durante a C\u00fapula do Clima da \u00c1frica, na segunda-feira, 8\/9,\u00a0 autoridades globais tra\u00e7aram os caminhos para uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa e acess\u00edvel, com foco especial na implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es concretas rumo \u00e0 COP30.\u00a0 O presidente da COP30, embaixador Andr\u00e9 Corr\u00eaa do Lago, defendeu com convic\u00e7\u00e3o que n\u00e3o existe contradi\u00e7\u00e3o entre desenvolvimento e a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil est\u00e1 comprometido em usar a COP30 para expandir a percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel conciliar acesso energ\u00e9tico e combate \u00e0 mudan\u00e7a do clima\u201d, afirmou. Ele ressaltou que o pa\u00eds, com sua diversidade de realidades, mostra que solu\u00e7\u00f5es adapt\u00e1veis s\u00e3o vi\u00e1veis em diferentes contextos \u2013 uma mensagem especialmente relevante para a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Corr\u00eaa do Lago tamb\u00e9m enfatizou a urg\u00eancia de mudar a narrativa global em torno da agenda clim\u00e1tica. \u201cInfelizmente, muitas pessoas ainda veem essa transi\u00e7\u00e3o como antieconomia ou anti-pessoas. Precisamos lembrar que se trata de gerar empregos, crescimento e melhor qualidade de vida\u201d, disse. Sua fala foi um chamado por a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e mensur\u00e1veis, alinhadas com metas j\u00e1 estabelecidas, como a triplica\u00e7\u00e3o da capacidade de energia renov\u00e1vel e da efici\u00eancia energ\u00e9tica at\u00e9 2030, decididas na COP28.<\/p>\n<h3 class=\"block-heading\">Urg\u00eancia por mudan\u00e7as no debate clim\u00e1tico<\/h3>\n<p>Em interven\u00e7\u00e3o marcante durante painel, Richard Muyungi, representante do governo da Tanz\u00e2nia e presidente do Grupo Africano de Negociadores na Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC), defendeu que as necessidades b\u00e1sicas do continente africano devem ser o cerne das negocia\u00e7\u00f5es da COP30, marcando uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica no debate clim\u00e1tico global. Muyungi destacou que esta \u00e9 a primeira vez que as discuss\u00f5es clim\u00e1ticas globais colocam no centro os problemas que verdadeiramente importam para a popula\u00e7\u00e3o do continente africano.<\/p>\n<p>Ele apresentou dados para ilustrar a crise de acesso que assola a \u00c1frica, com cerca de 1 bilh\u00e3o de pessoas sem acesso a m\u00e9todos limpos para cozinhar. &#8220;Temos mulheres, crian\u00e7as, n\u00e3o indo para a escola, n\u00e3o sendo produtivos para o continente, simplesmente porque eles passam 10 horas procurando por lenha, e outras 10 horas tentando fazer uma simples refei\u00e7\u00e3o&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>Para Richard Muyungi, estes n\u00e3o s\u00e3o dados abstratos, mas a raz\u00e3o de ser de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa. &#8220;Quando voc\u00ea fala de transi\u00e7\u00e3o no contexto em que negociamos, voc\u00ea precisa ver o que \u00e9 justo&#8221;, argumentou. A justi\u00e7a, para Muyungi, se traduz em metas n\u00edtidas. \u201cA Miss\u00e3o 300, que visa fornecer acesso \u00e0 eletricidade para pelo menos metade destes 600 milh\u00f5es at\u00e9 2030\u201d.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros apresentados revelaram a dimens\u00e3o dram\u00e1tica do desafio. Na \u00c1frica, 600 milh\u00f5es de pessoas ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade, somados aos que carecem de combust\u00edveis limpos para cozinhar. Globalmente, esse n\u00famero salta para 2,3 bilh\u00f5es dependentes de fontes poluentes para preparo de alimentos, com impactos graves na sa\u00fade, no meio ambiente e na igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Dymphna Van Der Lans, da Clean Cooking Alliance (Cozinha limpa para bilh\u00f5es de pessoas), foi direta: \u201cn\u00e3o h\u00e1 universalidade ou justi\u00e7a sem acesso \u00e0 cozinha limpa\u201d. Segundo Dymphna, essa realidade exige n\u00e3o apenas inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m financiamento acess\u00edvel e coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<h3 class=\"block-heading\">COP30 da implementa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O consenso entre os participantes \u00e9 que a COP30 precisa ser a confer\u00eancia da implementa\u00e7\u00e3o \u2013 o momento de transformar discursos em resultados tang\u00edveis. Para isso, ser\u00e1 essencial enfrentar barreiras como o alto custo de capital nos pa\u00edses em desenvolvimento, a falta de infraestrutura de rede e armazenamento, e a fragmenta\u00e7\u00e3o de iniciativas.<\/p>\n<p>Representantes da Alemanha, It\u00e1lia e Azerbaij\u00e3o, entre outros, destacaram a import\u00e2ncia de canalizar investimentos concessionais, reduzir riscos percebidos e cumprir os compromissos financeiros j\u00e1 assumidos. Como lembrou Rachel Kyte, representante especial para o clima do Reino Unido: \u201c\u00e9 hora de priorizar a disciplina e o foco, consolidando e ampliando o que j\u00e1 funciona, em vez de lan\u00e7ar ainda mais siglas e programas desconexos&#8221;.<\/p>\n<p>O brasileiro Dan Ioschpe, campe\u00e3o clim\u00e1tico de alto n\u00edvel para a COP30, defendeu com veem\u00eancia que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica deve ser sin\u00f4nimo de acesso e justi\u00e7a, posicionando esses temas como centrais para a confer\u00eancia de Bel\u00e9m em 2025. Ioschpe delineou uma vis\u00e3o pr\u00e1tica e orientada para resultados. &#8220;A COP30 \u00e9 tudo sobre implementa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou,<\/p>\n<p>Ioschpe explicou que sua atua\u00e7\u00e3o est\u00e1 estruturada em 30 grupos de ativa\u00e7\u00e3o, cada um focado em objetivos-chave e solu\u00e7\u00f5es tang\u00edveis. O campe\u00e3o clim\u00e1tico tamb\u00e9m alertou para os gargalos cr\u00edticos de infraestrutura. &#8220;N\u00e3o adianta apenas gerar energia renov\u00e1vel. Estamos num ponto em que n\u00e3o temos para onde escoar essa energia adicional&#8221;, ilustrou, defendendo investimentos massivos em transmiss\u00e3o e armazenamento.<\/p>\n<h3 class=\"block-heading\">A Grande Barragem, s\u00edmbolo da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na Eti\u00f3pia<\/h3>\n<p>Entre os projetos citados que mais despertam aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 a Grande Barragem da Renascen\u00e7a Et\u00edope, o maior empreendimento hidrel\u00e9trico da \u00c1frica. Constru\u00edda no Nilo Azul, a barragem de mais de 1 km de extens\u00e3o e 145 metros de altura deve dobrar a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia da Eti\u00f3pia e levar eletricidade a milh\u00f5es de pessoas que ainda vivem sem acesso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de transformar a matriz energ\u00e9tica et\u00edope, a barragem fortalece a integra\u00e7\u00e3o regional. O excedente de eletricidade j\u00e1 come\u00e7ou a ser exportado para pa\u00edses vizinhos como Sud\u00e3o do Sul, Qu\u00eania e Djibuti, criando um mercado regional de energia limpa e fomentando a coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Para especialistas, o projeto \u00e9 um marco da capacidade africana de investir em infraestrutura sustent\u00e1vel sem depender exclusivamente de financiamento externo. Embora controverso em raz\u00e3o de disputas diplom\u00e1ticas ligadas ao uso das \u00e1guas do Nilo, a barragem simboliza como a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica pode impulsionar a industrializa\u00e7\u00e3o verde e o desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Ao fim do painel, as falas convergiram na mensagem de que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 um obst\u00e1culo ao desenvolvimento, mas sua principal alavanca. A COP30 em Bel\u00e9m se configura, portanto, n\u00e3o como um fim em si mesma, mas como um ponto de partida essencial para transformar consensos globais em energia limpa, acess\u00edvel e justa para milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>O debate sobre os caminhos para uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa foi organizado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA).<\/p>\n<p>Fonte: COP 30 &#8211; <em>Por\u00a0<a class=\"\" href=\"mailto:leandro.molina@presidencia.gov.br\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Molina\u00a0<\/a><\/em><\/p>\n<p>Foto: Rafa Neddermeyer\/COP30 Brasil\/PR<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ui container tags\"><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na C\u00fapula do Clima da \u00c1frica, autoridades defenderam uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa e acess\u00edvel, e sugeriram que a COP30, em Bel\u00e9m, marque o in\u00edcio da implementa\u00e7\u00e3o efetiva de solu\u00e7\u00f5es. 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