{"id":10552,"date":"2026-02-26T17:37:38","date_gmt":"2026-02-26T20:37:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=10552"},"modified":"2026-03-18T11:47:02","modified_gmt":"2026-03-18T14:47:02","slug":"tcu-recomenda-suspensao-da-concessao-da-ferrograo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/tcu-recomenda-suspensao-da-concessao-da-ferrograo\/","title":{"rendered":"TCU recomenda suspens\u00e3o da concess\u00e3o da Ferrogr\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u00d3rg\u00e3o indica que leil\u00e3o ocorra somente ap\u00f3s obten\u00e7\u00e3o de Licen\u00e7a Pr\u00e9via e pede audi\u00eancia p\u00fablica sobre os novos estudos, que refletem modifica\u00e7\u00f5es no \u201cn\u00facleo essencial\u201d do projeto de concess\u00e3o anteriormente apresentado<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/tc-0257562020-6-relatorio-de-desestatizacao-des\">Tribunal de Contas da Uni\u00e3o recomendou<\/a>, na \u00faltima segunda-feira (23\/02), a manuten\u00e7\u00e3o da suspens\u00e3o do processo do projeto Ferrogr\u00e3o at\u00e9 que a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Minist\u00e9rio dos Transportes promovam a realiza\u00e7\u00e3o de nova audi\u00eancia p\u00fablica e comprova\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o social; obten\u00e7\u00e3o da Licen\u00e7a Pr\u00e9via como marco institucional do atesto de viabilidade ambiental do empreendimento; e justificativa da previs\u00e3o de aportes p\u00fablicos.<\/p>\n<div class=\"node-bg\">\n<div class=\"container share-margin\">\n<article class=\"node node--type-article node--promoted node--view-mode-full clearfix\">\n<div class=\"node__content clearfix\">\n<div class=\"node-content-data\">\n<p dir=\"ltr\">Os estudos foram juntados ao processo de concess\u00e3o pelo Minist\u00e9rio de Transporte em 19 de fevereiro de 2026 e, segundo avalia\u00e7\u00e3o preliminar, h\u00e1 impedimentos para continuidade da an\u00e1lise do projeto por conta de lacunas na participa\u00e7\u00e3o social, na defini\u00e7\u00e3o das condicionantes socioambientais e na modelagem econ\u00f4mico-financeira do projeto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De acordo com a Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portu\u00e1ria e Ferrovi\u00e1ria (AudPortoFerrovia), os estudos, atualizados em 2024, refletem modifica\u00e7\u00f5es no \u201cn\u00facleo essencial\u201d do projeto de concess\u00e3o anteriormente apresentado ao \u00f3rg\u00e3o, em 2020, mas que n\u00e3o foram submetidos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Entre as justificativas est\u00e1 presente que \u201c[&#8230;] avan\u00e7ar sem nova audi\u00eancia p\u00fablica tende a enfraquecer a legitimidade democr\u00e1tica da decis\u00e3o e a confian\u00e7a nos mecanismos de governan\u00e7a do projeto. Em empreendimentos de grande escala e elevada sensibilidade socioambiental, a aus\u00eancia de atualiza\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico desloca potenciais controv\u00e9rsias para fases posteriores, nas quais os custos de ajuste s\u00e3o mais elevados e as alternativas decis\u00f3rias mais restritas.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A aus\u00eancia da comprova\u00e7\u00e3o da viabilidade socioambiental do empreendimento, \u00e9, de acordo com a unidade t\u00e9cnica, fator cr\u00edtico para o avan\u00e7o com o leil\u00e3o. Avaliando comparativamente\u00a0os casos da UHE Belo Monte, do Linh\u00e3o Manaus\u2013Boa Vista, a UHE S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s e a duplica\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro Caraj\u00e1s, afirmou-se que \u201c[&#8230;] o elemento discriminador entre cen\u00e1rios de execu\u00e7\u00e3o administr\u00e1vel, atraso estrutural ou inviabilidade reconhecida n\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do leil\u00e3o em si, mas o grau de consolida\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da viabilidade socioambiental.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Complementarmente, o TCU menciona a relev\u00e2ncia dos riscos associados aos impactos a povos ind\u00edgenas, destacando-se o dever de Consulta Livre, Pr\u00e9via e Informada:<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201c[&#8230;] A presen\u00e7a de terras ind\u00edgenas na \u00e1rea de influ\u00eancia da ferrovia e a incid\u00eancia da Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT\u00a0 introduzem obriga\u00e7\u00f5es procedimentais espec\u00edficas, notadamente o dever de consulta pr\u00e9via, livre e\u00a0 informada. Esse tema n\u00e3o se apresenta como risco hipot\u00e9tico, mas como eixo recorrente do debate\u00a0 p\u00fablico e institucional em torno da Ferrogr\u00e3o, com manifesta\u00e7\u00f5es no sentido de que a consulta deve\u00a0 ocorrer ainda na fase de planejamento. A recorr\u00eancia dessas discuss\u00f5es revela que o componente\u00a0 ind\u00edgena constitui fator aut\u00f4nomo de risco, com potencial de impactar diretamente o cronograma do\u00a0 empreendimento e de ensejar novos ciclos de judicializa\u00e7\u00e3o caso n\u00e3o seja adequadamente equacionado.\u201d<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h5>Avalia\u00e7\u00e3o de impactos cumulativos no componente ind\u00edgena da Ferrogr\u00e3o<\/h5>\n<p dir=\"ltr\">Em 03 de fevereiro de 2026 a FUNAI encaminhou \u00e0 INFRA S.A e ao Minist\u00e9rio de Transportes novo\u00a0<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/termo-de-referencia-componente-indigena-licenciamento-ambiental\">Termo de Refer\u00eancia para os Estudos do Componente Ind\u00edgena da Ferrogr\u00e3o<\/a>, com a solicita\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o de impactos cumulativos considerando como escopo geogr\u00e1fico as terras ind\u00edgenas e aldeias ind\u00edgenas sobre as quais h\u00e1 previs\u00e3o de impactos de infraestruturas associadas \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o da Ferrogr\u00e3o, como a hidrovia do Tapaj\u00f3s, as Esta\u00e7\u00f5es de Transbordo de Carga (ETCs), a BR-163 e a rodovia estadual MT-322.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-02\/RS156888_DSC09432.jpg?itok=zjuLC8at\" alt=\"Participantes da marcha do Acampamento Terra Livre com o cartaz &quot;Trilhos da destrui\u00e7\u00e3o. Ferrogr\u00e3o n\u00e3o!&quot;\" width=\"1200\" height=\"759\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Povos ind\u00edgenas pedem sa\u00edda do projeto de seus territ\u00f3rios no Acampamento Terra Livre (ATL)<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Renan Khis\u00eatj\u00ea\/AIK\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Rol de terras ind\u00edgenas indicadas para avalia\u00e7\u00e3o de impactos cumulativos:<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Praia do Mangue (Munduruku)<br \/>\nPraia do \u00cdndio (Munduruku) (Reestudo)<br \/>\nSawr\u00e9 Ba\u2019pim (Apompu) (Munduruku)<br \/>\nSawr\u00e9 Muybu (Munduruku e Registro de Povo Ind\u00edgena Isolado n\u00ba 111 &#8211; Rio Jamanxim)<br \/>\nRegistro de Povo Ind\u00edgena Isolado n\u00ba 40 (Riozinho do Anfr\u00edsio, localizado na Reserva Extrativista &#8211; RESEX Riozinho do Anfr\u00edsio)<br \/>\nBa\u00fa (Meb\u00eang\u00f4kre Kayap\u00f3 e Registro de Povo Ind\u00edgena Isolado n\u00ba 42 &#8211; Iriri Novo) Panar\u00e1 (Panar\u00e1)<br \/>\nMenkragnoti (Meb\u00eang\u00f4kre Kayap\u00f3, Registros de Povo Ind\u00edgena Isolado n\u00bas. 42 &#8211; Iriri Novo e 118 &#8211; Capot Nhinore)<br \/>\nMunduruku-Taquara (Munduruku)<br \/>\nBragan\u00e7a-Marituba (Munduruku)<br \/>\n(Aldeias Escriv\u00e3o &#8211; Em estudo, Camar\u00e3o, Pinhel, Tupinamb\u00e1 do Baixo Tapaj\u00f3s-Identifica\u00e7\u00e3o, Jaca, Paranapixuna, Santo Amaro,Mirixituba, Muratuba, Piracatuba, S\u00e3o Pedro, S\u00e3o Francisco, Brinco das Mo\u00e7as, Lim\u00e3o Tuba, Pajur\u00e1, Castanhal, Enseada doAmorim, S\u00e3o Caetano, Amassurara, Mapiazinho, Suruac\u00e1, Ara\u00e7azal, Vista Alegre, Solim\u00f5es, Arapium-Identifica\u00e7\u00e3o, Vila Franca,Kumaruara-Identifica\u00e7\u00e3o, Borari de Alter do Ch\u00e3o &#8211; Em estudo)<br \/>\nTerena Gleba Iriri e Aldeia Kopenoty (Terena)<br \/>\nParque do Xingu (Wauja, Trum\u00e1i, Yawalapit\u00ed, Mehin\u00e1ku, Aweti,<br \/>\nYudj\u00e1, Kis\u00eadj\u00ea, Ikpeng, Matip\u00fa, Kuikuro, Nahuku\u00e1, Tapayuna,Kaiabi, Kamayrur\u00e1, Kalapalo e Registros de Povo Ind\u00edgena Isolado n\u00bas. 119 &#8211; Alto Xingu\/Curisevo e 120 &#8211; Alto Xingu\/Arraias)<br \/>\nCapoto\/Jarina (Meb\u00eang\u00f4kre Kayap\u00f3, Tapayuna)<\/p>\n<\/div>\n<h5>Viabilidade econ\u00f4mico-financeira<\/h5>\n<p dir=\"ltr\">A unidade t\u00e9cnica tamb\u00e9m se manifestou pela necessidade de esclarecimentos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modelagem econ\u00f4mico-financeira da concess\u00e3o, haja vista a previs\u00e3o de de aporte p\u00fablico total de aproximadamente R$ 3,5 bilh\u00f5es, a ser desembolsado entre os anos de 2028 e 2030, distribu\u00eddo, respectivamente, nos valores de R$ 329 milh\u00f5es, R$ 1,40 bilh\u00e3o e R$ 1,65 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A an\u00e1lise indicou pend\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 poss\u00edvel origem do aporte de recursos p\u00fablicos a partir dos recursos de investimentos cruzados previstos nos processos de concess\u00f5es da Rumo Malha Paulista, Malha Regional Sudeste S.A. (MRS) e da Vale S.A., relativamente \u00e0 Estrada de Ferro Vit\u00f3ria a Minas, que totalizam aproximadamente R$ 2,25 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEm especial, a modelagem incorpora aporte p\u00fablico relevante (aproximadamente R$ 3,5 bilh\u00f5es) sem adequada explicita\u00e7\u00e3o do enquadramento jur\u00eddico e sem disciplina contratual suficientemente detalhada, ao mesmo tempo em que o arranjo de investimento cruzado apresenta ind\u00edcios de insufici\u00eancia de recursos e potencial descasamento temporal entre fluxos financeiros, projetando incertezas quanto \u00e0 sufici\u00eancia, \u00e0 previsibilidade e \u00e0 compatibilidade dos recursos, bem como quanto aos impactos fiscais associados, o que impede, no estado atual, a adequada avalia\u00e7\u00e3o da modelagem e de seus riscos por esta Unidade T\u00e9cnica\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A decis\u00e3o sobre a manuten\u00e7\u00e3o do sobrestamento do processo de concess\u00e3o da Ferrogr\u00e3o ser\u00e1 dada pelo ministro relator. O ministro Aroldo Cedraz, relator do processo desde 2020, aposenta-se na data de hoje, dia 26 de fevereiro de 2026.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"node\">\n<div class=\"related\">\n<div class=\"container\">Fonte: ISA &#8211; Por Mariel Nakane &#8211; Assessora do ISA<\/div>\n<div>Foto: Alberto C\u00e9sar Ara\u00fajo\/Amaz\u00f4nia Real<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3rg\u00e3o indica que leil\u00e3o ocorra somente ap\u00f3s obten\u00e7\u00e3o de Licen\u00e7a Pr\u00e9via e pede audi\u00eancia p\u00fablica sobre os novos estudos, que refletem modifica\u00e7\u00f5es no \u201cn\u00facleo essencial\u201d do projeto de concess\u00e3o anteriormente apresentado O\u00a0Tribunal de Contas da Uni\u00e3o recomendou, na \u00faltima segunda-feira (23\/02), a manuten\u00e7\u00e3o da suspens\u00e3o&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19,1614,29,35,31],"tags":[2092],"class_list":["post-10552","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-2","category-indigenas","category-mato-grosso","category-meio-ambiente","category-para","tag-viabilidade-socioambiental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10552"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10554,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10552\/revisions\/10554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}