{"id":10587,"date":"2026-04-01T14:30:17","date_gmt":"2026-04-01T17:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=10587"},"modified":"2026-04-01T14:30:17","modified_gmt":"2026-04-01T17:30:17","slug":"cop15-sitios-ramsar-na-amazonia-reforcam-papel-estrategico-na-protecao-de-especies-migratorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/cop15-sitios-ramsar-na-amazonia-reforcam-papel-estrategico-na-protecao-de-especies-migratorias\/","title":{"rendered":"COP15: S\u00edtios Ramsar na Amaz\u00f4nia refor\u00e7am papel estrat\u00e9gico na prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies migrat\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Reconhecido desde 2018, o S\u00edtio Ramsar do Rio Negro \u00e9 o maior de \u00e1guas pretas do mundo, com cerca de 12 milh\u00f5es de hectares, e foi pauta na COP15 sobre Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias<\/p>\n<p>As zonas \u00famidas da Amaz\u00f4nia estiveram no centro das discuss\u00f5es sobre estrat\u00e9gias para a conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies migrat\u00f3rias no Brasil. Durante dois debates realizados na 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias, realizada em\u00a0Campo Grande, especialistas refor\u00e7aram que proteger esses territ\u00f3rios exige fortalecer a governan\u00e7a local e reconhecer o papel das popula\u00e7\u00f5es que vivem nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Realizados nos dias 26 e 27 de mar\u00e7o, os encontros abordaram desde a governan\u00e7a territorial at\u00e9 os desafios enfrentados por esp\u00e9cies migrat\u00f3rias em paisagens aqu\u00e1ticas cada vez mais pressionadas. Em comum, as discuss\u00f5es apontaram que a conserva\u00e7\u00e3o depende da integridade dos ecossistemas e da participa\u00e7\u00e3o ativa das comunidades.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O primeiro painel, realizado no Espa\u00e7o Brasil (Zona Azul), trouxe experi\u00eancias de S\u00edtios Regionais da Amaz\u00f4nia, os s\u00edtios Ramsar no Rio Negro, no Juru\u00e1 e no estu\u00e1rio da foz do Amazonas, evidenciando que a governan\u00e7a territorial \u00e9 um dos pilares da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nessas experi\u00eancias, o monitoramento comunit\u00e1rio tem sido fundamental n\u00e3o apenas para registrar mudan\u00e7as ambientais, mas tamb\u00e9m para fortalecer a autonomia dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-03\/22.jpg?itok=nqmied6u\" alt=\"Renata Alves, analista de geoprocessamento do Instituto Socioambiental (ISA) e membro do Comit\u00ea Nacional de Zonas \u00damidas (CNZU)\" width=\"400\" height=\"445\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Renata Alves, analista de geoprocessamento do ISA e membro do CNZU fala sobre a import\u00e2ncia dos PGTAs<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>CCOM\/ICMBio<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">As falas tamb\u00e9m evidenciaram que as mudan\u00e7as nos padr\u00f5es das esp\u00e9cies migrat\u00f3rias j\u00e1 s\u00e3o percept\u00edveis localmente. Altera\u00e7\u00f5es no comportamento de peixes e aves t\u00eam sido observadas com maior frequ\u00eancia, refor\u00e7ando a urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es integradas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Neste contexto, o Agente Ind\u00edgena de Manejo Ambiental (AIMA) Tiago Pacheco apresentou pesquisa intercultural na regi\u00e3o do Rio Negro sobre aves migrat\u00f3rias nos ciclos anuais, onde se tem observado a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de avistamentos na regi\u00e3o, que pode estar relacionada \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Participaram da mesa Renata Alves, ec\u00f3loga e analista de geoprocessamento do Instituto Socioambiental (ISA) e membro do Comit\u00ea Nacional de Zonas \u00damidas (CNZU), Gabriela Soeiro, do Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT\/ICMBio), Selma Ribeiro, do Centro Nacional de Pesquisa em Biodiversidade e Restaura\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica (CBC\/ICMBio), Tiago Pacheco, AIMA do Rio Negro, e Guillermo Estupi\u00f1\u00e1n, da Wildlife Conservation Society (WCS)<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Reconhecido desde 2018, o S\u00edtio Ramsar do Rio Negro \u00e9 a maior zona \u00famida de \u00e1guas pretas de import\u00e2ncia internacional do mundo, com cerca de 12 milh\u00f5es de hectares. A \u00e1rea abrange um mosaico de oito terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o municipal, estadual e federal, localizados no noroeste amaz\u00f4nico, formando um dos maiores cont\u00ednuos de florestas e rios preservados do planeta. A alta diversidade biol\u00f3gica da regi\u00e3o inclui animais em extin\u00e7\u00e3o como o peixe-boi-da-Amaz\u00f4nia e o boto-cor-de-rosa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo Renata Alves, o processo de governan\u00e7a do s\u00edtio est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 articula\u00e7\u00e3o com os Planos de Gest\u00e3o Territorial e Ambiental (PGTAs) das terras ind\u00edgenas que comp\u00f5em esse territ\u00f3rio. Esses instrumentos, elaborados pelos povos ind\u00edgenas, orientam o uso, a prote\u00e7\u00e3o e o manejo dos recursos naturais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA governan\u00e7a neste s\u00edtio n\u00e3o come\u00e7a do zero, ela se baseia em instrumentos que j\u00e1 existem e que expressam como os povos querem cuidar dos seus territ\u00f3rios\u201d, destaca.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-03\/Mapa_SitiosRamsarRioNegroAPs_Numeros_Governanca_A0.jpg_0.jpeg?itok=U-Br-owC\" alt=\"S\u00edtio Ramsar do Rio Negro \u00e9 a maior zona \u00famida de \u00e1guas pretas do mundo\" width=\"1200\" height=\"814\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">S\u00edtio Ramsar do Rio Negro \u00e9 a maior zona \u00famida de \u00e1guas pretas do mundo<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Renata Alves\/Rio Negro<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Conectividade ecol\u00f3gica<\/h5>\n<p dir=\"ltr\">No segundo painel, que discutiu paisagens aqu\u00e1ticas e suas vulnerabilidades e oportunidades, realizado pelo\u00a0 ISA, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM), o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), especialistas destacaram que esp\u00e9cies migrat\u00f3rias dependem de grandes \u00e1reas conectadas para sobreviver.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-right\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-03\/IMG_2028.jpg?itok=tXqL2bRz\" alt=\"Pesquisador Carlos Durigan (Ipam) dividiu painel sobre paisagens aqu\u00e1ticas, suas vulnerabilidades e oportunidades com Renata Alves (ISA)\" width=\"400\" height=\"340\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Pesquisador Carlos Durigan (Ipam) dividiu painel sobre paisagens aqu\u00e1ticas, suas vulnerabilidades e oportunidades com Renata Alves (ISA)<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Vanessa Fernandes\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">A fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats, causada por desmatamento, mudan\u00e7as hidrol\u00f3gicas e grandes obras de infraestrutura, foi apontada como uma das principais amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade. \u201cAs esp\u00e9cies migrat\u00f3rias precisam de continuidade. Quando voc\u00ea rompe essa conectividade, voc\u00ea compromete todo o ciclo de vida dessas esp\u00e9cies\u201d, alerta Jochen Schongart, pesquisador do INPA.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao mesmo tempo, os S\u00edtios Ramsar foram apresentados como uma oportunidade estrat\u00e9gica para integrar conserva\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e pol\u00edticas p\u00fablicas, ampliando a visibilidade internacional dessas \u00e1reas e organizando esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nesse contexto, especialistas tamb\u00e9m chamaram aten\u00e7\u00e3o para o papel das florestas p\u00fablicas n\u00e3o destinadas na Amaz\u00f4nia, que somam cerca de 50 milh\u00f5es de hectares e ainda aguardam defini\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria por parte dos governos. Sem destina\u00e7\u00e3o, essas \u00e1reas permanecem altamente vulner\u00e1veis \u00e0 grilagem e ao desmatamento.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA destina\u00e7\u00e3o dessas florestas \u00e9 uma agenda urgente. \u00c9 uma oportunidade concreta de reduzir a press\u00e3o sobre a Amaz\u00f4nia e, ao mesmo tempo, garantir conectividade ecol\u00f3gica em larga escala\u201d, destacou Carlos Durigan, pesquisador do Ipam.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo ele, a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, o reconhecimento de territ\u00f3rios tradicionais, como\u00a0 ind\u00edgenas e quilombolas, e outras formas de uso sustent\u00e1vel podem transformar essas \u00e1reas em corredores ecol\u00f3gicos estrat\u00e9gicos, fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o dos fluxos das esp\u00e9cies migrat\u00f3rias e para a prote\u00e7\u00e3o das zonas \u00famidas no pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<p>Os S\u00edtios Ramsar s\u00e3o \u00e1reas \u00famidas reconhecidas internacionalmente por sua import\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. O t\u00edtulo \u00e9 concedido no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o de Ramsar, um acordo global criado em 1971 para promover a prote\u00e7\u00e3o e o uso sustent\u00e1vel desses ecossistemas.<\/p>\n<p>As zonas \u00famidas incluem ambientes como rios, lagos, \u00e1reas alagadas, manguezais e florestas inund\u00e1veis, que s\u00e3o ecossistemas fundamentais para a conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, do clima e da vida silvestre.<\/p>\n<p>Fonte: ISA &#8211; Por Vanessa Fernandes<\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhecido desde 2018, o S\u00edtio Ramsar do Rio Negro \u00e9 o maior de \u00e1guas pretas do mundo, com cerca de 12 milh\u00f5es de hectares, e foi pauta na COP15 sobre Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias As zonas \u00famidas da Amaz\u00f4nia estiveram no centro das discuss\u00f5es sobre estrat\u00e9gias para&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10588,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,18,35],"tags":[1303],"class_list":["post-10587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonas","category-area-1","category-meio-ambiente","tag-rio-negro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10587"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10587\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10589,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10587\/revisions\/10589"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10588"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}