{"id":10792,"date":"2026-06-08T19:34:35","date_gmt":"2026-06-08T22:34:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=10792"},"modified":"2026-06-08T19:34:35","modified_gmt":"2026-06-08T22:34:35","slug":"luciane-lima-guardia-das-economias-e-da-cultura-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/luciane-lima-guardia-das-economias-e-da-cultura-indigenas\/","title":{"rendered":"Luciane Lima: guardi\u00e3 das economias e da cultura ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p>Lideran\u00e7a que esteve \u00e0 frente do Departamento de Neg\u00f3cios Socioambientais da FOIRN, Luciane se inspira na for\u00e7a do povo Tariana para fortalecer e articular a floresta, os neg\u00f3cios, os povos e as mulheres do Rio Negro<\/p>\n<div class=\"node-bg\">\n<div class=\"container share-margin\">\n<article class=\"node node--type-article node--promoted node--view-mode-full clearfix\">\n<div class=\"node__content clearfix\">\n<div class=\"node-content-data\">\n<p dir=\"ltr\"><em>*Este texto faz parte da s\u00e9rie #ElasQueLutam, que costura perfis sobre mulheres guardi\u00e3s das hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria de suas comunidades, e que fazem de seus corpos uma extens\u00e3o de seus territ\u00f3rios tradicionais.\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/elas-que-lutam-30-mulheres-para-se-inspirar-em-2024\"><em>Saiba mais aqui<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cNo in\u00edcio, quando n\u00e3o existia nada, s\u00f3 existia um ser, o Trov\u00e3o\u00a0Ennu. Em seu corpo ele tinha v\u00e1rios enfeites, a\u00a0ak\u00e2ngatara\u00a0(cocar), o\u00a0itaboho\u00a0(cilindro de quartzo usado como pingente de colar), o\u00a0bet\u00e2pa\u00a0(enfeite de cotovelo feito de pele de macaco), o\u00a0yaigi\u00a0(bast\u00e3o de comando), o escudo, o\u00a0kiti\u00f3\u00a0(chocalho de tornozelo)\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cTamb\u00e9m levava seu cigarro encaixado na forquilha, sua cuia de ipadu e sua cuia de bebidas doces. Ele vivia s\u00f3 em sua casa, no alto, e come\u00e7ou a pensar sobre a possibilidade de criar novas pessoas. E pensou em um homem e em uma mulher,\u00a0Kui\u00a0e\u00a0Nanaio. Ap\u00f3s o surgimento de\u00a0Kui\u00a0e\u00a0Nanaio,\u00a0Ennu\u00a0criou os rios, as \u00e1rvores e os animais. Tudo que surgiu corresponde aos adornos ou objetos e subst\u00e2ncias cerimoniais do Trov\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Essa narrativa faz parte da mitologia dos Tariana, um dos 23 povos que convivem no alto Rio Negro, noroeste do Amazonas. Os mais velhos contam que o povo Tariana se reconhece como \u201cFilhos do Sangue do Trov\u00e3o\u201d &#8211;\u00a0Bip\u00f3 Diro\u00e1 Mas\u00ed.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E \u00e9 com essa for\u00e7a que Luciane Mendes de Lima, do povo Tariana, identifica-se e vem atuando como coordenadora do Departamento de Neg\u00f3cios Socioambientais da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro (FOIRN).<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-06\/RS107820_IMG_6442.jpg?itok=qiJloBhL\" alt=\"Luciane Lima, Tariana, durante o I Encontro Geral de Produtores Ind\u00edgenas do Rio Negro, na Maloca \u2013 Casa do Saber da FOIRN, em outubro de 2022\" width=\"1200\" height=\"900\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Luciane Lima, Tariana, durante o I Encontro Geral de Produtores Ind\u00edgenas do Rio Negro, na Casa do Saber da FOIRN, em 2022<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Ana Am\u00e9lia Hamdan\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">\u201c\u00c0s vezes a gente brinca, quando vai come\u00e7ar a chover e d\u00e1 muitos raios, muitos trov\u00f5es, a gente diz que tem um Tariana bravo. Eu me identifico muito com essa for\u00e7a. Acho que \u00e9 um jeito de ser forte, de ser guerreiro, que \u00e9 uma caracter\u00edstica do Povo do Trov\u00e3o, que \u00e9 justamente os Tarianas\u201d, diz.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Luciane Lima busca habilidade, sabedoria e cuidado para os di\u00e1logos e a\u00e7\u00f5es que promovem as economias da sociobiodiversidade, articulando neg\u00f3cios e parcerias que, ao mesmo tempo, preservam e fortalecem a cultura dos povos que convivem na regi\u00e3o do Baixo, M\u00e9dio e Alto Rio Negro, nos munic\u00edpios amazonenses de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Departamento de Neg\u00f3cios da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro (FOIRN) abrange a Warir\u00f3 \u2013 Casa dos Produtores Ind\u00edgenas do Rio Negro; iniciativas de turismo; iniciativas alimentares, sendo as principais delas a Pimenta Baniwa, a Casa de Frutas e a Meliponicultura; e os Mercados Institucionais, em conex\u00e3o com pol\u00edticas p\u00fablicas como o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA).\u00a0Os planos para o futuro incluem o desenvolvimento da Warir\u00f3 Sabores, com foco na comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Estas s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que apoiam diretamente as ind\u00edgenas: atualmente, 64% dos neg\u00f3cios da Warir\u00f3 s\u00e3o feitos com mulheres. Muitas das atividades s\u00e3o realizadas em parceria com o Departamento de Mulheres Ind\u00edgenas do Rio Negro (DMIRN\/FOIRN), contribuindo para ampliar a participa\u00e7\u00e3o das ind\u00edgenas nas discuss\u00f5es pol\u00edticas e em espa\u00e7os de decis\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Al\u00e9m disso, o fato de uma mulher ind\u00edgena estar \u00e0 frente do departamento tamb\u00e9m inspira outras a ocuparem espa\u00e7os de decis\u00e3o. \u201cQuando a gente ocupa esses espa\u00e7os de coordena\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante falar sobre isso, porque a gente empodera outras mulheres que est\u00e3o em suas casas, muitas vezes sentindo-se a menor pessoa do mundo, sentindo-se exclu\u00eddas. Elas passam a entender que tamb\u00e9m podem ocupar esses espa\u00e7os\u201d, reflete.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A hist\u00f3ria de Luciane est\u00e1 conectada com a das rionegrinas e com o Rio Negro. Sua av\u00f3, Maria da Concei\u00e7\u00e3o, Tariana, de 94 anos, falante das l\u00ednguas ind\u00edgenas nheengatu e tukano, al\u00e9m do portugu\u00eas, nasceu na comunidade de Ipanor\u00e9.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Quando tinha apenas 14 anos, Maria da Concei\u00e7\u00e3o foi retirada de l\u00e1 e chegou \u00e0 cidade de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, repetindo a hist\u00f3ria de muitos ind\u00edgenas, deslocados de suas regi\u00f5es de origem e separados de suas fam\u00edlias devido a press\u00f5es vindas das miss\u00f5es religiosas, trabalho for\u00e7ado ou pela promessa de vida melhor perto dos n\u00facleos urbanos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nesse caminho, alguns conhecimentos se perderam e outros, como o da l\u00edngua ind\u00edgena, n\u00e3o foram repassados para as novas gera\u00e7\u00f5es, o que tamb\u00e9m est\u00e1 ligado \u00e0s press\u00f5es para apagamento da cultura nos territ\u00f3rios. Com os processos colonizadores, os povos do Rio Negro chegaram a ser proibidos de falar suas l\u00ednguas ou manterem seus rituais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Assim, Luciane entende que, por meio do seu trabalho, acaba recuperando parte da sua hist\u00f3ria e valorizando a cultura dos povos do Rio Negro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para al\u00e9m de promover compras e vendas, o Departamento de Neg\u00f3cios Socioambientais atua como uma ponte entre o governo e institui\u00e7\u00f5es como associa\u00e7\u00f5es e iniciativas ind\u00edgenas. E vai mais adiante. Ao promover as economias da sociobiodiversidade &#8211; que s\u00e3o as economias dos povos ind\u00edgenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais -, essas a\u00e7\u00f5es geram renda, fortalecem a cultura, os modos de vida e sistemas de saberes dos povos que ocupam ancestralmente esse territ\u00f3rio e cuidam da floresta.<\/p>\n<h5>E o que \u00e9 a sociobioeconomia?<\/h5>\n<p dir=\"ltr\">Luciane Lima explica que a &#8220;sociobioeconomia&#8221;, embora seja um termo n\u00e3o ind\u00edgena, pode ser traduzida como o bem viver no dia a dia das comunidades, envolvendo o trabalho com respeito \u00e0 natureza e com os recursos para o futuro; \u00e9 o equil\u00edbrio entre viver em grupo e o cuidar do que temos para o bem de todos. Ela destaca que esse manejo contrasta com iniciativas predat\u00f3rias.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA palavra economia, quando falamos, vem logo a rela\u00e7\u00e3o com dinheiro; mas para n\u00f3s, a economia ou sociobioeconomia \u00e9 o nosso bem viver. \u00c9 o viver bem, o cuidado com a vida. \u00c9 a nossa liga\u00e7\u00e3o com o meio ambiente e o respeito com o ciclo natural e nossa sustentabilidade; \u00e9 sobre manter o equil\u00edbrio entre as pessoas, a natureza e o bem-estar na comunidade\u201d, diz.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ela aponta ainda a preocupa\u00e7\u00e3o com a emerg\u00eancia clim\u00e1tica e os impactos nas ro\u00e7as, nas pr\u00e1ticas e nos modos de vida ind\u00edgenas. Em 2021 e 2022, o Rio Negro passou por cheia recorde ou extrema. Logo em seguida, em 2023 e 2024, foram registradas secas recordes na Amaz\u00f4nia.\u00a0Ou seja, no alto Rio Negro, foram quatro anos seguidos de eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-06\/RS101889_IMG_3060.JPG?itok=t_AvbEME\" alt=\"Cec\u00edlia Albuquerque, Piratapuya; Luciane Lima; Janete Martins, Tariana; e Dad\u00e1 Baniwa, na sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Artes\u00e3os Ind\u00edgenas de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (ASSAI), durante a pandemia\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Cec\u00edlia Albuquerque, Piratapuya; Luciane Lima; Janete Martins, Tariana; e Dad\u00e1 Baniwa, na sede da Associa\u00e7\u00e3o dos Artes\u00e3os Ind\u00edgenas de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (ASSAI), durante a pandemia<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Ana Am\u00e9lia Hamdan\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA gente tem a floresta e temos muito o que cuidar, at\u00e9 mesmo por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, porque hoje a gente n\u00e3o consegue saber o per\u00edodo chuvoso, o per\u00edodo que a gente vai ter a planta\u00e7\u00e3o grande, quando vai poder tirar mandioca: porque t\u00e1 dizendo que vai chover, mas a\u00ed n\u00e3o chove. Antes n\u00e3o precis\u00e1vamos da meteorologia para saber. A gente sabia pelas ferramentas ancestrais mesmo. Os mais velhos falavam: &#8220;Ah, m\u00eas tal, vai chover&#8221;. Esse aquecimento global vem nos afetando e a gente j\u00e1 n\u00e3o consegue mais ter isso. O nosso bem viver \u00e9 estar de bem com a natureza. \u00c9 esse cuidado humano com a natureza\u201d, reflete.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As economias da sociobiodiversidade t\u00eam como base os Sistemas Agr\u00edcolas Tradicionais (SATs), um conjunto delicado e sofisticado de saberes e pr\u00e1ticas que produz alimentos e fartura e, ao mesmo tempo, cuida da floresta, promovendo biodiversidade, o cuidado com a \u00e1gua e regula\u00e7\u00e3o do clima, recursos que ganham especial import\u00e2ncia no cen\u00e1rio de emerg\u00eancia clim\u00e1tica. O SAT Rio Negro, desenvolvido milenarmente pelos povos que vivem na regi\u00e3o, \u00e9 considerado patrim\u00f4nio cultural pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao promover a\u00e7\u00f5es que cuidam e fortalecem o SAT Rio Negro, o Departamento de Neg\u00f3cios fortalece os povos, seus modos de vida, as ro\u00e7as e o meio ambiente, cuidando tamb\u00e9m do clima. Novamente, as mulheres, donas das ro\u00e7as, ocupam um lugar de destaque: s\u00e3o elas as respons\u00e1veis por cuidar das ro\u00e7as e promover trocas que perpetuam esp\u00e9cies e saberes.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um exemplo de a\u00e7\u00e3o do Departamento de Neg\u00f3cios s\u00e3o as articula\u00e7\u00f5es para promo\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE) que, ao levar alimenta\u00e7\u00e3o tradicional aos estudantes, fortalece o sistema agr\u00edcola.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Outro exemplo \u00e9 o turismo de base comunit\u00e1ria, desenvolvido em parceria com as associa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, que propicia a mais pessoas conhecerem de perto esses povos, seus modos de vida, sua alimenta\u00e7\u00e3o tradicional &#8211; como o beiju, a quinhapira, a farinha, o tucupi. Entre os projetos est\u00e3o o Yaripo Ecoturismo Yanomami; Serras Guerreiras de Tapuruquara e o turismo de pesca esportiva, esses dois no M\u00e9dio Rio Negro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Departamento de Neg\u00f3cios da FOIRN \u00e9 uma refer\u00eancia para outras institui\u00e7\u00f5es, inclusive para a Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (COIAB), por sua expertise em economia ind\u00edgena e no acompanhamento de 17 iniciativas.\u00a0Em 2023 e 2024, essas iniciativas econ\u00f4micas movimentaram um total de R$7,2 milh\u00f5es, com crescimento de R$3,27 milh\u00f5es em 2023 para R$3,94 milh\u00f5es em 2024.<\/p>\n<h5>Desafios e andan\u00e7as<\/h5>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-06\/RS16669_3A1A3184%20%281%29.jpg?itok=ws2LDlPG\" alt=\"Imagem mostra cesto feito a m\u00e3o nas cores marrom claro e vermelho urucum\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Departamento de Neg\u00f3cios Socioambientais re\u00fane economia, arte e cultura, em maio de 2018<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Carol Quintanilha\/ISA\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">Em S\u00e3o Gabriel, Luciane Lima &#8211; ou a Lu da Warir\u00f3 &#8211; \u00e9 muito conhecida. E parece estar sempre em movimento: seja em viagens pelo territ\u00f3rio ind\u00edgena ou para outras partes do pa\u00eds &#8211; onde participa de oficinas, interc\u00e2mbios, encontros e articula\u00e7\u00f5es; na FOIRN, organizando a Maloca &#8211; Casa do Saber para os eventos; no Departamento de Neg\u00f3cios; ou cuidando das suas filhas &#8211;\u00a0Evellyn, de 16 anos, e Lunna, de 12. E ainda acha tempo para participar do carnaval e das festas juninas e conceder entrevistas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ela come\u00e7ou a atuar na FOIRN em 2019, na Warir\u00f3. O que se avizinhava eram os desafios da pandemia em 2020. Nesse per\u00edodo, as portas da loja ficaram fechadas, mas os trabalhos continuaram internamente, com a estrutura\u00e7\u00e3o do plano de neg\u00f3cios. Quando aconteceu a reabertura, a Casa Warir\u00f3 estava mais organizada e fortalecida.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ros\u00e2ngela Fidelis foi contratada como nova gerente da Casa Warir\u00f3, sendo que Luciane assumiu o papel de articuladora. Nessa \u00e9poca, para evitar aglomera\u00e7\u00f5es ainda devido \u00e0 pandemia, foram realizados encontros com os produtores ind\u00edgenas nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em 2021, o Departamento de Neg\u00f3cios foi criado e, logo em seguida, Luciane conduziu seis de sete encontros gerais de produtores, al\u00e9m de oficinas realizados em todas as regionais da FOIRN &#8211; Diawii; CAIMBRN; Nadzoeri; CAIBARNX e COIDI &#8211; para informar sobre a reestrutura\u00e7\u00e3o da casa, buscando restaurar a confian\u00e7a dos artes\u00e3os e incentivar a venda do artesanato.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cCom as oficinas, houve o incentivo para as mulheres venderem seus artesanatos que, \u00e0s vezes, ficavam s\u00f3 dentro de casa. E a Casa Warir\u00f3 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 vender: \u00e9 mostrar a cultura. Por isso \u00e9 a Casa dos Produtores Ind\u00edgenas do Rio Negro\u201d, diz.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A Warir\u00f3 foi criada em 2005 por demanda do Departamento de Mulheres Ind\u00edgenas do Rio Negro (DMIRN\/FOIRN), que tem sua hist\u00f3ria contada no document\u00e1rio \u201cRionegrinas\u201d do qual Luciane participa (ISA, 2023). Em 2014, um inc\u00eandio &#8211; investigado como criminoso &#8211; na sede da FOIRN destruiu a sede da Warir\u00f3, mas o centro continuou a funcionar em espa\u00e7os provis\u00f3rios.<\/p>\n<div class=\"video-embed-field-provider-youtube video-embed-field-responsive-video\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"559334968\" title=\"Rionegrinas | Document\u00e1rio\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/94KSSJlJ4S4?autoplay=0&amp;start=0&amp;rel=0&amp;mute=0&amp;enablejsapi=1\" width=\"854\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-gtm-yt-inspected-6623113_22=\"true\" data-gtm-yt-inspected-11=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p dir=\"ltr\">Dez anos depois, em fevereiro de 2024, foi inaugurada a sede anexa da FOIRN, no Centro de S\u00e3o Gabriel, com novo espa\u00e7o tamb\u00e9m para a Casa Warir\u00f3. Na entrada da unidade pode ser visto o grafite do artista amaz\u00f4nico Raiz Campos, inspirado na foto da jornalista Juliana Radler, articuladora de pol\u00edticas socioambientais do Instituto Socioambiental (ISA). A imagem mostra um casal ind\u00edgena na ro\u00e7a &#8211; a base das economias da sociobiodiversidade!\u00a0Nos \u00faltimos anos, a comercializa\u00e7\u00e3o de artesanato alcan\u00e7ou a taxa de 65% de crescimento (ver box\u00a0Warir\u00f3).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A chegada de Luciane \u00e0 Casa Warir\u00f3 coincidiu com o per\u00edodo da crise da covid-19, assim como com um momento de crise pessoal para ela, que estava se separando e sem trabalho, tendo que assumir sozinha o cuidado das filhas ainda pequenas, enquanto tamb\u00e9m enfrentava um problema de sa\u00fade.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-06\/RS143190_foirn_jun24%20%2825%29.jpg?itok=pSWd26rk\" alt=\"Inaugura\u00e7\u00e3o da sede anexa da FOIRN e do novo espa\u00e7o Warir\u00f3, em fevereiro de 2024\" width=\"1200\" height=\"900\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Inaugura\u00e7\u00e3o da sede anexa da FOIRN e do novo espa\u00e7o Warir\u00f3, em fevereiro de 2024<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Ana Am\u00e9lia Hamdan\/ISA\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\">Devota de Santo Alberto, ela foi curada ap\u00f3s fazer uma promessa e, durante tr\u00eas anos, conduziu a festa que homenageia o santo em frente \u00e0 principal orla de S\u00e3o Gabriel, e ilumina com velas as \u00e1guas do Rio Negro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ela hoje considera estar mais fortalecida. Desde 2021, Luciane conduz o Departamento de Neg\u00f3cios Socioambientais da FOIRN. Tamb\u00e9m ajuda a conduzir a casa Oito Mulheres, como ela chama carinhosamente a resid\u00eancia da sua fam\u00edlia, pr\u00f3xima \u00e0 principal orla de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, bem perto da praia de areias brancas do Rio Negro. Na casa, moram ela, as duas filhas, Evellyn e Lunna; a sua m\u00e3e, Lucila; suas tias In\u00eas e Maria Jos\u00e9; sua av\u00f3 Maria da Concei\u00e7\u00e3o e sua tia-av\u00f3 Avelina.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Luciane se v\u00ea como uma guardi\u00e3 da cultura do Rio Negro, por acumular conhecimentos ancestrais e buscar um futuro que valorize as mulheres, a economia e a cultura, tanto de quem vive nas comunidades quanto de quem est\u00e1 na cidade. Sonha que a Casa Warir\u00f3 se torne um centro comercial dos povos ind\u00edgenas do Rio Negro, com a plena implementa\u00e7\u00e3o do Warir\u00f3 Sabores. Mas tamb\u00e9m sonha com a valoriza\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E finaliza com a for\u00e7a do povo do Trov\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cA gente ainda sofre preconceito por ser mulher e por ser m\u00e3e solo. Quando a gente fala da viol\u00eancia, estamos nos referindo n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica, mas \u00e0 viol\u00eancia psicol\u00f3gica que a gente enfrenta diariamente dentro de uma sociedade machista. [Conforme citado acima],\u00a0quando a gente ocupa esses espa\u00e7os de coordena\u00e7\u00e3o (\u2026) a gente empodera outras mulheres (\u2026). Elas passam a entender que tamb\u00e9m podem ocupar esses espa\u00e7os que hoje a gente vem ocupando. N\u00e3o s\u00f3 como artes\u00e3, mas tamb\u00e9m como empreendedora, como uma mulher que sonha. A gente est\u00e1 em todos os espa\u00e7os buscando aquilo que muitas vezes nos foi tirado l\u00e1 atr\u00e1s!\u201d<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h5>Warir\u00f3: A Casa de Produtores Ind\u00edgenas do Rio Negro<\/h5>\n<p dir=\"ltr\"><em>A Casa Warir\u00f3 nasceu em 2005 como iniciativa do Departamento de Mulheres Ind\u00edgenas do Rio Negro, o DMIRN\/FOIRN, como uma possibilidade de gerar renda e valorizar o trabalho das mulheres.\u00a0<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; O nome Warir\u00f3 remete a um ser mitol\u00f3gico que representa a fartura e a abund\u00e2ncia, com morada na serra de Curicuriari, tamb\u00e9m conhecida como Bela Adormecida. O nome foi escolhido para simbolizar a comercializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de artesanato, mas tamb\u00e9m de produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; A Warir\u00f3 foi criada em 2005 por demanda das mulheres ind\u00edgenas, que buscavam uma forma de vender seus artesanatos a um pre\u00e7o justo, sem\u00a0 intermedia\u00e7\u00e3o de atravessadores. A iniciativa come\u00e7ou como um pequeno espa\u00e7o na recep\u00e7\u00e3o da FOIRN e, desde ent\u00e3o, cresceu e se reestruturou, superando desafios como a pandemia de covid-19.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; \u00c9 uma iniciativa fundamental para a gera\u00e7\u00e3o de renda e o fortalecimento das mulheres ind\u00edgenas, contribuindo para ampliar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas discuss\u00f5es pol\u00edticas e em espa\u00e7os de decis\u00e3o dentro do movimento ind\u00edgena.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; No total, 64% dos fornecedores da casa de produtores s\u00e3o mulheres. A casa tamb\u00e9m \u00e9 uma ponte entre os clientes e os produtores e associa\u00e7\u00f5es, fortalecendo a autonomia dos povos e promovendo o com\u00e9rcio justo.<\/p>\n<p>&#8211; Nos \u00faltimos anos, a comercializa\u00e7\u00e3o de artesanato alcan\u00e7ou a taxa de 65% de crescimento, saltando de\u00a0R$235 mil em 2022 para R$390 mil em 2024. Somando o desempenho da GaleriAmaz\u00f4nica, o faturamento total em 2024 foi de\u00a0R$1,36 milh\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"box\">\n<h5>Departamento de Neg\u00f3cios da FOIRN<\/h5>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; Criado em 2021, o Departamento de Neg\u00f3cios da FOIRN atua como uma ponte entre o governo e institui\u00e7\u00f5es com associa\u00e7\u00f5es e iniciativas ind\u00edgenas, buscando a conex\u00e3o e a estrutura\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios e pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0s economias da sociobiodiversidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; O departamento abrange diversas cadeias produtivas e iniciativas, como:<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>1. Artesanato:\u00a0<\/strong>produ\u00e7\u00e3o tradicional e cultural dos povos do Rio Negro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>2. Turismo de Base Comunit\u00e1ria:<\/strong>\u00a0inclui a pesca esportiva e iniciativas de ecoturismo, como as Serras Guerreiras de Tapuruquara e o Yaripo &#8211; Ecoturismo Yanomami.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>3. Produtos Aliment\u00edcios:<\/strong>\u00a0Pimenta Baniwa, Casa de Frutas, meliponicultura (produ\u00e7\u00e3o de mel de abelhas sem ferr\u00e3o), Tucupi Preto, e outros produtos do Sistema Agr\u00edcola Tradicional do Rio Negro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>4. Mercados Institucionais:<\/strong>\u00a0fortalecimento das ro\u00e7as tradicionais atrav\u00e9s do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; Resultados Financeiros (2023 e 2024): as iniciativas econ\u00f4micas apoiadas pelo departamento movimentaram um total de R$7,2 milh\u00f5es, com crescimento de R$3,27 milh\u00f5es em 2023 para R$3,94 milh\u00f5es em 2024.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8211; Os planos para o futuro incluem o desenvolvimento do Warir\u00f3 Sabores, com foco na comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos como pimenta, tucupi preto e mel; a expans\u00e3o da pesca esportiva e o apoio a projetos comunit\u00e1rios, como Kalipana &#8211; Casa de beneficiamento de produtos do Sistema Agr\u00edcola Kaali.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"node\">\n<div class=\"related\">\n<div class=\"container\">Fonte: ISA &#8211; Por Ana Am\u00e9lia Hamdan<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lideran\u00e7a que esteve \u00e0 frente do Departamento de Neg\u00f3cios Socioambientais da FOIRN, Luciane se inspira na for\u00e7a do povo Tariana para fortalecer e articular a floresta, os neg\u00f3cios, os povos e as mulheres do Rio Negro *Este texto faz parte da s\u00e9rie #ElasQueLutam, que costura&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10793,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,18,1614],"tags":[2146],"class_list":["post-10792","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonas","category-area-1","category-indigenas","tag-mitologia-tariana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10792"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10794,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10792\/revisions\/10794"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}