{"id":10885,"date":"2026-07-16T20:11:45","date_gmt":"2026-07-16T23:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=10885"},"modified":"2026-07-16T20:11:45","modified_gmt":"2026-07-16T23:11:45","slug":"caatinga-climate-week-firma-bioma-como-celeiro-de-solucoes-e-tecnologias-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/caatinga-climate-week-firma-bioma-como-celeiro-de-solucoes-e-tecnologias-sociais\/","title":{"rendered":"Caatinga Climate Week firma bioma como celeiro de solu\u00e7\u00f5es e tecnologias sociais"},"content":{"rendered":"<p>Expedi\u00e7\u00e3o reuniu ind\u00edgenas, quilombolas, agricultores familiares, ativistas, movimentos sociais e gestores p\u00fablicos para discutir estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O agreste pernambucano foi, mais uma vez, centro de discuss\u00f5es e demandas de pol\u00edticas p\u00fablicas clim\u00e1ticas. Entre 1 e 3\/7, a regi\u00e3o semi\u00e1rida recebeu a 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/caatingaclimateweek?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw==\">Caatinga Climate Week<\/a>, organizada pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/centrosabia.org.br\/\">Centro Sabi\u00e1<\/a>, em parceria com o\u00a0<strong>Instituto Socioambiental (ISA)<\/strong>.<\/p>\n<p>Ao longo dos tr\u00eas dias, a expedi\u00e7\u00e3o pela Caatinga reuniu lideran\u00e7as ind\u00edgenas e quilombolas, agricultores familiares, representantes de movimentos sociais, militantes socioambientais e gestores p\u00fablicos para discutir estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Cerca de 300 pessoas passaram pela semana, incluindo ativistas da Amaz\u00f4nia, Cerrado, Mata Atl\u00e2ntica e Pampa, al\u00e9m da pr\u00f3pria Caatinga.<\/p>\n<p>Em seu segundo ano consecutivo, mais do que discutir clima, a Caatinga Climate Week teve o desafio de amplificar as vozes de quem j\u00e1 constr\u00f3i solu\u00e7\u00f5es concretas a partir dos territ\u00f3rios, conectando saberes tradicionais, ci\u00eancia, tecnologia, inova\u00e7\u00e3o social e justi\u00e7a clim\u00e1tica. Nesta edi\u00e7\u00e3o, cada evento proporcionou aos participantes uma oportunidade \u00fanica de conhecer viv\u00eancias, ouvir e debater em uma programa\u00e7\u00e3o imersiva, que come\u00e7ou no Museu Cais do Sert\u00e3o, em Recife, e percorreu diversas regi\u00f5es do Agreste.<\/p>\n<p>Novamente as experi\u00eancias compartilhadas mostraram que o \u00fanico bioma exclusivamente brasileiro \u00e9 tamb\u00e9m morada de milhares de esp\u00e9cies nativas, de uma sociobiodiversidade diversa e rica, de frutas e flores que desabrocham quando vem a chuva e de povos e comunidades tradicionais que h\u00e1 s\u00e9culos desenvolvem suas estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o a partir de seus saberes, do modo de vida e cultura tradicionais.<\/p>\n<p>\u201cSociobiodiversidade\u201d \u00e9 o resultado da inter-rela\u00e7\u00e3o entre a diversidade biol\u00f3gica e a diversidade de territ\u00f3rios e povos, seu conhecimento tradicional e seus modos de vida, considerados como aspectos centrais para a forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das paisagens, do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico, dos ecossistemas e economias.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-07\/DSC00156.JPG?itok=TwXOYpy4\" alt=\"Semana reuniu ativistas socioambientais e lideran\u00e7as de povos e comunidades tradicionais no museu Cais do Sert\u00e3o, em Recife (PE)  \ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week\" width=\"1200\" height=\"766\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Semana reuniu ativistas socioambientais e lideran\u00e7as de povos e comunidades tradicionais no museu Cais do Sert\u00e3o, em Recife (PE)\u00a0\u00a0\ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Portal para o mundo e celeiro de solu\u00e7\u00f5es<\/h5>\n<p>Para um audit\u00f3rio lotado do Cais do Sert\u00e3o, o coordenador de Mobiliza\u00e7\u00e3o Social do Centro Sabi\u00e1, Carlos Magno, explicou que a pr\u00f3pria grandeza do bioma presente nos estados da Bahia, Pernambuco, Para\u00edba, Alagoas, Sergipe, Cear\u00e1, Piau\u00ed, Maranh\u00e3o e Minas Gerais justifica a escolha do nome do evento.<\/p>\n<p>\u201cChamar de Caatinga Climate Week significa abrir um portal para todo mundo que trabalha na \u00e1rea de clima e que vai para Semana do Clima de Nova Iorque, para Semana do Clima de Londres, que olha para esses eventos de clima como estrat\u00e9gicos, mas n\u00e3o olha para esse bioma tamb\u00e9m como estrat\u00e9gico. Ent\u00e3o, esse nome \u00e9 apenas uma marca que quer dialogar e chamar as pessoas para esse espa\u00e7o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Maria Cristina Aureliano, coordenadora-geral do Centro Sabi\u00e1, tamb\u00e9m ressaltou a pot\u00eancia do bioma, muito diferente de um cen\u00e1rio de escassez e de extrema pobreza marcado no imagin\u00e1rio do brasileiro: \u201cA chuva chegou, ent\u00e3o isso mostra a capacidade de resili\u00eancia da pr\u00f3pria natureza, mas tamb\u00e9m a capacidade de resili\u00eancia do povo, dos povos e comunidades tradicionais que habitam a Caatinga\u201d.<\/p>\n<p>O diretor-executivo do\u00a0<strong>ISA\u00a0<\/strong>Rodrigo Junqueira considerou o evento uma oportunidade de aprendizado sobre resist\u00eancia e resili\u00eancia. \u201cQue esse momento traga a palavra da Caatinga, que \u00e9 a palavra da resist\u00eancia e da resili\u00eancia. E que tamb\u00e9m nos inspire para seguirmos construindo o que a gente acredita da melhor forma poss\u00edvel, pautado na alegria e no bem viver\u201d.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-right\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-07\/CCW%202026_DIA%2001_%20DOMAR%20%2803%20de%2024%29.JPG?itok=YNsg6fcw\" alt=\"Ativistas falam de saberes tradicionais, modo de vida e resili\u00eancia para enfrentar crise clim\u00e1tica  \ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week\" width=\"1200\" height=\"733\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Ativistas falam de saberes tradicionais, modo de vida e resili\u00eancia para enfrentar crise clim\u00e1tica\u00a0 \ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Resili\u00eancia clim\u00e1tica<\/h5>\n<p>Lideran\u00e7a da Terra Ind\u00edgena Kambiw\u00e1, localizada no sert\u00e3o pernambucano e com uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 3,5 mil pessoas, distribu\u00eddas em 14 aldeias, Romana Kambiw\u00e1 contou que os efeitos da crise clim\u00e1tica obrigaram seu povo a mudar a maneira de lidar com a terra e a agricultura. E com a for\u00e7a do povo sertanejo e caatingueiro, eles conseguiram resistir.<\/p>\n<p>\u201cHoje eu digo que os Kambiw\u00e1 se reinventaram, porque com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas invadindo os territ\u00f3rios as fam\u00edlias que viviam apenas da agricultura, da ca\u00e7a e da coleta, precisaram se reinventar, porque a gente s\u00f3 produzia uma vez no ano. E teve ano que passamos por tempos de estiagem e, por isso, a gente n\u00e3o conseguiu produzir, mas mesmo assim n\u00f3s resistimos\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Direto do quilombo Concei\u00e7\u00e3o das Crioulas, primeira comunidade quilombola do estado parcialmente titulada, no munic\u00edpio de Salgueiro, Ant\u00f4nio Crioulo compartilhou a luta do movimento quilombola pelo direito ao territ\u00f3rio e a import\u00e2ncia de ser reconhecido como guardi\u00e3o e protetor dos biomas. Ele questionou, ainda, a invisibilidade enfrentada pela popula\u00e7\u00e3o quilombola nas discuss\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cEntendemos que n\u00e3o tem como falar de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria sem falar do papel que os quilombolas t\u00eam no cuidado com o meio ambiente e no cuidado com os nossos biomas. Esse cuidado \u00e9 do nosso cotidiano. E de todas as situa\u00e7\u00f5es que mais nos preocupam \u00e9 a invisibilidade dada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o quilombola e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra no que se refere \u00e0 pauta clim\u00e1tica\u201d, disse Ant\u00f4nio Crioulo, que tamb\u00e9m integra a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-07\/CCW%202026_DIA%2001_%20DOMAR%20%2831%20de%2010%29.JPG?itok=qn1dMAUk\" alt=\"Marcele Oliveira compartilha sua viv\u00eancia como jovem negra ativista da pauta clim\u00e1tica \ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Marcele Oliveira compartilha sua viv\u00eancia como jovem negra ativista da pauta clim\u00e1tica\u00a0\ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Juventude e periferia na luta clim\u00e1tica<\/h5>\n<p>Do bairro de Realengo, zona oeste e periferia do Rio de Janeiro, Marcele Oliveira dividiu sua viv\u00eancia como jovem negra ativista da pauta clim\u00e1tica. Lideran\u00e7a do Instituto Perifalab e Jovem Campe\u00e3 Clim\u00e1tica da ONU para a COP30, ela contou como essa agenda passou a fazer parte de sua vida cotidiana e as intersec\u00e7\u00f5es que v\u00eam fazendo com ativistas de outros biomas para al\u00e9m da Mata Atl\u00e2ntica, como os da pr\u00f3pria Caatinga.<\/p>\n<p>\u201cAs rea\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas foram tomando um tamanho e uma propor\u00e7\u00e3o na nossa vida, porque v\u00e1rias pessoas jovens como eu queriam entender porque essa desigualdade tamb\u00e9m estava ali na rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Porque essa desigualdade fazia com que a gente achasse que tava tudo bem n\u00e3o ter \u00e1rvores na nossa periferia, mas tinham tantos outros lugares arborizados. E era uma coisa meio \u2018quem que tirou a minha \u00e1rvore daqui?\u2019 Quem tomou essas decis\u00f5es sobre a minha cidade que n\u00e3o fui eu?\u2019. E a\u00ed eu comecei a receber muitas pessoas falando que para poder fazer um trabalho maneiro, esse trabalho tinha que ser coordenado com todos os biomas do Brasil\u201d, contou.<\/p>\n<h5>Por onde a Caatinga Climate Week passou<\/h5>\n<p>Ap\u00f3s a abertura em Recife, a expedi\u00e7\u00e3o se dividiu em grupos e percorreu diferentes cidades do semi\u00e1rido pernambucano. Doze experi\u00eancias fizeram parte da programa\u00e7\u00e3o, mostrando como os povos da Caatinga preservam seu modo de vida, sua cultura ancestral e desenvolvem estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>S\u00edtio Caru<\/strong><\/p>\n<p>Em Vertentes, um grupo conheceu a fam\u00edlia de Dona Cilene e Seu Z\u00e9 Boc\u00e3o, que, junto de seus filhos Estefany e J\u00fanior, constru\u00edram um sistema produtivo integrado, com aproveitamento m\u00e1ximo da \u00e1gua que chega pelas cisternas. Eles mostraram como a \u00e1gua segue por um sistema de dessaliniza\u00e7\u00e3o, alimentando o trabalho produtivo e dom\u00e9stico e, antes de ir embora, ainda d\u00e1 uma volta pelo Sistema de Re\u00faso de \u00c1guas Cinzas para irrigar o Sistema Agroflorestal, fechando um ciclo de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"node-bg\">\n<div>\n<div class=\"container share-margin\">\n<article class=\"node node--type-article node--promoted node--sticky node--view-mode-full clearfix\">\n<div class=\"node__content clearfix\">\n<div class=\"node-content-data\">\n<p><strong>Agroflor<\/strong><\/p>\n<p>Na Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores Agroecol\u00f3gicos (Agroflor), em Bom Jardim, o grupo conheceu a hist\u00f3ria desse coletivo que nasceu do desejo de transformar vidas por meio da agrofloresta. Com quase 30 anos de produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o cerca de 300 variedades de alimentos in natura e comercializados no Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) e no (Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar (PNAE) e nas feiras dos munic\u00edpios vizinhos at\u00e9 o Recife, com pelo menos 50% da produ\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<p><strong>Quilombos Estivas e Castainho<\/strong><\/p>\n<p>No alto do Planalto da Borborema, a Caatinga se apresenta de outra forma, com temperaturas mais frias e mais chuvas. \u00c9 neste ambiente, a mais de 800 metros acima do n\u00edvel do mar, que a caravana conheceu a forma como os Quilombos Estivas e Castainho, em Garanhuns, manejam os recursos naturais de forma sustent\u00e1vel, ensinando sobre adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica por meio da gest\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-right\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-07\/IMG_2036_0.jpg?itok=MdCXu_Jw\" alt=\"Em Caet\u00e9s, a Escola dos Ventos luta para enfrentar os efeitos das e\u00f3licas pr\u00f3ximas de suas casas e que afetam a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o\ud83d\udcf8 Jezz Maia \/ Caatinga Climate Week\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Em Caet\u00e9s, a Escola dos Ventos luta para enfrentar os efeitos das e\u00f3licas pr\u00f3ximas de suas casas e que afetam a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o\ud83d\udcf8 Jezz Maia \/ Caatinga Climate Week<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rede Semeam<\/strong><\/p>\n<p>Em Jucati, movimentos sociais, ind\u00edgenas e quilombolas, cientistas e militantes articulam-se para defender a sobreviv\u00eancia das sementes crioulas, por meio da Rede de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco (Rede Semeam). A viv\u00eancia compartilhou como o projeto empodera agricultores locais como guardi\u00f5es da sociobiodiversidade, resgatando saberes ancestrais e produzindo alimentos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Escola dos Ventos<\/strong><\/p>\n<p>Para um debate qualificado sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica, participantes da Caatinga Climate Week visitaram a experi\u00eancia da Escola dos Ventos, que mostra que uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica feita sem olhar para o ecossistema e para o modo de vida das pessoas prejudica tanto quanto os combust\u00edveis poluentes. A iniciativa foi criada em 2023 por fam\u00edlias agricultoras, em Caet\u00e9s, e se consolidou como um espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, resist\u00eancia, afeto e forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Eles seguem na luta cotidiana para enfrentar os efeitos das e\u00f3licas instaladas pr\u00f3ximas de suas casas e que afetam a sa\u00fade e a vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Povo Xukuru<\/strong><\/p>\n<p>Na Terra Ind\u00edgena Xukuru, em Pesqueira, vivem mais de oito mil ind\u00edgenas distribu\u00eddos entre 20 aldeias, o que os torna a etnia mais populosa do estado. Para eles, a agricultura tradicional e sagrada \u00e9 a base de sua pr\u00f3pria espiritualidade. A jornada passou por l\u00e1 para conhecer essa conex\u00e3o, por meio de uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00e3e Tamain, realizada anualmente na Serra do Ororub\u00e1. O ritual homenageia Nossa Senhora das Montanhas, santa sincretizada e reverenciada como a m\u00e3e protetora.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-07\/CCW%202026_TERRA%20XUCURU_DIA%2002_%20DOMAR%20%28107%20de%20132%29.jpg?itok=31B4JVu4\" alt=\"Na Serra de Ororub\u00e1, o povo Xucuru celebra M\u00e3e Tamain e Nossa Senhora das Montanhas, santa sincretizada e reverenciada como a m\u00e3e protetora\ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Na Serra de Ororub\u00e1, o povo Xucuru celebra M\u00e3e Tamain e Nossa Senhora das Montanhas, santa sincretizada e reverenciada como a m\u00e3e protetora\ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Apasa<\/strong><\/p>\n<p>Localizada na Serra do Sobrado, em Jata\u00faba, um brejo a cerca de 1 mil metros de altitude, a Associa\u00e7\u00e3o dos Pequenos Agropecuaristas do Semi\u00e1rido Brasileiro (Apasa) desenvolve iniciativas de conviv\u00eancia com o Semi\u00e1rido e de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, e l\u00e1 tamb\u00e9m foi uma parada da caravana. Fundada em 2006 por fam\u00edlias agricultoras, a Associa\u00e7\u00e3o fortalece a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos agroecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><strong>S\u00edtio Carneirinho<\/strong><\/p>\n<p>Em Caruaru, capital do forr\u00f3, a expedi\u00e7\u00e3o levou os participantes a visitas pol\u00edticas e culturais, cheias de hist\u00f3rias para guardar na mem\u00f3ria. A primeira foi a comunidade do S\u00edtio Carneirinhos, onde foi poss\u00edvel conhecer as mulheres que passaram do cultivo de milho, feij\u00e3o e algod\u00e3o para a ind\u00fastria t\u00eaxtil e depois voltaram para o cultivo a partir da cria\u00e7\u00e3o, em 2019, da Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres da Agricultura Familiar do S\u00edtio Carneirinho. Do trabalho coletivo dessas mulheres saem alimentos sem agrot\u00f3xico, renda digna e conviv\u00eancia com a Caatinga.<\/p>\n<p><strong>Assentamento Normandia<\/strong><\/p>\n<p>Para discutir sobre merenda escolar, outro grupo visitou o Assentamento Normandia, que prioriza uma produ\u00e7\u00e3o sem veneno. Nascido de uma ocupa\u00e7\u00e3o em 1993, e reconhecido pelo Incra em 1997, o Normandia \u00e9 um s\u00edmbolo da luta e pol\u00edtica camponesa, da seguran\u00e7a alimentar e da soberania popular, onde fam\u00edlias agricultoras constroem, h\u00e1 mais de 30 anos, um modelo de produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gico. A antiga sede da fazenda virou o Centro de Forma\u00e7\u00e3o Paulo Freire, em funcionamento desde 1998 e cora\u00e7\u00e3o pol\u00edtico do MST em Pernambuco.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-07\/CCW%202026_DIA%2001_%20DOMAR%20%28169%20de%2031%29.jpg?itok=s-GZXMXf\" alt=\"Patrim\u00f4nio Imaterial Brasileiro, a famosa Feira de Caruaru recebeu um grupo da Caatinga Climate Week \ud83d\udcf8 J\u00falio Santos \/ Caatinga Climate Week\" width=\"1200\" height=\"876\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Patrim\u00f4nio Imaterial Brasileiro, a famosa Feira de Caruaru recebeu um grupo da Caatinga Climate Week \ud83d\udcf8 J\u00falio Santos \/ Caatinga Climate Week<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Feira de Caruaru<\/strong><\/p>\n<p>Muito mais do que um mercado popular, a Feira de Caruaru \u00e9 uma imers\u00e3o na alma da Caatinga e tamb\u00e9m recebeu um grupo da expedi\u00e7\u00e3o. Nascida das antigas feiras de troca que conectavam agricultores, criadores e comerciantes, ela se transformou em um dos maiores espa\u00e7os de com\u00e9rcio popular do pa\u00eds, reunindo milhares de pessoas, produtos, sabores e hist\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>Solar das Abelhas<\/strong><\/p>\n<p>Outro grupo visitou o Solar das Abelhas, no famoso bairro do Alto do Moura, em Caruaru, e um Centro de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental refer\u00eancia em Pernambuco. Voltado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das abelhas e do meio ambiente, ele foi idealizado pelo ambientalista e meliponicultor Jo\u00e3o Luiz Aleixo, ou Lula do Mel. O espa\u00e7o funciona como um ref\u00fagio de conhecimento focado especialmente nas abelhas nativas sem ferr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Alto do Moura<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, a Caatinga Climate Week parou no Alto do Moura, tamb\u00e9m em Caruaru, um local que carrega o t\u00edtulo internacional de Maior Centro de Artes Figurativas das Am\u00e9ricas, concedido pela Unesco. O bairro \u00e9 um verdadeiro museu a c\u00e9u aberto e um polo cultural vibrante, repleto de casas-museu e ateli\u00eas, em que \u00a0o barro \u00e9 a forma mais genu\u00edna de express\u00e3o cultural. Mestre Vitalino, Mestre Galdino, Mestra Nicinha Ot\u00edlia e tantos outros que uniram barro, poesia e m\u00fasica em obras simb\u00f3licas, continuam a ganhar forma pelas m\u00e3os de centenas de artes\u00e3os e artes\u00e3s locais, que perpetuam o fazer tradicional como patrim\u00f4nio cultural.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2026-07\/CCW%202026_DIA%2003_%20DOMAR%20%28207%20de%2023%29.jpg?itok=L55I7BZm\" alt=\"Ritual religioso e sincr\u00e9tico, conduzido por Dona Zenilda, lideran\u00e7a Xucuru, encerra Caatinga Climate Week\ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Ritual religioso e sincr\u00e9tico, conduzido por Dona Zenilda, lideran\u00e7a Xucuru, encerra Caatinga Climate Week\ud83d\udcf8 Domar \/ Caatinga Climate Week<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"node\">\n<div class=\"related\">\n<div class=\"container\">Fonte: ISA &#8211; Por Leonor Costa<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Expedi\u00e7\u00e3o reuniu ind\u00edgenas, quilombolas, agricultores familiares, ativistas, movimentos sociais e gestores p\u00fablicos para discutir estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o O agreste pernambucano foi, mais uma vez, centro de discuss\u00f5es e demandas de pol\u00edticas p\u00fablicas clim\u00e1ticas. Entre 1 e 3\/7, a regi\u00e3o semi\u00e1rida recebeu a 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o da\u00a0Caatinga&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10886,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19,1614,30,35,2],"tags":[2125],"class_list":["post-10885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-2","category-indigenas","category-maranhao","category-meio-ambiente","category-slideshow","tag-bioma-brasileiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10885"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10887,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10885\/revisions\/10887"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}