{"id":10953,"date":"2026-08-18T19:50:47","date_gmt":"2026-08-18T22:50:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=10953"},"modified":"2026-08-18T19:50:47","modified_gmt":"2026-08-18T22:50:47","slug":"mais-de-80-dos-municipios-brasileiros-sao-vulneraveis-a-desastres-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/mais-de-80-dos-municipios-brasileiros-sao-vulneraveis-a-desastres-climaticos\/","title":{"rendered":"Mais de 80% dos munic\u00edpios brasileiros s\u00e3o vulner\u00e1veis a desastres clim\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<p>Levantamento feito pelo Observat\u00f3rio do Clima na plataforma AdaptaBrasil revela suscetibilidade e riscos de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra<\/p>\n<p><main class=\"post-content container\">O Brasil tem cerca de 4.500 munic\u00edpios com vulnerabilidade m\u00e9dia, alta ou muito alta a desastres geo-hidrol\u00f3gicos. Isso significa que mais de 80% das cidades brasileiras est\u00e3o mais suscet\u00edveis a impactos gerados por inunda\u00e7\u00f5es, enxurradas, alagamentos e deslizamentos de terra.<\/p>\n<p>O levantamento, in\u00e9dito, foi feito pelo Observat\u00f3rio do Clima a partir dos dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es e An\u00e1lises sobre Impactos das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (AdaptaBrasil), do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia. (MCTI). Para calcular a vulnerabilidade, a plataforma combina a sensibilidade que uma cidade tem a eventos clim\u00e1ticos extremos com sua capacidade adaptativa.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-41576\" src=\"https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/AdaptaBrasil_adaptabrasil_desastres_geo-hidrologicos_indice_de_vulnerabilidade_BR_municipio_2015-2.png\" sizes=\"auto, (max-width: 986px) 100vw, 986px\" srcset=\"https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/AdaptaBrasil_adaptabrasil_desastres_geo-hidrologicos_indice_de_vulnerabilidade_BR_municipio_2015-2.png 986w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/AdaptaBrasil_adaptabrasil_desastres_geo-hidrologicos_indice_de_vulnerabilidade_BR_municipio_2015-2-300x169.png 300w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/AdaptaBrasil_adaptabrasil_desastres_geo-hidrologicos_indice_de_vulnerabilidade_BR_municipio_2015-2-768x432.png 768w\" alt=\"\" width=\"986\" height=\"555\" data-od-added-loading=\"\" data-od-replaced-sizes=\"(max-width: 986px) 100vw, 986px\" data-od-xpath=\"\/HTML\/BODY\/DIV[@id='app']\/*[2][self::MAIN]\/*[3][self::FIGURE]\/*[1][self::IMG]\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00cdndice de Vulnerabilidade dos munic\u00edpios brasileiros a riscos geo-hidrol\u00f3gicos. Cr\u00e9dito: AdaptaBrasil\/MCTI<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando se olha para o risco desses eventos causarem danos, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante. A an\u00e1lise do OC mostra que 68% das cidades brasileiras, ou 3.769 munic\u00edpios, t\u00eam risco m\u00e9dio, alto ou muito alto de inunda\u00e7\u00f5es, enxurradas e alagamentos. Em 1.513 cidades, ou 27% do total do pa\u00eds, o risco \u00e9 alto ou muito alto.<\/p>\n<p>Para os deslizamentos de terra, 53% das cidades brasileiras, ou 2.930 munic\u00edpios, t\u00eam risco m\u00e9dio, alto ou muito alto. Em 1.041 cidades, cerca de 19% do total do pa\u00eds, o risco \u00e9 alto ou muito alto.<\/p>\n<p>Entre as capitais, Salvador (BA) tem a maior soma dos riscos de inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos, seguida de Bel\u00e9m (PA), Manaus (AM) e Macap\u00e1 (AP). O Nordeste concentra cinco das dez capitais com os maiores riscos somados, incluindo Recife (PE), Macei\u00f3 (AL), Jo\u00e3o Pessoa (PB) e Aracaju (SE).<\/p>\n<p>Mas os n\u00fameros nacionais escondem grandes desigualdades, pois a exposi\u00e7\u00e3o a riscos varia muito entre regi\u00f5es, cidades e at\u00e9 bairros, dependendo de onde e como as pessoas vivem. Ou seja, renda, infraestrutura e acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos tamb\u00e9m pesam na capacidade de enfrentar e de se recuperar dos impactos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-41579\" src=\"https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Mapa-de-riscos-1024x385.png\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Mapa-de-riscos-1024x385.png 1024w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Mapa-de-riscos-300x113.png 300w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Mapa-de-riscos-768x289.png 768w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Mapa-de-riscos.png 1273w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"385\" data-od-added-loading=\"\" data-od-replaced-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-od-xpath=\"\/HTML\/BODY\/DIV[@id='app']\/*[2][self::MAIN]\/*[8][self::FIGURE]\/*[1][self::IMG]\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00cdndice de Riscos para inunda\u00e7\u00f5es, enxurradas e alagamentos (esquerda) e a deslizamento de terra (direita). Cr\u00e9dito: AdaptaBrasil<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Amea\u00e7as regionalizadas<\/strong><\/p>\n<p>O Adapta Brasil mostra riscos distintos em todo o pa\u00eds. As inunda\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais intensas na Amaz\u00f4nia, nas grandes bacias hidrogr\u00e1ficas e em \u00e1reas urbanas. J\u00e1 os deslizamentos amea\u00e7am mais as serras do Sudeste e do Sul e partes do litoral nordestino.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es da base indicam que os riscos aumentar\u00e3o nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, mesmo nos cen\u00e1rios clim\u00e1ticos mais favor\u00e1veis. Em muitas capitais, a diferen\u00e7a entre os cen\u00e1rios otimista e pessimista \u00e9 pequena, refor\u00e7ando que o pa\u00eds precisa se adaptar rapidamente.<\/p>\n<p>Para Henrique Frota, diretor-executivo do Instituto P\u00f3lis, a amea\u00e7a natural \u00e9 apenas parte do problema, pois a exposi\u00e7\u00e3o e a vulnerabilidade est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas. \u201cFam\u00edlias de menor renda tendem a ocupar \u00e1reas mais expostas e disp\u00f5em de menos recursos para enfrentar eventos extremos\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Tais diferen\u00e7as podem ficar mais claras ap\u00f3s os desastres. Frota lembra que as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul atingiram v\u00e1rias classes sociais, mas as de maior renda tiveram melhores condi\u00e7\u00f5es de se abrigar e retomar a vida. \u201cNo p\u00f3s-desastre, as quest\u00f5es socioecon\u00f4micas voltam a ser centrais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Diante disso, os governos precisam se preparar para cen\u00e1rios em que solu\u00e7\u00f5es individuais n\u00e3o bastam. \u00c9 necess\u00e1rio, por exemplo, evitar reconstruir cidades exatamente como eram. \u201cUma adapta\u00e7\u00e3o s\u00e9ria \u00e9 preventiva e n\u00e3o deve reproduzir desigualdades nem infraestruturas que j\u00e1 eram vulner\u00e1veis\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Diosmar Santana Filho, ge\u00f3grafo e pesquisador na Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa\u00a0<a href=\"https:\/\/iyaleta.org\/conheca\/\">Iyaleta<\/a>, chega a um diagn\u00f3stico similar a partir de estudos no Norte e Nordeste. \u201c\u00c9 um erro analisar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Brasil sem considerar as diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas, pois as cidades s\u00e3o estruturalmente desiguais\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201cOcupa\u00e7\u00f5es mais recentes, perif\u00e9ricas e interiorizadas tendem a ter menos saneamento, drenagem, transporte, regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e monitoramento, tornando-se mais vulner\u00e1veis a diversos riscos, inclusive os clim\u00e1ticos\u201d, afirmou o especialista.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-41455\" src=\"https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/000_34R43JK-1024x750.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/000_34R43JK-1024x750.jpg 1024w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/000_34R43JK-300x220.jpg 300w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/000_34R43JK-768x562.jpg 768w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/000_34R43JK-1536x1125.jpg 1536w, https:\/\/oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/000_34R43JK-2048x1499.jpg 2048w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"750\" data-od-xpath=\"\/HTML\/BODY\/DIV[@id='app']\/*[2][self::MAIN]\/*[17][self::FIGURE]\/*[1][self::IMG]\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Enchentes no Vale do Taquari, Rio Grande do Sull, em maio de 2024. (Foto: Handout \/ Imagem de sat\u00e9lite \u00a92024 Maxar Technologies \/ AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Refor\u00e7ar a preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Tornar esse cen\u00e1rio menos amea\u00e7ador exige investimento p\u00fablico pesado, planejamento e capacidade de execu\u00e7\u00e3o. Frota reconhece avan\u00e7os recentes, como os da Secretaria Nacional de Periferias e do programa Periferia Viva.<\/p>\n<p>Na primeira etapa do Novo PAC, foram alocados R$ 5,3 bilh\u00f5es para o Periferia Viva, al\u00e9m de R$ 4,8 bilh\u00f5es para drenagem urbana e R$ 1,67 bilh\u00e3o para conten\u00e7\u00e3o de encostas,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cidades\/pt-br\/novo-pac-selecoes\/periferia-viva-urbanizacao-de-favelas\/\">levantou<\/a>\u00a0o OC. Ainda assim, Frota considera os recursos insuficientes diante da demanda.<\/p>\n<p>\u201cObras de drenagem e de preven\u00e7\u00e3o de deslizamentos s\u00e3o muito caras. Grande parte dos munic\u00edpios depende de repasses federais para execut\u00e1-las\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mas o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 financeiro, j\u00e1 que as prefeituras precisam de equipes capazes de planejar e executar projetos que integrem temas como habita\u00e7\u00e3o, urbanismo, assist\u00eancia social, meio ambiente e Defesa Civil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, boa parte da infraestrutura brasileira foi planejada para problemas conhecidos, e n\u00e3o para a nova escala de extremos clim\u00e1ticos. \u201cComo programas como o Minha Casa, Minha Vida incorporam drenagem e seguran\u00e7a diante de chuvas extremas?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>\u201cNenhum estado ou munic\u00edpio brasileiro possui infraestrutura adequada para enfrentar a crise clim\u00e1tica\u201d, afirmou Diosmar Filho. \u201cEstamos diante de uma realidade nunca vivida\u201d, resumiu.<\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios<\/strong><\/p>\n<p>Conforme o especialista da Iyaleta, iniciativas como a Adapta Brasil s\u00e3o estrat\u00e9gicas para ampliar as capacidades de gest\u00e3o p\u00fablica. \u201cO desafio \u00e9 colocar os dados a servi\u00e7o da vida da popula\u00e7\u00e3o, transform\u00e1-los em melhores pol\u00edticas e investimentos\u201d, agregou.<\/p>\n<p>Os planos diretores municipais tamb\u00e9m s\u00e3o pe\u00e7as importantes da adapta\u00e7\u00e3o. Podem frear a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais e de risco, melhorar transporte, saneamento e drenagem, recuperar bacias hidrogr\u00e1ficas e ampliar a oferta de moradias seguras. \u201cPessoas vivendo em \u00e1reas de risco tamb\u00e9m revelam a falta de terra acess\u00edvel e segura dentro das cidades\u201d, lembrou Filho.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa ganhar mais peso na pol\u00edtica clim\u00e1tica brasileira. Filho defende revis\u00f5es na NDC robusta que ampliem a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds j\u00e1 na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Isso envolve de infraestrutura tradicional a solu\u00e7\u00f5es verdes, mudan\u00e7as nos modelos de transporte, uso do solo e planejamento das cidades.<\/p>\n<p>\u201cMunic\u00edpios, estados e Uni\u00e3o precisam fazer a estrutura p\u00fablica funcionar a servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o e equilibrar os investimentos em mitiga\u00e7\u00e3o com a urg\u00eancia da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 crise do clima\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Filho defende, ainda, que a adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja mais tratada apenas como resposta a desastres. \u201cNum pa\u00eds cada vez mais exposto aos extremos, ela tamb\u00e9m passa a ser uma condi\u00e7\u00e3o para manter as cidades funcionando e proteger a vida de quem mora nelas\u201d, disse. \u201cAdapta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma nova forma de desenvolvimento\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>J\u00e1 Frota refor\u00e7ou que os esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o e de adapta\u00e7\u00e3o precisam avan\u00e7ar juntos e rapidamente. \u201cTemos que trabalhar agora em todas as frentes poss\u00edveis\u201d, afirmou. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para escolher. Tudo passa a ser fundamental do ponto de vista de uma agenda de a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica realmente respons\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><\/main><\/p>\n<div class=\"related-posts\">Fonte: Observat\u00f3rio do Clima &#8211; Por <a class=\"author url fn\" title=\"Posts por Aldem Bourscheit\" href=\"https:\/\/oc.eco.br\/author\/aldem-bourscheit\/\" rel=\"author\">Aldem Bourscheit<\/a><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento feito pelo Observat\u00f3rio do Clima na plataforma AdaptaBrasil revela suscetibilidade e riscos de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra O Brasil tem cerca de 4.500 munic\u00edpios com vulnerabilidade m\u00e9dia, alta ou muito alta a desastres geo-hidrol\u00f3gicos. 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