{"id":2887,"date":"2016-07-27T14:11:21","date_gmt":"2016-07-27T17:11:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=2887"},"modified":"2016-07-27T14:11:21","modified_gmt":"2016-07-27T17:11:21","slug":"colniza-um-retrato-do-desmatamento-em-mato-grosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/colniza-um-retrato-do-desmatamento-em-mato-grosso\/","title":{"rendered":"Colniza: um retrato do desmatamento em Mato Grosso"},"content":{"rendered":"<h4><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Colniza-um-retrato-do-desmatamento-em-Mato-Grosso.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2888\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Colniza-um-retrato-do-desmatamento-em-Mato-Grosso-e1469639428782.jpg\" alt=\"DESMATAMENTO MT\" width=\"700\" height=\"466\" \/><\/a><\/em><\/h4>\n<h4><em>Por Maiana Diniz, da Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/em><\/h4>\n<p>Localizada a 1065 km de Cuiab\u00e1, Colniza lidera o ranking dos munic\u00edpios que mais desmatam na Amaz\u00f4nia. A cidade responde sozinha por 19% de todo o desmatamento registrado no estado entre agosto e dezembro de 2015, quando perdeu 74 quil\u00f4metros quadrados de floresta. Com 27.949 km2 de \u00e1rea, maior que o estado de Sergipe, o munic\u00edpio no extremo noroeste de Mato Grosso retrata a realidade da regi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-sdl_editor_representation type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"desmatamento_4.1.png\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais\/sites\/default\/files\/styles\/medio\/public\/thumbnails\/image\/desmatamento_4.1.png?itok=L_jiwcxl\" alt=\"desmatamento_4.1.png\" width=\"321\" height=\"320\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Entre Colniza e Ju\u00edna, onde fica a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) que fiscaliza toda a regi\u00e3o noroeste, s\u00e3o 319 quil\u00f4metros, percorridos em cerca de 7 horas\u00a0de carro por meio de estradas de terra prec\u00e1rias e por 91 pontes de madeira.<\/p>\n<p>Para dar uma ideia das dificuldades log\u00edsticas e de infraestrutura enfrentadas no munic\u00edpio de Colniza, a secret\u00e1ria adjunta de Gest\u00e3o Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Elaine Corsini, lembra que at\u00e9 pouco tempo n\u00e3o havia estradas no munic\u00edpio com acesso para Mato Grosso. \u201cA sa\u00edda era s\u00f3 pelo estado de Rond\u00f4nia. H\u00e1 15 anos, era uma \u00e1rea totalmente isolada em certas \u00e9pocas do ano.\u201d<\/p>\n<p>A sede da Sema, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e pela emiss\u00e3o de licen\u00e7as ambientais, que ficava em Aripuan\u00e3, a cerca de 60 km de Colniza, foi extinta no in\u00edcio do ano em uma reestrutura\u00e7\u00e3o. A unidade de Ju\u00edna ser\u00e1 reestruturada para atuar em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A principal atividade econ\u00f4mica da cidade \u00e9 a madeireira. O presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Colniza, Milton Amorim, diz que tem terras e postos de gasolina na regi\u00e3o, mas a principal atividade \u00e9 a madeireira, da extra\u00e7\u00e3o \u00e0s serrarias. \u201c\u00c9 a madeira que movimenta a regi\u00e3o de Colniza hoje. Se parar o setor, para a regi\u00e3o. O nosso munic\u00edpio hoje tem menos de 10% de \u00e1reas de fazendas abertas, o resto \u00e9 mata virgem que est\u00e1 a\u00ed para anos e anos explorar.\u201d<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-full type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"madeira3.jpg\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/23032016dsc_8420-19.jpg\" alt=\"madeira3.jpg\" width=\"1280\" height=\"852\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>O munic\u00edpio de Colniza abriga dezenas de serrarias, legais e ilegais<br \/>\n<em>Marcelo Camargo\/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Amorim disse que a regi\u00e3o tem cerca de 40 esp\u00e9cies de madeiras para extra\u00e7\u00e3o. \u201cAs melhores s\u00e3o o ip\u00ea, a mais valorizada, seguida pela angelim, ma\u00e7aranduba, jatob\u00e1. S\u00e3o v\u00e1rias esp\u00e9cies, a vegeta\u00e7\u00e3o daqui \u00e9 muito boa mesmo.\u201d Ele disse que a explora\u00e7\u00e3o da madeira \u00e9 feita principalmente no per\u00edodo de seca na regi\u00e3o, devido as dificuldades log\u00edsticas para o transporte das toras nas estradas prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>Segundo Amorim, o setor madeireiro \u00e9 contra a destrui\u00e7\u00e3o da floresta. \u201cN\u00f3s temos madeira aqui para trabalhar por 200, 300 anos, para nossos filhos e netos, porque a madeira n\u00e3o acaba. Quem acaba com a madeira \u00e9 a motoserra que vai l\u00e1 e derruba tudo. Derrubou e passou um fogo, acabou. O setor madeireiro n\u00e3o quer isso a\u00ed. Para n\u00f3s, \u00e9 importante manter a mata em p\u00e9.\u201d<\/p>\n<p>Mas a ilegalidade predomina na regi\u00e3o. Em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil, o promotor Daniel Santos, que ficou \u00e0 frente da Promotoria de Justi\u00e7a de Colniza nos \u00faltimos seis meses, destaca que a cidade ainda \u00e9 carente de recursos b\u00e1sicos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a. \u201cNos distritos de Guariba e Guatar, pior ainda. Quanto mais se entra na mata, menos se tem a presen\u00e7a do Estado e menos consci\u00eancia ambiental. Quando as pessoas est\u00e3o preocupadas em sobreviver, em trazer o pr\u00f3prio sustento para casa, n\u00e3o sobra muita preocupa\u00e7\u00e3o com coisas mais elevadas assim\u201d, avalia.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-sdl_editor_representation type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"23032016dsc_9070-.jpg\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais\/sites\/default\/files\/styles\/medio\/public\/thumbnails\/image\/23032016dsc_9070-.jpg?itok=UiCj7A_T\" alt=\"23032016dsc_9070-.jpg\" width=\"480\" height=\"319\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Promotor Daniel Santos explica o caos fundi\u00e1rio de Colniza<br \/>\n<em>Marcelo Camargo\/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O promotor enumerou diversos problemas s\u00e9rios na regi\u00e3o que facilitam os crimes ambientais, como a falta de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, a demora para obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as ambientais e a falta de alternativas econ\u00f4micas para quem vive na regi\u00e3o. \u201cOu esses problemas s\u00e3o encarados ou o desmatamento n\u00e3o vai acabar. S\u00f3 a repress\u00e3o n\u00e3o funciona e n\u00e3o tem como funcionar porque a vida das pessoas, o socioecon\u00f4mico, est\u00e1 ligado \u00e0quilo ali.\u201d<\/p>\n<p>O chefe do Ibama em Ju\u00edna, Evandro Selva, disse que as atividades econ\u00f4micas que d\u00e3o lucro com a floresta em p\u00e9 s\u00e3o incipientes, e que \u00e9 muito mais f\u00e1cil conseguir cr\u00e9dito para pecu\u00e1ria e monocultura que para atividades sustent\u00e1veis. \u201cTemos hoje uma cadeia t\u00e3o estruturada para o gado e para a soja que deveria ser estruturada para incentivar as pessoas a utilizarem os produtos n\u00e3o madeireiros, como \u00f3leos e resinas. Essa cadeia n\u00e3o est\u00e1 formada, n\u00e3o tem incentivo nem compradores, embora as pessoas tenham condi\u00e7\u00f5es de extrair castanhas e outros subprodutos da floresta que n\u00e3o a madeira. Se tirar, vai vender para quem? Vai vender por mixaria. A pessoa acaba desanimando no decorrer dessa investida porque coloca no papel e v\u00ea que se desmatar e colocar o pasto vai ganhar muito mais\u201d, explica Selva.<\/p>\n<p>O promotor Daniel Santos lamentou que as opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio n\u00e3o cheguem aos chefes das quadrilhas, respons\u00e1veis pelo desmatamento. \u201c\u00c9 muito f\u00e1cil e comum pegar um caminhoneiro na estrada com uma carga de madeira ilegal, mas quem fomenta e fornece recursos para essa atividade trabalha\u00a0de maneiras transversas, \u00e9 dif\u00edcil chegar at\u00e9 eles, ao nome deles. As pessoas se negam a dizer e, se dizem, se negam a assinar o depoimento, falam de forma informal, n\u00e3o dep\u00f5em em ju\u00edzo nem deixam registrado por temerem pela sua vida. E isso se justifica por certo aspecto porque, de fato, conforme se adentra no interior, a pol\u00edcia dificilmente chega ali. A justi\u00e7a est\u00e1 muito distante. As vezes aparece um corpo e voc\u00ea n\u00e3o tem nem ideia do que aconteceu, de quem foi\u201d, conta o promotor.<\/p>\n<p>Para o promotor, \u00e9 preciso separar os dois tipos de desmatadores. Segundo ele, o contexto de pessoas que enfrentam \u201ca falta de tudo e que est\u00e3o em um peda\u00e7o de terra tentando sobreviver\u201d \u00e9 muito diferente do dos grandes desmatadores e das quadrilhas. \u201cA gente sabe que a devasta\u00e7\u00e3o ambiental, o desmatamento mais pesado, n\u00e3o s\u00e3o os pequenos que fazem. A gente chega aqui e tem in\u00fameras autua\u00e7\u00f5es de 10, 40, 50 hectares e, de repente, chega um de 4 mil hectares. S\u00e3o coisas diferentes e tem que ser tratados de forma diferente.\u201d<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia\u00a0\u00e9 que, nas \u00faltimas opera\u00e7\u00f5es do Ibama em casos de devasta\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1reas em Colniza, a Justi\u00e7a conseguiu chegar a nomes importantes. \u201cFicou claro que os donos das duas fazendas pelas quais a estrada para escoar madeira retirada da Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, propriedades enormes, estavam envolvidos. Ent\u00e3o essas pessoas foram alvo de a\u00e7\u00f5es penais e de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas buscando a repara\u00e7\u00e3o do dano ao meio ambiente.\u201d<\/p>\n<h3>Caos fundi\u00e1rio<\/h3>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-sdl_editor_representation type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"desmatamento_2.1.png\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais\/sites\/default\/files\/styles\/medio\/public\/thumbnails\/image\/desmatamento_2.1.png?itok=t8JW7xUl\" alt=\"desmatamento_2.1.png\" width=\"320\" height=\"600\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O promotor de justi\u00e7a substituto da Promotoria de Colniza, munic\u00edpio tamb\u00e9m campe\u00e3o das queimadas no estado, Daniel Lu\u00eds dos Santos, alerta que os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o nunca v\u00e3o conseguir, sozinhos, resolver a quest\u00e3o. \u201cO Ibama n\u00e3o consegue resolver o problema de forma definitiva porque as pessoas n\u00e3o t\u00eam sequer a titula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas sobre as quais est\u00e3o. T\u00eam uma posse prec\u00e1ria, n\u00e3o t\u00eam certeza de que s\u00e3o donas da terra.\u201d<\/p>\n<p>Santos explica que como essas pessoas n\u00e3o t\u00eam t\u00edtulo, os \u00f3rg\u00e3os ambientais n\u00e3o podem dar autoriza\u00e7\u00f5es e licen\u00e7as para queimadas e desmate legal. \u201cConsequentemente fazem tudo de forma ilegal e depois atuamos s\u00f3 de forma reativa. O lado preventivo, muito mais importante, de orientar, ensinar, de resolver a titula\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente inexistente\u201d, explica. Parte das\u00a0terras ocupadas s\u00e3o do estado de Mato Grosso e as demais da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Daniel Santos conta que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o para de crescer, e isso se explica principalmente pelos pre\u00e7os das propriedades, considerados bastante atrativos, justamente por serem \u00e1reas irregulares. Ainda segundo ele, menos de 10% da \u00e1rea urbana da cidade \u00e9 regularizada. \u201cNo momento em que regularizar a \u00e1rea de Colniza, os pre\u00e7os v\u00e3o l\u00e1 em cima. Um \u00e9 o pre\u00e7o de uma \u00e1rea em especula\u00e7\u00e3o, sem t\u00edtulo e sem seguran\u00e7a jur\u00eddica, outro \u00e9 quando est\u00e1 tudo regularizado. As pessoas v\u00eam tendo em vista os pre\u00e7os baixos\u201d, avalia. \u201cTem gente que vem atr\u00e1s do seu peda\u00e7o de ch\u00e3o, invade, constr\u00f3i uma casa, planta, coloca o gado, e tem os que vem para especular. Invadem, constroem algo e esperam um tempo para achar um comprador.\u201d<\/p>\n<p>Evandro Selva, do Ibama, conta que a maioria vem de Rond\u00f4nia em busca de terras. \u201cEncontramos v\u00e1rios casos de pessoas que venderam terras regularizadas l\u00e1 e ca\u00edram na conversa de malandro e acabam comprando documentos frios, achando que est\u00e3o comprando o para\u00edso e est\u00e3o comprando o inferno. E depois n\u00e3o tem como regularizar nem recuperar as \u00e1reas que compraram. Para recuperar 1 hectare de floresta, passa de R$ 5 mil, ent\u00e3o o sonho vira um pesadelo\u201d, diz.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-full type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"23032016dsc_8203_menor.jpg\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/23032016dsc_8203_menor.jpg\" alt=\"23032016dsc_8203_menor.jpg\" width=\"1280\" height=\"852\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Tora sem dono na \u00e1rea da Terra Ind\u00edgena Kawahiva do Rio Pardo<br \/>\n<em>Marcelo Camargo\/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Selva lamenta que, al\u00e9m de comum, agir na ilegalidade ainda gera lucros na regi\u00e3o.\u201cAp\u00f3s desmatar, o grileiro vai vender essa \u00e1rea para um terceiro. Esse terceiro, mesmo que assuma todo o passivo para recuperar a \u00e1rea, e vai ter que regularizar, mas at\u00e9 que se chegue ao ponto final da regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, j\u00e1 foram retiradas 5, 10 cargas de gado ou colheitas de soja ou o que for. Se esse segundo vender para um terceiro ou quarto, os lucros ser\u00e3o suficientes para compensar o desmatamento. Embora quem compre depois tenha a obriga\u00e7\u00e3o de recuperar, infelizmente, em termos financeiros, o respons\u00e1vel j\u00e1 teve o ganho e foi embora.\u201d<\/p>\n<p>Selva conta\u00a0que as equipes do Ibama t\u00eam se revesado no munic\u00edpio todos os meses. \u201cO Ibama tem trabalhado constantemente e com o m\u00e1ximo de esfor\u00e7o para tentar coibir o desmatamento ilegal, mas obviamente n\u00e3o vamos conseguir manter equipes 24h por dia em todas as \u00e1reas que tem floresta em p\u00e9 ainda.\u201d<\/p>\n<p>Ele avalia que se a situa\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios da regi\u00e3o n\u00e3o for legalizada, o desmatamento n\u00e3o vai acabar dentro do prazo estabelecido pelo governo estadual de\u00a0Mato Grosso. \u201cComo t\u00e9cnico, avalio que o governo foi otimista em estimar o desmatamento zero at\u00e9 2030 e o governo estadual foi extremamente otimista em lan\u00e7ar o desmatamento zero at\u00e9 2020.\u201d<\/p>\n<h3>Demora para obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as \u00e9 desafio para a legalidade<\/h3>\n<p>O presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Colniza, Milton de Souza Amorim, afirma que outro problema grave e que leva ao desmate ilegal na regi\u00e3o \u00e9 a demora para a obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as ambientais. \u201cH\u00e1 \u00e1reas em que os propriet\u00e1rios querem fazer planos de manejo e est\u00e3o correndo atr\u00e1s de liberar h\u00e1 cinco anos. A m\u00e9dia de tempo para libera\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as \u00e9 2 anos e meio pela Secretaria de Meio Ambiente do estado\u201d, disse.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-sdl_editor_representation type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"23032016dsc_9103-.jpg\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais\/sites\/default\/files\/styles\/medio\/public\/thumbnails\/image\/23032016dsc_9103-.jpg?itok=NHyaWJj5\" alt=\"23032016dsc_9103-.jpg\" width=\"480\" height=\"319\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Presidente do Sindicato de Produtores Rurais, Milton Amorim<br \/>\n<em>Marcelo Camargo\/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para Amorim, o excesso de burocracia\u00a0agravado pela falta de t\u00edtulos de terra\u00a0contribuem para que as pessoas continuem agindo ilegalmente. \u201cA demora contribui muito com a ilegalidade. O munic\u00edpio tem muitos assentamentos, quatro assentamentos do Incra muito grandes. Isso come\u00e7ou errado h\u00e1 20 anos. O Incra colocou pessoas aqui e as deixou para l\u00e1, abandonadas. Hoje ele precisa plantar para sobreviver. Se faz um projeto de manejo e n\u00e3o \u00e9 liberado, a alternativa \u00e9 desmatar para sobreviver. Falta a presen\u00e7a dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis para orientar essas pessoas e organizar a situa\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o tiver o governo para ir l\u00e1 ajudar, as boas iniciativas perdem for\u00e7a\u201d, avalia.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio chegou em Colniza h\u00e1 16 anos. Amorim tem uma propriedade com autoriza\u00e7\u00e3o para manejo que permite a retirada de 12 mil metros c\u00fabicos de madeira, cerca de 600 caminh\u00f5es grandes de madeira. Segundo Amorim, a \u00e1rea vai continuar preservada ap\u00f3s a extra\u00e7\u00e3o. \u201cQueira ou n\u00e3o queira, o setor madeireiro est\u00e1 contribuindo para a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Porque o manejo funciona da seguinte maneira: voc\u00ea pega uma \u00e1rea de 100 metros quadrados, faz um plano de manejo e libera na secretaria. Voc\u00ea tira, no m\u00e1ximo, tr\u00eas \u00e1rvores nessa \u00e1rea, ent\u00e3o a \u00e1rea fica praticamente intacta. O setor hoje est\u00e1 preservando a mata\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Para ele, o manejo acaba com a ilegalidade. \u201cNo manejo voc\u00ea assina um termo averbado em cart\u00f3rio na matr\u00edcula da propriedade que voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pela \u00e1rea por 35 anos. Se algu\u00e9m for l\u00e1 e invadir a terra, voc\u00ea tem que correr atr\u00e1s. Ent\u00e3o o setor madeireiro hoje cuida de uma grande \u00e1rea de reserva. E n\u00e3o tem o valor que precisava\u201d, diz.<\/p>\n<p>O promotor Daniel Santos concorda que a emiss\u00e3o de licen\u00e7as ambientais \u00e9 demorada, mas tamb\u00e9m destaca que a fraude envolvendo \u00e1reas com planos de manejo autorizados tornou-se comum na regi\u00e3o. \u201cA criatividade para esquentar a madeira retirada ilegalmente \u00e9 imensa. Trabalha-se hoje com o banco de cr\u00e9ditos de madeira. Algu\u00e9m abre um manejo legal para extrair determinada quantidade de madeira e come\u00e7a a soltar madeira, mas no sistema est\u00e1 uma coisa e em campo outra. Temos casos em que no sistema foi liberado milhares e milhares de metros c\u00fabicos de madeira e ao ir na \u00e1rea de manejo, verifica-se que est\u00e1 intacta\u201d, explica.<\/p>\n<p>O Ibama comumente verifica que o estoque de madeira que ocupa os p\u00e1tios de diversas madeireiras da regi\u00e3o n\u00e3o corresponde ao que est\u00e1 registrado no sistema de autoriza\u00e7\u00e3o de manejo da secretaria do meio ambiente.<\/p>\n<p>Milton Amorim disse que n\u00e3o compra madeira sem saber a origem, mas reconheceu que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil \u201cesquentar\u201d madeira. \u201cOlha, quem quer fazer rolo faz.\u201d<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama no noroeste do estado, Evando Selva, disse que h\u00e1 uma grande rede para \u201cesquentar madeira\u201d ilegal na regi\u00e3o, com o uso indevido de cr\u00e9dito florestal de \u00e1reas com planos de manejo autorizadas inclusive em outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um com\u00e9rcio violento de cr\u00e9dito florestal e isso tem alimentado grandes quadrilhas e colocado dinheiro em caixa de gente que influencia o desmatamento da Amaz\u00f4nia\u201d, diz.<\/p>\n<h3>Consci\u00eancia ambiental<\/h3>\n<p>Para o promotor Daniel Santos, nem a popula\u00e7\u00e3o nem o Poder P\u00fablico da cidade t\u00eam muita consci\u00eancia da import\u00e2ncia de impedir a derrubada da mata.<\/p>\n<p>\u201cPelo contr\u00e1rio. A face da atual administra\u00e7\u00e3o e da anterior, da que t\u00ednhamos at\u00e9 agora at\u00e9 o afastamento do prefeito, tinham um comportamento at\u00e9 resistente \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental. As requisi\u00e7\u00f5es feitas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico foram negadas sob alega\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de compet\u00eancia, sob a alega\u00e7\u00e3o de que isso \u00e9 compet\u00eancia federal. O Ibama por v\u00e1rias vezes pediu aux\u00edlio de log\u00edstica para transportar madeiras e ve\u00edculos apreendidos e tudo isso \u00e9 negado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mesma opini\u00e3o tem o \u00f3rg\u00e3o ambiental. \u201cInfelizmente n\u00e3o temos o apoio do Poder P\u00fablico local em Colniza, haja vista que existe um receio do prefeito e de sua equipe de serem depois recha\u00e7ados por dar apoio ao Ibama\u201d, lamentou Evandro Selva.<\/p>\n<p>O promotor Daniel Santos avalia o cen\u00e1rio pol\u00edtico do munic\u00edpio como \u201cproblem\u00e1tico\u201d. Em 30 de janeiro de 2016, os vereadores de Colniza aprovaram por unanimidade o afastamento tempor\u00e1rio do prefeito Jo\u00e3o Assis Raupp (PMDB), por 90 dias, devido a den\u00fancias de desvio de recursos p\u00fablicos. O prefeito reassumiu o cargo no dia 23 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O ex-prefeito da cidade, S\u00e9rgio Bastos dos Santos, que tamb\u00e9m havia sido afastado do cargo pelos vereadores, foi denunciado em meados de mar\u00e7o de 2016 pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal por fraude de R$ 1 milh\u00e3o em licita\u00e7\u00e3o para pavimenta\u00e7\u00e3o asf\u00e1ltica do munic\u00edpio e apropria\u00e7\u00e3o de dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>O munic\u00edpio n\u00e3o tem secret\u00e1rio de Meio Ambiente. A fun\u00e7\u00e3o \u00e9 exercida pelo prefeito. Quando a equipe da Ag\u00eancia Brasil esteve em Colniza, o prefeito atual ainda estava afastado. Desde que retornou, a prefeitura foi procurada por telefone. At\u00e9 o fechamento dessa reportagem, a Ag\u00eancia Brasil n\u00e3o recebeu posicionamento da prefeitura de Colniza, que n\u00e3o t\u00eam assessor de imprensa.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-full type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"madeira.jpg\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/23032016dsc_8198-14.jpg\" alt=\"madeira.jpg\" width=\"1280\" height=\"852\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Flagrande da retirada de madeira sem autoriza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt<br \/>\n<em>Marcelo Camargo\/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maiana Diniz, da Ag\u00eancia Brasil\u00a0 Localizada a 1065 km de Cuiab\u00e1, Colniza lidera o ranking dos munic\u00edpios que mais desmatam na Amaz\u00f4nia. A cidade responde sozinha por 19% de todo o desmatamento registrado no estado entre agosto e dezembro de 2015, quando perdeu 74&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,29,35,2],"tags":[635],"class_list":["post-2887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-area-4","category-mato-grosso","category-meio-ambiente","category-slideshow","tag-amazonia-devastada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2887"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2889,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2887\/revisions\/2889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}