{"id":3111,"date":"2016-09-05T20:20:11","date_gmt":"2016-09-05T23:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=3111"},"modified":"2016-09-05T20:20:11","modified_gmt":"2016-09-05T23:20:11","slug":"exploracao-do-cerrado-o-impacto-que-esta-na-mesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/exploracao-do-cerrado-o-impacto-que-esta-na-mesa\/","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o do Cerrado: o impacto que est\u00e1 na mesa"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Explora\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-o-impacto-que-est\u00e1-na-mesa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3112 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Explora\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-o-impacto-que-est\u00e1-na-mesa-300x187.jpg\" alt=\"Explora\u00e7\u00e3o do Cerrado- o impacto que est\u00e1 na mesa\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Explora\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-o-impacto-que-est\u00e1-na-mesa-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Explora\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-o-impacto-que-est\u00e1-na-mesa-700x438.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Explora\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-o-impacto-que-est\u00e1-na-mesa-220x137.jpg 220w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Explora\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-o-impacto-que-est\u00e1-na-mesa.jpg 1278w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Mario Barroso*<\/em><\/p>\n<div class=\"main-column\">\n<div class=\"container col6 bodytext\">\nSe somos o reflexo do que comemos, a Terra \u00e9 a express\u00e3o de nossos h\u00e1bitos alimentares. Ao longo dos \u00faltimos 10 mil anos, o homem vem transformando as paisagens naturais com as atividades de agricultura e pastoreio, moldando os ecossistemas. Digitais dessa din\u00e2mica insustent\u00e1vel, as altera\u00e7\u00f5es feitas apenas nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas no Cerrado brasileiro impressionam e preocupam.<\/p>\n<p>Uma das \u00e1reas mais importantes para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade do planeta, os cerrados cobriam originalmente cerca de 24% do territ\u00f3rio nacional. Mas isso mudou bastante. Segundo o Terraclass \u2013 sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mapeia o uso da terra e da cobertura vegetal no bioma \u2013 cerca de metade desse territ\u00f3rio havia sido alterado at\u00e9 2013, sendo que mais de 90% dessa transforma\u00e7\u00e3o ocorrera em fun\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, sobretudo carne e soja.<\/p>\n<p>Enquanto a expans\u00e3o da agricultura ocorre em solos com maior aptid\u00e3o agr\u00edcola, a expans\u00e3o das pastagens plantadas se d\u00e1 de forma generalizada. Hoje, a taxa m\u00e9dia anual de desmatamento no Cerrado est\u00e1 em torno de 6 mil quil\u00f4metros quadrados, mais que a perda de cobertura nativa na Amaz\u00f4nia em 2014, que foi de 4,8 mil quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o sobre as \u00e1reas naturais do Cerrado resultou num excepcional crescimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no Brasil, a ponto de possibilitar que o pa\u00eds se torne em pouco tempo o maior produtor de alimentos do mundo, se continuar o mesmo ritmo. Os impactos positivos s\u00e3o bastante evidenciados, principalmente pelo setor que se orgulha de \u201cpuxar a economia nacional\u201d.<\/p>\n<p>Pouco se fala, por\u00e9m, dos impactos negativos da expans\u00e3o sobre o Cerrado. E n\u00e3o s\u00f3 para o Brasil. Uma das maiores estudiosas do bioma, a pesquisadora da Universidade de Bras\u00edlia Mercedes Bustamante alerta que o Cerrado passa por um intenso processo de fragmenta\u00e7\u00e3o que compromete importantes fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Pense no ambiente natural como um grande organismo, sendo o bioma Cerrado um dos seus \u201c\u00f3rg\u00e3os vitais\u201d. Uma das fun\u00e7\u00f5es que o Cerrado desempenha no equil\u00edbrio ecol\u00f3gico \u00e9 justamente a manuten\u00e7\u00e3o do sistema h\u00eddrico do pa\u00eds. O Cerrado abriga as nascentes de tr\u00eas grandes bacias do continente sul-americano (Tocantins-Araguaia, Paran\u00e1-Prata e S\u00e3o Francisco).<\/p>\n<p>Apesar dos alertas dos cientistas sobre a import\u00e2ncia de se conservar essa imensa \u201ccaixa d\u2019\u00e1gua\u201d, o desmatamento avan\u00e7a e compromete esse servi\u00e7o ambiental que o Cerrado presta gratuitamente \u00e0 na\u00e7\u00e3o. Para Mercedes Bustamante, estamos \u201cfechando a torneira\u201d que fornece \u00e1gua para a cidade e o campo.<\/p>\n<p>Do ponto de vista clim\u00e1tico \u2013 e a\u00ed a escala de impacto j\u00e1 \u00e9 global \u2013, as transforma\u00e7\u00f5es no Cerrado j\u00e1 fizeram acender a luz amarela entre os cientistas.<\/p>\n<p>Entre 2005-2010, as emiss\u00f5es brasileiras de CO2 oriundas do desmatamento e mudan\u00e7as de uso da terra foram reduzidas em 83%. Tal decr\u00e9scimo ocorreu sobretudo pela redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia. No Cerrado a hist\u00f3ria \u00e9 diferente. A contribui\u00e7\u00e3o do desmatamento do Cerrado, aumentou. Entre 1994-2002, as emiss\u00f5es do bioma atingiram 1704 Teragramas (milh\u00e3o de toneladas) e aumentaram para 1845 Teragramas no per\u00edodo entre 2002-2010.<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), o Brasil j\u00e1 ultrapassou os Estados Unidos em emiss\u00f5es agr\u00edcolas, estando em terceiro lugar, atr\u00e1s apenas da China e \u00cdndia. Vale mencionar tamb\u00e9m outros impactos ainda n\u00e3o entendidos plenamente, mas que t\u00eam um potencial imenso de gerar danos no curto, m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n<p>Segundo a FAO, o uso de pesticidas no Brasil pulou de 117 mil toneladas para 353 mil toneladas entre 1999 e 2014, principalmente pelo aumento no uso de inseticidas. E anualmente mais de 3 milh\u00f5es de toneladas de fertilizantes s\u00e3o necess\u00e1rias para manter a produtividade. A maior parte dos pesticidas foi lan\u00e7ada sobre as lavouras localizadas no Cerrado. Al\u00e9m dos alimentos, a \u00e1gua, o solo, o ar e a biodiversidade s\u00e3o contaminados pela pulveriza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Parece razo\u00e1vel, em termos econ\u00f4micos, que o Brasil continue com o caminho de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Mas \u00e9 preciso fugir da l\u00f3gica da expans\u00e3o territorial da agropecu\u00e1ria e passarmos para a intensifica\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Para isso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1rias (Embrapa) vem trabalhado com novos pacotes tecnol\u00f3gicos, como a integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta. O desafio \u00e9 reverter a baixa produtividade das \u00e1reas consideradas degradadas \u2013 um pasto abandonado, por exemplo \u2013 e incorpor\u00e1-las novamente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esse caminho, passaremos a viabilizar os compromissos de desmatamento zero por parte das cadeias de produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, e poderemos cada vez mais desenvolver mecanismos de rastreabilidade e transpar\u00eancia para o meio rural.<\/p>\n<p>Mas podemos ir al\u00e9m. N\u00f3s, consumidores, temos um poder de transforma\u00e7\u00e3o que muitos sequer suspeitam. Nossos h\u00e1bitos de consumo podem mudar as ind\u00fastrias e influenciar o desenvolvimento de novas tecnologias. Foi por press\u00e3o do mercado que conseguimos banir o clorofluorcarbono (CFC), por muito tempo utilizado nas ind\u00fastrias de refrigera\u00e7\u00e3o e ar condicionado, espumas, aeross\u00f3is, extintores de inc\u00eandio. E com isso, recuperamos nada menos do que a Camada de Oz\u00f4nio, antes depauperada pela emiss\u00e3o desses gases.<\/p>\n<p>Por que, ent\u00e3o, n\u00e3o fazemos o mesmo em rela\u00e7\u00e3o aos alimentos? Informa\u00e7\u00f5es corretas sobre proced\u00eancia, qualidade e forma de produ\u00e7\u00e3o permitem melhor escolhas, ou pelo menos uma maior consci\u00eancia de nosso impacto. Os grandes compradores internacionais de<em>\u00a0commodities<\/em>agr\u00edcolas j\u00e1 se movimentam para cobrar que os produtos venham livres de desmatamento ao longo de suas cadeias produtivas. Isso \u00e9 resultado da press\u00e3o dos consumidores.<\/p>\n<p>Assim como existe uma rotulagem para os valores nutricionais, j\u00e1 h\u00e1 padr\u00f5es estabelecidos para a rotulagem ambiental, s\u00f3 que isso ainda \u00e9 pouco utilizado. Precisamos ser mais exigentes em rela\u00e7\u00e3o a transpar\u00eancia quanto a produ\u00e7\u00e3o e origem dos alimentos. E isso se faz cobrando de quem compra e vende os produtos agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios. Com essa chave na m\u00e3o, poderemos abrir as portas de um cen\u00e1rio em que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos seja aliada da conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. E n\u00e3o mais um fator de degrada\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p><\/div>\n<div class=\"container col6 bodytext\"><\/div>\n<div class=\"container col6 bodytext\">*<em>Mario Barroso \u00e9\u00a0superintendente de Conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil<\/em><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"right-column\"><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mario Barroso* Se somos o reflexo do que comemos, a Terra \u00e9 a express\u00e3o de nossos h\u00e1bitos alimentares. 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