{"id":3377,"date":"2016-11-07T12:03:26","date_gmt":"2016-11-07T15:03:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=3377"},"modified":"2016-11-07T12:03:26","modified_gmt":"2016-11-07T15:03:26","slug":"drones-sao-utilizados-para-estimar-populacao-de-botos-amazonicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/drones-sao-utilizados-para-estimar-populacao-de-botos-amazonicos\/","title":{"rendered":"Drones s\u00e3o utilizados para estimar popula\u00e7\u00e3o de botos amaz\u00f4nicos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Drones-s\u00e3o-utilizados-para-estimar-popula\u00e7\u00e3o-de-botos-amaz\u00f4nicos1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3379\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Drones-s\u00e3o-utilizados-para-estimar-popula\u00e7\u00e3o-de-botos-amaz\u00f4nicos1-e1478530924198.jpg\" alt=\"drones-sao-utilizados-para-estimar-populacao-de-botos-amazonicos\" width=\"700\" height=\"466\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma parceria entre o Instituto Mamirau\u00e1 e o WWF-Brasil busca testar e aprimorar t\u00e9cnicas e metodologias para a utiliza\u00e7\u00e3o de drones em pesquisas cient\u00edficas. A proposta \u00e9 utilizar os drones para otimizar atividades de campo que exigem grande esfor\u00e7o da equipe e alto investimento de recursos. O projeto, que integra a iniciativa\u00a0Ecodrones Brasil, prop\u00f5e estabelecer um protocolo para a realiza\u00e7\u00e3o de uma estimativa populacional de botos amaz\u00f4nicos. O primeiro teste do projeto foi realizado no \u00faltimo m\u00eas no munic\u00edpio de Tef\u00e9, Amazonas.<\/p>\n<p>Miriam Marmontel, que \u00e9 pesquisadora do Instituto Mamirau\u00e1 \u2013 unidade de pesquisa do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es \u2013 explica que a proposta \u00e9 testar uma metodologia que possibilite a coleta de dados por meio dos v\u00eddeos gravados pela tecnologia. Ap\u00f3s a compara\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es dos v\u00eddeos com as informa\u00e7\u00f5es registradas pelos pesquisadores, espera-se alcan\u00e7ar um modelo de utiliza\u00e7\u00e3o do drone para a contagem de botos.<\/p>\n<p>\u201cO projeto piloto foi realizado no lago Tef\u00e9 durante dois dias e permitiu testar diferentes altitudes e velocidades de voo com o drone, assim como diferentes \u00e2ngulos da c\u00e2mera. Ap\u00f3s a an\u00e1lise das imagens geradas, ser\u00e1 poss\u00edvel definir os par\u00e2metros mais adequados e desenvolver um algoritmo de identifica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de botos\u201d, contou Miriam.<\/p>\n<p>A pesquisadora comenta que a metodologia atual envolve cerca de dez pessoas, posicionadas na proa de um barco que, com os olhos fixos na \u00e1gua, registram os animais avistados em um raio de 180\u00ba. Depois disso, o n\u00famero de animais vistos passa por an\u00e1lises estat\u00edsticas para obten\u00e7\u00e3o da densidade e abund\u00e2ncia de animais. \u00a0\u201cA premissa do m\u00e9todo \u00e9 que todos os animais presentes sejam contados, mas sabemos que existem erros, associados \u00e0 capacidade do observador avistar o animal, e \u00e0 disponibilidade do animal, por exemplo, se estiver mergulhando, n\u00e3o ser\u00e1 avistado\u201d, explicou a pesquisadora. A expectativa \u00e9 utilizar o drone no mesmo trajeto feito pelos pesquisadores, registrando o rio por meio da c\u00e2mera. Miriam explica que, a partir das imagens registradas, seria poss\u00edvel corrigir a estimativa de popula\u00e7\u00e3o dos botos, preenchendo as lacunas deixadas pelo m\u00e9todo atual.<\/p>\n<p>Marcelo Oliveira, especialista de conserva\u00e7\u00e3o do programa Amaz\u00f4nia do WWF-Brasil, explica que a utiliza\u00e7\u00e3o de drones como aux\u00edlio em atividades de conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente n\u00e3o \u00e9 novidade. Fora do Brasil, a tecnologia j\u00e1 foi utilizada em diversas pesquisas cient\u00edficas. No entanto, no pa\u00eds, a estrat\u00e9gia \u00e9 ainda incipiente. \u201cO projeto j\u00e1 nasceu com a ideia de reunir institui\u00e7\u00f5es que tivessem interesse ou expertise na \u00e1rea. H\u00e1 um ano, fizemos um workshop e come\u00e7amos a discutir a proposta e, primeiro, entender o que estava sendo feito no Brasil. Observamos que era muito pouco, principalmente, por conta da\u00a0legisla\u00e7\u00e3o\u00a0na \u00e9poca. A ideia principal desse projeto com os botos \u00e9: como essa tecnologia pode trazer impacto de conserva\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o, ser\u00e1 que, com uma metodologia mais barata, n\u00e3o ampliamos o conhecimento da distribui\u00e7\u00e3o dos animais na Amaz\u00f4nia?\u201d, comentou Marcelo.<\/p>\n<p>A pesquisadora do Instituto Mamirau\u00e1 destaca que a aus\u00eancia de dados populacionais dificulta a elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0 Os dados de abund\u00e2ncia populacional contribuem para o conhecimento do real\u00a0<em>status<\/em>\u00a0da esp\u00e9cie e para estudos de viabilidade populacional. Na lista vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN, em ingl\u00eas), as duas esp\u00e9cies que ocorrem na regi\u00e3o, o boto vermelho (<em>Inia geoffrensis<\/em>) e o tucuxi (<em>Sotalia fluviatilis<\/em>), atualmente s\u00e3o considerados com \u201cdados insuficientes\u201d, em decorr\u00eancia da limitada quantidade de informa\u00e7\u00f5es sobre suas popula\u00e7\u00f5es, ecologia, taxas de mortalidade, entre outras. O boto vermelho j\u00e1 foi classificado anteriormente como \u201cvulner\u00e1vel\u201d \u00e0 extin\u00e7\u00e3o e, em 2008, teve seu status modificado em raz\u00e3o da car\u00eancia de dados sobre a esp\u00e9cie; a n\u00edvel nacional, entretanto, \u00e9 considerado \u2018amea\u00e7ado\u2019.<\/p>\n<p>\u201cMam\u00edferos aqu\u00e1ticos amaz\u00f4nicos tendem a deslocar-se para diferentes ambientes de acordo com a varia\u00e7\u00e3o do n\u00edvel d\u00b4\u00e1gua, oferecendo desafios a seu monitoramento. Botos e ariranhas, por exemplo, seguem os peixes para dentro do igap\u00f3 quando a \u00e1gua sobe, e o peixe-boi migra de uma \u00e1rea de v\u00e1rzea para lagos profundos de terra firme quando o n\u00edvel do rio cai. O uso de drones representa uma forma de atacar este problema, possibilitando estudos de deslocamentos, uso e ocupa\u00e7\u00e3o de habitat, e estimativas populacionais ao longo do ano\u201d, contou Miriam. De acordo com a pesquisadora, ap\u00f3s os testes, a tecnologia poderia ser utilizada em diferentes pesquisas e tamb\u00e9m com outras esp\u00e9cies de vertebrados amaz\u00f4nicos.<\/p>\n<p>\u201cA ideia dessa atividade foi tentar identificar gargalos, o que funciona bem ou n\u00e3o com esse modelo de drone. A gente j\u00e1 viu que funciona, mas tem limita\u00e7\u00f5es. J\u00e1 come\u00e7amos a imaginar cen\u00e1rios em que funciona muito bem. E, agora, vamos conversar com pessoas que j\u00e1 trabalham com isso. J\u00e1 temos as perguntas para ir atr\u00e1s de respostas\u201d, comentou o especialista da WWF.<\/p>\n<p>Marcelo refor\u00e7a que o projeto inova em ser o primeiro a utilizar a tecnologia para monitoramento populacional de botos. \u201cPrimeira vez no mundo que \u00e9 feito com mam\u00edferos aqu\u00e1ticos em rios amaz\u00f4nicos. J\u00e1 houve registro de comportamento de botos. Mas um censo, ou densidade populacional nunca foi feito\u201d, disse.<\/p>\n<p>A equipe acredita que, com o aux\u00edlio dos drones, ser\u00e1 poss\u00edvel alcan\u00e7ar \u00e1reas de dif\u00edcil acesso, reduzindo os custos com as expedi\u00e7\u00f5es de campo e os esfor\u00e7os da equipe de pesquisadores. \u201cAs possibilidades s\u00e3o in\u00fameras, queremos come\u00e7ar com algumas coisas mais simples, mas a capacidade de deslocamento a v\u00e1rias alturas e velocidades associada com a alta resolu\u00e7\u00e3o das imagens produzidas certamente reduzir\u00e3o consideravelmente nossas limita\u00e7\u00f5es de visualizar os animais\u201d, enfatizou Miriam.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima etapa da expedi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 no Rio Juru\u00e1, no per\u00edodo de 14 a 22 de novembro. \u00a0A sa\u00edda ser\u00e1 do munic\u00edpio de Tef\u00e9, pelo Solim\u00f5es, percorrendo o Rio Juru\u00e1 at\u00e9 o dia 22. A expectativa da equipe \u00e9 chegar at\u00e9 a Reserva Extrativista do M\u00e9dio Juru\u00e1. A pesquisadora ressalta que, apesar de ser uma tecnologia relativamente nova no Brasil, sua utiliza\u00e7\u00e3o vem se expandindo em pesquisas com vida silvestre e recursos naturais. \u201cOs resultados de estudos j\u00e1 feitos com vida silvestre, e especificamente com botos, ariranhas e sir\u00eanios (peixe-boi e dugongo) levam a crer que o emprego da tecnologia representar\u00e1 um diferencial nos estudos em \u00e1reas protegidas\u201d, comentou.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma parceria entre o Instituto Mamirau\u00e1 e o WWF-Brasil busca testar e aprimorar t\u00e9cnicas e metodologias para a utiliza\u00e7\u00e3o de drones em pesquisas cient\u00edficas. 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