{"id":4520,"date":"2017-09-04T12:48:47","date_gmt":"2017-09-04T15:48:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=4520"},"modified":"2017-09-04T12:49:38","modified_gmt":"2017-09-04T15:49:38","slug":"areas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/areas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro\/","title":{"rendered":"\u00c1reas protegidas: mudar mentalidade e garantir o futuro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/\u00c1reas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-4521 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/\u00c1reas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro-300x196.jpg\" alt=\"\u00c1reas protegidas- mudar mentalidade e garantir o futuro\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/\u00c1reas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/\u00c1reas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro-700x459.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/\u00c1reas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro-220x144.jpg 220w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/\u00c1reas-protegidas-mudar-mentalidade-e-garantir-o-futuro.jpg 918w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas do mundo todo est\u00e3o fazendo um alerta. Este 2 de agosto marca o dia em que a humanidade consumiu mais recursos naturais do que a Terra \u00e9 capaz de repor em um per\u00edodo de doze meses &#8211; o Dia da Sobrecarga da Terra. Em 2016, a Terra entrou neste cheque especial no dia 8 de agosto. Em 2000, foi no dia 5 de outubro. Esta antecipa\u00e7\u00e3o mostra que o uso dos recursos do planeta \u00e9 maior a cada ano, de forma descontrolada.<\/p>\n<p>As pesquisas indicam que as a\u00e7\u00f5es humanas j\u00e1 causaram a redu\u00e7\u00e3o de mais da metade (58%) das popula\u00e7\u00f5es de vida silvestre desde 1970. Caminhamos a passos largos para a sexta extin\u00e7\u00e3o em massa dos seres vivos \u2013 a \u00faltima delas, h\u00e1 mais ou menos 65 milh\u00f5es de anos, fez desparecer da face da Terra os dinossauros. \u00a0Atualmente, nos tr\u00f3picos, o ritmo dessa perda \u00e9 ainda mais acelerado.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano 2000, 48,5% do habitat de florestas tropicais e subtropicais foram convertidos para o uso humano, segundo dados do Living Planet Report. Considere que as florestas tropicais est\u00e3o entre os ecossistemas mais ricos do planeta, e que sofreram a maior perda em termos de \u00e1rea.<\/p>\n<p>Vai-se a floresta e com ela v\u00e3o todos os servi\u00e7os ambientais de que a humanidade depende: \u00e1gua, equil\u00edbrio clim\u00e1tico, alimentos, medicamentos, abrigo. Estamos colocando o nosso futuro em risco.<\/p>\n<p>Ingressamos em uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica, o Antropoceno, em que os seres humanos, mais do que for\u00e7as naturais, representam hoje o principal fator de mudan\u00e7a na paisagem do planeta. A not\u00edcia boa \u00e9 que podemos tamb\u00e9m redefinir essa nossa rela\u00e7\u00e3o com a Terra.<\/p>\n<p>A chave \u00e9 sair de uma postura predat\u00f3ria adotada contra o planeta e seguirmos um padr\u00e3o de uso dos recursos naturais sustent\u00e1vel. Isso quer dizer, na pr\u00e1tica, que precisamos usar o que a Terra nos oferece dentro da capacidade natural de reposi\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, al\u00e9m de parar imediatamente de destruir a biodiversidade. Somente assim as gera\u00e7\u00f5es futuras tamb\u00e9m poder\u00e3o usufruir de toda essa riqueza.<\/p>\n<p>Temos de cruzar a ponte e fazer a transi\u00e7\u00e3o para um modo de vida que relacione o desenvolvimento humano com a conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Trata-se de um novo pacto civilizat\u00f3rio. E esse pacto sup\u00f5e, necessariamente, a cria\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de uma rede de \u00e1reas protegidas em escala global.<\/p>\n<p>Ao garantir a exist\u00eancia de \u00e1reas voltadas exclusivamente \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e seus servi\u00e7os ambientais, e ao uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais, estamos assegurando as condi\u00e7\u00f5es essenciais de sobreviv\u00eancia da vida na Terra.<\/p>\n<p>Vejamos o caso do Brasil.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem hoje cerca de 17% do seu territ\u00f3rio em unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs). Estamos falando de parques nacionais, reservas extrativistas, esta\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e florestas p\u00fablicas. A maior parte da energia el\u00e9trica consumida hoje no pa\u00eds vem de rios que nascem ou passam pelas UCs.<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o da \u00e1gua que abastece a todos n\u00f3s parte dessas unidades. Elas ajudam a controlar o microclima das cidades, a qualidade do ar que respiramos e previnem desastres associados a eventos clim\u00e1ticos extremos, como deslizamentos de terra, enchentes e grandes inc\u00eandios florestais.<\/p>\n<p>Sem contar que o Brasil, como um dos maiores produtores de alimento do mundo, depende da regula\u00e7\u00e3o do clima, da disponibilidade de \u00e1gua, do combate \u00e0s pragas e da poliniza\u00e7\u00e3o promovidos pela exist\u00eancia das \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p>Diante disso, criar e consolidar a prote\u00e7\u00e3o das florestas \u00e9 um dos diferenciais que o pa\u00eds tem como alicerce para uma nova economia, pautada no desenvolvimento de tecnologias e capacidades que valorizem seu patrim\u00f4nio natural \u2013 uma nova revolu\u00e7\u00e3o industrial que s\u00f3 est\u00e1 come\u00e7ando.<\/p>\n<p><strong>Garantia de futuro<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 2010, o Brasil foi campe\u00e3o mundial de cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, aumentando significativamente a \u00e1rea sob prote\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. Esse fato ajudou a atrair para o pa\u00eds recursos de diversos pa\u00edses para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, o que mostra que a exist\u00eancia dessas \u00e1reas criar fluxos financeiros para manter a biodiversidade.<\/p>\n<p>O Programa ARPA (\u00c1reas Protegidas da Amaz\u00f4nia) tornou-se nos \u00faltimos 15 anos o maior programa de conserva\u00e7\u00e3o de florestas tropicais do mundo. Com investimentos internacionais na ordem de 250 milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 a serem combinados com o or\u00e7amento p\u00fablico \u2013, o programa investe em boa gest\u00e3o de cerca de 114 Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, totalizando quase 60 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>No entanto, nos \u00faltimos anos, unidades de conserva\u00e7\u00e3o no Brasil passaram a ser amea\u00e7adas por dois principais fatores: a redu\u00e7\u00e3o de or\u00e7amento para sua gest\u00e3o e a contesta\u00e7\u00e3o dos limites desses territ\u00f3rios protegidos por setores ligados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, energia e agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>De acordo com o recente dossi\u00ea publicado pelo WWF-Brasil, em maio de 2017, cerca de 10% do territ\u00f3rio dessas unidades de conserva\u00e7\u00e3o corriam o risco de serem extintos por press\u00e3o desses setores com apoio expl\u00edcito do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Atrelar o destino das \u00e1reas protegidas brasileiras a este cen\u00e1rio de amea\u00e7a \u00e9 condenar o pa\u00eds a um futuro de degrada\u00e7\u00e3o ambiental e social.<\/p>\n<p>As \u00e1reas protegidas s\u00e3o nossa maior contribui\u00e7\u00e3o para conter a perda de biodiversidade no mundo e a garantia de sobreviv\u00eancia da nossa esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Maur\u00edcio Voivodic \u00e9 Diretor Executivo do WWF-Brasil<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas do mundo todo est\u00e3o fazendo um alerta. 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