{"id":4724,"date":"2017-11-08T12:39:45","date_gmt":"2017-11-08T15:39:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=4724"},"modified":"2017-11-08T12:39:45","modified_gmt":"2017-11-08T15:39:45","slug":"maioria-de-venezuelanos-em-roraima-e-jovem-possui-boa-escolaridade-e-esta-trabalhando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/maioria-de-venezuelanos-em-roraima-e-jovem-possui-boa-escolaridade-e-esta-trabalhando\/","title":{"rendered":"Maioria de venezuelanos em Roraima \u00e9 jovem, possui boa escolaridade e est\u00e1 trabalhando"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Maioria-de-venezuelanos-em-Roraima-\u00e9-jovem-possui-boa-escolaridade-e-est\u00e1-trabalhando.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-4725 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Maioria-de-venezuelanos-em-Roraima-\u00e9-jovem-possui-boa-escolaridade-e-est\u00e1-trabalhando-300x198.jpg\" alt=\"Maioria de venezuelanos em Roraima \u00e9 jovem, possui boa escolaridade e est\u00e1 trabalhando\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Maioria-de-venezuelanos-em-Roraima-\u00e9-jovem-possui-boa-escolaridade-e-est\u00e1-trabalhando-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Maioria-de-venezuelanos-em-Roraima-\u00e9-jovem-possui-boa-escolaridade-e-est\u00e1-trabalhando-700x463.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Maioria-de-venezuelanos-em-Roraima-\u00e9-jovem-possui-boa-escolaridade-e-est\u00e1-trabalhando-220x145.jpg 220w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Maioria-de-venezuelanos-em-Roraima-\u00e9-jovem-possui-boa-escolaridade-e-est\u00e1-trabalhando.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A maioria dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas vivendo em Roraima \u00e9 jovem, possui boa escolaridade, tem atividade remunerada e paga aluguel. Entre os que trabalham, 51% recebem menos de um sal\u00e1rio m\u00ednimo e 28% est\u00e3o formalmente empregados. Muitos enviam ajuda financeira aos familiares que est\u00e3o na Venezuela, e apontam a crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica como principal motivo para se deslocar. J\u00e1 os venezuelanos ind\u00edgenas que vivem em Roraima indicam a fome como motivo de seu deslocamento, sendo que as mulheres s\u00e3o a principal fonte de renda neste grupo.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o alguns dos resultados revelados pelo perfil sociodemogr\u00e1fico e laboral dos venezuelanos que vivem em Roraima, em pesquisa promovida pelo Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o (CNIg), vinculado ao Minist\u00e9rio do Trabalho. A pesquisa foi realizada pela C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello na Universidade Federal de Roraima (UFRR), por meio do Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es Internacionais (OBMigra) e com apoio da Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR). <a href=\"http:\/\/www.acnur.org\/fileadmin\/Documentos\/portugues\/Publicacoes\/2017\/Perfil_imigracao_ven_Roraima_resumo.pdf\">Clique aqui para ler o sum\u00e1rio executivo da pesquisa<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um trabalho muito importante para conhecermos os principais dados desta popula\u00e7\u00e3o e subsidiar as pol\u00edticas migrat\u00f3rias, de acordo com as necessidades da imigra\u00e7\u00e3o venezuelana no Brasil\u201d, disse o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira. \u201cA pesquisa nos d\u00e1 maior clareza sobre este processo de deslocamento for\u00e7ado, com informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre as estrat\u00e9gicas de chegada e perman\u00eancia dos venezuelanos no Brasil\u201d, comentou o oficial da Unidade de Meios de Vida do ACNUR, Paulo S\u00e9rgio de Almeida.<\/p>\n<p>A metodologia da pesquisa foi preparada pelo OBMigra. Na primeira parte do estudo, foram aplicadas 650 entrevistas entre n\u00e3o ind\u00edgenas, com 18 anos ou mais, em 33 bairros do munic\u00edpio de Boa Vista. Na segunda parte, foi realizado um estudo etnogr\u00e1fico, nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, com fam\u00edlias e l\u00edderes dos Warao \u2014 etnia ind\u00edgena oriunda, principalmente, da regi\u00e3o do delta do Orinoco, na Venezuela.<\/p>\n<p>O levantamento mostra que 72% dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas s\u00e3o jovens entre 20 e 39 anos, a maioria do sexo masculino (63%) e solteiros (54%). Praticamente um em cada tr\u00eas (32%) tem curso superior completo ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, enquanto tr\u00eas em cada quatro (78%) chegaram ao pa\u00eds com n\u00edvel m\u00e9dio completo. Entre os n\u00e3o ind\u00edgenas, 82% j\u00e1 apresentaram pedido de ref\u00fagio. Nesse caso, cerca de 1\/3 deles tem o protocolo de ref\u00fagio, 23% possuem carteira de trabalho, 29% t\u00eam CPF e 4% n\u00e3o possuem nenhum documento.<\/p>\n<p>Para o presidente do CNIg, Hugo Gallo, os venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas t\u00eam forte potencial de inser\u00e7\u00e3o na sociedade e no mercado de trabalho brasileiro devido \u00e0s caracter\u00edsticas et\u00e1rias e educacionais. A pesquisa revelou que a maioria deles j\u00e1 trabalha em alguma atividade remunerada (60%), com 28% formalmente empregados. Os principais ramos de atividade s\u00e3o o com\u00e9rcio (37%), servi\u00e7o de alimenta\u00e7\u00e3o (21%) e constru\u00e7\u00e3o civil (13%). Mais da metade dos entrevistados (54,2%) envia dinheiro (de 100 a 500 reais) para c\u00f4njuge e filhos na Venezuela, ajudando no sustento desses familiares.<\/p>\n<p>O principal motivo para deixar a Venezuela foi a crise econ\u00f4mica (77%) e a maioria dos entrevistados (67%) entrou no Brasil em 2017. Eles v\u00eam de 24 regi\u00f5es venezuelanas, mas principalmente dos estados de Bol\u00edvar (26%) e Monagas (16%) e de Caracas (15%). Mais da metade (58%) deles teve apoio de redes migrat\u00f3rias, como amigos e familiares que j\u00e1 residem no Brasil. A pesquisa revela que, em geral os venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas em Roraima t\u00eam pouco conhecimento do portugu\u00eas e muitos n\u00e3o estudam o idioma.<\/p>\n<p>Pouco mais da metade dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas j\u00e1 acessa servi\u00e7os p\u00fablicos em Roraima, principalmente na \u00e1rea da sa\u00fade (39%), mas quase a metade do total (48,4%) ainda n\u00e3o utilizou nenhum servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Apesar de se tratar de um mesmo fluxo migrat\u00f3rio, o estudo revela que as pol\u00edticas p\u00fablicas para ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas devem ser distintas, considerando as suas diferen\u00e7as culturais, de necessidades e de perspectivas. \u201cH\u00e1 uma maior necessidade de aprimorar as pol\u00edticas migrat\u00f3rias para este segmento da popula\u00e7\u00e3o, com a amplia\u00e7\u00e3o e melhoria na qualidade do atendimento nas \u00e1reas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social, passando pela devida capacita\u00e7\u00e3o dos agentes p\u00fablicos locais. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a necessidade de fortalecer as atividades da sociedade civil j\u00e1 em andamento\u201d, diz o presidente do CNIg, Hugo Gallo.<\/p>\n<h3>Migrantes Warao<\/h3>\n<p>A pesquisa fez uma discuss\u00e3o qualitativa com os venezuelanos ind\u00edgenas da etina Warao, revelando que a presen\u00e7a deles em Roraima come\u00e7ou em 2014. A escolha pelo Brasil intensificou-se a partir de 2016. Em Boa Vista, os Warao est\u00e3o acolhidos no Centro de Refer\u00eancia ao Imigrante (CRI). Criado em novembro de 2016, o CRI abriga atualmente aproximadamente 500 Warao. A pesquisa registra a circula\u00e7\u00e3o e resid\u00eancia dos Warao em Pacaraima, Boa Vista, Manaus e, mais recentemente, em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>No caso dos ind\u00edgenas, a pesquisa qualitativa apontou que os principais motivos para se deslocar s\u00e3o a fome e a aus\u00eancia de servi\u00e7os p\u00fablicos relacionados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. A maioria declarou ter deixado parte da fam\u00edlia na Venezuela, cuidando dos bens materiais, para migrar acompanhados de outra parte da fam\u00edlia, a fim de enviar recursos. Eles disseram que querem trazer seus familiares para o Brasil.<\/p>\n<p>Os Warao t\u00eam acesso aos servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, quando chegam ao CRI. Casos mais graves relacionados \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o encaminhados para o hospital infantil, Hospital Geral de Roraima ou Casa do \u00cdndio. Por outro lado, em Pacaraima e Boa Vista, os Warao em situa\u00e7\u00e3o de rua ainda n\u00e3o t\u00eam assist\u00eancia \u2013 o mesmo acontece com os Panare, em Boa Vista.<\/p>\n<p>A maioria dos ind\u00edgenas do sexo masculino n\u00e3o exerce atividades econ\u00f4micas em Boa Vista. J\u00e1 as mulheres continuam realizando o trabalho que faziam antes de migrar, como pedir doa\u00e7\u00f5es em vias p\u00fablicas, produzir artesanatos e costuras. Em Pacaraima, os homens Warao conseguem trabalho no descarregamento de carretas ou em fazendas e s\u00edtios na regi\u00e3o \u2013 neste caso, com a companhia das mulheres.<\/p>\n<h3>Perspectivas futuras<\/h3>\n<p>Entre os n\u00e3o ind\u00edgenas, apenas 25% afirmaram que pretendem voltar \u00e0 Venezuela. A maioria, por outro lado, disse que n\u00e3o pretende retornar (47%) ou n\u00e3o sabe (27%). Entre os que pretendem voltar, a maioria estima um prazo superior a dois anos (47%), mas s\u00f3 se houver melhoria das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas (61%) do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, a maioria dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas aceitaria mudar para outro estado brasileiro, se tivesse apoio do governo federal (77%). Mas o deslocamento no Brasil dependeria de oferta de trabalho (80%), ajuda econ\u00f4mica (11,2%) ou aux\u00edlio com moradia (5,2%). A proximidade da fronteira (38%) e o sentimento de integra\u00e7\u00e3o em Boa Vista (37%) s\u00e3o os principais motivos para que estes venezuelanos permane\u00e7am em Roraima.<\/p>\n<p>J\u00e1 os Warao pensam em retornar para a Venezuela quando a crise diminuir, mas tamb\u00e9m h\u00e1 os que querem trazer familiares para o Brasil. De um modo geral, o desejo \u00e9 de continuar em Roraima, de prefer\u00eancia na cidade e com condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para sua auto sustentabilidade.<\/p>\n<p>Para o oficial da Unidade de Meios de Vida do ACNUR, Paulo S\u00e9rgio de Almeida, \u201cmigrantes e refugiados d\u00e3o uma enorme contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades de acolhida, com novas ideias, esp\u00edrito de empreendedorismo e diversidade cultural\u201d. Para ele, as demandas apresentadas por esta popula\u00e7\u00e3o representam oportunidades para os brasileiros.<\/p>\n<p>Almeida lembrou que o governo brasileiro vem criando vias migrat\u00f3rias alternativas para os venezuelanos, e que o ACNUR segue prestando apoio t\u00e9cnico ao Poder P\u00fablico federal, estadual e municipal, al\u00e9m de complementar a resposta governamental com a doa\u00e7\u00e3o de itens n\u00e3o alimentares essenciais para os abrigados e obras de infraestrutura para melhorar o acolhimento, o registro e a documenta\u00e7\u00e3o desta popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos venezuelanos n\u00e3o ind\u00edgenas vivendo em Roraima \u00e9 jovem, possui boa escolaridade, tem atividade remunerada e paga aluguel. 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