{"id":5017,"date":"2018-02-09T13:47:05","date_gmt":"2018-02-09T16:47:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=5017"},"modified":"2018-02-09T13:47:05","modified_gmt":"2018-02-09T16:47:05","slug":"professora-adota-curriculo-da-onu-sobre-igualdade-de-genero-em-areas-rurais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/professora-adota-curriculo-da-onu-sobre-igualdade-de-genero-em-areas-rurais\/","title":{"rendered":"Professora adota curr\u00edculo da ONU sobre igualdade de g\u00eanero em \u00e1reas rurais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-adota-curr\u00edculo-da-ONU-sobre-igualdade-de-g\u00eanero-em-\u00e1reas-rurais.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5018 size-medium\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-adota-curr\u00edculo-da-ONU-sobre-igualdade-de-g\u00eanero-em-\u00e1reas-rurais-300x225.jpg\" alt=\"Professora adota curr\u00edculo da ONU sobre igualdade de g\u00eanero em \u00e1reas rurais\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-adota-curr\u00edculo-da-ONU-sobre-igualdade-de-g\u00eanero-em-\u00e1reas-rurais-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-adota-curr\u00edculo-da-ONU-sobre-igualdade-de-g\u00eanero-em-\u00e1reas-rurais-700x525.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-adota-curr\u00edculo-da-ONU-sobre-igualdade-de-g\u00eanero-em-\u00e1reas-rurais-200x150.jpg 200w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Professora-adota-curr\u00edculo-da-ONU-sobre-igualdade-de-g\u00eanero-em-\u00e1reas-rurais.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A professora paraense Danielle Figueiredo, de 33 anos, d\u00e1 aulas para alunos do ensino m\u00e9dio em \u00e1reas rurais do Par\u00e1 por meio de um sistema denominado modular. Nele, as aulas s\u00e3o concentradas em apenas uma disciplina durante 50 dias, em locais de melhor acesso para estudantes que vivem longe dos centros urbanos.<\/p>\n<p>Isso significa que Danielle, professora de sociologia p\u00f3s-graduada na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), passa at\u00e9 50 dias em cada um dos munic\u00edpios em que leciona, especialmente no nordeste do estado, j\u00e1 tendo trabalhado nas comunidades rurais de Capit\u00e3o Po\u00e7o, Garraf\u00e3o do Norte, Nova Esperan\u00e7a do Piri\u00e1, entre outras.<\/p>\n<p>Desde 2015, a professora da rede estadual de ensino passou a aplicar em sala de aula, por iniciativa pr\u00f3pria, \u201cO Valente n\u00e3o \u00e9 Violento\u201d, curr\u00edculo interdisciplinar <a href=\"http:\/\/www.onumulheres.org.br\/noticias\/onu-mulheres-e-uniao-europeia-lancam-curriculo-e-planos-de-aulas-para-o-ensino-fundamental-sobre-igualdade-de-genero-e-enfrentamento-a-violencia-contra-as-mulheres-e-meninas\/\">dispon\u00edvel na Internet (clique aqui)<\/a> que tem como objetivo abordar quest\u00f5es de sexualidade e de g\u00eanero para combater e prevenir a viol\u00eancia contra mulheres e meninas.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo faz parte de iniciativa de mesmo nome que integra a campanha <a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/campanha\/o-valente-nao-e-violento\/\">UNA-SE Pelo Fim da Viol\u00eancia Contra as Mulheres<\/a>, do secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 coordenada pela ONU Mulheres, tem o envolvimento de todas as ag\u00eancias da ONU e \u00e9 financiada pela Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>\u201cAdoto o tema de g\u00eanero e sexualidade desde que iniciei minha carreira de professora, h\u00e1 cinco anos\u201d, explicou Danielle em entrevista por telefone ao Centro de Informa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Brasil (UNIC Rio). \u201cComo sempre usava materiais da ONU e de ONGs, acompanhava (os lan\u00e7amentos) e vi que tinha sa\u00eddo esse curr\u00edculo\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a ONU Mulheres, ao menos 30 professores brasileiros informaram adotar o curr\u00edculo em diferentes estados brasileiros. O n\u00famero pode ser muito maior, uma vez que o acesso ao documento, dispon\u00edvel na Internet, \u00e9 livre.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo aborda temas que v\u00e3o desde as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia contra as mulheres e informa\u00e7\u00f5es sobre a Lei Maria da Penha, passando pela tem\u00e1tica de carreira e profiss\u00e3o, m\u00eddia e esportes, at\u00e9 masculinidades e iniciativas que aproximam a educa\u00e7\u00e3o de meninos e meninas para o tema da igualdade de g\u00eanero em seu dia a dia.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 possibilitar uma maior compreens\u00e3o sobre o que leva \u00e0 desigualdade de g\u00eanero e \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres e meninas, bem como buscar uma mudan\u00e7a de cultura e de comportamento que leve \u00e0 igualdade e ao respeito, segundo a ONU Mulheres.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, Danielle teve dificuldades para abordar o tema em sala de aula nas regi\u00f5es rurais. \u201cPara estes alunos \u00e9 tabu discutir essas quest\u00f5es\u201d, explicou a professora. \u201c\u00c9 um mundo mais hostil \u00e0s mulheres, mas no qual eu aprendi a dialogar com os homens e explicar como eles tamb\u00e9m podem ser prejudicados por comportamentos machistas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando colocamos uma outra vis\u00e3o para eles, quando vencem essa posi\u00e7\u00e3o agressiva, passam a ouvir\u201d, explicou a professora, que d\u00e1 aula para alunos com idade entre 15 e 18 anos.<\/p>\n<p>Danielle contou que mesmo as meninas apresentavam resist\u00eancia quando a tem\u00e1tica era abordada em sala de aula. \u201cMas, de cinco anos para c\u00e1, vejo algumas diferen\u00e7as. Elas querem estudar, n\u00e3o repetir as hist\u00f3rias (dos pais)\u201d, declarou.\u00a0\u201cTamb\u00e9m vejo algumas mudan\u00e7as no discurso sobre a quest\u00e3o da viol\u00eancia. Elas est\u00e3o falando mais, n\u00e3o se sentem acuadas\u201d.<\/p>\n<p>Para a professora, um diferencial do curr\u00edculo \u00e9 o fato de ele incitar discuss\u00f5es em classe, propiciando a intera\u00e7\u00e3o entre os alunos e com os professores. Segundo ela, o curr\u00edculo inova na medida em que se diferencia da educa\u00e7\u00e3o formal, trazendo elementos da educa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>\u201cApresento dados sobre viol\u00eancia, mostro a lei. Eles n\u00e3o conhecem a Lei Maria da Penha. N\u00e3o sabem em que contexto, por que ela surgiu. Dessa forma, uso din\u00e2micas para discutir a viol\u00eancia, conto uma hist\u00f3ria de vida e vou fazendo perguntas. E eles v\u00e3o respondendo em cima delas. \u00c9 interessante\u201d, declarou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-134731\" style=\"box-sizing: border-box; margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; font-size: 14px; vertical-align: baseline; max-width: 100%; height: auto; border-top-left-radius: 0px; border-top-right-radius: 0px; border-bottom-right-radius: 0px; border-bottom-left-radius: 0px; box-shadow: rgba(0, 0, 0, 0.2) 0px 0px 0px;\" src=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Danielle.jpeg\" alt=\"Danielle Figueiredo, de 33 anos, \u00e9 professora da rede estadual de ensino do Par\u00e1. 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H\u00e1 pessoas do Instituto Promundo e a pr\u00f3pria ONU Mulheres t\u00eam nos apoiado nessa forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para que os professores consigam compreender os conceitos, os conte\u00fados\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Amanda, muitas vezes os professores relatam dificuldades em levar o curr\u00edculo para a sala de aula, por n\u00e3o terem respaldo da gest\u00e3o escolar. H\u00e1 ainda o desafio da qualifica\u00e7\u00e3o, pois alguns t\u00eam interesse em adot\u00e1-lo, mas n\u00e3o t\u00eam a qualifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cFalta a institucionaliza\u00e7\u00e3o do tema. (\u2026) A quest\u00e3o institucional \u00e9 importante para que todos participem dessa proposta de ensino voltada para o respeito entre meninos e meninas e professores e alunos, para que eles envolvam n\u00e3o s\u00f3 a escola, mas a comunidade e todos os agentes em torno de uma escola respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a dessas meninas\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Instituto Promundo, outras organiza\u00e7\u00f5es que t\u00eam ajudado a divulgar o curr\u00edculo no Brasil s\u00e3o Geled\u00e9s \u2014 Instituto da Mulher Negra, A\u00e7\u00e3o Educativa, Comit\u00ea da Am\u00e9rica Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), Redeh \u2014 Rede de Desenvolvimento Humano e Plan International.<\/p>\n<h3>Professor do Rio tamb\u00e9m adota o curr\u00edculo<\/h3>\n<p>Marcelo Concei\u00e7\u00e3o, de 39 anos, \u00e9 professor de Geografia e coordenador pedag\u00f3gico de uma escola municipal do ensino fundamental localizada no bairro da G\u00e1vea, zona sul do Rio de Janeiro. Em 2016, teve a ideia de fazer um trabalho envolvendo todos os alunos que tinha como tema central a mulher e as quest\u00f5es de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica foi, ent\u00e3o, desmembrada entre as disciplinas, tendo como inspira\u00e7\u00e3o o curr\u00edculo \u201cO Valente n\u00e3o \u00e9 Violento\u201d, das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Com a ajuda de professores de Geografia e Hist\u00f3ria, os alunos montaram murais com gr\u00e1ficos apresentando as diferen\u00e7as salariais entre homens e mulheres. Em Ci\u00eancias, trabalharam quest\u00f5es de sororidade (apoio entre as mulheres) e as diferentes formas de machismo na sociedade.<\/p>\n<p>Houve ainda roda de conversas, sess\u00f5es de cinema e campanhas como \u201cMeu nome n\u00e3o \u00e9 psiu\u201d, questionando o tratamento recebido por meninas e mulheres nas ruas. Algumas dessas atividades foram retomadas em 2017, de acordo com o professor.<\/p>\n<p>\u201cFiquei com medo, por exemplo, de levar os alunos para ver o filme \u2018Estrelas al\u00e9m do tempo\u2019, porque me diziam que eles n\u00e3o iam prestar aten\u00e7\u00e3o\u201d, disse Concei\u00e7\u00e3o. \u201cMas eles adoraram, voltaram discutindo o filme, e entenderam por que tinham ido\u201d. A obra trata do trabalho de uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres afro-americanas.<\/p>\n<p>O professor disse j\u00e1 ter notado uma mudan\u00e7a de comportamento de meninos e meninas. \u201cElas passaram a n\u00e3o aceitar mais determinados tipos de tratamento, como serem seguradas de determinada maneira pelos garotos, serem chamadas por determinados nomes\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um caminho para o mercado de trabalho, mas para liberdade, para o entendimento de si mesmo, da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, para n\u00e3o reproduzir determinados erros das gera\u00e7\u00f5es anteriores. Nos esfor\u00e7amos ao m\u00e1ximo para fazer isso\u201d, concluiu o professor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-134820\" style=\"box-sizing: border-box; margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; font-size: 14px; vertical-align: baseline; max-width: 100%; height: auto; border-top-left-radius: 0px; border-top-right-radius: 0px; border-bottom-right-radius: 0px; border-bottom-left-radius: 0px; box-shadow: rgba(0, 0, 0, 0.2) 0px 0px 0px;\" src=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Marcelo-e1515076864249.jpeg\" alt=\"Marcelo Concei\u00e7\u00e3o, de 39 anos, \u00e9 professor de Geografia e coordenador pedag\u00f3gico de uma escola municipal do ensino fundamental localizada no bairro da G\u00e1vea, zona sul do Rio de Janeiro. 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