{"id":5152,"date":"2018-04-02T15:52:27","date_gmt":"2018-04-02T18:52:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=5152"},"modified":"2018-04-02T15:52:27","modified_gmt":"2018-04-02T18:52:27","slug":"liderancas-femininas-e-saberes-tradicionais-dao-forca-a-preservacao-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/liderancas-femininas-e-saberes-tradicionais-dao-forca-a-preservacao-do-cerrado\/","title":{"rendered":"Lideran\u00e7as femininas e saberes tradicionais d\u00e3o for\u00e7a \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Lideran\u00e7as-femininas-e-saberes-tradicionais-d\u00e3o-for\u00e7a-\u00e0-preserva\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-e1522695051811.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5153\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Lideran\u00e7as-femininas-e-saberes-tradicionais-d\u00e3o-for\u00e7a-\u00e0-preserva\u00e7\u00e3o-do-Cerrado-e1522695051811.jpg\" alt=\"Lideran\u00e7as femininas e saberes tradicionais d\u00e3o for\u00e7a \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do Cerrado\" width=\"700\" height=\"394\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tr\u00eas mulheres l\u00edderes de povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais est\u00e3o unindo for\u00e7as para manter viva a hist\u00f3ria de seus povos. Com o apoio do projeto Mecanismo de Doa\u00e7\u00e3o Dedicado a Povos Ind\u00edgenas e Comunidades Tradicionais (DGM), a cacique An\u00e1lia Tux\u00e1, a quebradeira de coco-baba\u00e7u Maria do Socorro Lima e a quilombola Lucely Pio t\u00eam mobilizado suas comunidades para, juntas, realizarem o sonho de terem suas terras protegidas e tradi\u00e7\u00f5es preservadas.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 liderado pelo Programa de Investimento Florestal (FIP), do Fundo de Investimento do Clima (CIF) administrado pelo Banco Mundial e executado pelo Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas.<\/p>\n<p>Em comum, as tr\u00eas mulheres t\u00eam o respeito pelo Cerrado, segundo maior bioma da Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 dele que tiram seu sustento: Maria do Socorro do coco-baba\u00e7u, An\u00e1lia e Lucely das plantas medicinais. Por esse motivo, a gest\u00e3o sustent\u00e1vel e a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de seus territ\u00f3rios s\u00e3o prioridades para as tr\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 deixar o Cerrado de p\u00e9, ensinar as pessoas a respeitarem a natureza e at\u00e9 a ganharem dinheiro com ele. Mas sempre com o Cerrado de p\u00e9\u201d, afirma Lucely, de 54 anos.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a aconteceu naturalmente. Integrante do povo Tux\u00e1, uma comunidade formada por 440 ind\u00edgenas baseada em Minas Gerais, An\u00e1lia, de 54 anos, foi escolhida cacique seguindo os rituais de seu povo. O feito incomum de certa forma reflete a realidade Tux\u00e1. \u201cA maioria de nossa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por mulheres\u201d, conta.<\/p>\n<p>Famosa pela bravura, An\u00e1lia liderou seu povo na ofensiva para assegurar os 6,5 mil hectares onde os Tux\u00e1 vivem h\u00e1 dois anos. \u201cPerdemos nosso territ\u00f3rio tradicional devido \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Barragem de Itaparica, na Bahia. Fomos divididos em seis aldeias, quatro na Bahia, uma em Pernambuco e n\u00f3s em Minas Gerais\u201d, lembra a cacique. \u201cMas meu pai sempre nos avisou que um dia a encantaria nos mostraria onde estava nossa nova terra\u201d.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, An\u00e1lia p\u00f4de dar continuidade aos h\u00e1bitos dos Tux\u00e1. \u201cA cultura ind\u00edgena \u00e9 espiritual. Acreditamos em Tup\u00e3 e nos quatro elementos da natureza\u201d, explica a cacique. \u201cCultivamos as plantas medicinais e produzimos o anjuc\u00e1, nossa bebida sagrada da cura e da M\u00e3e Terra, que tomamos durante os rituais\u201d.<\/p>\n<h3>Conhecimento protegido<\/h3>\n<p>A terra \u00e9 fonte de cura tamb\u00e9m para a comunidade quilombola do Cedro, liderada por Lucely, de 54 anos, baseada no munic\u00edpio de Mineiros, em Goi\u00e1s. Ex-professora municipal, ela foi al\u00e7ada \u00e0 lideran\u00e7a por incentivo da Pastoral da Crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 era catequista e professora\u201d, lembra Lucely. \u201cA pastoral nos incentiva a trabalhar com plantas medicinais. Come\u00e7amos a fazer reuni\u00f5es na minha casa e a lideran\u00e7a veio de modo natural. As pessoas foram chegando e acabamos criando a Articula\u00e7\u00e3o Pacari de Plantas Medicinais do Cerrado\u201d.<\/p>\n<p>Presente em seis estados \u2014 Minas Gerais, Goi\u00e1s, Maranh\u00e3o, Tocantins, Bahia e Mato Grosso \u2014 a articula\u00e7\u00e3o tem como objetivo fortalecer o conhecimento de plantas medicinais. \u201cQueremos fazer isso tanto com rela\u00e7\u00e3o ao manejo como tamb\u00e9m na identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies\u201d, explica Lucely, cujo conhecimento foi herdado de sua av\u00f3, benzedeira e parteira quilombola.<\/p>\n<p>Para preservar e disseminar esse conhecimento, Lucely criou o Centro de Plantas Medicinais, em Mineiros, que conta com laborat\u00f3rio pr\u00f3prio. \u201cNo centro, fazemos workshops sobre plantas medicinais do Cerrado\u201d, diz a quilombola. \u201cTamb\u00e9m criei um horto e equipei o centro\u201d.<\/p>\n<h3>Protagonismo natural<\/h3>\n<p>Moradora do assentamento tradicional do munic\u00edpio de Praia Norte, no Tocantins, Maria do Socorro completa o trio. Aos 66 anos, ela \u00e9 uma l\u00edder incans\u00e1vel, acumulando uma s\u00e9rie de cargos, entre os quais, a coordenadoria financeira nacional do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Baba\u00e7u (MIQCB) e a presid\u00eancia nacional da Rede Cerrado.<\/p>\n<p>Seu protagonismo \u00e9 nato. \u201cOs jovens sempre se juntavam na minha casa para ver televis\u00e3o\u201d, lembra Socorro. \u201cEu comecei a conversar com eles e criei um movimento jovem. Logo, fui convidada para ser catequista e formei tamb\u00e9m um clube de m\u00e3es. Ent\u00e3o, trabalhava com os jovens, as m\u00e3es e as crian\u00e7as na catequese\u201d.<\/p>\n<p>A visita de um agente da Comiss\u00e3o da Pastoral da Terra (CPT) foi o empurr\u00e3ozinho que faltava para que Socorro ampliasse sua atua\u00e7\u00e3o pela comunidade. \u201cQuando ele me conheceu, disse: essa \u00e9 a mulher ideal para o que precisamos\u201d, lembra, com orgulho. Socorro foi levada ao Primeiro Grito da Terra Brasil, em Palmas. L\u00e1, encontrou trabalhadores rurais analfabetos. \u201cEram pessoas muito carentes. Eu, que tinha conhecimento, n\u00e3o tinha como negar ajuda\u201d.<\/p>\n<p>A luta das quebradeiras necessitava de fato de uma lideran\u00e7a forte. \u201cDo coco, se tira a am\u00eandoa, o azeite, faz-se sab\u00e3o, carv\u00e3o\u201d, explica Socorro. \u201cTudo de baba\u00e7u tem mercado, d\u00e1 dinheiro. Por isso, existe essa briga pela posse do territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>Para garantir a prote\u00e7\u00e3o das palmeiras fundamentais para o sustento das quebradeiras de coco, Socorro organizou as trabalhadoras, que hoje chegam a 400 mil divididas em quatro estados. \u201cCriamos a Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Quebradeiras de Coco do Tocantins, mas at\u00e9 isso era dif\u00edcil. Nenhum cart\u00f3rio queria registrar, pois afirmavam que quebradeira de coco n\u00e3o era profiss\u00e3o\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Para resolver a quest\u00e3o, ela trocou o nome para Associa\u00e7\u00e3o de Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio. Hoje, a associa\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente em 12 munic\u00edpios do Tocantins, com 23 n\u00facleos. O trabalho de cada um deles gera, em m\u00e9dia, a renda mensal de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, divididos entre os integrantes.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o desse poderoso trio trouxe ainda mais for\u00e7a \u00e0 causa. \u201cN\u00e3o nos separamos na base, nem aqui porque defendemos as categorias tradicionais. Estamos todos juntos\u201d, afirma Socorro. \u201cEsse \u00e9 o bem que o mal trouxe. A abertura desse grande di\u00e1logo. Entendemos que separados n\u00e3o vamos chegar a lugar nenhum. Juntos, venceremos\u201d.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas mulheres l\u00edderes de povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais est\u00e3o unindo for\u00e7as para manter viva a hist\u00f3ria de seus povos. 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