{"id":5465,"date":"2018-08-15T16:54:47","date_gmt":"2018-08-15T19:54:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=5465"},"modified":"2018-08-15T16:54:47","modified_gmt":"2018-08-15T19:54:47","slug":"xingu-o-rio-que-pulsa-em-nos-juruna-denunciam-impactos-de-belo-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/xingu-o-rio-que-pulsa-em-nos-juruna-denunciam-impactos-de-belo-monte\/","title":{"rendered":"Xingu, o rio que pulsa em n\u00f3s: Juruna denunciam impactos de Belo Monte"},"content":{"rendered":"<div class=\"summary\"><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Xingu-o-rio-que-pulsa-em-nos-Juruna-denunciam-impactos-de-Belo-Monte.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5466\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Xingu-o-rio-que-pulsa-em-nos-Juruna-denunciam-impactos-de-Belo-Monte.jpg\" alt=\"Xingu o rio que pulsa em nos- Juruna denunciam impactos de Belo Monte\" width=\"700\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Xingu-o-rio-que-pulsa-em-nos-Juruna-denunciam-impactos-de-Belo-Monte.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Xingu-o-rio-que-pulsa-em-nos-Juruna-denunciam-impactos-de-Belo-Monte-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Xingu-o-rio-que-pulsa-em-nos-Juruna-denunciam-impactos-de-Belo-Monte-220x146.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/em><\/div>\n<div class=\"summary\"><em>Em livro lan\u00e7ado dia 8 de agosto, ind\u00edgenas apresentam os resultados do monitoramento feito durante quatro anos na Volta Grande do Xingu (PA)<\/em><\/div>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>\u201cFoi por um sopro\u201d. O sopro do demiurgo Sen\u00e3\u2019\u00e3 criou a Volta Grande do Xingu, as cachoeiras do Jerico\u00e1 e os Juruna (ou Yudj\u00e1), ind\u00edgenas que povoam at\u00e9 hoje essa regi\u00e3o no oeste do Par\u00e1. \u00c9 dessa forma, tamb\u00e9m, que se inicia a publica\u00e7\u00e3o \u201cXingu, o rio que pulsa em n\u00f3s\u201d, resultado de um trabalho de quatro anos dos Juruna da Terra Ind\u00edgena Paqui\u00e7amba.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Capa da publica\u00e7\u00e3o. Clique para ampliar. \" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/capa_xingu_o_rio_que_pulsa_em_nos_.jpeg?itok=qhADTcsK\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-boneco caption-processed\" title=\"Capa da publica\u00e7\u00e3o. Clique para ampliar. \" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/boneco\/public\/nsa\/capa_xingu_o_rio_que_pulsa_em_nos_.jpeg?itok=iXS1q0ez\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Capa da publica\u00e7\u00e3o. Clique para ampliar. \" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/capa_xingu_o_rio_que_pulsa_em_nos_.jpeg?itok=qhADTcsK\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><span class=\"image-caption\">Capa da publica\u00e7\u00e3o. Clique para ampliar. <\/span><\/span><br \/>\n<\/a>No livro, lan\u00e7ado nesta quarta-feira (8) no XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia, os ind\u00edgenas denunciam os impactos da Usina Hidrel\u00e9trica (UHE) de Belo Monte sobre seu modo de vida e sobre a Volta Grande, uma regi\u00e3o de aproximadamente 100 quil\u00f4metros de rio que banha duas TIs e \u00e9 a morada de centenas de fam\u00edlias ribeirinhas. Acesse <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/nsa\/arquivos\/xingu_o_rio_que_pulsa_em_nos.pdf\">aqui<\/a> a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com base em um minucioso monitoramento, os Juruna alertam para o risco de desaparecimento de esp\u00e9cies de plantas e animais, algumas delas end\u00eamicas da regi\u00e3o, e as consequ\u00eancias para a sobreviv\u00eancia de seu povo. \u201cN\u00f3s somos daqui, estamos falando da Volta Grande do Xingu. Nosso povo \u00e9 da Volta Grande do Xingu. Daqui surgimos e aqui estamos. Nosso povo e a Volta Grande do Xingu merecemos mais respeito\u201d, exige Gilliarde Juruna, cacique da aldeia M\u00efratu.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas apontam para uma nova amea\u00e7a: a disputa pela \u00e1gua. Com o barramento definitivo do rio em 2015, a quantidade, velocidade e n\u00edvel da \u00e1gua na regi\u00e3o n\u00e3o derivam mais do fluxo natural do Xingu, mas dependem da Norte Energia &#8211; concession\u00e1ria da usina. Por meio do chamado &#8220;Hidrograma de Consenso&#8221;, a empresa vai controlar o volume de \u00e1gua que passar\u00e1 pelas comportas da usina, descendo pela Volta Grande do Xingu.<\/p>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<h2>Hidrograma de consenso ou hidrograma de conflito?<\/h2>\n<p>O chamado \u201cHidrograma de Consenso\u201d \u00e9 a principal medida de mitiga\u00e7\u00e3o proposta pela empresa para os efeitos provocados pela redu\u00e7\u00e3o de vaz\u00e3o da \u00e1gua na Volta Grande. Seu objetivo \u00e9 reproduzir artificialmente o pulso sazonal de cheias e secas que caracteriza as vaz\u00f5es naturais do Rio Xingu. O hidrograma, portanto, deveria ser capaz de garantir a sustentabilidade socioambiental na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A medida deve come\u00e7ar a ser implementada em 2019, ano em est\u00e1 prevista a finaliza\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o das turbinas da hidrel\u00e9trica. O Ibama estabeleceu um rigoroso plano de monitoramento dos impactos derivados da vaz\u00e3o residual prevista no Hidrograma, monitorando o que acontece com a fauna, flora, \u00e1gua e os impactos no modo de vida das popula\u00e7\u00f5es durante seis anos, entre 2019 e 2025. A proposta \u00e9 determinar qual \u00e9 o m\u00ednimo de \u00e1gua necess\u00e1rio para manter a vida na Volta Grande, e, ao mesmo tempo, qual \u00e9 a quantidade m\u00e1xima de \u00e1gua que a empresa pode usar para a gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<h2>O ano do fim do mundo<\/h2>\n<p>Em 2016, um ano ap\u00f3s o barramento definitivo do rio, os Juruna registraram de perto as mudan\u00e7as e comprovaram que os peixes e a navegabilidade do Xingu foram impactados com volume de \u00e1gua superior ao proposto pelo Hidrograma de Consenso. Naquele ano a vaz\u00e3o foi de aproximadamente 10 mil m3\/s. J\u00e1 os \u00edndices propostos pelo hidrograma preveem vaz\u00f5es de 4 mil m3\/s e 8 mil m3\/s, alternadas ano a ano.<\/p>\n<p>Em suma, a vaz\u00e3o m\u00e9dia que ser\u00e1 liberada pelos hidrogramas \u00e9 menor do que a vaz\u00e3o m\u00e9dia liberada em 2016. Mesmo nesse cen\u00e1rio, os peixes n\u00e3o conseguiram desovar, nem tampouco entrar, juntamente com os quel\u00f4nios, na floresta aluvial para se alimentar.<\/p>\n<p>\u201cO peixe sabe que, quando o rio come\u00e7a a encher, ele poder\u00e1 comer o sar\u00e3o. Entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, os pacus que pescamos estavam magros e doentes, lisos por fora, ningu\u00e9m comeu esses peixes com medo de ficarmos doentes tamb\u00e9m\u201d, conta seu Agostinho Juruna, da aldeia M\u00efratu. 2016 foi chamado pelos Juruna de \u201cano do fim do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/nsa\/arquivos\/rapids-dweling_fishes_of_the_xingu_river_2_1_2.pdf\">estudo<\/a> publicado na revista Biological Conservation, cientistas tamb\u00e9m alertam que a hidrel\u00e9trica pode ser respons\u00e1vel pelo desaparecimento de esp\u00e9cies end\u00eamicas da regi\u00e3o, e recomendam que o Hidrograma de Consenso seja revisto. Segundo os pesquisadores, a diminui\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua e a mudan\u00e7a na din\u00e2mica da vaz\u00e3o vai remover um componente chave que mant\u00e9m a heterogeneidade do sistema.<\/p>\n<p>\u201cEvidentemente, n\u00e3o \u00e9 simples chegar a uma f\u00f3rmula que garanta a sustentabilidade<br \/>\nsocioambiental da Volta Grande do Xingu. Contudo, as incertezas e os riscos envolvidos na aplica\u00e7\u00e3o do hidrograma \u201cde consenso\u201d demandam sua imediata substitui\u00e7\u00e3o\u201d, alerta a publica\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada hoje. O reconhecimento de estudos como os que foram feitos pelos Juruna s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para a constru\u00e7\u00e3o de medidas efetivas de mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos da UHE Belo Monte.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cBuD9EgmP3s\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h2>As frutas est\u00e3o caindo no seco<\/h2>\n<p>O monitoramento dos recursos pesqueiros e da seguran\u00e7a alimentar na Terra Ind\u00edgena (TI) Paqui\u00e7amba \u00e9 fruto de uma pesquisa colaborativa iniciada em 2013, envolvendo o ISA, pesquisadores da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e fam\u00edlias juruna da aldeia M\u00efratu. O objetivo foi construir uma base de dados confi\u00e1vel que possibilite o mapeamento das altera\u00e7\u00f5es na vida dos ind\u00edgenas ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de Belo Monte a partir das din\u00e2micas da atividade pesqueira.<\/p>\n<p>Em 2016, houve grande mortandade de peixes no per\u00edodo reprodutivo, devido \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do fluxo migrat\u00f3rio, \u00e0 indisponibilidade de \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o e desova. Os quel\u00f4nios n\u00e3o conseguiram desenvolver seus ovos para a temporada reprodutiva, emagreceram e morreram.<\/p>\n<p>O exemplo do pacu, esp\u00e9cie de peixe mais consumida pelos Juruna, ilustra um dos muitos processos ecol\u00f3gicos que est\u00e3o em risco e que podem impactar a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade aqu\u00e1tica. Ele se alimenta de frutos de caem na \u00e1gua durante o inverno, \u00e9poca de cheia do rio. Com a diminui\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua e a mudan\u00e7a na din\u00e2mica das vazantes, os frutos caem no seco, o que impossibilita a alimenta\u00e7\u00e3o e a consequente reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Bel Juruna, agente de sa\u00fade e lideran\u00e7a da aldeia M\u00efratu, faz a pesagem dos alimentos para o monitoramento da pesca|Cristiane Carneiro\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/bel_juruna_agente_de_saude_e_lideranca_da_aldeia_miratu_faz_a_pesagem_dos_alimentos_para_o_monitoramento_da_pesca_cristiane_carneiro.jpg?itok=AZYPLt5E\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Bel Juruna, agente de sa\u00fade e lideran\u00e7a da aldeia M\u00efratu, faz a pesagem dos alimentos para o monitoramento da pesca|Cristiane Carneiro\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/bel_juruna_agente_de_saude_e_lideranca_da_aldeia_miratu_faz_a_pesagem_dos_alimentos_para_o_monitoramento_da_pesca_cristiane_carneiro.jpg?itok=AZYPLt5E\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Bel Juruna, agente de sa\u00fade e lideran\u00e7a da aldeia M\u00efratu, faz a pesagem dos alimentos para o monitoramento da pesca\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/bel_juruna_agente_de_saude_e_lideranca_da_aldeia_miratu_faz_a_pesagem_dos_alimentos_para_o_monitoramento_da_pesca_cristiane_carneiro.jpg?itok=pJGAT22q\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">Bel Juruna, agente de sa\u00fade e lideran\u00e7a da aldeia M\u00efratu, faz a pesagem dos alimentos para o monitoramento da pesca<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>A falta de sincronismo entre a vaz\u00e3o necess\u00e1ria m\u00ednima para alagar os locais de reprodu\u00e7\u00e3o no momento certo e alimenta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies importantes para consumo humano das popula\u00e7\u00f5es da Volta Grande pode impactar a seguran\u00e7a alimentar de ind\u00edgenas e ribeirinhos. \u201cEsses peixes que n\u00e3o comemos mais est\u00e3o sendo substitu\u00eddos por produtos da cidade, como mortadela e frango congelado. Sabemos muito bem que esses produtos n\u00e3o fazem bem \u00e0 nossa sa\u00fade, principalmente \u00e0 sa\u00fade das crian\u00e7as\u201d, alerta Bel Juruna, agente de sa\u00fade ind\u00edgena da aldeia M\u00efratu.<\/p>\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o dos resultados desse monitoramento, os ind\u00edgenas e seus parceiros esperam qualificar e ampliar os espa\u00e7os de decis\u00e3o sobre o futuro de tudo e todos que est\u00e3o envolvidos na regi\u00e3o. \u201cO Rio Xingu e a Volta Grande do Xingu s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es fundamentais do modo de exist\u00eancia do povo Juruna (Yudj\u00e1) e este monitoramento consiste em uma arma de defesa desse povo e de seu territ\u00f3rio tradicional\u201d, diz um trecho da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Bel Juruna, agente de sa\u00fade e lideran\u00e7a da aldeia M\u00efratu, faz a pesagem dos alimentos para o monitoramento da pesca|Cristiane Carneiro\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/bel_juruna_agente_de_saude_e_lideranca_da_aldeia_miratu_faz_a_pesagem_dos_alimentos_para_o_monitoramento_da_pesca_cristiane_carneiro.jpg?itok=AZYPLt5E\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\">\u00a0<\/a><\/p>\n<h2>Canoas no lugar dos p\u00e9s<\/h2>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o sopro de Sen\u00e3\u2019\u00e3 originou, de uma s\u00f3 vez, a Volta Grande, as cachoeiras e os Juruna. Criados juntamente com o rio, os ind\u00edgenas t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o profunda com o Xingu e suas din\u00e2micas.<\/p>\n<p>Canoeiro, o povo Juruna (Yudj\u00e1) estabeleceu-se na regi\u00e3o deslocando-se pelas ilhas, onde fixaram suas aldeias. Com a chegada dos n\u00e3o ind\u00edgenas \u00e0 regi\u00e3o de Altamira, passaram por severos ataques, provocando o deslocamento compuls\u00f3rio de parte de seu povo, que hoje vivem no Territ\u00f3rio Ind\u00edgena do Xingu (MT). \u201cO fio dessa luta envolve desde os massacres ocorridos em conflitos fundi\u00e1rios e press\u00f5es territoriais de fazendeiros at\u00e9, mais recentemente, a batalha contra os graves efeitos da Usina Hidrel\u00e9trica Belo Monte\u201d, diz o texto da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cResist\u00eancia \u00e9, portanto, o conceito mais adequado para definir o modo de perman\u00eancia do povo Juruna (Yudj\u00e1) na regi\u00e3o da Volta Grande do Xingu. Frente \u00e0s amea\u00e7as mais diversas, para poder seguir em seu territ\u00f3rio tradicional, essas pessoas desenvolveram poderosas estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia, tanto do ponto de vista m\u00edtico quanto do ponto de vista hist\u00f3rico\u201d, continua o texto.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Ex\u00edmios mergulhadores, os Juruna conseguem buscar os acaris nos pedrais da Volta Grande|Let\u00edcia Leite-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/img_2993_20130908_0.jpg?itok=6mmotoSK\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-boneco caption-processed\" title=\"Ex\u00edmios mergulhadores, os Juruna conseguem buscar os acaris nos pedrais da Volta Grande\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/boneco\/public\/nsa\/img_2993_20130908_0.jpg?itok=TJD1ssXN\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Ex\u00edmios mergulhadores, os Juruna conseguem buscar os acaris nos pedrais da Volta Grande|Let\u00edcia Leite-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/img_2993_20130908_0.jpg?itok=6mmotoSK\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><span class=\"image-caption\">Ex\u00edmios mergulhadores, os Juruna conseguem buscar os acaris nos pedrais da Volta Grande<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nOs Juruna j\u00e1 comprovam os impactos da UHE Belo Monte e, com a publica\u00e7\u00e3o do livro, apontam os riscos iminentes da eventual implementa\u00e7\u00e3o do Hidrograma de Consenso. Em um momento em que a mineradora canadense Belo Sun Mining pressiona para se instalar na regi\u00e3o, a discuss\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es da manuten\u00e7\u00e3o da vida na Volta Grande \u00e9 necess\u00e1ria e urgente. (Saiba mais sobre Belo Sun <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/justica-derruba-licenca-de-belo-sun\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Os impactos da UHE Belo Monte v\u00e3o al\u00e9m das mudan\u00e7as no fluxo da \u00e1gua, no ciclo de peixes e plantas. Ao alterar o pulso do rio, a usina altera tamb\u00e9m o modo de vida dos Juruna. Bel Juruna, da aldeia M\u00efratu, aponta que agora seu povo ter\u00e1 que se adaptar a \u201cviver no seco\u201d. Ainda segundo o texto: \u201cobrigar um povo canoeiro a ter de viver no seco \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de extrema mudan\u00e7a nas pr\u00e1ticas cotidianas, cosmol\u00f3gicas, culturais e sociais.\u201d Dona Jandira, que vive na aldeia Miratu, complementa: &#8220;n\u00f3s, Juruna, n\u00e3o temos p\u00e9s, temos canoa para navegar no rio, assim n\u00f3s somos&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-field-tags field-type-taxonomy-term-reference field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\"><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/tags\/belo-monte\">Belo Monte<\/a><\/div>\n<div class=\"field-item odd\"><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/tags\/juruna\">Juruna<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field-collection-container clearfix\">\n<div class=\"field field-name-field-autor field-type-field-collection field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<div class=\"field-collection-view clearfix view-mode-full field-collection-view-final\">\n<div class=\"entity entity-field-collection-item field-collection-item-field-autor clearfix\">\n<div class=\"content\">\n<div class=\"field field-name-field-autor-da-nsa field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">Isabel Harari<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"field field-name-field-instituicao field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">ISA<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em livro lan\u00e7ado dia 8 de agosto, ind\u00edgenas apresentam os resultados do monitoramento feito durante quatro anos na Volta Grande do Xingu (PA) \u201cFoi por um sopro\u201d. O sopro do demiurgo Sen\u00e3\u2019\u00e3 criou a Volta Grande do Xingu, as cachoeiras do Jerico\u00e1 e os Juruna&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24,35,31,2],"tags":[1206],"class_list":["post-5465","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-area-5-col3","category-meio-ambiente","category-para","category-slideshow","tag-publicacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5465"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5467,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5465\/revisions\/5467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}