{"id":5596,"date":"2018-11-16T13:25:27","date_gmt":"2018-11-16T16:25:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=5596"},"modified":"2018-11-16T13:25:27","modified_gmt":"2018-11-16T16:25:27","slug":"expedicao-no-amapa-produz-dados-importantes-sobre-os-botos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/expedicao-no-amapa-produz-dados-importantes-sobre-os-botos\/","title":{"rendered":"Expedi\u00e7\u00e3o no Amap\u00e1 produz dados importantes sobre os botos"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Expedicao-no-Amapa-produz-dados-importantes-sobre-os-botos1-e1542385502785.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5598\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Expedicao-no-Amapa-produz-dados-importantes-sobre-os-botos1-e1542385502785.jpg\" alt=\"Expedicao no Amapa produz dados importantes sobre os botos\" width=\"700\" height=\"467\" \/><\/a>Por Instituto Mamirau\u00e1 e WWF-Brasil<\/em><\/p>\n<p>Um ambiente complexo, ainda pouco estudado e extremamente desafiador. Esse foi o cen\u00e1rio encontrado pelos pesquisadores que foram ao norte do Amap\u00e1 estudar os botos do rio Cassipor\u00e9, no munic\u00edpio de Oiapoque, entre os dias 15 e 25 de outubro. Apesar das quase 20 pessoas envolvidas na pesquisa, que reuniu moradores de Vila Velha do Cassipor\u00e9, pesquisadores e especialistas de diversas institui\u00e7\u00f5es, nenhum boto foi capturado.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 uma iniciativa da SARDI (<em>South American River Dolphin Initiative<\/em>), rede sob a coordena\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil que re\u00fane pesquisadores de Col\u00f4mbia, Peru, Equador, Bol\u00edvia e Brasil em torno do estudo dos botos sul-americanos. Al\u00e9m do WWF-Brasil, a expedi\u00e7\u00e3o envolveu o Instituto Mamirau\u00e1, a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e contou com a participa\u00e7\u00e3o e o apoio do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).<\/p>\n<p>Tendo Vila Velha, a 800 km de Macap\u00e1, como base de opera\u00e7\u00f5es, o objetivo da pesquisa era instalar \u2018tags\u2019 satelitais &#8211; rastreadores via sat\u00e9lite \u2013 e coletar amostras para entender os deslocamentos e estudar a sa\u00fade desses animais no Parque Nacional (Parna) do Cabo Orange, unidade de conserva\u00e7\u00e3o cortada pelo rio Cassipor\u00e9.<\/p>\n<p>O parque tem a particularidade de reunir a floresta amaz\u00f4nica ao oceano. \u201c\u00c9 onde a Amaz\u00f4nia encontra o mar. Temos esse manguezal maravilhoso, uma das \u00faltimas faixas cont\u00ednuas de mangues do planeta, em uma linha de costa com pouca presen\u00e7a humana, o que o mant\u00e9m em \u00f3timo estado. \u201d, explica Ricardo Pires, chefe do Parna do Cabo Orange.<\/p>\n<p>Entretanto, as condi\u00e7\u00f5es encontradas pela equipe inviabilizaram o trabalho de \u2018tagueamento\u2019. Por influ\u00eancia do mar, o n\u00edvel da \u00e1gua no rio chega a variar quatro metros diariamente em alguns pontos. Uma pororoca \u2013 onda que ocorre quando a mar\u00e9 sobe e a \u00e1gua do mar invade o rio, percorrendo quil\u00f4metros de seu leito \u2013 marca a transi\u00e7\u00e3o entre vazante, quando o curso do Cassipor\u00e9 desce rumo ao oceano, abaixando o n\u00edvel da \u00e1gua, e enchente, quando ele sobe em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nascente, aumentando o volume de seu leito.<\/p>\n<p>\u201cEstamos acostumados a grandes varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel da \u00e1gua, de at\u00e9 11 metros, mas de forma lenta. Meses com a \u00e1gua alta e meses com ela baixa. Aqui, n\u00f3s temos a influ\u00eancia da mar\u00e9. O oceano entra com muita intensidade, duas vezes por dia. E h\u00e1 correntes muito fortes, tanto entrando quanto saindo. Lidar com as redes foi bastante desafiador. \u201d, Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto Mamirau\u00e1 que h\u00e1 mais de 30 anos estuda mam\u00edferos aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p><strong>Pedras, galhos e muita lama <\/strong><br \/>\nAl\u00e9m do desafio para se adaptar \u00e0s altera\u00e7\u00f5es na \u00e1gua, a equipe, com a experi\u00eancia somada de centenas de capturas em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis, encontrou uma enorme dificuldade para manipular as redes que cercariam os animais. Mesmo com o aux\u00edlio de pescadores contratados para o estudo, o trabalho foi dificultado pela grande quantidade de galhos boiando e pedras no fundo irregular do rio. Al\u00e9m da lama, que chegava a preencher boa parte do rio, a pororoca trazia consigo muita \u2018sujeira\u2019 para a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Para o cerco, encurralavam-se os botos entre duas redes, inicialmente distantes, e reduzia-se seu espa\u00e7o gradativamente, com a coloca\u00e7\u00e3o de uma terceira. Por diversas vezes, os botos foram confinados, mas em todas as tentativas de finalmente peg\u00e1-los, a rede inevitavelmente se prendia em diversos objetos e abria espa\u00e7os para que os animais passassem. Um filhote chegou a ser capturado, mas foi imediatamente libertado por ser ainda muito sens\u00edvel aos processos necess\u00e1rios para o estudo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se notou que os botos, extremamente inteligentes, rapidamente entenderam a estrat\u00e9gia da equipe, evitando cada vez mais o cerco. Na \u00faltima tentativa, realizada no dia 23, uma das redes rompeu-se, em fun\u00e7\u00e3o da quantidade de galhos presos a ela e da intensidade da corrente. Preocupados com a seguran\u00e7a dos animais e das pessoas, cansadas ap\u00f3s uma semana intensa de trabalho, foi decidido cancelar as atividades do \u00faltimo dia (24) para se discutir novas estrat\u00e9gias para uma pr\u00f3xima expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Raimundo Benedito Almeida Miranda, agricultor e morador de Vila Velha que pilota barcos para o ICMBio desde 1993, participante da pesquisa, afirma que j\u00e1 suspeitava que seria dif\u00edcil lidar com o Cassipor\u00e9. \u201cO rio corre muito e o fundo \u00e9 muito acidentado, tem muito buraco e pau. Sab\u00edamos que n\u00e3o ia ser f\u00e1cil\u201c, conta.<\/p>\n<p>\u201cFoi um longo processo de aprendizado, tanto para n\u00f3s, quanto para os pescadores, que nunca haviam capturado botos. Eles tiveram que aprender como manejar a rede e nos ensinar como o rio funciona. \u201d, revela Miriam.<\/p>\n<p><strong>A expectativa pelo \u2018tagueamento\u2019 continua<\/strong><br \/>\nUma das dificuldades com as quais os pesquisadores se depararam foi decifrar a rotina dos animais. Os pescadores e moradores da Vila tinham ideias diversas sobre o comportamento dos botos. Alguns afirmavam que eles subiam o Cassipor\u00e9 com a pororoca; que se alimentavam \u00e0 noite em uma parte mais rasa do rio; que podiam ser encontrados pr\u00f3ximos ao mar; que n\u00e3o ultrapassariam a regi\u00e3o mais rasa, pr\u00f3xima \u00e0 Cachoeira do Cassipor\u00e9; que haveria de 50 a 100 animais no rio. As hist\u00f3rias variavam, nem sempre concordavam entre si e nem sempre correspondiam \u00e0 realidade encontrada. Em alguns dias, os relatos ajudavam, em outros, era dif\u00edcil encontrar um boto.<\/p>\n<p>Entre as raz\u00f5es que motivaram a pesquisa no Amap\u00e1 est\u00e1 o fato de o rio Cassipor\u00e9 representar o limite a nordeste da distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do boto rosa, ou seja, o \u00faltimo local onde a esp\u00e9cie pode ser encontrada nesse canto da Amaz\u00f4nia. Considera-se tamb\u00e9m a possibilidade d o uso de uma faixa fluvio-marinha por essa popula\u00e7\u00e3o. A instala\u00e7\u00e3o dos \u2018<em>tags\u2019 <\/em>satelitais ajudar\u00e1 a esclarecer a movimenta\u00e7\u00e3o dos botos do Parque Nacional do Cabo Orange.<\/p>\n<p>Todos esses desafios observados servem como aprendizado para uma futura expedi\u00e7\u00e3o, com equipamentos mais apropriados, para finalmente compreender a biologia dos botos do Cassipor\u00e9 e sua rela\u00e7\u00e3o com o mar.<\/p>\n<p>\u201cAgora vamos digerir tudo o que vimos e sentimos, elaborar todas essas hip\u00f3teses que temos pensado, dividir isso com os parceiros da SARDI e tomar uma decis\u00e3o em conjunto para voltar preparados para aquela condi\u00e7\u00e3o de captura. Temos plena consci\u00eancia de que, melhorando os equipamentos e com mais tempo, as chances de sucesso s\u00e3o bem maiores. E a\u00ed a gente come\u00e7a a entender, de fato, o que acontece com aquela popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Marcelo Oliveira, especialista em conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Instituto Mamirau\u00e1 e WWF-Brasil Um ambiente complexo, ainda pouco estudado e extremamente desafiador. 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