{"id":5791,"date":"2019-01-16T14:16:42","date_gmt":"2019-01-16T17:16:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=5791"},"modified":"2019-01-16T14:16:42","modified_gmt":"2019-01-16T17:16:42","slug":"extincao-de-aves-no-brasil-e-preocupante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/extincao-de-aves-no-brasil-e-preocupante\/","title":{"rendered":"Extin\u00e7\u00e3o de aves no Brasil \u00e9 preocupante"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Extin\u00e7ao-de-aves-no-Brasil-preocupante.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5792\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Extin\u00e7ao-de-aves-no-Brasil-preocupante-300x200.jpg\" alt=\"Extin\u00e7ao de aves no Brasil preocupante\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Extin\u00e7ao-de-aves-no-Brasil-preocupante-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Extin\u00e7ao-de-aves-no-Brasil-preocupante-700x466.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Extin\u00e7ao-de-aves-no-Brasil-preocupante-220x146.jpg 220w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/Extin\u00e7ao-de-aves-no-Brasil-preocupante.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quatro esp\u00e9cies brasileiras est\u00e3o entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo desta d\u00e9cada, de acordo com um levantamento da BirdLife International. A institui\u00e7\u00e3o aponta ainda que uma quinta esp\u00e9cie, a emblem\u00e1tica ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro.<\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o desses animais \u00e9 considerada preocupante pela ONU Meio Ambiente, que alerta para a import\u00e2ncia das aves no equil\u00edbrio dos ecossistemas.<\/p>\n<p>Em pesquisa realizada ao longo de oito anos, a ararinha-azul, a arara-azul-pequena, o cabur\u00e9-de-pernambuco, o limpa-folha-do-nordeste e o gritador-do-nordeste tiveram seu status de conserva\u00e7\u00e3o revisado pela BirdLife International. A ONG recomendou em setembro \u00faltimo que as esp\u00e9cies fossem acrescentadas \u00e0 lista de extin\u00e7\u00f5es presumidas ou confirmadas, elaborada pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN).<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 empobrecendo o planeta, mas n\u00e3o foi da noite pro dia\u201d, lamenta Pedro Develey, ornit\u00f3logo e diretor-executivo da SAVE Brasil, institui\u00e7\u00e3o que representa a BirdLife no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para o especialista, o fim das esp\u00e9cies brasileiras \u00e9 o resultado de anos de degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente e consequente destrui\u00e7\u00e3o do habitat natural dessas aves, sobretudo na Mata Atl\u00e2ntica da regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>Em todo o Brasil, o bioma \u2014 que cobria 15% do territ\u00f3rio nacional \u2014 sofreu perdas de 1,9 milh\u00e3o de hectares no per\u00edodo 1985-2017, segundo a Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica. A extens\u00e3o de floresta destru\u00edda equivale \u00e0 \u00e1rea total do estado de Sergipe. A mesma organiza\u00e7\u00e3o estima que restaram apenas 12,4% das florestas originais do bioma no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O cabur\u00e9-de-pernambuco (<em>Glaucidium mooreorum<\/em>) era uma pequena esp\u00e9cie de coruja, com tamanho em torno de 10 cm, end\u00eamica desse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o tropical \u00famida, bem como do estado que lhe dava nome. Ironicamente, o animal era o mascote do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Geoambientais de Pernambuco.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante era a do limpa-folha-do-nordeste (<em>Philydor novaesi<\/em>), encontrado apenas em dois lugares em todo o planeta \u2014 o munic\u00edpio de Murici (AL) e a Reserva Frei Caneca, em Jaqueira (PE). Nas duas localidades, tamb\u00e9m em trechos de Mata Atl\u00e2ntica, o animal foi avistado pela \u00faltima vez em 2007 e 2011, respectivamente. O gritador-do-nordeste (<em>Cichlocolaptes mazarbarnetti<\/em>) tamb\u00e9m era end\u00eamico das duas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, os n\u00edveis de desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica no Brasil s\u00e3o os menores j\u00e1 registrados pela SOS Mata Atl\u00e2ntica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) \u2014 em torno de 12,5 mil hectares destru\u00eddos no bi\u00eanio 2016-2017 em todo o pa\u00eds. A \u00e1rea \u00e9 bem menor do que a m\u00e9dia de 100 mil hectares anuais para o per\u00edodo de 1985 at\u00e9 2000.<\/p>\n<p>Mas os anos de desflorestamento, que remontam a per\u00edodos anteriores \u00e0s medi\u00e7\u00f5es do INPE e da funda\u00e7\u00e3o, contribu\u00edram para fragilizar os ecossistemas remanescentes. A destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica data do in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, com a derrubada maci\u00e7a do pau-brasil, e acompanha ciclos econ\u00f4micos e agr\u00edcolas da hist\u00f3ria nacional, principalmente o avan\u00e7o da cana-de-a\u00e7\u00facar em diferentes momentos, incluindo na segunda metade do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Develey explica que atualmente alguns trechos de Mata Atl\u00e2ntica no Nordeste s\u00e3o formados por uma vegeta\u00e7\u00e3o depauperada, onde j\u00e1 houve a derrubada de \u00e1rvores importantes para a integridade do ecossistema. Essa cobertura vegetal est\u00e1 mais vulner\u00e1vel a uma degrada\u00e7\u00e3o natural \u2014 tempestades, por exemplo, podem tombar novos troncos, modificando a quantidade de luz e de vento que circulam pela floresta e transformando as intera\u00e7\u00f5es dos animais com o meio ambiente.<\/p>\n<p>\u201cO fragmento (de mata) est\u00e1 fadado \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, mesmo se voc\u00ea n\u00e3o tirar mais nenhuma folha, nenhuma \u00e1rvore de l\u00e1\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Da\u00ed, a import\u00e2ncia de estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o e manejo ambiental que v\u00e3o al\u00e9m da simples demarca\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas \u2014 como o enriquecimento da vegeta\u00e7\u00e3o e a retirada de cip\u00f3s e esp\u00e9cies que v\u00eam substituir forma\u00e7\u00f5es de plantas nativas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio \u00e9 um alerta para evitar novas extin\u00e7\u00f5es no Brasil, pa\u00eds que abriga 1.919 esp\u00e9cies de aves e \u00e9 a na\u00e7\u00e3o com a segunda maior diversidade de aves do mundo, de acordo com a SAVE.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, por\u00e9m, tamb\u00e9m registra elevado n\u00famero de esp\u00e9cies em risco. O Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) apontava em 2016 que 1.173 esp\u00e9cies da fauna brasileira estavam amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o \u2014 entre elas, 234 aves.<\/p>\n<h4>ONU: extin\u00e7\u00e3o \u00e9 preocupante para o equil\u00edbrio dos ecossistemas<\/h4>\n<p>Matheus Couto, do Centro Mundial de Monitoramento da Conserva\u00e7\u00e3o (WCMC), da ONU Meio Ambiente, avalia como preocupante a extin\u00e7\u00e3o das aves brasileiras e lembra que a fauna tem protagonismo na manuten\u00e7\u00e3o da flora.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte da vegeta\u00e7\u00e3o, das \u00e1rvores no Cerrado, na Amaz\u00f4nia, na Mata Atl\u00e2ntica, elas dependem de esp\u00e9cies para dispersar sementes. \u00c9 uma estrat\u00e9gia para que o ecossistema fique em equil\u00edbrio\u201d, explica.<\/p>\n<p>Frutas coloridas, lembra o especialista, atraem morcegos e p\u00e1ssaros. Os animais comem a polpa, ingerem a semente e acabam provocando o cultivo natural da planta.<\/p>\n<p>\u201cEssas extin\u00e7\u00f5es v\u00e3o reduzindo a capacidade dessas esp\u00e9cies vegetais e \u00e1rvores, de (se) reproduzir\u201d, diz Couto, que \u00e9 ponto focal do WCMC no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 muito perigoso\u201d, completa o especialista, pois pode alterar a extens\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, interferindo na natureza e nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos de forma mais ampla.<\/p>\n<h4>Araras extintas<\/h4>\n<p>Residente de outro bioma brasileiro, a Caatinga, a ararinha-azul (<em>Cyanopsitta\u00a0spixii)<\/em> tem sua extin\u00e7\u00e3o creditada n\u00e3o apenas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de seu habitat natural, como tamb\u00e9m \u00e0 ca\u00e7a e captura, de acordo com Develey.<\/p>\n<p>O animal teria sido avistado pela \u00faltima vez em meio silvestre ao final de 2000 \u2014 uma apari\u00e7\u00e3o em 2016, em Cura\u00e7\u00e1 (BA), foi associada \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o de uma ave de cativeiro.<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 esperan\u00e7a para esse s\u00edmbolo da fauna brasileira, eternizado na anima\u00e7\u00e3o <em>Rio,\u00a0<\/em>do diretor Carlos Saldanha, como o protagonista Blu. Existem em torno de 150 esp\u00e9cimes da ave mantidos em cativeiro no Brasil e em outros pa\u00edses. O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente tem planos para reintroduzir na natureza 50 ararinhas-azuis, vindas da Alemanha, j\u00e1 em 2019. A reinser\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie deve acontecer no mesmo munic\u00edpio de Cura\u00e7\u00e1, no norte da Bahia.<\/p>\n<p>A arara-azul-pequena (<em>Anodorhynchus\u00a0glaucus<\/em>) habitava regi\u00f5es do Paran\u00e1 e mais ao sul do Brasil, al\u00e9m de ser observada tamb\u00e9m no norte da Argentina, sul do Paraguai e nordeste do Uruguai. A perda de palmeiras necess\u00e1rias \u00e0 sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie, assim como a ca\u00e7a e o com\u00e9rcio do animal levaram a decl\u00ednios na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As cinco aves brasileiras analisadas pela BirdLife j\u00e1 haviam sido consideradas extintas na natureza pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, mas eram avaliadas como criticamente em perigo pela IUCN. Em 2019, a Uni\u00e3o Internacional deve reconhecer formalmente os novos status recomendados, em uma atualiza\u00e7\u00e3o da sua Lista Vermelha de esp\u00e9cies amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro esp\u00e9cies brasileiras est\u00e3o entre as oito aves declaradas extintas no mundo ao longo desta d\u00e9cada, de acordo com um levantamento da BirdLife International. A institui\u00e7\u00e3o aponta ainda que uma quinta esp\u00e9cie, a emblem\u00e1tica ararinha-azul, desapareceu da natureza, sendo encontrada apenas em cativeiro. 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