{"id":6560,"date":"2019-09-06T11:23:32","date_gmt":"2019-09-06T14:23:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=6560"},"modified":"2019-09-06T11:24:43","modified_gmt":"2019-09-06T14:24:43","slug":"indios-se-aliam-a-antigos-inimigos-contra-planos-de-bolsonaro-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/indios-se-aliam-a-antigos-inimigos-contra-planos-de-bolsonaro-na-amazonia\/","title":{"rendered":"\u00cdndios se aliam a antigos inimigos contra planos de Bolsonaro na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Indios-se-aliam-a-antigos-inimigos-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6561\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Indios-se-aliam-a-antigos-inimigos-.jpg\" alt=\"Indios se aliam a antigos inimigos\" width=\"660\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Indios-se-aliam-a-antigos-inimigos-.jpg 660w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Indios-se-aliam-a-antigos-inimigos--300x195.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Indios-se-aliam-a-antigos-inimigos--220x143.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">Quem visse na semana passada um grupo de ind\u00edgenas dividindo peixes assados em folhas de bananeira numa aldeia \u00e0 beira do rio Iriri, no sul do Par\u00e1, n\u00e3o poderia imaginar que, h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, v\u00e1rios dos povos ali presentes viviam em guerra.<\/p>\n<p>As rixas do passado \u2013 que quase levaram um desses grupos ao exterm\u00ednio \u2013 foram abandonadas em nome de um objetivo maior: lutar contra o que eles consideram amea\u00e7as do governo Jair Bolsonaro \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A lista de preocupa\u00e7\u00f5es inclui planos do governo para autorizar o arrendamento e a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas e atitudes que estariam incentivando invas\u00f5es por garimpeiros e madeireiros em seus territ\u00f3rios, al\u00e9m da contamina\u00e7\u00e3o de rios locais por agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esp\u00e9cie de Assembleia Geral da ONU de povos da floresta xinguanos, o encontro que ocorreu na \u00faltima semana na aldeia Kubenkokre, da Terra Ind\u00edgena Menkragnoti, dos kayap\u00f3s, reuniu representantes de 14 etnias ind\u00edgenas e de quatro reservas ribeirinhas da bacia do Xingu.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o, que ocupa partes do Par\u00e1 e de Mato Grosso, tem \u00e1rea equivalente \u00e0 do Rio Grande do Sul e \u00e9 um dos \u00faltimos trechos preservados da Amaz\u00f4nia em sua por\u00e7\u00e3o oriental. Dados do boletim Sirad-X, por\u00e9m, indicam que a regi\u00e3o perdeu 68,9 mil hectares de floresta \u2013 equivalente \u00e0 \u00e1rea de Salvador \u2013 entre janeiro e junho deste ano. O boletim \u00e9 produzido pela Rede Xingu+, que organizou a assembleia e agrega 24 organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e ind\u00edgenas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Um <\/strong><strong>s\u00f3 inimigo: o governo do Brasil&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Hoje n\u00f3s temos um s\u00f3 inimigo, que \u00e9 o governo do Brasil, o presidente do Brasil, e as invas\u00f5es de n\u00e3o ind\u00edgenas&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Mudjire Kayap\u00f3, um dos l\u00edderes presentes. &#8220;Temos brigas internas, mas, para lutar contra este governo, a gente se junta&#8221;, ele afirma.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o do encontro envolveu uma log\u00edstica complexa. Ind\u00edgenas deixaram suas aldeias rumo \u00e0s cidades mais pr\u00f3ximas, onde foram recolhidos por \u00f4nibus fretados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E0FB\/production\/_108559575_bacia2.jpg\" alt=\"Mapa Xingu\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Mapa com as terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o na bacia do Xingu, no Par\u00e1 e em Mato Grosso; em vermelho, a Terra Ind\u00edgena Menkragnoti, onde ocorreu o encontro<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00danico ve\u00edculo jornal\u00edstico n\u00e3o ind\u00edgena a cobrir o evento, a BBC News Brasil iniciou a jornada em Sinop (MT). De l\u00e1, foram cerca de sete horas de \u00f4nibus pela BR-163 e outras sete numa estrada de terra em mata fechada at\u00e9 a aldeia, que tem cerca de 500 moradores.<\/p>\n<p>J\u00e1 no interior da terra ind\u00edgena, uma vara de porcos-do-mato cruzou a pista \u00e0 frente do \u00f4nibus. Avisados, ca\u00e7adores kayap\u00f3s foram ao local na manh\u00e3 seguinte. Voltaram com tr\u00eas porcos, que acabaram assados e servidos aos visitantes junto com carne de paca.<\/p>\n<p>O card\u00e1pio tamb\u00e9m oferecia arroz e feij\u00e3o, inclu\u00eddos para atender paladares mais sens\u00edveis, al\u00e9m de peixes pescados no Iriri servidos em folhas de bananeira.<\/p>\n<p>Os debates ocorreram na casa dos homens, constru\u00e7\u00e3o no centro da aldeia, cercada por casas dispostas em um grande c\u00edrculo. Conhecidas pelas delicadas pinturas corporais, as mulheres da aldeia raramente apareciam no encontro e passavam os dias entre as ro\u00e7as e suas casas \u2013 detalhe que gerou uma saia-justa com uma visitante ribeirinha (leia mais abaixo).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Miss\u00e3o de paz<\/h2>\n<p>Povo ind\u00edgena mais numeroso do Xingu, com cerca de 12 mil integrantes, os kayap\u00f3s \u2013 que se autodenominam meb\u00eang\u00f4kre \u2013 fizeram quest\u00e3o de sediar o evento, o primeiro encontro da Rede Xingu+, numa aldeia ind\u00edgena (as tr\u00eas assembleias bienais anteriores foram em cidades).<\/p>\n<p>Ao sediar a reuni\u00e3o, eles queriam selar de vez a paz com os vizinhos. &#8220;N\u00e3o vamos repetir o passado, vamos ter uni\u00e3o daqui para a frente&#8221;, discursou Kadkure Kayap\u00f3, um dos caciques da aldeia.<\/p>\n<p>Um dos resultados do evento foi a cria\u00e7\u00e3o de um conselho entre as organiza\u00e7\u00f5es participantes para unificar demandas e agilizar sua articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Os kayap\u00f3s tamb\u00e9m buscavam fortalecer alian\u00e7as com outros grupos num momento em que o pr\u00f3prio povo est\u00e1 dividido.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9480\/production\/_108561083_doto_.jpg\" alt=\"Doto Takakire\" width=\"1395\" height=\"922\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">LUCAS LANDAU\/REDE XINGU +<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Um dos anfitri\u00f5es do evento, Doto Takakire aponta trechos desmatados nas bordas da bacia do Xingu<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em duas das quatro terras ind\u00edgenas da etnia, alguns l\u00edderes t\u00eam permitido a a\u00e7\u00e3o de garimpeiros e madeireiros. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave na Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3, onde os rios Fresco e Branco foram contaminados por merc\u00fario e desfigurados por balsas e retroescavadeiras usadas pelos garimpeiros.<\/p>\n<p>Em julho, uma reportagem da BBC News Brasil <a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49053678\">mostrou em imagens de sat\u00e9lite o avan\u00e7o do garimpo<\/a> na regi\u00e3o desde o in\u00edcio do ano.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ass\u00e9dio de garimpeiros<\/h2>\n<p>Para Doto Takakire, um dos anfitri\u00f5es do evento, a proposta do governo de liberar a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas tornou alguns l\u00edderes mais suscet\u00edveis ao ass\u00e9dio de garimpeiros, que oferecem dinheiro em troca da permiss\u00e3o para atuar nos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>&#8220;Depois que eles (l\u00edderes ind\u00edgenas) pegam o dinheiro f\u00e1cil, viciam e n\u00e3o querem mais trabalhar. \u00c9 algo humano: acontece com ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O garimpo \u00e9 hoje proibido em terras ind\u00edgenas. A libera\u00e7\u00e3o da atividade, tratada pelo governo Bolsonaro como priorit\u00e1ria, depende da aprova\u00e7\u00e3o de uma lei pelo Congresso.<\/p>\n<p>Outra causa para o aumento do garimpo, segundo Takakire, <a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49430376\">foi a diminui\u00e7\u00e3o nas multas aplicadas pelo Ibama<\/a>, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por combater crimes ambientais em terras ind\u00edgenas. At\u00e9 o meio de agosto, o n\u00famero de autua\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o caiu 30% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia dos \u00faltimos tr\u00eas anos para o mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6969\/production\/_108558962_xingu2.jpg\" alt=\"Ind\u00edgenas\" width=\"1398\" height=\"924\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">LUCAS LANDAU\/REDE XINGU +<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">L\u00edderes ind\u00edgenas prometeram cooperar entre si para expulsar invasores de seus territ\u00f3rios e debateram estrat\u00e9gias para gerar renda \u00e0s comunidades sem desmatar<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49363387\">Em entrevista \u00e0 BBC<\/a>, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de multas n\u00e3o indica um afrouxamento do combate a il\u00edcitos. Segundo Salles, o Ibama tem buscado embasar mais suas autua\u00e7\u00f5es para que os infratores n\u00e3o consigam se livrar das cobran\u00e7as, priorizando a qualidade e n\u00e3o a quantidade de multas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Divis\u00f5es causadas pelo garimpo<\/h2>\n<p>L\u00edderes ind\u00edgenas favor\u00e1veis ao garimpo n\u00e3o foram convidados para o encontro, decis\u00e3o que foi questionada por alguns dos presentes.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui s\u00f3 temos parentes que lutamos pelo meio ambiente, pela terra, pela \u00e1gua, mas n\u00e3o tem nenhum parente que quer o agroneg\u00f3cio ou o garimpo nas aldeias. Vamos ficar s\u00f3 debatendo entre n\u00f3s?&#8221;, questionou O\u00e9 Kayap\u00f3, representante da Associa\u00e7\u00e3o Floresta Protegida (AFP).<\/p>\n<p>Ela cobrou dos participantes convencer os ausentes a abandonar atividades destrutivas. &#8220;Vamos continuar brigando pela preserva\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio enquanto outros brigam para ter garimpo e arrendamento de terra? Isso nos enfraquece, n\u00e3o d\u00e1 para continuar assim&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Organizadores disseram que os grupos divergentes n\u00e3o foram convidados para evitar conflitos.<\/p>\n<p>Tramitam na C\u00e2mara dos Deputados propostas legislativas que permitiriam atividades agropecu\u00e1rias de larga escala em terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Defensores das iniciativas, que tamb\u00e9m t\u00eam o respaldo do governo Bolsonaro, dizem que as medidas buscam garantir melhores condi\u00e7\u00f5es de vida \u00e0s comunidades.<\/p>\n<p>J\u00e1 ind\u00edgenas contr\u00e1rios temem que as medidas abram o caminho para o arrendamento de suas terras para grandes produtores rurais, o que amea\u00e7aria seus modos de vida.<\/p>\n<p>Eles debateram no encontro alternativas econ\u00f4micas ao agroneg\u00f3cio e \u00e0 minera\u00e7\u00e3o. Foram compartilhadas experi\u00eancias bem-sucedidas e dificuldades de iniciativas que buscam gerar renda sem derrubar a floresta, como o artesanato e o processamento de frutos nativos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B9EB\/production\/_108559574_1kayapo3_jul_2019.jpg\" alt=\"Garimpo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">PLANET LABS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Uso de retroescavadeiras ampliou os danos causados por garimpeiros em rios da Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3, no Par\u00e1<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Tradu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea<\/h2>\n<p>O encontro, que durou tr\u00eas dias, reuniu etnias com v\u00e1rios idiomas distintos e teve duas l\u00ednguas oficiais. Todas as falas em kayap\u00f3 eram traduzidas para o portugu\u00eas, e vice-versa.<\/p>\n<p>Alguns visitantes compreendiam o kayap\u00f3 por falarem idiomas do mesmo tronco lingu\u00edstico, o macro-j\u00ea, enquanto os demais recorriam ao portugu\u00eas, que a maioria dos grupos fala como segunda l\u00edngua. Al\u00e9m dos m\u00faltiplos idiomas, ouviam-se os cantos de araras domesticadas, que vez ou outra pousavam sobre a casa dos homens.<\/p>\n<p>O discurso que causou mais como\u00e7\u00e3o foi feito por Bepto Xikrin, lideran\u00e7a da Terra Ind\u00edgena Trincheira Bacaj\u00e1, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Ele contou que, desde o in\u00edcio do ano, cerca de 400 garimpeiros e madeireiros estavam atuando no territ\u00f3rio. Bepto disse que as comunidades estavam assustadas e n\u00e3o sabiam como agir. De pronto, dois caciques kayap\u00f3s se levantaram e prometeram enviar guerreiros para expulsar os invasores, recebendo aplausos de todos.<\/p>\n<p>Outro momento simb\u00f3lico foi a apresenta\u00e7\u00e3o de cantos e dan\u00e7as dos convidados, no \u00faltimo dia. Para a primeira exibi\u00e7\u00e3o, os kayap\u00f3s convocaram representantes do povo panar\u00e1: justamente um dos grupos com que eles guerrearam mais intensamente no passado.<\/p>\n<p>Com os corpos pintados de jenipapo, os quatro panar\u00e1s entoaram um canto gutural, saltando conforme o ritmo. Aplausos calorosos dos kayap\u00f3s sugeriam que as rivalidades entre os grupos podem ter ficado para tr\u00e1s.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/105A9\/production\/_108558966_panara_kayapo.jpg\" alt=\"Kayap\u00f3s e panar\u00e1s em encontro na Terra Ind\u00edgena Menkragnoti\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">LUCAS LANDAU\/REDE XINGU+<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Encontro p\u00f4s frente a frente l\u00edderes de grupos que guerrearam no passado, como os panar\u00e1s (representados no encontro pelos dois homens \u00e0 direita, e os kayap\u00f3s (\u00e0 esq.)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Morreu todo mundo&#8217;<\/h2>\n<p>No relat\u00f3rio que embasou a demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Panar\u00e1, a Funai diz que o primeiro embate entre os dois povos ocorreu em 1922, quando os kayap\u00f3s atacaram uma aldeia panar\u00e1. Os panar\u00e1s contra-atacaram no ano seguinte, alimentando um ciclo de revides que se estenderia at\u00e9 1968, quando um massacre alterou o equil\u00edbrio de for\u00e7as na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo americano Stephan Schwartzman, que viveu entre os panar\u00e1s, narrou o epis\u00f3dio num artigo de 1992. Ele diz que, antes do grande ataque de 1968, os kayap\u00f3s j\u00e1 vinham usando armas de fogo obtidas dos brancos na guerra contra os panar\u00e1s, que, ainda sem contato com o mundo exterior, respondiam com flechas.<\/p>\n<p>Naquele ano, conta Schwartzman, os kayap\u00f3s &#8220;fizeram quest\u00e3o de juntar o maior n\u00famero poss\u00edvel de armas e muni\u00e7\u00e3o, inclusive obtendo muni\u00e7\u00e3o com o mission\u00e1rio que morava com eles na \u00e9poca&#8221;. Os kayap\u00f3s subiram o rio Iriri at\u00e9 a aldeia Sonkanasan, dos panar\u00e1s, incendiando todas as casas e matando 26 pessoas.<\/p>\n<p>Uma sobrevivente descreveu a chacina ao antrop\u00f3logo. &#8220;Morreu todo mundo, meu pai e tios&#8230; Mataram meu marido&#8230; Mataram meu irm\u00e3o mais velho, Peyati, meu filho Yosuri, meu irm\u00e3o Kyotiswa, mataram minha m\u00e3e&#8230; Mataram meu sobrinho Nasu, era menino, mataram Sotare, que era adulto, mataram Kyititu&#8230; e o velho Kosu, mataram&#8230; Os Txurracam\u00e3e (kayap\u00f3s) massacraram esse pessoal, por isso estou com raiva.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img responsive-image__img--loading js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4660\/production\/_108561081_vale.jpg\" alt=\"Encontro no Xingu\" width=\"3024\" height=\"2012\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">L\u00edderes kayap\u00f3s discursam na casa dos homens durante a assembleia de povos xinguanos, na Terra Ind\u00edgena Menkragnoti<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os sobreviventes deixaram a aldeia e se embrenharam na mata. Anos depois, outra trag\u00e9dia se abateu sobre o grupo quando o territ\u00f3rio panar\u00e1 foi cortado pela BR-163, uma das estradas com que a ditadura militar pretendia integrar a Amaz\u00f4nia ao resto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para tir\u00e1-los do caminho e evitar conflitos ainda mais graves, o governo enviara \u00e0 regi\u00e3o uma miss\u00e3o chefiada pelos irm\u00e3os Cl\u00e1udio e Orlando Villas Boas, que j\u00e1 tinham contatado v\u00e1rios grupos ind\u00edgenas Brasil afora.<\/p>\n<p>Tentativas infrut\u00edferas de contato duraram v\u00e1rios anos, at\u00e9 que, em 1972, enquanto os oper\u00e1rios se aproximavam da aldeia panar\u00e1, uma epidemia de gripe se espalhou pela comunidade. &#8220;Morreram tantas pessoas que os sobreviventes n\u00e3o foram suficientes ou n\u00e3o tinham for\u00e7a suficiente para enterr\u00e1-las, e os urubus comeram os mortos apodrecendo no ch\u00e3o&#8221;, narra Schwartzman.<\/p>\n<p>Famintos e doentes, os cerca de 200 remanescentes foram levados para o Parque Ind\u00edgena do Xingu, ao sul. Em 1997, os panar\u00e1s conseguiram regressar a uma parte de seu territ\u00f3rio original \u00e0s margens da BR-163. Desde ent\u00e3o, com a demarca\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, a popula\u00e7\u00e3o do grupo triplicou.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Alian\u00e7a contra os brancos e Bolsonaro<\/h2>\n<p>Dois l\u00edderes panar\u00e1s presentes disseram \u00e0 BBC que os conflitos com os kayap\u00f3s foram superados.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s matamos os kayap\u00f3, os kayap\u00f3 nos mataram, n\u00f3s brigamos com os kayabi, mas n\u00e3o sab\u00edamos ainda o que estava acontecendo sobre o branco, n\u00e3o sab\u00edamos dessa amea\u00e7a ainda&#8221;, diz Sinku Panar\u00e1 em sua l\u00edngua, traduzido por Jo\u00e3o Paulo Den\u00f3frio, doutorando em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o esfriamos a cabe\u00e7a, nos reconciliamos, voltamos a conversar uns com os outros e n\u00e3o vamos mais brigar. Porque existe um interesse comum para que lutemos juntos, para que os n\u00e3o ind\u00edgenas n\u00e3o matem a todos n\u00f3s&#8221;, ele afirma. Sinku diz que a vit\u00f3ria de Bolsonaro encorajou uma aproxima\u00e7\u00e3o ainda maior entre grupos ind\u00edgenas que eram inimigos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16D2D\/production\/_108558439_img_3328.jpg\" alt=\"Terra Menkragnoti\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Aldeia kayap\u00f3 nos limites da Terra Ind\u00edgena Mekragnoti, onde visitantes precisam se identificar antes de seguir viagem<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Os outros presidentes tinham uma preocupa\u00e7\u00e3o um pouco maior com as nossas terras (&#8230;). Este que chegou agora (Bolsonaro), ele n\u00e3o est\u00e1 preocupado com isso, ele est\u00e1 preocupado em acabar com o que a gente tem e acabar com a gente. Por isso estou com o cora\u00e7\u00e3o cheio, por isso estamos conversando uns com os outros.&#8221;<\/p>\n<p>Sinku diz estar preocupado &#8220;com as \u00e1rvores, com a \u00e1gua, com o peixe, com os n\u00e3o ind\u00edgenas que querem entrar na nossa terra em busca dessas coisas&#8221;. &#8220;N\u00e3o quero estragar a \u00e1gua com garimpo, com minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quero matar os peixes. Por isso que vim aqui: para fazer esta fala.&#8221;<\/p>\n<p>V\u00e1rios outros l\u00edderes expressaram receios semelhantes. Grupos que habitam \u00e1reas no sul da bacia, em Mato Grosso, disseram temer a contamina\u00e7\u00e3o dos rios por agrot\u00f3xicos usados em fazendas vizinhas.<\/p>\n<p>&#8220;A soja est\u00e1 muito em cima do nosso limite (territorial)&#8221;, diz Winti Khisetje, um dos l\u00edderes da Terra Ind\u00edgena Wawi. Ele diz que t\u00eam aumentado os casos de gripe, febre e coceiras na comunidade, o que ele atribui a agrot\u00f3xicos aplicados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a ONG Greenpeace, nos sete primeiros meses de 2019, o Minist\u00e9rio da Agricultura liberou 290 novos tipos de agrot\u00f3xico. \u00c9 o n\u00famero mais alto para este per\u00edodo do ano em pelo menos uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura diz que a libera\u00e7\u00e3o de mais agrot\u00f3xicos n\u00e3o tem provocado aumento no consumo. &#8220;Com a libera\u00e7\u00e3o de mais mol\u00e9culas, o produtor vem usando menos, porque est\u00e1 usando produtos melhores&#8221;, disse em julho a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.<\/p>\n<p>Tema que dominou o notici\u00e1rio nacional na semana do encontro, as queimadas na Amaz\u00f4nia n\u00e3o estiveram entre os assuntos principais do evento &#8211; em parte porque a maioria dos inc\u00eandios na regi\u00e3o tem ocorrido fora de terras ind\u00edgenas e reservas extrativistas. Nessas \u00e1reas, as matas est\u00e3o mais preservadas e, portanto, menos sujeitas \u00e0 expans\u00e3o do fogo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ind\u00edgenas e ribeirinhos<\/h2>\n<p>O encontro tamb\u00e9m serviu para aproximar os kayap\u00f3s e os demais ind\u00edgenas xinguanos de outra popula\u00e7\u00e3o com que se estranhavam no passado: os ribeirinhos.<\/p>\n<p>Uma das representantes do grupo era a pescadora Rita Cavalcante da Silva, de 47 anos, que visitava uma terra ind\u00edgena pela primeira vez.<\/p>\n<p>&#8220;Eu imaginava, mas n\u00e3o tinha dimens\u00e3o do que era realmente uma terra ind\u00edgena. \u00c9 muito bonito, muito organizado, muito tradicional&#8221;, ela disse \u00e0 BBC.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12F1B\/production\/_108559577_ribeirinha.jpg\" alt=\"Ribeirinhas\" width=\"1392\" height=\"928\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">LUCAS LANDAU\/REDE XINGU +<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">A ribeirinha Rita Cavalcante da Silva (\u00e0 esq.) visitava uma terra ind\u00edgena pela primeira vez na vida<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Moradora das margens do lago formado pela hidrel\u00e9trica de Belo Monte, em Altamira (PA), Silva afirmou que ribeirinhos e ind\u00edgenas t\u00eam culturas parecidas.<\/p>\n<p>&#8220;Vivemos do rio, temos aquele contato com a terra, necessitamos de estar na terra, sobrevivemos do peixe, da mata. Isso criou v\u00ednculos fortes entre as duas popula\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Outra ribeirinha presente, Liliane Ferreira, 26 anos, da Reserva Extrativista Rio Iriri, diz que temia ind\u00edgenas na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Como muitos ribeirinhos, Ferreira tem sangue nordestino, bisneta de maranhenses que migraram para a Amaz\u00f4nia para trabalhar como seringueiros. Ela diz ter crescido ouvindo a av\u00f3 contar hist\u00f3rias de \u00edndios que raptavam mulheres e crian\u00e7as ribeirinhas.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez ela estava ca\u00e7ando tatu e tentaram pegar ela&#8221;, conta Ferreira. &#8220;Quando diziam &#8216;tem \u00edndio solto a\u00ed&#8217;, eu ficava com medo.&#8221;<\/p>\n<p>Ela afirma que a desconfian\u00e7a se dissipou conforme passou a lutar ao lado de ind\u00edgenas por causas comuns. Mas isso n\u00e3o a impediu de cutucar os anfitri\u00f5es kayap\u00f3s ao notar a fraca presen\u00e7a feminina no encontro.<\/p>\n<p>&#8220;Eu perguntei: &#8216;vem c\u00e1, por que suas mulheres n\u00e3o participam das reuni\u00f5es?&#8217; Eles disseram que n\u00e3o pode, que s\u00f3 pode se os maridos permitirem. Achei curioso, porque, entre os ribeirinhos, n\u00f3s estamos l\u00e1 metidas no meio, n\u00e3o queremos sair da frente&#8221;, diz Ferreira.<\/p>\n<p>No fim do evento, quando os kayap\u00f3s convocaram os demais participantes a se agrupar para gravar um v\u00eddeo, Ferreira titubeou. Primeiro ficou dentro da casa dos homens, at\u00e9 ser chamada insistentemente pelos ind\u00edgenas e outros ribeirinhos.<\/p>\n<p>No fim, juntou-se ao grupo e at\u00e9 acompanhou a dan\u00e7a kayap\u00f3 na festa de encerramento, que se esticaria at\u00e9 tarde da noite, agora com forr\u00f3 nordestino do repert\u00f3rio ribeirinho. Fonte: BBC Brasil News<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15C1D\/production\/_105671198_3135fd17-5a3e-4df2-a805-5f30f3397333.jpg\" alt=\"raya\" width=\"624\" height=\"2\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem visse na semana passada um grupo de ind\u00edgenas dividindo peixes assados em folhas de bananeira numa aldeia \u00e0 beira do rio Iriri, no sul do Par\u00e1, n\u00e3o poderia imaginar que, h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, v\u00e1rios dos povos ali presentes viviam em guerra. As rixas do&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,35,31,2],"tags":[1394],"class_list":["post-6560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-area-5-col1","category-meio-ambiente","category-para","category-slideshow","tag-etnias-ameacadas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6560"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6563,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6560\/revisions\/6563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}