{"id":6671,"date":"2019-10-07T14:29:30","date_gmt":"2019-10-07T17:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=6671"},"modified":"2019-10-07T14:29:30","modified_gmt":"2019-10-07T17:29:30","slug":"extinction-rebellion-o-movimento-que-quer-parar-londres-em-mega-protesto-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/extinction-rebellion-o-movimento-que-quer-parar-londres-em-mega-protesto-ambiental\/","title":{"rendered":"Extinction Rebellion, o movimento que quer parar Londres em mega protesto ambiental"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Extinction-Rebellion-o-movimento-que-quer-parar-Londres-em-mega-protesto-ambiental-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6672\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Extinction-Rebellion-o-movimento-que-quer-parar-Londres-em-mega-protesto-ambiental-.jpg\" alt=\"Extinction Rebellion o movimento que quer parar Londres em mega protesto ambiental\" width=\"624\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Extinction-Rebellion-o-movimento-que-quer-parar-Londres-em-mega-protesto-ambiental-.jpg 624w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Extinction-Rebellion-o-movimento-que-quer-parar-Londres-em-mega-protesto-ambiental--300x168.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Extinction-Rebellion-o-movimento-que-quer-parar-Londres-em-mega-protesto-ambiental--220x123.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">No come\u00e7o da manh\u00e3 de uma ter\u00e7a-feira, pedestres caminham em uma rua movimentada no centro de Londres. De repente, em um movimento coordenado, parte deles se vira em dire\u00e7\u00e3o a um grandioso e bonito edif\u00edcio constru\u00eddo em 1906 e come\u00e7a a vandaliz\u00e1-lo. \u00c9 a embaixada brasileira na capital brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Jogam tinta vermelha em sua fachada e escrevem palavras de ordem como &#8220;Stop Ecocide&#8221; (pare o ecoc\u00eddio) nas paredes. Dois sobem em cima de um toldo, enquanto outros tr\u00eas usam cola nas m\u00e3os para se grudar \u00e0s janelas do pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>Todos eles, jovens e uma mulher idosa, fazem parte do Extinction Rebellion ou (XR na sigla adotada), movimento de ativismo ambiental que nasceu em outubro do ano passado no Reino Unido e que, agora ao completar um ano, quer parar Londres novamente. O grupo planeja ocupar tr\u00eas espa\u00e7os not\u00f3rios e movimentados no centro da capital brit\u00e2nica: a Trafalgar Square (na \u00e1rea onde fica a embaixada brasileira), a ponte Westminster e o The Mall, uma avenida importante que liga o Pal\u00e1cio de Buckingham \u00e0 pra\u00e7a Trafalgar e por onde monarcas e chefes de Estado transitam em ceremonial quando visitam o Reino Unido.<\/p>\n<p>&#8220;Extinction&#8221; significa extin\u00e7\u00e3o e, &#8220;rebellion&#8221;, rebeli\u00e3o. Membros do grupo, que se identificam como &#8220;rebels&#8221; (rebeldes) dizem querer promover uma rebeli\u00e3o contra a extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, inclusive a humana, algo que, afirmam, vai acontecer se nada for feito agora por nossos representantes pol\u00edticos para impedir a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>No Brasil, j\u00e1 existe um grupo organizando uma vers\u00e3o brasileira do Extinction Rebellion, que ser\u00e1 chamada de &#8220;Rebeli\u00e3o ou Extin\u00e7\u00e3o&#8221;. Nesta semana, tamb\u00e9m planejam a\u00e7\u00f5es, embora n\u00e3o tenham anunciado quais.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\">\n<aside class=\"parrot\">&#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, n\u00e3o ambientalismo. Ambientalismo sempre significa uma coisa: ou o ambiente \u00e9 distante e pobre, e temos que ajud\u00e1-lo, ou \u00e9 algo que temos que explorar para ficarmos mais ricos. A verdadeira quest\u00e3o que enfrentamos \u00e9: ou fazemos algo agora ou no futuro vamos passar fome&#8221;, diz em entrevista \u00e0 BBC News Brasil um dos fundadores do Extintion Rebellion, o brit\u00e2nico Roger Hallam, antes de ser detido em Londres por ter protestado no aeroporto de Heathrow, em setembro, usando um drone para interromper voos. &#8220;\u00c9 como se estiv\u00e9ssemos discutindo dentro de um barco que est\u00e1 navegando em dire\u00e7\u00e3o a uma cachoeira e vai cair no abismo.&#8221;<\/p>\n<p>Em seu discurso e a\u00e7\u00f5es, membros do movimento enfatizam mensagens que transmitem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o um sentimento de urg\u00eancia. Estamos \u00e0 beira de uma &#8220;cat\u00e1strofe clim\u00e1tica&#8221;, de uma &#8220;emerg\u00eancia&#8221;, do &#8220;colapso do mundo&#8221;, afirmam, e \u00e9 preciso acordar dessa letargia. \u00c9 um tom semelhante ao da adolescente ativista Greta Thunberg, da Su\u00e9cia, que, num cruzamento de movimentos, j\u00e1 participou de protestos do Extinction Rebellion em Londres.<\/p>\n<p>Para os rebeldes, a m\u00eddia, os governantes e grupos ambientalistas tradicionais como o Greenpeace n\u00e3o foram eficientes em transmitir o senso de urg\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11E3E\/production\/_106587237_mediaitem106587236.jpg\" alt=\"Manifestantes em abril\" width=\"976\" height=\"600\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Em abril, mais de mil manifestantes foram detidos pela pol\u00edcia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Agora, eles t\u00eam tr\u00eas demandas: 1) que o governo &#8220;conte a verdade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o declarando uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica e ecol\u00f3gica&#8221;; 2) que o governo &#8220;zere as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2025&#8221;; 3) que o governo &#8220;crie uma assembleia popular, formada por cidad\u00e3os comuns e escolhidos aleatoriamente, e siga suas decis\u00f5es sobre o meio ambiente&#8221;.<\/p>\n<p>Para convencer o governo a adotar essas reivindica\u00e7\u00f5es, os fundadores do grupo estudaram revoltas passadas para formular estrat\u00e9gias. Para eles, manifesta\u00e7\u00f5es convencionais n\u00e3o funcionam \u2014s\u00e3o contra passeatas, por exemplo.<\/p>\n<p>Todas a\u00e7\u00f5es t\u00eam uma coisa em comum: usam t\u00e9cnicas de resist\u00eancia n\u00e3o violenta. Ou seja, protestos que interrompam o funcionamento das coisas, \u00e0s vezes desrespeitando a lei, mas de modo pac\u00edfico. S\u00e3o estrat\u00e9gias inspiradas em Mahatma Gandhi, que liderou o movimento bem-sucedido pela independ\u00eancia da \u00cdndia, e Martin Luther King, um dos l\u00edderes mais importantes na campanha pelos direitos civis aos negros nos Estados Unidos. &#8220;A participa\u00e7\u00e3o em massa e a desobedi\u00eancia civil s\u00e3o os mecanismos mais efetivos para desafiar o projeto genocida das elites do mundo&#8221;, diz Hallam.<\/p>\n<p>Os atos de agora em Londres s\u00e3o a terceira vez que fazem algo t\u00e3o grande, embora tenham levado a cabo ao longo do ano a\u00e7\u00f5es menores como a da embaixada brasileira, que aconteceu em agosto, auge da crise da Amaz\u00f4nia do governo Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Em outubro do ano passado, quando surgiu, o grupo j\u00e1 havia interrompido o tr\u00e2nsito londrino com seus protestos. Cresceu muito em abril de 2019, quando seus participantes \u2014de jovens a ativistas mais velhos\u2014 fizeram grandes protestos em Londres: durante 11 dias, grudaram seus corpos em trens, marcharam no aeroporto de Heathrow e bloquearam avenidas importantes, inclusive uma ponte inteira. Na ocasi\u00e3o, mais de mil ativistas foram detidos.<\/p>\n<p>Parte importante do movimento no Reino Unido \u00e9 ter pessoas que se identificam como &#8220;arrestables&#8221;, ou seja, que se disp\u00f5em a serem detidas (algo como &#8220;det\u00edveis&#8221;) e terem sua ficha criminal manchada. Elas devem informar os organizadores de protestos para serem contabilizadas e destacadas para levar a cabo as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o violentas que podem acabar em deten\u00e7\u00e3o e chamar aten\u00e7\u00e3o da imprensa.<\/p>\n<p>H\u00e1 grupos dentro do movimento de &#8220;apoio aos detidos&#8221;, pessoas que ajudam a divulgar financiamentos coletivos para pagar os custos do processo p\u00f3s-deten\u00e7\u00e3o ou que simplesmente comparecem \u00e0s audi\u00eancias para dar apoio emocional. Mas nem tudo s\u00e3o flores. Ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre como as pessoas devem lidar com o processo depois da deten\u00e7\u00e3o: &#8220;Pagar um advogado?&#8221;, &#8220;Com que dinheiro?&#8221;, &#8220;Representar a si mesmo, sem advogado?&#8221;, &#8220;Dizer-se inocente ou culpado?&#8221; s\u00e3o algumas das quest\u00f5es levantadas nas reuni\u00f5es do Extinction Rebellion.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia, \u00e9 claro, incomoda. Segundo a pol\u00edcia, os protestos em abril do ano passado custaram \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o mais de \u00a37,5 milh\u00f5es (cerca de R$ 38 milh\u00f5es). Para o Brasil, consertos no edif\u00edcio da embaixada custaram cerca de \u00a38 mil (R$ 40 mil), segundo o Itamaraty. Motoristas e pedestres tiveram sua rota interrompida (&#8220;vi uma senhora que tinha trabalhado o dia todo e ficou presa at\u00e9 uma da manh\u00e3 em um \u00f4nibus na ponte&#8221;, afirmou \u00e0 reportagem uma brasileira que n\u00e3o quis ser identificada) e, em Bristol, no oeste do Reino Unido, um filho n\u00e3o pode ir ao hospital se despedir do pai, que estava morrendo, por conta de um protesto que interrompia a rua.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Classe m\u00e9dia branca<\/h2>\n<p>Al\u00e9m disso, o movimento \u00e9 criticado por ser composto por membros majoritariamente brancos e de classe m\u00e9dia. Nos protestos, a composi\u00e7\u00e3o em grande parte branca \u00e9 vis\u00edvel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, &#8220;muitas das t\u00e1ticas que empregam n\u00e3o consideram as pessoas negras&#8221;, diz Leah Cowan, editora de pol\u00edtica da revista brit\u00e2nica Gal-Dem, produzida por mulheres e pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias de cor. Ser detido \u00e9 uma delas. &#8220;As pessoas que se disp\u00f5em a serem detidas n\u00e3o podem ser vistas como hero\u00ednas, e esse n\u00e3o pode ser o \u00fanico caminho. N\u00e3o \u00e9 inclusivo, porque legitima o sistema sem reconhecer sua longa hist\u00f3ria de brutalidade policial e o encarceramento desproporcional de pessoas de cor&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Um tu\u00edte publicado pelo Extinction Rebellion em abril exemplifica a quest\u00e3o: &#8220;A maioria dos policiais s\u00e3o pessoas razo\u00e1veis. Alguns s\u00e3o idiotas, nada diferente do resto da sociedade. Esperamos que a pol\u00edcia junte-se \u00e0 rebeli\u00e3o&#8221;, publicaram. Mais tarde, o grupo se corrigiu: &#8220;Para deixar claro, a pessoa que postou esse tu\u00edte estava falando de policiais individuais que est\u00e3o conosco nas ruas. O Extinction Rebellion sabe que a pol\u00edcia, como uma organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 institucionalmente racista. S\u00e3o capazes de viol\u00eancia extrema e repress\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Questionado, Hallam disse \u00e0 BBC News Brasil que &#8220;a maior parte dos movimentos s\u00e3o iniciados por pessoas da classe m\u00e9dia, porque elas t\u00eam mais tempo e dinheiro&#8221;. &#8220;Mas agora \u00e9 um movimento universal, porque todo mundo vai morrer&#8221;, defende. E emenda: &#8220;Na verdade, n\u00e3o importa que se \u00e9 um movimento de classe m\u00e9dia branca, o que importa para as pessoas pobres no mundo todo \u00e9 que haja coisas sendo feitas e que isso v\u00e1 salvar seus filhos. Precisamos \u00e9 focar na metodologia para provocar mudan\u00e7as estruturais nos pa\u00edses desenvolvidos, sen\u00e3o as pessoas nos pa\u00edses do sul v\u00e3o passar fome&#8221;.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia a longo prazo, admite ele, \u00e9 que a mobiliza\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia acabe levando a classe m\u00e9dia baixa e os mais pobres e trabalhadores para a rua, criando um verdadeiro movimento de massa.<\/p>\n<p>Em um segundo protesto numa tarde de sexta-feira em frente \u00e0 embaixada brasileira em Londres, ainda por causa dos inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia, a inglesa Sarah Tulej, que trabalha em uma ONG de desenvolvimento sustent\u00e1vel, opina que &#8220;\u00e9 um luxo&#8221; poder ir protestar, &#8220;mas ainda assim \u00e9 importante&#8221;. Ela diz que entrou para o Extinction Rebellion em abril, depois de sentir &#8220;eco-ansiedade&#8221; (ansiedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas), ainda mais tendo um filho de dois anos. &#8220;Talvez tenha que ser a classe m\u00e9dia branca que tenha que agir e se arriscar agora porque foi ela quem at\u00e9 agora se beneficiou do desenvolvimento que provocou a mudan\u00e7a clim\u00e1tica&#8221;, reflete.<\/p>\n<p>Para o bem ou para o mal, no Reino Unido o Extinction Rebellion \u00e9 tema de rodas de conversa em pubs, e come\u00e7a a se tornar conhecido numa Europa que votou mais para partidos ambientalistas nas elei\u00e7\u00f5es europeias deste ano e que tem em Greta j\u00e1 um s\u00edmbolo mundial, uma de suas vozes mais ouvidas ou amplificadas.<\/p>\n<p>No mundo da classe m\u00e9dia de Londres, o Extinction Rebellion est\u00e1 em diversos locais como festivais de m\u00fasica e parques. O grupo participa com estandes para espalhar suas ideias e cativar novos membros. Em junho, teve uma cole\u00e7\u00e3o de ensaios lan\u00e7ada pela editora Penguin: <i>This is Not a Drill: An Extinction Rebellion Handbook<\/i> (isso n\u00e3o \u00e9 uma simula\u00e7\u00e3o: manual do Extinction Rebellion, em tradu\u00e7\u00e3o livre), com instru\u00e7\u00f5es sobre como fazer rebeli\u00f5es.<\/p>\n<p>E o Victoria &amp; Albert, um dos mais prestigiosos museus de Londres, adquiriu para seu acervo objetos ligados ao grupo, como p\u00f4steres, carimbos e bandeiras. Um dos destaques \u00e9 o arquivo digital do &#8220;S\u00edmbolo de Extin\u00e7\u00e3o&#8221; \u2014 o logo simples e f\u00e1cil do grupo, uma ampulheta dentro de uma circunfer\u00eancia (tamb\u00e9m lida como um X, de extin\u00e7\u00e3o), feito por um artista para representar &#8220;o tempo se esgotando&#8221; e j\u00e1 chamado pelo jornal The Guardian como &#8220;o s\u00edmbolo da paz dessa gera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/98A0\/production\/_108827093_xr.jpg\" alt=\"Logo do Extinction Rebellion no condado de Wiltshire, no Reino Unido\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">S\u00edmbolo do Extinction Rebellion foi chamado pelo Guardian de &#8220;novo s\u00edmbolo da paz&#8221;; na foto, o s\u00edmbolo perto de onde um festival aconteceu, em Wiltshire, no Reino Unido<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;\u00c0 beira de um precip\u00edcio&#8217;<\/h2>\n<p>No fundo de uma sala com cerca de 20 jovens trabalhando em computadores \u2014 alguns est\u00e3o descal\u00e7os, uma mulher trabalha com seu beb\u00ea no colo \u2014, Roger Hallam, um dos fundadores do Extinction Rebellion, faz uma reuni\u00e3o em sua mesa de trabalho.<\/p>\n<p>P\u00f4steres do Extinction Rebellion adornam a parede, e no canto da sala h\u00e1 um &#8220;espa\u00e7o regenerativo&#8221;, de descanso. O almo\u00e7o, vegano, \u00e9 compartilhado por todos. Hallam, de 53 anos, cabelos grisalhos presos em um rabo, recebeu a BBC News Brasil no escrit\u00f3rio localizado em um edif\u00edcio em Bethnal Green, na regi\u00e3o leste de Londres, onde vivem parte dos hipsters da cidade.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos na beira de um precip\u00edcio, quase pulando dele. E caminhamos em dire\u00e7\u00e3o a esse precip\u00edcio h\u00e1 30 anos&#8221;, diz Hallam. E mais de uma vez, afirma: &#8220;Eu n\u00e3o estou dizendo a ningu\u00e9m o que devem fazer. S\u00f3 estou dizendo o que funciona&#8221;. Dez dias depois da entrevista, ele foi detido por protestar no aeroporto de Heathrow com um drone.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DF54\/production\/_108927175_hallam.jpg\" alt=\"Roger Hallam, um dos fundadores do Extinction Rebellion\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">JULIANA GRAGNANI\/BBC<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Cofundador do Extinction Rebellion Roger Hallam foi detido em setembro por protesto em Heathrow<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Brasil<\/h2>\n<p>Hallam foi um fazendeiro org\u00e2nico no Pa\u00eds de Gales (&#8220;durante 20 anos, trabalhei 70 horas semanais ganhando 2 libras a hora&#8221; \u2014cerca de R$ 10); mais tarde, em seu doutorado em King&#8217;s College, em Londres, estudou desobedi\u00eancia civil \u2014 exatamente o que ele emprega no Extinction Rebellion \u2014 e fez greve de fome exigindo que a universidade retirasse investimentos em combust\u00edveis f\u00f3sseis. Diz ter vivido na rua durante dois anos e, durante a entrevista, repete que n\u00e3o \u00e9 um cidad\u00e3o da classe m\u00e9dia. Quando ele fala, \u00e9 bem pr\u00e1tico, enumerando f\u00f3rmulas sobre como obter mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Um exemplo: ele logo d\u00e1 raz\u00e3o ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, no conflito diplom\u00e1tico com Macron, o presidente franc\u00eas. &#8220;\u00c9 claro que a Amaz\u00f4nia pertence aos brasileiros, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas disso. \u00c9 completa hipocrisia que os l\u00edderes globais do norte digam aos brasileiros que n\u00e3o \u00e9 isso. O Bolsonaro est\u00e1 certo: \u00e9 bobagem colonial&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mas ele diz isso pensando mais no argumento para convencer os brasileiros a aderirem para seu lado. A maioria das pessoas, diz ele, se importa com suas fam\u00edlias, seus empregos e o pa\u00eds. O nacionalismo existe e, com isso, podemos &#8220;usar a vis\u00e3o da direita para promover objetivos da esquerda&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O argumento para os brasileiros tem que ser: \u00e9 claro que a Amaz\u00f4nia \u00e9 sua, e se voc\u00eas acabarem com ela, seus filhos v\u00e3o passar fome. \u00c9 um argumento poderoso, porque assim trabalhamos com um sistema de valores. Entende o que eu quero dizer?&#8221;<\/p>\n<p>A outra coisa que ele diz \u00e9 que &#8220;as t\u00e1ticas e estrutura da resist\u00eancia&#8221; teriam que ser diferentes no Brasil. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para querer ser preso.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/37C6\/production\/_106587241_mediaitem106587240.jpg\" alt=\"Phil Kingston protestou no DLR (trem)\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Phil Kingston, 83, estava entre os manifestantes detidos em abril, em Londres<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Ent\u00e3o, uma forma, diz ele, \u00e9 chegar at\u00e9 o ponto imediato antes da repress\u00e3o e que ainda assim v\u00e1 receber publicidade. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es como uma que aconteceu no Egito, em 2011, ele lembra: para n\u00e3o quebrar as leis contra demonstra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do pa\u00eds, ativistas se vestiram de preto e ficaram em p\u00e9, um ao lado do outro, na beira do Nilo. No Reino Unido, o Extinction Rebellion j\u00e1 fez protestos em que um grupo de pessoas deitava no ch\u00e3o de um museu, por exemplo. Mas Hallam tamb\u00e9m diz que mudan\u00e7as s\u00f3 v\u00eam quando as pessoas se arriscam. &#8220;\u00c9 uma investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica&#8221;, afirma, dizendo que testes precisar\u00e3o ser feitos.<\/p>\n<p>No Brasil, uma das coordenadoras do Extinction Rebellion, uma paulistana que prefere ser identificada como &#8220;Musa&#8221;, diz que as a\u00e7\u00f5es ser\u00e3o principalmente de performances, arte e palestras, sem viol\u00eancia. Ela participou de atos e treinamento no Reino Unido.<\/p>\n<p>&#8220;As a\u00e7\u00f5es ser\u00e3o acompanhadas de bastante informa\u00e7\u00e3o para as pessoas entenderem sobre o que \u00e9 o protesto. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa grande base&#8221;, afirma. &#8220;Existe tamb\u00e9m uma parte forte que \u00e9 a depress\u00e3o de quando a pessoa come\u00e7a a se informar sobre a situa\u00e7\u00e3o real do que estamos passando, ent\u00e3o haver\u00e1 acolhida. Mas o momento \u00e9 agora, o mundo todo est\u00e1 acordando para uma realidade, de que a gente tem que trocar de sistema. \u00c9 uma onda muito grande, planet\u00e1ria, de todas as pessoas. A gente quer que seja assim no Brasil tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o diz quantos membros h\u00e1 no grupo brasileiro (no Facebook, uma comunidade conta com 1,9 mil participantes), mas afirma que h\u00e1 gente aderindo em S\u00e3o Paulo, Rio, Bras\u00edlia e Belo Horizonte.<\/p>\n<p>O grupo se diz apol\u00edtico, mas &#8220;a gente n\u00e3o tem controle sobre quem acha que o que est\u00e1 acontecendo com esse governo est\u00e1 errado&#8221;, afirma. &#8220;Contanto que seja de forma n\u00e3o violenta, as pessoas t\u00eam o direito de manifestar os seus pensamentos.&#8221;<\/p>\n<p>No Brasil, o grupo escolheu outras demandas. S\u00e3o quatro: reconhecer terras de povos ind\u00edgenas, ampliar a no\u00e7\u00e3o dos direitos da natureza (&#8220;o assassinato dos nossos ecossistemas deveria ser crime&#8221;, diz Musa), manter-se no Acordo de Paris e cumprir a meta de reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos n\u00edveis de 2005, em 2025, e adotar t\u00e9cnicas de agricultura sustent\u00e1vel.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;N\u00e3o era meu plano original ser detido, mas n\u00e3o me arrependo&#8217;<\/h2>\n<p>No segundo protesto do Extinction Rebellion em frente \u00e0 embaixada brasileira em Londres, no fim de agosto, James &#8220;Fox&#8221; permaneceu na \u00e1rea, mas longe da manifesta\u00e7\u00e3o, sentado em um caf\u00e9 a alguns metros do edif\u00edcio. De bon\u00e9 e \u00f3culos escuros, o rapaz de 24 anos pediu sussurrando para a rep\u00f3rter atravessar a rua e encontr\u00e1-lo na beira de uma fonte na Trafalgar Square, em meio aos turistas.<\/p>\n<p>Por ter sido um dos manifestantes detidos no primeiro protesto, havia uma ordem de restri\u00e7\u00e3o contra ele \u2014 e assim ele recorreu a estrat\u00e9gias de cinema para poder acompanhar o segundo protesto de longe e ser entrevistado. Prefere se identificar com esse sobrenome que n\u00e3o \u00e9 o seu: &#8220;Fox&#8221; \u2014 raposa, em ingl\u00eas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E6C0\/production\/_108827095_hi055824259.jpg\" alt=\"Um ativista joga tinta vermelha na fachada da Embaixada brasileira durante um protesto do Extinction Rebellion na Embaixada brasileira em Londres em 13 de agosto de 2019\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">PETER NICHOLLS\/REUTERS<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">&#8220;N\u00e3o era meu plano original ser detido&#8221;, diz ativista do XR que vandalizou a Embaixada brasileira em Londres<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Sou um bi\u00f3logo que passou os \u00faltimos sete anos estudando e pesquisando os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica em tartarugas&#8221;, conta, sentado sobre a borda da fonte. &#8220;N\u00e3o era meu plano original ser detido. N\u00e3o tenho orgulho disso, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me arrependo.&#8221;<\/p>\n<p>Dez dias antes, ele acordou cedo, se dirigiu \u00e0 embaixada brasileira e, com outros manifestantes do Extinction Rebellion, vandalizou o pr\u00e9dio da institui\u00e7\u00e3o. Ele foi uma das pessoas que pintaram as paredes de vermelho. Explica que normalmente grupos de 8 a 12 pessoas do Extinction Rebellion agem juntas em a\u00e7\u00f5es mais arriscadas, que podem render deten\u00e7\u00f5es. &#8220;Nossa a\u00e7\u00e3o foi de n\u00edvel t\u00e3o extremo que foi imposs\u00edvel evitar a deten\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Ele conta ter vivido quatro meses no Brasil e ser particularmente ligado \u00e0 causa da Amaz\u00f4nia e ind\u00edgena. Estava revoltado, mas satisfeito por ter participado do protesto. &#8220;Nosso futuro est\u00e1 pegando fogo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A poucos metros dali, no grupo aglomerado em frente \u00e0 representa\u00e7\u00e3o brasileira, a fonoaudi\u00f3loga inglesa Miranda Mayston, de 34 anos, est\u00e1 chorando. Ela diz se sentir &#8220;muito triste com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e as consequ\u00eancias disso&#8221;. &#8220;Mas estou emocionada com a paix\u00e3o e uni\u00e3o de todo mundo. Eu n\u00e3o podia ficar sentada em um escrit\u00f3rio. Estar aqui faz com que eu me sinta menos sozinha.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: BBC News Brasil em Londres &#8211; Por\u00a0Juliana Gragnani<\/p>\n<\/aside>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come\u00e7o da manh\u00e3 de uma ter\u00e7a-feira, pedestres caminham em uma rua movimentada no centro de Londres. 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