{"id":6797,"date":"2019-10-21T15:16:38","date_gmt":"2019-10-21T18:16:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=6797"},"modified":"2019-10-21T15:16:38","modified_gmt":"2019-10-21T18:16:38","slug":"tres-geracoes-de-karipunas-que-lutam-contra-invasoes-e-risco-de-genocidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/tres-geracoes-de-karipunas-que-lutam-contra-invasoes-e-risco-de-genocidio\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de karipunas que lutam contra invas\u00f5es e risco de genoc\u00eddio"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"content-head__subtitle\"><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Tres-geracoes-de-karipunas-que-lutam-contra-invasoes-e-risco-de-genocidio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6798\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Tres-geracoes-de-karipunas-que-lutam-contra-invasoes-e-risco-de-genocidio.jpg\" alt=\"Tres geracoes de karipunas que lutam contra invasoes e risco de genocidio\" width=\"695\" height=\"463\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Tres-geracoes-de-karipunas-que-lutam-contra-invasoes-e-risco-de-genocidio.jpg 695w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Tres-geracoes-de-karipunas-que-lutam-contra-invasoes-e-risco-de-genocidio-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Tres-geracoes-de-karipunas-que-lutam-contra-invasoes-e-risco-de-genocidio-220x146.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px\" \/><\/a><\/h2>\n<h2 class=\"content-head__subtitle\">Karipunas vivem na terra ind\u00edgena mais amea\u00e7ada do Brasil por queimadas no entorno. A\u00e7\u00e3o de madeireiros e grileiros amea\u00e7a o pequeno grupo de sobreviventes deste povo.<\/h2>\n<p>Entre seis meses e tr\u00eas anos de idade, os nascidos karipuna eram tatuados com espinhos no rosto. Os homens recebiam um desenho, e as mulheres, outro. Depois de um encontro sangrento com o branco, a popula\u00e7\u00e3o diminuiu e, recentemente, voltou a crescer. Restaram 58 karipunas, mas apenas dois deles ainda t\u00eam como primeira l\u00edngua o tupi kawahib &#8211; ou kawahiba.<\/p>\n<p>O <strong>G1<\/strong> ouviu tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de karipuna e, com os relatos, conta um pouco do que \u00e9 preservado e do que os ind\u00edgenas t\u00eam medo. No ano passado, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal denunciou que o povo estava sob risco de genoc\u00eddio. Algumas das informa\u00e7\u00f5es foram coletadas em tupi kawahib e traduzidas pelos pr\u00f3prios \u00edndios.<\/p>\n<p>Eles vivem no territ\u00f3rio ind\u00edgena mais amea\u00e7ado por queimadas no Brasil \u2013 a TI Karipuna, em Rond\u00f4nia, que tem o maior n\u00famero de focos ao seu redor. L\u00e1 praticamente n\u00e3o havia desmatamento at\u00e9 2014, mas, desde ent\u00e3o, mais de 20 km\u00b2 de floresta foram derrubados.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"3\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Arip\u00e3, o av\u00f4<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"71\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O av\u00f4 chegou a viver na \u00e9poca em que os \u00edndios Karipuna n\u00e3o tinham contato com os homens brancos. Nasceu no mato, pr\u00f3ximo ao Rio Contra. O primeiro contato, segundo ele, foi ao sair para o &#8220;timb\u00f3&#8221; \u2013 uso de plantas que facilitam a pesca. Ele ouviu um tiro. Depois, descobriu que sua tia e outros integrantes haviam sido mortos, incluindo uma crian\u00e7a que teve o corpo &#8220;cortado&#8221; ao meio.<\/p>\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">A Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio interveio e encontrou a terra ind\u00edgena pr\u00f3xima ao Rio Jaci Paran\u00e1, homologada em 1998, para o povo Karipuna, em Rond\u00f4nia. Segundo os ind\u00edgenas, a regi\u00e3o era um seringal. Arip\u00e3 ainda tem o costume de ca\u00e7ar aos 72 anos, momento em que costuma esbarrar nos invasores.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Para mim, o madeireiro n\u00e3o \u00e9 problema. O pasto \u00e9 que acaba com a terra&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"22\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Arip\u00e3 diz que o roubo de madeira existe h\u00e1 mais tempo, mas que agora est\u00e1 acontecendo o loteamento do espa\u00e7o por grileiros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"3\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Batiti, o filho<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"66\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Filho de Arip\u00e3, Batiti fala portugu\u00eas e tupi kawahab. Vive entre a aldeia e Porto Velho. Ele nasceu no meio da floresta. A m\u00e3e saiu para caminhar mata adentro, demorou a chegar, e foi encontrada j\u00e1 com o beb\u00ea. Ele n\u00e3o tem o rosto tatuado &#8211; o respons\u00e1vel pelos desenhos na aldeia morreu antes. Apenas seu pai e sua tia, Katik\u00e1, preservam a pintura no rosto.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"52\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Batiti se casou duas vezes, e tem seis filhos. Por muito tempo foi cacique da terra ind\u00edgena Karipuna em Rond\u00f4nia. Conversa com o pai em tupi e com os filhos em portugu\u00eas. Ajudou a reportagem do <strong>G1<\/strong> a andar dentro do territ\u00f3rio e levou um pendrive com \u201cmais de 2 mil m\u00fasicas\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"46\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;N\u00e3o existe nada mais gostoso do que ouvir um \u2018flashback\u2019 na beira do rio com a gatinha&#8221;, disse enquanto o r\u00e1dio do carro tocava um dos cl\u00e1ssicos da dance music dos anos 90 na playlist um tanto quanto ecl\u00e9tica. Curte ouvir Mar\u00edlia Mendon\u00e7a e pagode antigo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"55\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Batiti instalou uma antena de wi-fi na aldeia. Tamb\u00e9m foi ele que soube de uma invas\u00e3o a 5 quil\u00f4metros do territ\u00f3rio. Foi caminhando pela floresta at\u00e9 o lugar e incendiou o acampamento. Salvou o botij\u00e3o de g\u00e1s do fog\u00e3o que tinham instalado, e o levou nas costas todo o caminho de volta at\u00e9 a aldeia.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"40\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;O grileiro que vem, grila a terra, e vende pro terceiro. E a\u00ed o grileiro vem e ro\u00e7a, que \u00e9 o servi\u00e7o deles. Ele pega a terra, sabendo que \u00e9 terra ind\u00edgena, e vende mesmo assim para terceiro&#8221;, explica Batiti.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"26\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Ali pra cima [parte sul do territ\u00f3rio] tem um monte de lotes. A pol\u00edcia andou batendo aqui, a\u00ed eles se foram. Mas eles sempre voltam&#8221;.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"2\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<div class=\"mc-column content-media content-video\" data-block-type=\"backstage-video\">\n<div class=\"content-media__container\">\n<div class=\"content-video__bigger-player-description-fixer content-media__container--loaded\">\n<div class=\"content-video__height\"><\/div>\n<div class=\"content-video__placeholder\" data-video-id=\"7969205\"><img decoding=\"async\" class=\"content-video__placeholder__thumb\" title=\"\u00cdndios Karipuna relatam invas\u00f5es e grilagem dentro de territ\u00f3rio\" src=\"https:\/\/s02.video.glbimg.com\/x720\/7969205.jpg\" alt=\"\u00cdndios Karipuna relatam invas\u00f5es e grilagem dentro de territ\u00f3rio\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"content-media__description\">\u00cdndios Karipuna relatam invas\u00f5es e grilagem dentro de territ\u00f3rio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"2\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Eric, neto<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"41\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Filho de Batiti e neto de Arip\u00e3, n\u00e3o aprendeu a falar tupi e \u00e9 filho de m\u00e3e branca. Em um determinado momento foi embora definitivamente da aldeia e ficou 10 anos fora. Estudou em Porto Velho. Quando soube das amea\u00e7as, voltou.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">\u201cA diferen\u00e7a entre n\u00f3s \u00e9 que eles viviam num tempo menos burocr\u00e1tico. N\u00e3o tinha invas\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"21\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Hoje \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o do Povo Karipuna e, junto com outros \u00edndios, tenta parcerias para proteger os 58 ind\u00edgenas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"19\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;A gente \u00e9 pequeno, mas \u00e9 mais unido. A gente sempre busca o mesmo objetivo de proteger o territ\u00f3rio&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karipunas vivem na terra ind\u00edgena mais amea\u00e7ada do Brasil por queimadas no entorno. A\u00e7\u00e3o de madeireiros e grileiros amea\u00e7a o pequeno grupo de sobreviventes deste povo. Entre seis meses e tr\u00eas anos de idade, os nascidos karipuna eram tatuados com espinhos no rosto. 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