{"id":6859,"date":"2019-11-05T19:07:24","date_gmt":"2019-11-05T22:07:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=6859"},"modified":"2019-11-05T19:07:24","modified_gmt":"2019-11-05T22:07:24","slug":"xingu-rumo-ao-fogo-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/xingu-rumo-ao-fogo-zero\/","title":{"rendered":"Xingu rumo ao fogo zero"},"content":{"rendered":"<article>\n<section class=\"ct cu cv cw cx\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<p id=\"c320\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\"><em class=\"fx\"><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Xingu-rumo-ao-fogo-zero.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6860\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Xingu-rumo-ao-fogo-zero-300x103.png\" alt=\"Xingu rumo ao fogo zero\" width=\"300\" height=\"103\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Xingu-rumo-ao-fogo-zero-300x103.png 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Xingu-rumo-ao-fogo-zero-700x240.png 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Xingu-rumo-ao-fogo-zero-220x75.png 220w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Xingu-rumo-ao-fogo-zero.png 730w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No Xingu, povos ind\u00edgenas enfrentam crise clim\u00e1tica e reduzem drasticamente as queimadas descontroladas em seu territ\u00f3rio<\/em><\/p>\n<p id=\"e664\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Por Clara Roman, jornalista do ISA<br \/>\nV\u00eddeo: Manoela Meyer\/ISA<\/p>\n<p id=\"7ef3\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cTodos n\u00f3s vamos morrer com a quentura\u201d, afirma o cacique Yantan\u00efpo Ikpeng, ainda que, \u00e0s sete da manh\u00e3, o ar esteja fresco na aldeia Moygu, Territ\u00f3rio Ind\u00edgena do Xingu (TIX).Yantan\u00efpo, mais conhecido como Melob\u00f3, est\u00e1 preocupado. \u201cA gente tem medo que os animais acabem, os frutos caiam, os peixes morram\u201d, diz.<\/p>\n<p id=\"ab7d\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">A preocupa\u00e7\u00e3o levou os \u00edndios a agir e fez com que o fogo que atingiu grandes por\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia em 2019 n\u00e3o chegasse na terra dos Ikpeng, no M\u00e9dio Xingu, estado do Mato Grosso. Desde 2010, os ind\u00edgenas t\u00eam adaptado suas pr\u00e1ticas tradicionais \u00e0s mudan\u00e7as do clima, e tomado medidas para prevenir que o uso que fazem do fogo n\u00e3o crie inc\u00eandios acidentais. \u201cHoje a gente t\u00e1 tomando muito cuidado com o uso do fogo. Porque estava trazendo muito preju\u00edzo, destruindo nossos recursos naturais\u201d, explica Antenu Ikpeng, que \u00e9 brigadista do PrevFogo. \u201cA floresta \u00e9 nosso mercado\u201d. Da floresta, eles tiram alimento, ervas medicinais e os materiais de constru\u00e7\u00e3o para as casas da aldeia.<\/p>\n<p id=\"0e03\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Os ind\u00edgenas sempre usaram o fogo para o plantio, no manejo de suas ro\u00e7as tradicionais e em outras atividades, como coletar materiais para constru\u00e7\u00e3o das casas e em suas pescarias. Mas nos \u00faltimos anos, eles come\u00e7aram a perceber uma mudan\u00e7a na mata. Antes \u00famida, tornou-se seca e inflam\u00e1vel, fazendo com que o fogo saia de controle. Ap\u00f3s um grande inc\u00eandio em 2010, eles resolveram alterar algumas de suas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy gm gn paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl gg\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"gr r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1914\/1*qXGqlYhodsoXev8f1SDODA.jpeg\" alt=\"\" width=\"1914\" height=\"1076\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Divisa ente Territ\u00f3rio Ind\u00edgena do Xingu e entorno mostra contraste entre a floresta e a planta\u00e7\u00e3o. | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<p id=\"cd88\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Com o apoio do ISA, as comunidades encamparam o projeto \u201cManejo do Fogo\u201d, que trabalha com o manejo de fogo juntos aos povos do M\u00e9dio, Baixo e Alto Xingu, dentro do TIX. Em 2015, esse trabalho se intensificou com aporte do Fundo Nacional sobre Mudan\u00e7as do Clima. Al\u00e9m de articula\u00e7\u00f5es com o PrevFogo, e a\u00e7\u00f5es transversais em todo o territ\u00f3rio, a equipe do ISA atuou diretamente com a\u00e7\u00f5es no ch\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de acordos comunit\u00e1rios em aldeias dos povos Ikpeng, Kawaiwete, Yudja, Trumai, Wauja e Matipu. Em todos esse lugares, houve redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos focos de calor nos \u00faltimos anos. O projeto tamb\u00e9m trabalha com monitoramento dos focos de calor e \u00e1rea impactada, via informa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite.<\/p>\n<h1 id=\"2fd2\" class=\"gs gt dy bj bi gu gv gw gx gy gz ha hb hc hd he hf\" data-selectable-paragraph=\"\">Assista ao v\u00eddeo:<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy\">\n<div class=\"dg r dh\">\n<div class=\"hg r\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"co t u dc ak\" title=\"YouTube\" src=\"https:\/\/cdn.embedly.com\/widgets\/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Do9HlrtOfFdM&amp;src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fo9HlrtOfFdM&amp;type=text%2Fhtml&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;schema=youtube\" width=\"854\" height=\"480\" frameborder=\"0\" scrolling=\"auto\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<p id=\"a764\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">At\u00e9 o s\u00e9culo XX, todo o entorno do TIX tamb\u00e9m era floresta. Ent\u00e3o, as \u00e1rvores foram sendo derrubadas para dar lugar \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de soja, milho, gergelim e algod\u00e3o, entre outras monoculturas. O desmatamento do entorno, aliado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, alterou tamb\u00e9m o ambiente dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena, o \u00fanico lugar onde sobrou floresta, e o fogo come\u00e7ou a perder o controle. \u201cO sol ficou muito quente, favorecendo os inc\u00eandios. Isso a gente acredita que \u00e9 uma influ\u00eancia causada pelos homens brancos, que desmataram a floresta\u201d, afirma Magar\u00f3 Ikpeng. \u201cAntes, o fogo n\u00e3o se alastrava\u201d, diz ela.<\/p>\n<p id=\"846d\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cO trabalho do ISA\u201d, diz K\u00e1tia Ono, a coordenadora do projeto, \u201cfoi \u201ccolocar o dedo na ferida\u201d. Os ind\u00edgenas descobriram onde estavam os problemas e onde poderiam encontrar as solu\u00e7\u00f5es. A partir da\u00ed, eles foram testando outras maneiras de trabalhar com o fogo. Foi assim que surgiram novas pr\u00e1ticas de manejo, baseadas em um arcabou\u00e7o cultural acumulado e atualizado por s\u00e9culos para se adaptar aos tempos de agora.<\/p>\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy dn hi cc hj hk hl hm hn az ho hp hq hr hs ht paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl hh\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1792\/1*XuW_oapy7zk1JqqfHNisCg.jpeg\" alt=\"\" width=\"1792\" height=\"1008\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Doni Ikpeng | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"4e28\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cDemorou quatro, cinco anos para gente convencer os mais velhos. Que principalmente ocorria inc\u00eandio nas limpezas das ro\u00e7as. A gente explicou para eles que n\u00e3o podia ser assim, porque se pegava fogo na mata a gente ia perdendo tudo, perdendo floresta\u201d, conta Doni Ikpeng. Foi muita conversa, palestra na escola. Mas que deu resultado. \u201cHoje, na aldeia Moygu, a gente quer que tenha inc\u00eandio zero\u201d, afirma.<\/p>\n<blockquote class=\"hu\">\n<div id=\"74c4\" class=\"hv hw hx bj dz b hy hz ia ib ic id fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<p class=\"dz b ie if bn\">\u201cHoje, na aldeia Moygu, a gente quer que tenha inc\u00eandio zero\u201d, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p id=\"b7bf\" class=\"fj fk dy bj fl b fm ig fo ih fq ii fs ij fu ik fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Os dados confirmam os relatos. Em 2010, no M\u00e9dio e Baixo Xingu, regi\u00f5es alvo do projeto, cerca de 100,2 mil hectares viraram cinzas. No ano seguinte, esse n\u00famero caiu para 16,5 mil ha. Em 2016, quando o Alto Xingu teve 210 mil hectares queimados, o M\u00e9dio e Baixo tiveram apenas 7 mil. Em 2018, as regi\u00f5es do M\u00e9dio e Baixo Xingu, dentro do TIX, zerou o n\u00famero de inc\u00eandios. Em 2019, mesmo com o pico de fogos em toda a Amaz\u00f4nia, essa parte do Xingu teve apenas 1.600 hectares queimados .<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy gm gn paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl il\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1920\/1*LCL8UExzCIDAX90pxyTJzQ.png\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">\u00c1rea florestal atingida por inc\u00eandios no M\u00e9dio Xingu, regi\u00e3o onde vivem os ikpeng<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<p id=\"2420\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">As solu\u00e7\u00f5es, na maior parte dos casos, vieram dos pr\u00f3prios ind\u00edgenas. Os Ikpeng, por exemplo, mudaram a maneira de construir suas casas. Antes, os telhados eram feitos de sap\u00ea, uma palha que \u00e9 um tipo de capim altamente inflam\u00e1vel. Trocaram por inaj\u00e1, uma palmeira que tamb\u00e9m serve para os telhados, mas que n\u00e3o precisa ser queimada todo ano para aparecer e crescer.<\/p>\n<p id=\"e753\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">O sap\u00ea, inclusive, virou um grande desafio, porque ele gosta de crescer onde pegou fogo, e acaba impedindo a recupera\u00e7\u00e3o da floresta. Nas imedia\u00e7\u00f5es da aldeia Moygu, um grande sapezal cresceu em uma \u00e1rea atingida por queimadas. Agora, j\u00e1 faz ao menos cinco anos que eles conseguiram controlar focos de inc\u00eandio na zona e, onde antes s\u00f3 tinha sap\u00ea, a floresta est\u00e1 renascendo.<\/p>\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy ck cl paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl il\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1920\/1*PtE8jEum15kuP0CEckN4Vg.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">\u00c1rea de sapezal: depois de anos sem nenhum inc\u00eandio, mata come\u00e7a a se regenerar | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"ae6f\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Nessa hora, entra em jogo o vasto conhecimento de manejo da floresta da parte dos ind\u00edgenas, que plantaram pequis e mangabeiras, \u00e1rvores cujas folhas, devido suas propriedades qu\u00edmicas, quando caem no ch\u00e3o, impedem o sap\u00ea de vingar. Aos poucos, outras plantas se desenvolvem<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<div class=\"gh gi gj gk gl n im\">\n<figure class=\"cz cy in io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1920\/1*NS4cqWjh-olPXDDs_2o6cg.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<figure class=\"cz cy in io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/2048\/1*0sukaN2tFVBHBmyPPeFCiA.jpeg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1152\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du iq dh ir is\" data-selectable-paragraph=\"\">Ikpeng alteraram a maneira de construir suas casas, utilizando o inaj\u00e1 no lugar do sap\u00ea<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<figure class=\"cz cy gm gn paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl il\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1920\/1*lYL2hpekiaow5WGUin8Pbw.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Vista a\u00e9rea de casa tradicional Ikpeng | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<p id=\"1018\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cAtualmente as pessoas est\u00e3o mais conscientes para n\u00e3o fazer queimada. Qualquer atividade com fogo eles se preocupam, apagam\u201d, explica Magar\u00f3. \u201cVoc\u00eas viram aquele lugar do sapezal? Pegou fogo umas tr\u00eas, quatro vezes. Estava se recuperando, pegou fogo. Depois estava se recuperando de novo, pegou fogo.Tem mais sap\u00ea do que \u00e1rvore. Mas l\u00e1, bem l\u00e1 no fundo, eu vi que est\u00e1 come\u00e7ando a recuperar. A gente s\u00f3 n\u00e3o pode mais deixar queimar, para a natureza se recuperar\u201d, diz ela.<\/p>\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy ck cl paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl it\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"iu r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1475\/1*9LxmpYaACHexGinnuWE1uA.jpeg\" alt=\"\" width=\"1475\" height=\"830\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Akuyalu Txicao | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"b2eb\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cAgora que a gente conseguiu deixar a floresta sem queimar, est\u00e1 tudo se recuperando. Se regenerando, t\u00e1 tudo bonito e a gente fica muito feliz com isso.\u201d, diz Akuyalu Txicao.<\/p>\n<p class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Acampamento na mata durante timb\u00f3 | Manoela Meyer\/ISA<\/p>\n<p class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u00c0s 7 da manh\u00e3, as fam\u00edlias come\u00e7am a deixar o acampamento e voltar para a aldeia. As crian\u00e7as ajudam e v\u00e3o buscar \u00e1gua da lagoa para apagar as fogueiras. Nem uma brasa pode restar acesa. Antigamente, os ind\u00edgenas n\u00e3o tinham que se preocupar com isso porque a folhagem que encobre o solo, a serrapilheira, era muito \u00famida, e o fogo apagava sozinho. S\u00f3 que, com a mudan\u00e7a do clima, eles passaram a se preocupar com as brasas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<div class=\"gh gi gj gk gl n im\">\n<figure class=\"cz cy iv io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\"><\/div>\n<\/figure>\n<figure class=\"cz cy iv io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/3840\/1*e7x1F3PErUpuzM-UxsBtyQ.jpeg\" alt=\"\" width=\"3840\" height=\"2160\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<figure class=\"cz cy iv io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\"><\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du iw dh ix is\" data-selectable-paragraph=\"\">Ikpeng alteraram suas pr\u00e1ticas e passaram a apagar as fogueiras ap\u00f3s o timb\u00f3, uma a uma | Clara Roman\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<p id=\"e65a\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cNo timb\u00f3, a gente n\u00e3o preocupava com o fogo. Tinha certeza de que o fogo morreria ali naquele local, tinha a umidade e o fogo n\u00e3o penetrava nas folhas debaixo do solo. Hoje a gente preocupa muito, a gente n\u00e3o deixa nem um pouco de fuma\u00e7a saindo. A gente sabe que deixando um pouquinho de fuma\u00e7a pode ter fogo e causar inc\u00eandio florestal.\u201d, explica Doni.<\/p>\n<h1 id=\"be69\" class=\"gs gt dy bj bi gu gv gw gx gy gz ha hb hc hd he hf\" data-selectable-paragraph=\"\"><strong class=\"ay\">Fogo para plantar<\/strong><\/h1>\n<p id=\"5e03\" class=\"fj fk dy bj fl b fm iy fo iz fq ja fs jb fu jc fw\" data-selectable-paragraph=\"\">O manejo do fogo para o plantio das ro\u00e7as \u00e9 uma pr\u00e1tica milenar. O fogo limpa a \u00e1rea da ro\u00e7a, garante a abertura de luz e a fertilidade para a esp\u00e9cie agr\u00edcola. Depois de cortar as \u00e1rvores maiores e botar fogo, \u00e9 hora de plantar. Ap\u00f3s dois anos, a \u00e1rea \u00e9 abandonada para que a floresta se regenere. E \u00e9 o fogo usado na abertura da ro\u00e7a que garante a germina\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies que v\u00e3o reflorestar, e que tamb\u00e9m v\u00e3o atrair a ca\u00e7a. Isso tudo sem uma gota de agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p id=\"2730\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Esse momento da queima \u00e9 delicado para os Ikpeng. Queimar antes ou depois da hora pode colocar tudo a perder, prejudicando a alimenta\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias durante todo o ano. Antigamente, os sinais eram claros: o ip\u00ea amarelo florava. Quando as flores ca\u00edam e as cigarras come\u00e7avam a cantar, era hora de queimar a ro\u00e7a. Em poucos dias, eles sabiam que ca\u00edria a primeira chuva, encerrando o longo per\u00edodo de seca da regi\u00e3o, e impedindo que o fogo se alastrasse.<\/p>\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy dn hi cc hj hk hl hm hn az ho hp hq hr hs ht paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl jd\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"je r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1548\/1*PRJI3O-bv21Zsi-amn9A8w.jpeg\" alt=\"\" width=\"1548\" height=\"871\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Antenu Ikpeng | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"a5aa\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Agora, tudo mudou, porque as primeiras chuvas come\u00e7am cada vez mais tarde. \u201cA gente via cigarra cantar, via a flor do ip\u00ea como sinal. E hoje a gente espera a primeira, segunda chuva, pra queimar com medo que fogo se alastre na mata\u201d, explica Antenu. \u201cHoje se a gente queimar a ro\u00e7a e plantar nesse calorz\u00e3o todo, a rama de mandioca n\u00e3o brota, a semente de melancia queima. Porque a terra t\u00e1 muito quente.\u201d<\/p>\n<p id=\"677e\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Tamb\u00e9m passaram a fazer aceiros em todas as ro\u00e7as. O aceiro \u00e9 um longo corredor ao redor do lugar que ser\u00e1 queimado, de onde os ind\u00edgenas tiram toda a vegeta\u00e7\u00e3o e as folhas do ch\u00e3o. Um lugar sem nenhum material org\u00e2nico, que impede que o fogo da ro\u00e7a atravesse para a mata. \u201cEu fiquei feliz com esse aceiro\u201d, conta Yaku\u00f1a Ikpeng, da aldeia Aray\u00f3. De um lado, a mata intocada. Do outro, uma \u00e1rea carbonizada, onde em breve a ro\u00e7a ser\u00e1 plantada. \u201dCada dono de ro\u00e7a faz o seu aceiro. Muitas vezes a gente se re\u00fane, e cada um vai com a fam\u00edlia, com a esposa, com os filhos, ou sozinho, e a\u00ed limpa, corta e rastela. Vai limpando\u201d, explica Yakun\u00e3.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy gm gn paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl il\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1920\/1*8wvsjoWl5vC_bi22uWbg7w.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Aceiro feito para queima da ro\u00e7a impede que o fogo se alastre pela floresta | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<p id=\"74e6\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cCom conhecimento do branco a gente adotou a fala \u201caceiro\u201d. Hoje voc\u00ea v\u00ea todas as ro\u00e7as que a gente queima com aceiro. Voc\u00ea via antigamente que os Ikpengs queimavam a ro\u00e7a e largava e o fogo morria l\u00e1 mesmo\u201d, explica Antenu.<\/p>\n<p id=\"579c\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">Os Ikpeng tamb\u00e9m alteraram o hor\u00e1rio de queima das ro\u00e7as. Antes, era sempre na hora do sol mais forte. Agora, preferem o fim de tarde. \u201cAgora a gente tem a paci\u00eancia de usar o fogo de forma correta, manejando ele. Derruba uma \u00e1rea e faz aceiro e queima s\u00f3 aquela ro\u00e7a. N\u00e3o fica queimando, tocando fogo e deixando a ro\u00e7a queimar e o fogo se alastrar\u201d, explica Akuyalu Txicao, lideran\u00e7a da aldeia Aray\u00f3.<\/p>\n<p id=\"2fc9\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cAntigamente, depois que faziam fogo com galhos de urucum, pegavam tochas ou galhos, folhas de palmeira bacaba, e iam queimando a ro\u00e7a. A ro\u00e7a queimava bem e s\u00f3 um pouquinho da beira e o fogo j\u00e1 apagava. Mas atualmente meu pai fala que o fogo est\u00e1 diferente. Qualquer coisa que voc\u00ea queima o fogo j\u00e1 vira um inc\u00eandio. Voc\u00ea queima um lixo ali, n\u00e3o cuida, j\u00e1 vira inc\u00eandio. O fogo n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo\u201d, afirma Magar\u00f3.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"fy fz ga gb gc gd ag ge ah gf aj ak\">\n<div class=\"gh gi gj gk gl n im\">\n<figure class=\"cz cy iv io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\"><\/div>\n<\/figure>\n<figure class=\"cz cy iv io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\"><\/div>\n<\/figure>\n<figure class=\"cz cy iv io gn gm ip paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1920\/1*Tm13Wj3NFQK0_pPeE0HfiA.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du iw dh ix is\" data-selectable-paragraph=\"\">Yakun\u00e3 Ikpeng mostra como fazer rastelo para retirar folhas secas do aceiro | Kamatxi Ikpeng<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah dv aj ak\">\n<h1 id=\"a912\" class=\"gs gt dy bj bi gu gv gw gx gy gz ha hb hc hd he hf\" data-selectable-paragraph=\"\"><strong class=\"ay\">Voc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o destru\u00edram o suficiente?<\/strong><\/h1>\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy dn hi cc hj hk hl hm hn az ho hp hq hr hs ht paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"ck cl il\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"dj r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1920\/1*ORnPXDmlFoK26tBh8mTOow.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Magar\u00f3 Ikpeng | Manoela Meyer\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"0649\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cMuitas vezes os n\u00e3o-ind\u00edgenas falam para n\u00f3s: porque voc\u00eas est\u00e3o protegendo a floresta? Porque querem manter a floresta em p\u00e9? A gente fala: mas voc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o destru\u00edram o suficiente?\u201d, questiona Magar\u00f3. Os Ikpeng foram obrigados a abandonar seu territ\u00f3rio tradicional na d\u00e9cada de 1960, quando foram transferidos para o Parque Ind\u00edgena do Xingu. A \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o ancestral tornou-se pasto. \u201cVoc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o destru\u00edram o nosso antigo territ\u00f3rio? Onde moravam meus antepassados, meus av\u00f3s, meus bisav\u00f3s? N\u00f3s fomos transferidos para o Xingu, a gente mora aqui agora, porque o nosso territ\u00f3rio original voc\u00eas destru\u00edram\u201d.<\/p>\n<p id=\"c52a\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">O cacique Melob\u00f3 foi um dos que nasceu no antigo territ\u00f3rio, e teve que se mudar para o Xingu. \u201cN\u00f3s n\u00e3o queimamos nem destru\u00edmos. A gente sabe proteger nosso mato\u201d, afirma. \u201cO governo est\u00e1 destruindo tudo. Ele n\u00e3o quer ver o mato em p\u00e9. E como vai ficar meus netos com essa pol\u00edtica de hoje?\u201d.<\/p>\n<p id=\"3e06\" class=\"fj fk dy bj fl b fm fn fo fp fq fr fs ft fu fv fw\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cA gente n\u00e3o protege a floresta s\u00f3 pela floresta, mas pelo futuro dos nossos filhos, dos nossos netos. A floresta \u00e9 a casa deles, a comida deles, a medicina deles. Assim como voc\u00eas protegem a casa de voc\u00eas. A gente n\u00e3o quer mais ouvir voc\u00eas falando: porque voc\u00eas querem a floresta em p\u00e9?\u201d, conclui Magar\u00f3.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cy ak\">\n<figure class=\"gh gi gj gk gl cy ak paragraph-image\">\n<div class=\"go gp dh gq ak\">\n<div class=\"dg r dh di\">\n<div class=\"jf r\">\n<div class=\"da db co t u dc ak dd de df\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mm og co t u dc ak dn\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/3992\/1*OFQn2KTIzXLDfXSbRFqV0g.jpeg\" alt=\"\" width=\"3992\" height=\"2242\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bn do dp dq dr cm ck cl ds dt bi du\" data-selectable-paragraph=\"\">Vista a\u00e9rea da aldeia Moygu e entorno, Territ\u00f3rio Ind\u00edgena do Xingu | Fernanda Ligabue\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/article>\n<div class=\"da cs jg s ak jh ji jj\" data-test-id=\"post-sidebar\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah ai aj ak\">\n<div class=\"jk n cn\">\n<div class=\"cs\">\n<div class=\"jl jm jn n\">\n<div class=\"n o\">\n<div class=\"jo r dh\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Xingu, povos ind\u00edgenas enfrentam crise clim\u00e1tica e reduzem drasticamente as queimadas descontroladas em seu territ\u00f3rio Por Clara Roman, jornalista do ISA V\u00eddeo: Manoela Meyer\/ISA \u201cTodos n\u00f3s vamos morrer com a quentura\u201d, afirma o cacique Yantan\u00efpo Ikpeng, ainda que, \u00e0s sete da manh\u00e3, o ar&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,29,35],"tags":[1446],"class_list":["post-6859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-area-1","category-mato-grosso","category-meio-ambiente","tag-crise-climatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6859"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6859\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6861,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6859\/revisions\/6861"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}