{"id":6929,"date":"2019-12-10T07:00:30","date_gmt":"2019-12-10T10:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=6929"},"modified":"2019-12-10T07:00:30","modified_gmt":"2019-12-10T10:00:30","slug":"na-amazonia-a-floresta-esta-a-venda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/na-amazonia-a-floresta-esta-a-venda\/","title":{"rendered":"Na Amaz\u00f4nia, a floresta est\u00e1 \u00e0 venda"},"content":{"rendered":"<div class=\"summary\"><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Na-Amazonia-a-floresta-esta-a-venda.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6930\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Na-Amazonia-a-floresta-esta-a-venda.jpg\" alt=\"Na Amazonia a floresta esta a venda\" width=\"700\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Na-Amazonia-a-floresta-esta-a-venda.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Na-Amazonia-a-floresta-esta-a-venda-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Na-Amazonia-a-floresta-esta-a-venda-220x137.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/em><\/div>\n<div class=\"summary\"><em>S\u00e9rie especial do ISA analisa \u201cefeito Bolsonaro\u201d sobre aumento da destrui\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do planeta. Primeira reportagem mostra como novo discurso aqueceu mercado ilegal de terras p\u00fablicas e impulsionou desmatamento em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.<\/em><\/div>\n<p>Em ano de recorde de desmatamento na Amaz\u00f4nia, as \u00e1reas protegidas &#8211; Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) e Terras Ind\u00edgenas (TIs) &#8211; tamb\u00e9m sofreram com a derrubada de floresta. An\u00e1lise do ISA, feita a partir dos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica um aumento de 69% do desmatamento em UCs federais e de 24% em UCs estaduais. Os dados consideraram o desmatamento entre agosto de 2018 e julho de 2019.<\/p>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p><strong>Leia as mat\u00e9rias da s\u00e9rie especial:<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/blog\/blog-do-xingu\/xingu-concentra-as-cinco-terras-indigenas-mais-desmatadas-da-amazonia\">Xingu concentra as cinco Terras Ind\u00edgenas mais desmatadas da Amaz\u00f4nia<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Ainda assim, as \u00e1reas protegidas continuam funcionando como importantes barreiras contra o avan\u00e7o da destrui\u00e7\u00e3o, O desmatamento est\u00e1 concentrado em poucas UCs: 15 UCs federais e cinco UCs estaduais concentram 90% do desmatamento. O desmatamento nessas \u00e1reas representa 13,6% do total de toda a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o, discursos pr\u00f3-desmatamento do presidente Jair Bolsonaro, e inten\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas estimularam a alta e se somaram a problemas hist\u00f3ricos que j\u00e1 ocorriam em algumas regi\u00f5es cr\u00edticas. Propostas de altera\u00e7\u00e3o de limites das reservas criam uma corrida para roubar de terras p\u00fablicas: a grilagem. \u201cQuinze das 20 UCs com maiores \u00e1reas desmatadas j\u00e1 tiveram processo ou proposta para altera\u00e7\u00e3o de seus limites. Existe uma clara rela\u00e7\u00e3o entre grilagem, atividades ilegais e desmatamento no interior de UCs\u201d, explicou Antonio Oviedo, pesquisador do ISA. Segundo fontes locais, a especula\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria cresce com o desmonte dos \u00f3rg\u00e3os ambientais do pa\u00eds. A perspectiva de impunidade movimenta a expectativa das pessoas e estimula o roubo de terras.<br \/>\n<a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/prodes2019_uc500px_1.png?itok=i8ESXax6\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/prodes2019_uc500px_1.png?itok=rhpLjkYp\" alt=\"\" \/><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 o caso da <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/4445\">Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim<\/a>, localizada no entorno da BR-163, no Par\u00e1. A Flona foi campe\u00e3, entre as UCs federais, do desmatamento no per\u00edodo, com 10.097 hectares derrubados. Em 2017, uma Medida Provis\u00f3ria (MP) chegou a prever uma redu\u00e7\u00e3o de 57% da \u00e1rea original da Flona. A MP n\u00e3o foi aprovada, mas foi transformada em um projeto de lei, ainda em tramita\u00e7\u00e3o, o que gera a expectativa de redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Maur\u00edcio Torres, pesquisador da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), a perspectiva de mudan\u00e7a na \u00e1rea da Flona alimenta um mercado de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e de roubo de terras p\u00fablicas. O desmatamento, segundo ele, \u00e9 um instrumento de controle territorial. Ou seja, com a aus\u00eancia do Estado e de fiscaliza\u00e7\u00e3o, quem desmata torna-se propriet\u00e1rio irregular daquele peda\u00e7o de terra, na expectativa de ganhar o territ\u00f3rio caso haja a desafeta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Flona do Jamaxim | Victor Moriyama \/ Greenpeace\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs42273_gp0stts24_pressmedia-lpr.jpg?itok=wDOOhtg6\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Flona do Jamaxim \" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/rs42273_gp0stts24_pressmedia-lpr.jpg?itok=NZKhey6a\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Flona do Jamaxim | Victor Moriyama \/ Greenpeace\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs42273_gp0stts24_pressmedia-lpr.jpg?itok=wDOOhtg6\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><span class=\"image-caption\">Flona do Jamaxim <\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Pesquisadores v\u00eam comprovando a rela\u00e7\u00e3o entre medidas ou propostas de redu\u00e7\u00e3o, recategoriza\u00e7\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas e as invas\u00f5es a essas \u00e1reas. Se pol\u00edticos e autoridades sinalizam nesse sentido, as invas\u00f5es tendem a aumentar sob a expectativa da legaliza\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o e roubo de terras nesses territ\u00f3rios. O desmatamento acaba sendo uma das maneiras de tentar comprovar a posse efetiva dentro das invas\u00f5es.<\/p>\n<p>O perfil da ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem variado: comerciantes, grileiros, membros de organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Mas todos t\u00eam se beneficiado com o aumento do fluxo da soja, consequ\u00eancia do asfaltamento da rodovia, que \u00e9 uma das principais rotas de escoamento do gr\u00e3o produzido no Mato Grosso. A BR-163 conecta essas fazendas com o porto de Miritituba, no Par\u00e1. \u201cQuando voc\u00ea pavimenta, aumenta o tr\u00e2nsito por ela, e isso aquece violentamente o mercado de terras na regi\u00e3o que ela atravessa\u201d, disse Torres.<\/p>\n<p>Outras UCs nas proximidades da rodovia tamb\u00e9m constam entre as 10 mais desmatadas. \u00c9 o caso da <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/1327\">Flona de Itaituba II<\/a>, a <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/4446\">Flona de Trair\u00e3o<\/a>, o <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/4447\">Parque Nacional de Jamanxim (Parna)<\/a> (veja tabela).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Desmatamento em UCs- 2019\" src=\"https:\/\/e.infogram.com\/c522daca-2ea2-43bd-bad5-5e6a8f734880?src=embed\" width=\"700\" height=\"1526\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h2>Bacia do Xingu<\/h2>\n<p>Na por\u00e7\u00e3o paraense da Bacia do Rio Xingu, est\u00e1 a UC com a mais alta taxa de desmatamento no per\u00edodo: a <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/4644\">\u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Triunfo do Xingu<\/a>, com 44.010 hectares ha de floresta destru\u00eddos. Em seu interior, foi registrado o maior pol\u00edgono de desmatamento em 2019, com cerca de 4.900 ha hectares.<\/p>\n<p>O Sirad X, sistema de detec\u00e7\u00e3o por radar de desmatamento da Rede Xingu +, vem denunciando o problema para os \u00f3rg\u00e3os de controle desde o in\u00edcio do ano. O principal vetor de desmatamento na APA Triunfo do Xingu \u00e9 a expectativa de regulariza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas griladas promovida pelos governos estaduais e federal. Leia <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/blog\/blog-do-xingu\/a-cada-minuto-533-arvores-sao-derrubadas-no-xingu\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o essenciais para combater as atividades ilegais: ap\u00f3s uma a\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o realizada em setembro, o desmatamento na APA caiu 72% no m\u00eas seguinte. Elis Ara\u00fajo, advogada do ISA, aponta que sem um plano de manejo para ordenar a ocupa\u00e7\u00e3o na APA, \u201copera\u00e7\u00f5es pontuais sem uma presen\u00e7a permanente dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o garantem a prote\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>A UC \u00e9 vizinha de outras \u00e1reas protegidas que comp\u00f5em o Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental &#8211; <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/4263\">Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica (Esec) Terra do Meio<\/a>, <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/4265\">Parque Nacional (Parna)Serra do Pardo<\/a> e <a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/es\/terras-indigenas\/3731\">Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3<\/a>. \u201cA magnitude do desmatamento na APA fez com que as atividades ilegais que historicamente aconteceram dentro dessa UC virassem um problema regional que amea\u00e7a todas as \u00e1reas protegidas de seu entorno\u201d, pondera Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>No Xingu, a Esec Terra do Meio, a <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/1328\">Flona de Altamira<\/a> e a <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/4248\">Reserva Extrativista (Resex) Riozinho do Anfr\u00edsio<\/a>tamb\u00e9m entraram no ranking das 10 UCs federais mais desmatadas.<\/p>\n<h2>Rond\u00f4nia e Sul do Amazonas<\/h2>\n<p>Em Rond\u00f4nia, outro polo de devasta\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas das cinco UCs estaduais mais desmatadas est\u00e3o no Estado. S\u00e3o elas a <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/1317\">Resex Rio Preto-Jacund\u00e1<\/a>, com 27.752 hectares desmatados, a <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/arp\/1319\">Resex Jaci-Paran\u00e1<\/a> e a <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/5150\">APA Rio Pardo<\/a>, com 9.483 ha e 2.466 ha desmatados, respectivamente. A <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/639\">Flona do Bom Futuro<\/a> e o Parna Paca\u00e1s Novos, ambos federais, tamb\u00e9m est\u00e3o entre as 10 UCs federais mais desmatadas. O Parna Paca\u00e1s Novos \u00e9 sobreposto \u00e0 Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau. Segundo Ivaneide Bandeira, da organiza\u00e7\u00e3o Kanind\u00e9, que atua no estado, esses n\u00fameros refletem o aumento da grilagem na regi\u00e3o. Tamb\u00e9m em Rond\u00f4nia, um projeto de lei tenta acabar com 11 UCs criadas recentemente, o que torna a situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria ainda mais inst\u00e1vel.<\/p>\n<div class=\"box\">A regi\u00e3o da Flona Bom Futuro e da APA Rio Pardo j\u00e1 \u00e9 palco de disputa h\u00e1 muito tempo. A Flona do Bom Futuro, localizada no munic\u00edpio de Porto Velho e Buritis (RO), foi criada em 1988. O relat\u00f3rio &#8220;O Fim da Floresta?&#8221;, do Grupo de Trabalho Amaz\u00f4nico (GTA) (2008), relata que a invas\u00e3o da \u00e1rea iniciou-se com a retirada de madeira por empresas dos munic\u00edpios de Buritis e Alto Para\u00edso, seguida pelo estabelecimento de loteamentos. Esse hist\u00f3rico de ilegalidade e ocupa\u00e7\u00e3o desordenada transformou a Bom Futuro numa das UCs com maior desmatamento acumulado, o estabelecimento de um assentamento de aproximadamente 5.000 habitantes em seu interior, o distrito de Rio Pardo, e centenas de criadores de gado ilegais, com um rebanho estimado em mais de 35 mil cabe\u00e7as. Em 2010, no contexto da instala\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas do Rio Madeira, permutas de terras da Floresta Nacional Bom Futuro, Esec Cuni\u00e3, Parna Mapinguari e UCs estaduais de uso sustent\u00e1vel, realizadas entre a esfera federal e estadual, proporcionaram altera\u00e7\u00e3o de categoria e esfera de gest\u00e3o de parte das \u00e1reas envolvidas, al\u00e9m de legitimar a ocupa\u00e7\u00e3o na Flona, com a desafeta\u00e7\u00e3o da por\u00e7\u00e3o ocupada convertida nas APA e FES estaduais do Rio Pardo, com \u00e1rea aproximada de 144.417 ha.<\/div>\n<p>\u201cTodas [as UCs] sofrem press\u00e3o de grileiros. A Resex Jaci-Paran\u00e1 tem mais de 100 mil cabe\u00e7as de gado\u201d, explicou Bandeira. Desde a \u00e9poca da elei\u00e7\u00e3o, ela denuncia o aumento de invas\u00f5es na regi\u00e3o e a ousadia de grileiros e madeireiros, empoderados pelo discurso do governo. \u201cA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica. Houve um aumento nas invas\u00f5es tanto por madeireiros, como por grileiros e garimpeiros\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas Uru-eu-wau-wau, que vivem na Terra Ind\u00edgena sobreposta \u00e0 <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/596\">Parna Pac\u00e1as Novos<\/a>, t\u00eam sofrido com as invas\u00f5es e est\u00e3o amedrontados. A TI tamb\u00e9m consta no ranking das 10 mais desmatadas, de acordo com o Prodes. \u201cAs queimadas destru\u00edram \u00e1reas nativas e de castanhais e colocaram em perigo a vida de milhares de animais, muitos destes amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. A inseguran\u00e7a na regi\u00e3o coloca a vida de todos em perigo\u201d, lamentou ela.<\/p>\n<p>Segundo Antonio Oviedo, as queimadas que chocaram o Brasil e o mundo no segundo semestre deste ano foram consequ\u00eancia direta do aumento do desmatamento. A floresta tropical preservada dificilmente pega fogo. J\u00e1 a floresta degradada ou derrubada, \u00e9 altamente inflam\u00e1vel. Veja <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/isa-mostra-terras-indigenas-mais-afetadas-por-incendios-na-amazonia-brasileira\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Uma for\u00e7a-tarefa do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) realizou quatro grandes opera\u00e7\u00f5es para combater as invas\u00f5es em TIs e UCs do estado. Ao todo, 30 pessoas e oito empresas foram denunciadas por crimes como invas\u00e3o de TIs, lavagem de dinheiro, organiza\u00e7\u00e3o criminosa, dano ambiental, entre outros. \u201cNo Paca\u00e1s, os grileiros s\u00e3o orientados pela Asprorib, que \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de produtores rurais. V\u00e1rios foram presos na \u00faltima opera\u00e7\u00e3o que teve na \u00e1rea\u201d, contou Bandeira.<\/p>\n<h2>Mato Grosso e sul do Amazonas<\/h2>\n<p>No Mato Grosso, a Resex Guariba-Roosevelt teve 2.635 hectares derrubados. Segundo fontes locais, os madeireiros est\u00e3o roubando toda a madeira \u00e0s margens do Rio Guariba, pr\u00f3ximo \u00e0 Colniza. A madeira roubada \u00e9 esquentada por meio de documentos de origem florestal (DOFs) e depois vendida como madeira legalizada.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o em Rond\u00f4nia e Mato Grosso \u00e9 tanta que grupos de fazendeiros desses estados est\u00e3o seguindo a rota da derrubada, na dire\u00e7\u00e3o norte. Segundo fontes locais, o gado \u201cserve para amansar o solo\u201d. Depois de alguns anos, as \u00e1reas desmatadas s\u00e3o usadas para o plantio de soja. Por isso, os fazendeiros avan\u00e7am para outras \u00e1reas para a cria\u00e7\u00e3o de gado. O novo alvo \u00e9 o sul do Amazonas, que sofre h\u00e1 alguns anos com o aumento do desmatamento e da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Com o discurso do governo, a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e a perspectiva de mudan\u00e7a legal, o mercado de terras se aquece, e grileiros invadem terras p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/4848\">Flona de Aripuan\u00e3<\/a> \u00e9 um exemplo. Foram 738 hectares derrubados, um aumento de 251% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Dois anos sem fiscaliza\u00e7\u00e3o consolida a grilagem, explicam fontes locais. O <a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/arp\/4483\">Parque Nacional Campos Amaz\u00f4nicos<\/a>, outro exemplo, que tamb\u00e9m fica na regi\u00e3o, teve um aumento de 430% no desmate em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, totalizando 201 hectares desmatados.<\/p>\n<div class=\"box\">As informa\u00e7\u00f5es desta s\u00e9rie de reportagens foram produzidas a partir dos dados espaciais do Prodes 2019 referentes a estimativa do desmatamento no per\u00edodo ago\/18 a jul\/19; dados em valor absoluto de desmatamento em hectares; c\u00e1lculos realizados para a \u00e1rea mapeada pelo INPE para a estimativa 2019; utiliza\u00e7\u00e3o da base cartogr\u00e1fica de terras ind\u00edgenas do ISA (que considera terras ind\u00edgenas, reservas ind\u00edgenas e dominiais ind\u00edgenas); o estudo considerou 207 territ\u00f3rios ind\u00edgenas, 103 UCs federais e 112 UCs estaduais; e desconta a sobreposi\u00e7\u00e3o entre as \u00e1reas protegidas na seguinte hierarquia (TI&gt;UCf prote\u00e7\u00e3o integral&gt;UCe prote\u00e7\u00e3o integral&gt;UCf uso sustent\u00e1vel&gt;UCe uso sustent\u00e1vel).<\/div>\n<div class=\"box\"><\/div>\n<div class=\"box\">Fonte: ISA<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rie especial do ISA analisa \u201cefeito Bolsonaro\u201d sobre aumento da destrui\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do planeta. 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