{"id":7193,"date":"2020-03-25T13:49:07","date_gmt":"2020-03-25T16:49:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7193"},"modified":"2020-03-25T13:49:07","modified_gmt":"2020-03-25T16:49:07","slug":"coronavirus-pode-dizimar-povos-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/coronavirus-pode-dizimar-povos-indigenas\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus pode dizimar povos ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<div class=\"byline\">\n<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Coronavirus-pode-dizimar-povos-indigenas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7194\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Coronavirus-pode-dizimar-povos-indigenas.jpg\" alt=\"Coronavirus pode dizimar povos indigenas\" width=\"624\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Coronavirus-pode-dizimar-povos-indigenas.jpg 624w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Coronavirus-pode-dizimar-povos-indigenas-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Coronavirus-pode-dizimar-povos-indigenas-220x123.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">\u00c0 medida que o novo coronav\u00edrus se alastra pelo Brasil, crescem os temores de que comunidades ind\u00edgenas sejam dizimadas pela covid-19, a doen\u00e7a causada pelo pat\u00f3geno.<\/p>\n<p>Doen\u00e7as respirat\u00f3rias j\u00e1 s\u00e3o a principal causa de morte entre as popula\u00e7\u00f5es nativas brasileiras, o que torna a pandemia atual especialmente perigosa para esses grupos.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao desabastecimento de muitas comunidades ind\u00edgenas que compram alimentos em cidades e dependem de programas sociais como o Bolsa Fam\u00edlia, mas est\u00e3o sendo orientadas a evitar os deslocamentos para impedir o cont\u00e1gio.<\/p>\n<p>Apesar da gravidade do cen\u00e1rio, associa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e entidades que os apoiam afirmam que \u00f3rg\u00e3os federais n\u00e3o t\u00eam adotado provid\u00eancias para proteger as comunidades &#8211; e que h\u00e1 falta de materiais b\u00e1sicos, como m\u00e1scaras, para lidar com eventuais casos nas aldeias.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um risco incr\u00edvel de o v\u00edrus se alastrar pelas comunidades e provocar um genoc\u00eddio&#8221;, diz a m\u00e9dica sanitarista Sofia Mendon\u00e7a, pesquisadora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\"><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/515F\/production\/_111413802_bbc_kayapo.jpg\" alt=\"\u00cdndias kayap\u00f3\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Sanitarista diz esperar que comunidades busquem ref\u00fagio nas matas para evitar se contaminar com o novo coronav\u00edrus<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">\n<p>Mendon\u00e7a \u00e9 a atual coordenadora do Projeto Xingu da Unifesp, pelo qual a universidade atua na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade de povos ind\u00edgenas da bacia do rio Xingu (no Mato Grosso e no Par\u00e1) h\u00e1 meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Ela afirma que o novo coronav\u00edrus pode ter para povos ind\u00edgenas brasileiros impacto compar\u00e1vel ao de grandes epidemias do passado, como as causadas pelo sarampo.<\/p>\n<p>&#8220;Todos adoecem, e voc\u00ea perde todos os velhos, sua sabedoria e organiza\u00e7\u00e3o social. Fica um buraco nas aldeias&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mendon\u00e7a diz, por outro lado, que a mem\u00f3ria de epidemias passadas pode estimular comunidades que vivem em territ\u00f3rios extensos a se dividir em grupos menores e buscar ref\u00fagio no interior da mata.<\/p>\n<p>&#8220;Provavelmente alguns v\u00e3o se munir de materiais que precisam para ca\u00e7ar e pescar e v\u00e3o fazer acampamentos, esperando l\u00e1 at\u00e9 a poeira baixar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mendon\u00e7a diz que m\u00e9todos usados em \u00e1reas urbanas para reduzir o cont\u00e1gio &#8211; como higienizar as m\u00e3os com \u00e1lcool gel &#8211; s\u00e3o impr\u00e1ticaveis em muitas aldeias. Por isso ela defende concentrar os esfor\u00e7os em impedir que o v\u00edrus chegue \u00e0s comunidades e isolar eventuais infectados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C68F\/production\/_111413805_suruwaha.jpg\" alt=\"\u00c1rea ocupada por \u00edndios Suruwah\u00e1\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">FUNAI<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Etnias com pouco contato com a sociedade n\u00e3o ind\u00edgena envolvente, como os suruwah\u00e1 (foto), podem ser especialmente vulner\u00e1veis a doen\u00e7as respirat\u00f3rias<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mendon\u00e7a, assim como v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas brasileiras, tem difundido mensagens no WhatsApp e por r\u00e1dio orientando as comunidades a suspender as idas \u00e0s cidades e impedir a entrada de visitantes.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, v\u00e1rios grupos cancelaram reuni\u00f5es e rituais abertos a turistas. O Acampamento Terra Livre &#8211; principal evento do movimento ind\u00edgena brasileiro, que ocorre em Bras\u00edlia a cada m\u00eas de abril &#8211; foi suspenso.<\/p>\n<p>Mesmo assim, Mendon\u00e7a diz que h\u00e1 chances consider\u00e1veis de que o v\u00edrus chegue \u00e0s aldeias &#8211; e que ser\u00e1 preciso isolar os doentes antes que eles infectem os parentes.<\/p>\n<p>Segundo ela, os modos de vida de v\u00e1rios povos ind\u00edgenas &#8211; que incluem compartilhar utens\u00edlios como cuias e morar em habita\u00e7\u00f5es com muitas pessoas &#8211; tendem a ampliar o poder de cont\u00e1gio de doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p>Em 2018, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, doen\u00e7as infecciosas e parasit\u00e1rias &#8211; tipos de enfermidades considerados evit\u00e1veis &#8211; foram respons\u00e1veis por 7,2% das mortes ocorridas entre ind\u00edgenas, ante uma m\u00e9dia nacional de 4,5%.<\/p>\n<p>Entre crian\u00e7as ind\u00edgenas com menos de um ano, doen\u00e7as respirat\u00f3rias foram respons\u00e1veis por 22,6% das mortes registradas em 2019, \u00edndice s\u00f3 inferior ao de mortes causadas por problemas no per\u00edodo perinatal (24,5%).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Reclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Mendon\u00e7a tem orientado as comunidades a adotar pr\u00e1ticas de reclus\u00e3o &#8211; normalmente usadas em ritos de passagem &#8211; para isolar as pessoas com sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesses rituais, diz a m\u00e9dica, v\u00e1rias comunidades costumam usar barreiras f\u00edsicas, como paredes de palha, para que o recluso n\u00e3o tenha contato com os demais membros do grupo.<\/p>\n<p>Mendon\u00e7a afirma que tamb\u00e9m \u00e9 preciso agir para impedir que o v\u00edrus chegue a grupos que vivem em isolamento volunt\u00e1rio. Segundo a Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio), h\u00e1 107 registros de grupos ind\u00edgenas n\u00e3o contatados na Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>Muitos territ\u00f3rios habitados por esses grupos s\u00e3o alvo de madeireiros, garimpeiros, ca\u00e7adores e mission\u00e1rios, que podem levar o v\u00edrus at\u00e9 as comunidades.<\/p>\n<p>Mendon\u00e7a diz que a Funai deveria reativar bases encarregadas de proteger essas \u00e1reas que foram fechadas nos \u00faltimos anos em meio \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela defende ainda que ind\u00edgenas que estejam nas cidades e apresentem sintomas associados \u00e0 covid-19 sejam submetidos a exames. Se n\u00e3o houver confirma\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, deveriam voltar rapidamente \u00e0 aldeia, reduzindo as chances de cont\u00e1gio na cidade.<\/p>\n<p>Por ora, no entanto, a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena n\u00e3o disp\u00f5e de testes para detectar a covid-19, segundo profissionais de sa\u00fade entrevistados pela BBC News Brasil na condi\u00e7\u00e3o de anonimato.<\/p>\n<p>Uma servidora que atua em Mato Grosso diz que tamb\u00e9m faltam m\u00e1scaras e outros itens b\u00e1sicos prote\u00e7\u00e3o para lidar com eventuais casos nas aldeias.<\/p>\n<p>Ela afirma que procedimentos m\u00e9dicos n\u00e3o urgentes entre ind\u00edgenas foram suspensos, e que s\u00f3 pacientes em estado grave est\u00e3o sendo enviados a hospitais, para reduzir os riscos de cont\u00e1gio. Os demais casos est\u00e3o sendo tratados nas aldeias.<\/p>\n<p>Diante da falta de recursos e a\u00e7\u00f5es governamentais para enfrentar a pandemia, ela afirma que servidores est\u00e3o se organizando por conta pr\u00f3pria, arrecadando entre conhecidos itens de limpeza e alimentos para enviar \u00e0s comunidades.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Casos suspeitos<\/h2>\n<p>Segundo a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o h\u00e1 infec\u00e7\u00f5es confirmadas do novo coronav\u00edrus entre ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, munic\u00edpio amazonense na fronteira do Brasil com a Col\u00f4mbia e a Venezuela onde a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena, \u00f3rg\u00e3os sanit\u00e1rios aguardam o resultado de um exame em uma paciente n\u00e3o ind\u00edgena que chegou de Manaus recentemente.<\/p>\n<p>At\u00e9 esta ter\u00e7a-feira (24\/03), a capital amazonense tinha 45 casos confirmados da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 em S\u00e3o Gabriel Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) nem respiradores mec\u00e2nicos, o que obrigaria o deslocamento de pacientes em estado grave at\u00e9 Manaus, a mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia por via fluvial.<\/p>\n<p>Marivelton Bar\u00e9, diretor presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro (Foirn), baseada em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, diz que as comunidades da regi\u00e3o est\u00e3o em p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Ele diz que, na semana passada, a prefeitura se comprometeu a proibir a chegada de embarca\u00e7\u00f5es, principal meio de acesso \u00e0 cidade, mas que, mesmo assim, um barco com cerca de cem passageiros aportou na \u00faltima segunda-feira (23\/03).<\/p>\n<p>Bar\u00e9 afirma ainda que, embora o governo federal tenha ordenado o fechamento das fronteiras na semana passada, continua a haver tr\u00e2nsito de venezuelanos e colombianos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Bar\u00e9, h\u00e1 especial preocupa\u00e7\u00e3o com ind\u00edgenas das etnias hupdah e yuhupdeh que passam v\u00e1rios meses do ano acampados \u00e0 beira do rio Negro, na \u00e1rea urbana de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira.<\/p>\n<p>O fluxo de membros dessas etnias aumentou nos \u00faltimos anos \u00e0 medida que foram cadastrados pelo programa Bolsa Fam\u00edlia e passaram a se deslocar at\u00e9 a cidade para receber o benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Oriundas de comunidades que ficam a alguns dias de barco da sede de S\u00e3o Gabriel, v\u00e1rias dessas fam\u00edlias t\u00eam dificuldades para comprar o combust\u00edvel necess\u00e1rio para a viagem de volta e acabam permanecendo longos per\u00edodos na cidade. Com isso, deixaram de cultivar suas ro\u00e7as e passaram a depender do alimento comprado nas cidades.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/114AF\/production\/_111413807_564451ea-136b-4866-9b99-926092a9e396.jpg\" alt=\"M\u00e9dico manipula frasco com sangue para exame de coronav\u00edrus\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Segundo a Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o h\u00e1 infec\u00e7\u00f5es confirmadas do novo coronav\u00edrus entre ind\u00edgenas<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Membros de v\u00e1rias outras etnias da regi\u00e3o tamb\u00e9m costumam visitar S\u00e3o Gabriel no per\u00edodo de libera\u00e7\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia, per\u00edodo em que h\u00e1 grande aglomera\u00e7\u00e3o nas ruas do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Bar\u00e9 diz que ser\u00e1 preciso pensar em formas de levar alimentos \u00e0s aldeias para que os ind\u00edgenas n\u00e3o precisem visitar a cidade durante a pandemia. O desafio se aplica a v\u00e1rias outras regi\u00f5es do Brasil onde ind\u00edgenas costumam frequentar cidades para suprir necessidades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Questionada pela BBC News Brasil sobre a amea\u00e7a de falta de alimentos nas comunidades durante a pandemia, a Funai n\u00e3o citou a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para lidar com a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Em nota, o \u00f3rg\u00e3o disse apenas que &#8220;est\u00e1 ciente da situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade dos diversos povos ind\u00edgenas do Brasil&#8221; e vem articulando a\u00e7\u00f5es com outros \u00f3rg\u00e3os, como o Minist\u00e9rio da Cidadania e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), sobre o tema.<\/p>\n<p>A Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai) tampouco se pronunciou sobre os temores de desabastecimento nas aldeias.<\/p>\n<p>Em nota \u00e0 BBC News Brasil sobre sua posi\u00e7\u00e3o diante da pandemia, a secretaria diz ter produzido &#8220;uma s\u00e9rie de documentos t\u00e9cnicos para que povos ind\u00edgenas, gestores e colaboradores fossem orientados a adotar medidas de preven\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo a Sesai, &#8220;todas as Equipes Multidisciplinares de Sa\u00fade Ind\u00edgena j\u00e1 receberam capacita\u00e7\u00e3o para atuar em eventuais casos suspeitos de covid-19&#8221;.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o diz ainda que vem orientando os ind\u00edgenas a se deslocar \u00e0 cidade somente &#8220;em caso de extrema necessidade&#8221;, e que, ao retornar \u00e0s aldeias, &#8220;devem ficar atentos \u00e0s medidas de higieniza\u00e7\u00e3o recomendadas&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Campanhas para arrecadar recursos<\/h2>\n<p>O temor de desabastecimento em meio \u00e0 pandemia tem feito muitas comunidades ind\u00edgenas promoverem campanhas para arrecadar recursos.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, da comunidade Mendon\u00e7as do Amarel\u00e3o, do Rio Grande do Norte, e do povo maxakali, de Minas Gerais. Ambos divulgaram no WhatsApp contas banc\u00e1rias para receber doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos com medo de ir na cidade, por isso eu pe\u00e7o a cada um de voc\u00eas coabora\u00e7\u00e3o para a gente comprar cesta b\u00e1sica&#8221;, diz uma mensagem divulgada por Isael Maxakali, da etnia de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Para o bispo Roque Paloschi, presidente do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), \u00f3rg\u00e3o ligado \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica que atua junto a dezenas de povos ind\u00edgenas brasileiros, as a\u00e7\u00f5es do governo federal para proteger as comunidades da pandemia est\u00e3o &#8220;muito aqu\u00e9m do necess\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Temos a preocupa\u00e7\u00e3o de que o governo aproveite essa situa\u00e7\u00e3o para retirar toda a assist\u00eancia das comunidades, estabelecendo um caos completo e visando a retirada dos ind\u00edgenas dos seus territ\u00f3rios&#8221;, diz Paloschi.<\/p>\n<p>Ele afirma que, sem esperan\u00e7a de serem acudidos pelo governo, ind\u00edgenas de v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds t\u00eam sido obrigadas a recorrer \u00e0 solidariedade de outros cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>&#8220;Nesta pandemia, n\u00e3o h\u00e1 plano do governo para lidar com as necessidades mais b\u00e1sicas n\u00e3o s\u00f3 das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m dos mais pobres e vulner\u00e1veis&#8221;, critica.<\/p>\n<p>Os casos<\/p>\n<p>O primeiro registro do coronav\u00edrus no Brasil foi em 24 de fevereiro. Um empres\u00e1rio de 61 anos, que mora em S\u00e3o Paulo (SP), foi infectado ap\u00f3s retornar de uma viagem, entre 9 e 21 de fevereiro, \u00e0 regi\u00e3o italiana da Lombardia, a mais afetada do pa\u00eds europeu que tem mais casos fora da China.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o empres\u00e1rio de 61 anos tinha sintomas como febre, tosse seca, dor de garganta e coriza. Parentes dele passaram a ser monitorados. Dias depois, exames apontaram que uma pessoa ligada ao paciente tamb\u00e9m estava com o novo coronav\u00edrus e transmitiu o v\u00edrus para uma terceira pessoa. Todos permaneceram em quarentena em suas casas, pelo per\u00edodo de, ao menos, 14 dias.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o primeiro caso, outros diversos registros passaram a ser feitos no Brasil. Muitos vieram de pa\u00edses com in\u00fameros casos do novo coronav\u00edrus, mas depois foram registrados casos de transmiss\u00e3o local e, por fim, comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Duas semanas depois, foi anunciado que o empres\u00e1rio de 61 anos est\u00e1 curado da doen\u00e7a provocada pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cuidados<\/h2>\n<p>A principal recomenda\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade que acompanham o surto \u00e9 simples, por\u00e9m bastante eficiente: lavar as m\u00e3os com sab\u00e3o ap\u00f3s usar o banheiro, sempre que chegar em casa ou antes de manipular alimentos.<\/p>\n<p>O ideal \u00e9 esfregar as m\u00e3os por algo entre 15 e 20 segundos para garantir que os v\u00edrus e bact\u00e9rias ser\u00e3o eliminados.<\/p>\n<p>Se estiver em um ambiente p\u00fablico, por exemplo, ou com grande aglomera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o toque a boca, o nariz ou olhos sem antes ter antes lavado as m\u00e3os ou pelo limp\u00e1-las com \u00e1lcool. O v\u00edrus \u00e9 transmitido por via a\u00e9rea, mas tamb\u00e9m pelo contato.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante manter o ambiente limpo, higienizando com solu\u00e7\u00f5es desinfetantes as superf\u00edcies como, por exemplo, m\u00f3veis e telefones celulares.<\/p>\n<p>Para limpar o celular, pode-se usar uma solu\u00e7\u00e3o com mais ou menos metade de \u00e1gua e metade de \u00e1lcool, al\u00e9m de um pano limpo.<\/p>\n<p>Fonte: BBC News Brasil &#8211; Por J<span class=\"byline__name\">o\u00e3o Fellet &#8211; @joaofellet<\/span><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 medida que o novo coronav\u00edrus se alastra pelo Brasil, crescem os temores de que comunidades ind\u00edgenas sejam dizimadas pela covid-19, a doen\u00e7a causada pelo pat\u00f3geno. Doen\u00e7as respirat\u00f3rias j\u00e1 s\u00e3o a principal causa de morte entre as popula\u00e7\u00f5es nativas brasileiras, o que torna a pandemia&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,29,2],"tags":[1508],"class_list":["post-7193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-area-3","category-mato-grosso","category-slideshow","tag-pandemia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7195,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7193\/revisions\/7195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}