{"id":7262,"date":"2020-04-09T16:10:47","date_gmt":"2020-04-09T19:10:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7262"},"modified":"2020-04-09T16:10:47","modified_gmt":"2020-04-09T19:10:47","slug":"morre-segundo-indigena-no-pais-com-teste-positivo-para-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/morre-segundo-indigena-no-pais-com-teste-positivo-para-covid-19\/","title":{"rendered":"Morre segundo ind\u00edgena no pa\u00eds com teste positivo para Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rs20555_encontro_das_aguas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7263\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rs20555_encontro_das_aguas.jpg\" alt=\"rs20555_encontro_das_aguas\" width=\"700\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rs20555_encontro_das_aguas.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rs20555_encontro_das_aguas-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/rs20555_encontro_das_aguas-220x137.jpg 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a>V\u00edtima de 55 anos, da etnia Mura, foi hospitalizada no dia 23\/3 e morreu 13 dias depois, no \u00faltimo domingo (5\/4), em Manaus. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que n\u00e3o teria outros problemas de sa\u00fade<\/em><\/p>\n<p>Morreu no \u00faltimo domingo (5), em Manaus, o segundo ind\u00edgena do pa\u00eds cujo teste para Covid-19 teve resultado positivo. Trata-se de um homem, de 55 anos, da etnia Mura, que nasceu em Itacoatiara (AM), mas morava na capital amazonense h\u00e1 alguns anos. Ele deu entrada no hospital Delphina Aziz, na zona norte da cidade, no dia 23\/3. Segundo um familiar, a v\u00edtima n\u00e3o tinha outros problemas s\u00e9rios de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O caso foi confirmado pelo Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena (Dsei) de Manaus. \u201cEssa informa\u00e7\u00e3o procede\u201d, afirmou M\u00e1rio Ruy Lacerda de Freitas J\u00fanior, coordenador do Dsei. Ele contou que a v\u00edtima n\u00e3o est\u00e1 no cadastro do \u00f3rg\u00e3o por ser morador de \u00e1rea urbana. De acordo com Freitas, o distrito checou que se trata de um ind\u00edgena porque ele tinha parentes que moram em Terras Ind\u00edgenas (TIs) no interior.<\/p>\n<p>O Amazonas tem o maior n\u00famero de casos de Covid-19 confirmados no Norte do pa\u00eds: 636. H\u00e1 23 mortes causadas pela doen\u00e7a e 104 pacientes internados, conforme\u00a0<a href=\"http:\/\/coronavirus.amazonas.am.gov.br\/\">boletim do governo do estado<\/a>\u00a0desta ter\u00e7a (7).<\/p>\n<p>Na semana passada, a reportagem do\u00a0<strong>ISA<\/strong>\u00a0confirmou a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/em-alter-do-chao-pa-teste-de-indigena-falecida-da-positivo-para-covid-19\">primeira morte de um ind\u00edgena que testou positivo para a doen\u00e7a<\/a>. A v\u00edtima foi uma senhora da etnia Borari, de 87 anos, moradora de Alter do Ch\u00e3o, munic\u00edpio de Santar\u00e9m (PA). Nem a Secretaria de Sa\u00fade estadual nem a prefeitura divulgaram que ela era uma ind\u00edgena. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que n\u00e3o foi feita uma contraprova. Exames realizados nos parentes que cuidavam da idosa tiveram resultado negativo. Por essa raz\u00e3o, no \u00faltimo s\u00e1bado,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcello.silva.77770\/videos\/3715030321872220\/?app=fbl\">em entrevista, familiares afirmaram que n\u00e3o acreditam que ela contraiu o novo coronav\u00edrus<\/a>.<\/p>\n<p>Apesar de os dois mortos terem testes positivos, o\u00a0<a title=\"boletim sobre a pandemia\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/nsa\/arquivos\/07_04_2020_boletim_epidemiologico_sesai_sobre_covid_19.pdf\">boletim sobre a pandemia<\/a>\u00a0divulgado, nesta ter\u00e7a (7), pela Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), continua sem registrar \u00f3bitos entre as popula\u00e7\u00f5es nativas. Segundo o documento, h\u00e1 5 casos confirmados e 21 suspeitos. O primeiro caso &#8211; uma jovem de 20 anos do povo Kokama &#8211; foi confirmado oficialmente pela Sesai no dia 1\/4, em Santo Ant\u00f4nio do I\u00e7\u00e1, tamb\u00e9m no Amazonas.<\/p>\n<p>Na semana passada, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/indigenas-de-cidades-com-covid-19-nao-ficarao-sem-assistencia-mas-responsabilidade-e-do-sus-diz-sesai\">entrevista exclusiva<\/a>\u00a0ao\u00a0<strong>ISA<\/strong>, o secret\u00e1rio de Sa\u00fade Ind\u00edgena, Robson Santos da Silva, reafirmou que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 contabilizando casos suspeitos, confirmados e \u00f3bitos provocados pelo novo coronav\u00edrus de ind\u00edgenas que vivem nas cidades. Ele refor\u00e7ou que, conforme a legisla\u00e7\u00e3o, essas pessoas devem ser atendidas pelos servi\u00e7os convencionais do SUS e garantiu que elas n\u00e3o ficariam sem assist\u00eancia em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 pol\u00eamica. Organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) defendem que a Sesai deve atender toda a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, independente do lugar de moradia. A posi\u00e7\u00e3o consta de\u00a0<a href=\"http:\/\/mpf.mp.br\/df\/sala-de-imprensa\/noticias-df\/covid-19-2013-mpf-recomenda-acoes-emergenciais-de-protecao-a-saude-dos-povos-indigenas\">recomenda\u00e7\u00e3o emitida na semana passada pelo MPF<\/a>. H\u00e1 decis\u00f5es judiciais obrigando a secretaria a fazer isso em alguns locais, a exemplo do pr\u00f3prio munic\u00edpio de Santar\u00e9m.<\/p>\n<h3><strong>Ind\u00edgenas de Manaus lutam por assist\u00eancia diferenciada<\/strong><\/h3>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas deveriam ser direcionadas a [toda] popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, quando falamos da Sesai\u201d, diz Turi Sater\u00e9, da Coordena\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas de Manaus e Entorno (Copime). \u201cOs povos ind\u00edgenas t\u00eam de ser considerados em seus direitos, onde quer que estejam\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>\u201c[Essas pessoas] n\u00e3o v\u00eam aqui aqui [para a cidade] porque querem. Elas est\u00e3o sendo praticamente expulsas de seus territ\u00f3rios. Se querem estudar, t\u00eam de vir para Manaus. Se querem aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade, t\u00eam de vir para Manaus\u201d, observa.<\/p>\n<p>O Censo de 2010 do IBGE identificou quase quatro mil \u00edndios vivendo na capital amazonense. A estimativa da Copime, no entanto, \u00e9 que, hoje, entre 25 mil e 30 mil estariam morando na cidade.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.indigenasemcidades.com\/galeria-de-fotos\">Uma pesquisa de 2015 identificou pelo menos 34 etnias em 51 bairros.<\/a><\/p>\n<p>Turi Sater\u00e9 menciona ainda que v\u00e1rias comunidades t\u00eam passado necessidade porque sua renda vem da venda de artesanato e de atividades culturais, prejudicadas com a quarentena imposta pela pandemia.<\/p>\n<p>\u201c[Os ind\u00edgenas de Manaus] t\u00eam acesso [aos servi\u00e7os convencionais do SUS], mas lutamos pelo reconhecimento do atendimento diferenciado no contexto urbano, por conta da l\u00edngua. N\u00e3o \u00e9 prioridade [o atendimento dessas comunidades]. Precisa levar em conta o costume, a cultura\u201d, completa.<\/p>\n<p>Turi afirma ainda que sua organiza\u00e7\u00e3o t\u00eam feito esfor\u00e7os para que a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena urbana assim se identifique ao procurar o SUS para que o registro do marco \u00e9tnico exista e que uma pol\u00edtica espec\u00edfica para ela seja constru\u00edda em breve.<\/p>\n<h3><strong>36% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena vive em cidades<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo o IBGE, dos 896,9 mil ind\u00edgenas do pa\u00eds, 324,8 mil ou 36% viviam em zona urbana em 2010, quando foi realizado o \u00faltimo censo.<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena vivendo nos centros urbanos ainda \u00e9 mal recenseada. Existe uma dificuldade em contar essa popula\u00e7\u00e3o, seja por uma din\u00e2mica de mobilidade, que implica idas e vindas para seus territ\u00f3rios de origem, seja pelo reconhecimento das categorias utilizadas nos recenseamentos. Quando perguntado pela quest\u00e3o &#8216;ra\u00e7a ou cor&#8217;, h\u00e1 uma tend\u00eancia dessas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em responder &#8216;pardo'&#8221;, avalia Tiago Moreira, antrop\u00f3logo e pesquisador do Programa de Monitoramento de \u00c1reas Protegidas do\u00a0<strong>ISA<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;A contar por isso, \u00e9 poss\u00edvel que a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em cidades como Manaus, Boa Vista, Santar\u00e9m e outras grandes cidades do Norte do Brasil seja bem superior aos levantamentos realizados pelo censo&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Fonte: Instituto Socioambiental<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00edtima de 55 anos, da etnia Mura, foi hospitalizada no dia 23\/3 e morreu 13 dias depois, no \u00faltimo domingo (5\/4), em Manaus. 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