{"id":7560,"date":"2020-07-16T16:52:23","date_gmt":"2020-07-16T19:52:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7560"},"modified":"2020-07-16T16:52:23","modified_gmt":"2020-07-16T19:52:23","slug":"povo-indigena-resgata-antigos-caminhos-do-rio-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/povo-indigena-resgata-antigos-caminhos-do-rio-negro\/","title":{"rendered":"Povo ind\u00edgena resgata antigos caminhos do rio Negro"},"content":{"rendered":"<div class=\"summary\"><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Povo-indigena-resgata-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7561\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Povo-indigena-resgata-.jpg\" alt=\"Povo indigena resgata\" width=\"700\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Povo-indigena-resgata-.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Povo-indigena-resgata--300x225.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Povo-indigena-resgata--200x150.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/em><\/div>\n<div class=\"summary\"><em>Com a chegada da pandemia a S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, comunidade se isolou e recorreu a rem\u00e9dios tradicionais para se proteger do novo coronav\u00edrus<\/em><\/div>\n<p>A cidade de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no Noroeste do Amazonas, fica \u00e0s margens do Rio Negro. Na orla da principal praia da cidade e de frente para a outra beira do rio, se v\u00ea a floresta amaz\u00f4nica. Nos meses menos chuvosos, quando surge uma grande praia de areia branca, parece poss\u00edvel atravessar o trecho a nado e alcan\u00e7ar a floresta. \u00c9 neste ponto da outra margem onde vive a comunidade Waru\u00e1, do <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Dow\">povo D\u00e2w<\/a>.<\/p>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>A proximidade com o ambiente urbano proporciona comodidades \u00e0 aldeia ind\u00edgena. Mas, em tempos de Covid-19, a colocou em risco. Dos 157 moradores, ao menos 13 (seis da etnia D\u00e2w e os demais de outras etnias) tiveram Covid-19 confirmada por teste r\u00e1pido, conforme informa\u00e7\u00f5es do Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena Alto Rio Negro (Dsei-ARN). Ou seja, pelo menos 8% da comunidade teve a doen\u00e7a confirmada. Esse n\u00famero pode ser maior, j\u00e1 que outros ind\u00edgenas do Waru\u00e1 apresentaram sintomas. No total, foram aplicados 14 testes.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, at\u00e9 14 de julho, havia 3.033 casos confirmados, com 48 \u00f3bitos. O dado indica contamina\u00e7\u00e3o de 9% da popula\u00e7\u00e3o, de aproximadamente 45 mil pessoas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a proximidade com o ambiente urbano que coloca o povo D\u00e2w em situa\u00e7\u00e3o de especial vulnerabilidade. Antrop\u00f3logos que trabalham com a etnia explicam que, no Rio Negro, os D\u00e2w s\u00e3o o \u00fanico povo concentrado em uma s\u00f3 comunidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a comunidade, que chegou a contar com apenas cerca de 70 pessoas nos anos 1980, apresentou crescimento demogr\u00e1fico nos \u00faltimos anos, somando 157 pessoas atualmente. Com isso, houve uma press\u00e3o sobre o territ\u00f3rio, reduzindo ca\u00e7a e pesca, aumentando a depend\u00eancia da cidade e dificultando a estrat\u00e9gia de ida para o mato na tentativa de se proteger contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Com a pandemia, o povo D\u00e2w refor\u00e7ou um movimento que j\u00e1 tinha sido iniciado antes da crise em sa\u00fade: a reabertura de caminhos dos antepassados, utilizando o territ\u00f3rio para fortalecimento da cultura e como prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de julho, a professora Auxiliadora Fernandes, lideran\u00e7a do povo D\u00e2w, estava preocupada com a netinha Alessandra, de um ano, que apresentava sintomas parecidos aos da Covid-19. \u201cNa minha fam\u00edlia, acho que quase todo mundo teve. Minha nora, meu filho, meus netos. Agora \u00e9 minha netinha\u201d, disse.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Lideran\u00e7a D\u00e2w, Roberto Carlos foi o tradutor da cartilha sobre Covid-19 para sua l\u00edngua\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/cartilha_em_daw_1.jpeg?itok=ArNTq-hJ\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"caption image-boneco caption-processed alignleft\" title=\"Lideran\u00e7a D\u00e2w, Roberto Carlos foi o tradutor da cartilha sobre Covid-19 para sua l\u00edngua\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/boneco\/public\/nsa\/cartilha_em_daw_1.jpeg?itok=FC8jnfwk\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"267\" \/><span class=\"image-caption\">Lideran\u00e7a D\u00e2w, Roberto Carlos foi o tradutor da cartilha sobre Covid-19 para sua l\u00edngua<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nTamb\u00e9m lideran\u00e7a do povo D\u00e2w, Roberto Carlos Fernandes Sanches relata que muitas pessoas apresentaram sintomas da Covid-19, mas ningu\u00e9m apresentou quadros graves.<\/p>\n<p>\u201cA doen\u00e7a no povo D\u00e2w apareceu bem fraco. N\u00e3o apareceu forte\u201d, contou.<\/p>\n<p>Segundo Auxiliadora, a comunidade se preparou para enfrentar a pandemia e, no in\u00edcio do processo, houve ades\u00e3o dos moradores. As fam\u00edlias pediam as compras pelo telefone e os produtos eram entregues no porto, em S\u00e3o Gabriel.<\/p>\n<p>Uma representante buscava as mercadorias. Mas, mesmo com os cuidados, moradores acabaram sendo vetores e levaram o v\u00edrus para a comunidade.<\/p>\n<p>Alguns ind\u00edgenas seguiram mais para dentro da mata, em uma estrat\u00e9gia para se protegerem. A comunidade suspendeu os cultos e os jogos esportivos envolvendo outras aldeias. \u201cEst\u00e3o jogando s\u00f3 entre a comunidade mesmo. Joga por teimosia\u201d, afirmou Auxiliadora. Trabalhos comunit\u00e1rios foram suspensos. As refei\u00e7\u00f5es em comum ocorriam em eventos, que foram cancelados, assim como as aulas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foram feitas reuni\u00f5es informando sobre a Covid-19, solicitando que as pessoas n\u00e3o fossem \u00e0 cidade e orientando sobre higieniza\u00e7\u00e3o. \u201cContinuamos pedindo para que as pessoas, se forem \u00e0 cidade, usem m\u00e1scaras. Quando chegarem, devem tomar banho, fazer a higieniza\u00e7\u00e3o dos produtos e queimar os sacos dos produtos\u201d, explicou a lideran\u00e7a.<\/p>\n<h2>Quatro meses de quarentena<\/h2>\n<p>Mais de quatro meses ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia no Brasil, a ades\u00e3o ao isolamento est\u00e1 diminuindo em todo o pa\u00eds. N\u00e3o seria diferente na comunidade D\u00e2w. Auxiliadora relata que est\u00e1 dif\u00edcil segurar seu povo na aldeia. Para ir \u00e0 cidade, de barco, s\u00e3o cerca de 10 minutos com motor do tipo rabetinha. A maioria vai sacar benef\u00edcios sociais e fazer compras.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Professora Auxiliadora Fernandes, lideran\u00e7a do povo D\u00e2w, explica que o movimento de reabertura de caminhos valoriza os antepassados|Ana Am\u00e9lia Hamdan\/ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/whatsapp_image_2020-07-08_at_17.40.49.jpeg?itok=PlC4y1WM\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"caption image-boneco caption-processed alignleft\" title=\"Professora Auxiliadora Fernandes, lideran\u00e7a do povo D\u00e2w, explica que o movimento de reabertura de caminhos valoriza os antepassados\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/boneco\/public\/nsa\/whatsapp_image_2020-07-08_at_17.40.49.jpeg?itok=v4hPMHFH\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"267\" \/><span class=\"image-caption\">Professora Auxiliadora Fernandes, lideran\u00e7a do povo D\u00e2w, explica que o movimento de reabertura de caminhos valoriza os antepassados<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nOs grupos que haviam ido passar um per\u00edodo na mata j\u00e1 retornaram para a comunidade.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 jeito de segurar, est\u00e1 muito dif\u00edcil. A Covid chegou at\u00e9 a comunidade, algu\u00e9m trouxe. Tentamos fugir para o mato. As fam\u00edlias foram para o mato no in\u00edcio. N\u00e3o todos. Mas j\u00e1 desceram (voltaram). Orientamos a tomar ch\u00e1s caseiros e a usar m\u00e1scaras\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Roberto Fernandes fala sobre a dificuldade de convencer os moradores a n\u00e3o ir \u00e0 cidade. \u201cEu fiz reuni\u00f5es para segurar o povo. Mas est\u00e3o atravessando. Muitos dependem da cidade. L\u00e1 recebem o dinheiro, vendem seus produtos, compram alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cEstamos respeitando as regras da cidade. \u00c9 para usar m\u00e1scara. N\u00e3o \u00e9 para dar mau exemplo. Queremos ser bom exemplo\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Ele comenta tamb\u00e9m que o grupo encontrou problemas para se manter \u00e0 base da ca\u00e7a e pesca. \u201cTentamos passar um per\u00edodo s\u00f3 com ca\u00e7a e pesca. Mas foi muito dif\u00edcil. Conseguimos viver assim um pouquinho, todo o tempo, todo dia, n\u00e3o d\u00e1\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da professora Auxiliadora, a crise n\u00e3o est\u00e1 perto de acabar. \u201cNa minha vis\u00e3o, para mim, essa doen\u00e7a ainda n\u00e3o est\u00e1 passando. Pode acontecer coisa pior ainda. A gente procura tentar se prevenir, j\u00e1 que essa doen\u00e7a veio da transmiss\u00e3o de outras pessoas. E pode voltar de novo, algu\u00e9m pegar por teimosia de ir at\u00e9 a cidade, onde os casos est\u00e3o aumentando e tem pessoas morrendo. Ainda n\u00e3o t\u00e1 no final, porque est\u00e3o morrendo pessoas. E pode ser pior. S\u00f3 vou dizer que t\u00e1 melhor depois que baixar os casos em S\u00e3o Gabriel\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A comunidade \u00e9 atendida pelo p\u00f3lo base Ilha das Flores, do Dsei-ARN. Segundo informa\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o, esse p\u00f3lo base disp\u00f5e de duas equipes multidisciplinares de sa\u00fade ind\u00edgena. Tamb\u00e9m conforme o Dsei-ARN, o trabalho em tempos de pandemia teve mudan\u00e7as importantes no direcionamento das a\u00e7\u00f5es em sa\u00fade, seguindo nota t\u00e9cnica da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai).<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m das duas equipes de sa\u00fade fixas do p\u00f3lo base, a aldeia Waru\u00e1 conta com a assist\u00eancia cont\u00ednua garantida pela equipe do Setor de Resgate, Equipe de Resposta R\u00e1pida e equipe de profissionais da Casai do Dsei-ARN, para atendimento em demanda livre e chamados de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, se necess\u00e1rio, referenciados para m\u00e9dia\/alta complexidade do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade).<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o da proximidade com a sede do munic\u00edpio e do pr\u00f3prio Distrito, o Polo Base da Ilha das Flores tem 12 entradas mensais garantidas pelo planejamento do trabalho, e diversas a\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade s\u00e3o ofertadas a todas as aldeias do polo base\u201d, informa o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>O distrito considera que a proximidade da comunidade ao ambiente urbano de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira facilita o tr\u00e2nsito dos ind\u00edgenas entre as \u00e1reas. \u201cApesar das orienta\u00e7\u00f5es de isolamento dos ind\u00edgenas na aldeia durante o per\u00edodo de pandemia, a circula\u00e7\u00e3o entre a aldeia e \u00e1rea urbana permaneceu para alguns indiv\u00edduos, o que favoreceu tamb\u00e9m a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus\u201d, informou o distrito.<\/p>\n<h2>Rem\u00e9dios caseiros<\/h2>\n<p>Segundo Auxiliadora, rem\u00e9dios caseiros est\u00e3o sendo muito utilizados. \u201cO pessoal se tratou mais foi com rem\u00e9dio do mato, caseiro, de perto da casa e da floresta tamb\u00e9m\u201d, disse. Tamb\u00e9m utilizaram rem\u00e9dios (analg\u00e9sicos) de farm\u00e1cia dos n\u00e3o-ind\u00edgenas para amenizar os sintomas.<\/p>\n<p>O uso dos rem\u00e9dios ind\u00edgenas vem sendo incentivado pela Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro (Foirn) e \u00e9 amplamente praticado pelas diversas etnias que habitam o Rio Negro.<\/p>\n<p>Essa valoriza\u00e7\u00e3o da medicina tradicional \u00e9 incentivada pelo Dsei-ARN, em conson\u00e2ncia com nota t\u00e9cnica do Programa Articula\u00e7\u00e3o de Saberes em Sa\u00fade Ind\u00edgena. \u201cA institui\u00e7\u00e3o, portanto, estimula a troca de saberes entre comunit\u00e1rios e profissionais de sa\u00fade, o uso de fitoter\u00e1picos utilizados na pr\u00e1tica local, a pr\u00e1tica do benzimento na busca da cura atrav\u00e9s do conhecimento tradicional, entre outras a\u00e7\u00f5es de valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento tradicional\u201d, disse o distrito sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Coordenadora do Departamento de Mulheres da Foirn, Elizangela da Silva, da etnia Bar\u00e9, diz que o povo D\u00e2w estava usando medicamentos ind\u00edgenas preventivos antes. \u201cMesmo antes [da confirma\u00e7\u00e3o da Covid-19 em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira] eles j\u00e1 estavam tomando banhos com plantas tradicionais\u201d, contou.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 pandemia, a Foirn refor\u00e7ou o apoio ao Waru\u00e1. Elizangela da Silva explica que houve a\u00e7\u00f5es na comunidade com orienta\u00e7\u00f5es sobre preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19. \u201cEntregamos material de higiene, sab\u00e3o. Se n\u00e3o tem torneira, pia, a gente orientou a usar panela e bacia porque a doen\u00e7a \u00e9 transmiss\u00edvel. Falamos do perigo de vir para a cidade, do perigo quando chega na lot\u00e9rica, quando pega dinheiro e faz compra\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>As filas e aglomera\u00e7\u00f5es em frente \u00e0 casa lot\u00e9rica da cidade, para saque de benef\u00edcios, foram agravadas devido ao pagamento do aux\u00edlio emergencial. <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/coronavirus-mpf-am-pede-providencias-urgentes-para-o-alto-rio-negro\">O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) agiu<\/a>, exigindo que a Uni\u00e3o ofertasse alternativa para evitar as aglomera\u00e7\u00f5es, mas o problema permanece.<\/p>\n<p>O grupo recebeu cestas b\u00e1sicas da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio, Coordena\u00e7\u00e3o Regional Rio Negro (Funai\/CR-RNG) e kits de merenda escolar da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o. Segundo Eliz\u00e2ngela da Silva, tamb\u00e9m como forma de evitar que as fam\u00edlias se dirijam \u00e0 cidade, a Foirn far\u00e1 entrega de cestas b\u00e1sicas \u00e0s fam\u00edlias da comunidade, adquiridas por meio de campanhas como a da Uni\u00e3o Amaz\u00f4nia Viva. \u201c\u00c9 com esse objetivo, de que n\u00e3o venham todo dia para a cidade\u201d, diz.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Informativo em D\u00e2w produzido em apoio aos trabalhos de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o para os povos ind\u00edgenas do Rio Negro\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/20200401_1626071.jpg?itok=YCvpryMZ\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"caption image-boneco caption-processed alignleft\" title=\"Informativo em D\u00e2w produzido em apoio aos trabalhos de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o para os povos ind\u00edgenas do Rio Negro\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/boneco\/public\/nsa\/20200401_1626071.jpg?itok=oHpM6iDe\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"284\" \/><span class=\"image-caption\">Informativo em D\u00e2w produzido em apoio aos trabalhos de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o para os povos ind\u00edgenas do Rio Negro<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nComo medida preventiva \u00e0 Covid-19, <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/no-alto-rio-negro-cartilha-em-idiomas-indigenas-orienta-combate-a-covid-19\">o Instituto Socioambiental (ISA) preparou cartilha com informa\u00e7\u00f5es<\/a> sobre preven\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a em portugu\u00eas e em l\u00ednguas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/war-way-way-or-meenh-daaw-dar\">O material foi adaptado para a realidade dos D\u00e2w<\/a> com apoio da linguista Karolin Obert e de Roberto Carlos D\u00e2w.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem como falar: \u2018n\u00e3o pode tomar banho no rio\u2019. Eles banham cinco vezes no dia. Ent\u00e3o tem que orientar: \u2018Banha com dist\u00e2ncia, banha de jeito diferente\u2019, explicou Karolin, que faz pesquisas junto aos D\u00e2w desde 2015.<\/p>\n<p>Seu trabalho tem foco na documenta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, principalmente das l\u00ednguas com alto risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Sa\u00fade e territ\u00f3rio<\/h2>\n<p>O antrop\u00f3logo Jo\u00e3o Vitor Fontanelli, doutorando no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social da Universidade de S\u00e3o Paulo (PPGAS\/USP) e que desenvolve pesquisa junto aos D\u00e2w, ressalta a import\u00e2ncia do territ\u00f3rio para o fortalecimento da sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas. \u201c\u00c9 fundamental, pois articula pr\u00e1ticas de cuidado, de bem-estar, de alimenta\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o essenciais para a reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural desses povos. E uma s\u00e9rie de outras coisas, como educa\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o aos mais jovens, valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento dos antigos\u201d, elencou.<\/p>\n<p>E nesse sentido, tamb\u00e9m no in\u00edcio deste m\u00eas de julho, um grupo da comunidade seguiu para uma \u00e1rea localizada rio abaixo, a cerca de 40 minutos do Waru\u00e1. O objetivo \u00e9 dar continuidade \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de estrutura para servir de refer\u00eancia e apoio para ca\u00e7a, pesca, ro\u00e7a, sendo uma forma de valoriza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos e pr\u00e1ticas do povo D\u00e2w. Outra estrutura est\u00e1 sendo levantada, com esses mesmos objetivos, em \u00e1rea mais distante, a cerca de quatro horas do Waru\u00e1, pr\u00f3ximo ao m\u00e9dio curso do Rio Curicuriari.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a ind\u00edgena D\u00e2w Roberto Fernandes acredita que a reabertura dos caminhos dos antepassados pode oferecer mais prote\u00e7\u00e3o e suporte a seu povo. \u201cAjuda muito, na minha vis\u00e3o. Mas \u00e9 para quem quiser. N\u00e3o obrigamos ningu\u00e9m. \u00c9 longe. Se for de motor 40 s\u00e3o s\u00f3 duas horas, mas a\u00ed tem que ter gasolina\u201d, explicou. \u201cNaquele tempo dos antepassados, assim que viviam, abrindo trilhas de v\u00e1rios quil\u00f4metros. Ca\u00e7avam, trocavam ca\u00e7a e pesca com farinha daqueles que estavam na beira dos rios\u201d, contou.<\/p>\n<p>Segundo Auxiliadora, esse movimento de reabertura de caminhos valoriza os antepassados. \u201cA gente est\u00e1 tentando manter esse projeto, com os homens trabalhando na reabertura das trilhas, territ\u00f3rios dos antepassados para que a gente possa ficar mais tempo para l\u00e1. Com a Covid isso ficou mais firme. \u00c9 uma hist\u00f3ria muito triste para todos n\u00f3s ind\u00edgenas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Perto do ambiente urbano, esse povo tem sido exposto n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 Covid, mas a uma s\u00e9rie de problemas, como invas\u00e3o de territ\u00f3rio. \u201cH\u00e1 uma press\u00e3o territorial que eles est\u00e3o tentando contornar abrindo pontos onde possam acessar e ficar mais tempo e ter algum controle sobre a circula\u00e7\u00e3o de outras pessoas em seus territ\u00f3rios\u201d, explicou o antrop\u00f3logo.<\/p>\n<p>O projeto de reabertura de caminhos e constru\u00e7\u00e3o de estruturas de refer\u00eancia tem financiamento da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Fundo Casa Socioambiental e est\u00e1 sendo executado pela comunidade com o apoio da linguista Karolin Obert e do antrop\u00f3logo Jo\u00e3o Vitor Fontanelli.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Karolin Obert, linguista, em trabalho de mapeamento com Roberto Carlos D\u00e2w|Karolin Obert\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/karol_com_os_daw2_1.jpeg?itok=WtAaVCch\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Karolin Obert, linguista, em trabalho de mapeamento com Roberto Carlos D\u00e2w\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/karol_com_os_daw2_1.jpeg?itok=UzWTYfgU\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Karolin Obert, linguista, em trabalho de mapeamento com Roberto Carlos D\u00e2w|Karolin Obert\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/karol_com_os_daw2_1.jpeg?itok=WtAaVCch\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><span class=\"image-caption\">Karolin Obert, linguista, em trabalho de mapeamento com Roberto Carlos D\u00e2w<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Karolin considera que um ponto positivo dessa pandemia \u00e9 o incentivo \u00e0 reabertura dos antigos caminhos pelos D\u00e2w. \u201cUma coisa bonita que essa pandemia trouxe \u00e9 que eles se sentiram incentivados de ir para l\u00e1 e come\u00e7ar a realizar esse projeto\u201d, ressaltou. Ela explica que muitas pessoas da gera\u00e7\u00e3o ainda viva dos D\u00e2w nasceram e circularam na regi\u00e3o do m\u00e9dio Curicuriari, territ\u00f3rio onde tem cemit\u00e9rios deles, onde eles trabalharam e sofreram com os processos de explora\u00e7\u00e3o para extra\u00e7\u00e3o da pia\u00e7ava. \u201cE onde \u00e9 muito rico de peixe e ca\u00e7a\u201d, salientou a linguista.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo Jo\u00e3o Vitor Fontanelli tamb\u00e9m aponta o efeito trazido pela crise. \u201cCom certeza, com a Covid, com o quadro de pandemia, o territ\u00f3rio foi visto como ainda mais importante, possibilitando a formula\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias pr\u00f3prias de enfrentamento \u00e0 crise sanit\u00e1ria. Tem a preocupa\u00e7\u00e3o dos mais velhos tamb\u00e9m, de n\u00e3o deixar que a mem\u00f3ria dos caminhos dos antigos e modo de vida dos D\u00e2w sejam esquecidos, e isso se faz percorrendo esses caminhos\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Os D\u00e2w n\u00e3o s\u00e3o um povo estritamente n\u00f4made. No passado, se estabeleciam em pequenos grupos com n\u00facleos habitacionais de refer\u00eancia, mas com constantes mudan\u00e7as. Entretanto, conforme explica Fontanelli, esse padr\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o mudou com a reuni\u00e3o dos grupos no Waru\u00e1, na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>Essa ocupa\u00e7\u00e3o permanente e duradoura num \u00fanico local levou ao aumento populacional e criou press\u00e3o sobre o territ\u00f3rio, gerando escassez de ca\u00e7a e pesca.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Karolin, medidas de apoio ao D\u00e2w devem passar pela estrutura\u00e7\u00e3o de uma equipe espec\u00edfica para atendimento de sa\u00fade \u00e0 etnia. Ela considera adequado reduzir o tr\u00e2nsito para a cidade, promover a entrega de kits de alimentos com produtos de higiene pessoal e dar apoio para o movimento deles de retomada dos caminhos e pr\u00e1ticas dos antepassados.<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio encaminhado pelos pesquisadores ao ISA, h\u00e1 a descri\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da retomada do costume de habitar e andar pelo centro da floresta. \u201cOs seus grandes conhecimentos dos lugares, das cabeceiras, os seus modos de habitar e andar pelo centro da floresta formam uma rede de caminhos virtualmente infinita, conectando diferentes regi\u00f5es de uso dos povos ind\u00edgenas do m\u00e9dio e alto rio Negro.\u201d<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h2>A pandemia em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira<\/h2>\n<p>S\u00e3o Gabriel da Cachoeira registrou os dois primeiros casos da Covid-19 em 26 de abril. At\u00e9 14 de julho, a cidade acumulava 3.033 casos confirmados da doen\u00e7a, com 48 \u00f3bitos. No comparativo por 100 mil habitantes, o munic\u00edpio chegou a ser campe\u00e3o nacional da incid\u00eancia de Covid-19, com essa taxa atingindo 6.579,76 em 13 de julho.<\/p>\n<p>Em Manaus, nessa mesma data, a taxa de contamina\u00e7\u00e3o por 100 mil habitantes era de 1.401,73.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Enfrentamento e Combate \u00e0 Covid-19 do munic\u00edpio, formado por \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, sociedade civil organizada e parceiros conseguiu constituir uma rede para garantir atendimento b\u00e1sico aos pacientes e refor\u00e7ar os servi\u00e7os j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>Um dos exemplos foi a estrutura\u00e7\u00e3o das Unidades de Atendimento Prim\u00e1rio Ind\u00edgena (UAPIs), que contam com concentradores \u2013 microusinas de oxig\u00eanio. A estrutura garante atendimento a casos leves e moderados da Covid-19 dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena, evitando remo\u00e7\u00f5es. A iniciativa foi colocada em pr\u00e1tica ap\u00f3s articula\u00e7\u00e3o entre as comunidades ind\u00edgenas, ISA, Foirn, Distrito Sanit\u00e1rio Ind\u00edgena Alto Rio Negro (Dsei-ARN) e a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Expedicion\u00e1rios da Sa\u00fade (EDS). O modelo foi t\u00e3o bem sucedido que vem sendo replicado em outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Fonte: ISA<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a chegada da pandemia a S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, comunidade se isolou e recorreu a rem\u00e9dios tradicionais para se proteger do novo coronav\u00edrus A cidade de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, no Noroeste do Amazonas, fica \u00e0s margens do Rio Negro. 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