{"id":7659,"date":"2020-08-19T19:29:59","date_gmt":"2020-08-19T22:29:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7659"},"modified":"2021-05-07T04:44:37","modified_gmt":"2021-05-07T07:44:37","slug":"covid-19-avanca-em-comunidades-indigenas-do-rio-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/covid-19-avanca-em-comunidades-indigenas-do-rio-negro\/","title":{"rendered":"Covid-19 avan\u00e7a em comunidades ind\u00edgenas do Rio Negro"},"content":{"rendered":"<div class=\"summary\"><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/rs6104_maia_maturca_138-lpr.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7660\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/rs6104_maia_maturca_138-lpr.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/rs6104_maia_maturca_138-lpr.jpg 700w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/rs6104_maia_maturca_138-lpr-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/rs6104_maia_maturca_138-lpr-624x390.jpg 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a>Viagens s\u00e3o para saque de benef\u00edcios sociais em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM); nota t\u00e9cnica alerta para ondas de dissemina\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus no Noroeste Amaz\u00f4nico<\/em><\/div>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>Passados cerca de tr\u00eas meses do registro dos primeiros casos da Covid-19 em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM), os n\u00fameros na regi\u00e3o mostram tend\u00eancia de interioriza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Com cerca de 45 mil habitantes, o munic\u00edpio \u00e9 conhecido por concentrar a maior popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do pa\u00eds. Cerca de 26 mil pessoas vivem nas comunidades mais afastadas. Exemplo de que a Covid-19 est\u00e1 atingindo os povos ind\u00edgenas que vivem mais distantes dos centros urbanos \u00e9 que, dos 68 casos registrados da doen\u00e7a na ter\u00e7a-feira (11\/08), apenas quatro vivem em ambiente urbano, conforme informou a Secretaria Municipal de Sa\u00fade de S\u00e3o Gabriel (Semsa).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Especialistas apontam um quadro de incerteza sobre a pandemia no Alto Rio Negro, devido a fatores como desconhecimento sobre o v\u00edrus, baixa testagem e insufici\u00eancia de dados. Mas refor\u00e7am que o aumento do fluxo entre comunidades e ambiente urbano tende a causar aumento de casos nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Na cidade de S\u00e3o Gabriel, o clima \u00e9 de aparente normalidade: ruas lotadas, com\u00e9rcio cheio, muita gente nos bares e na praia do Rio Negro, com poucas pessoas usando m\u00e1scaras. O munic\u00edpio vinha registrando queda nas interna\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas semanas e n\u00e3o h\u00e1 \u00f3bitos causados pelo novo coronav\u00edrus desde 27 de julho.<\/p>\n<p>Desde 9 de julho a Semsa registrava entre dois e quatro casos de interna\u00e7\u00e3o. Na ter\u00e7a-feira, esse n\u00famero passou para sete, havendo ainda dois pacientes transferidos para Manaus.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/covid-19-bebes-yanomami-sao-internados-as-pressas-em-sao-gabriel-da-cachoeira\">Os casos incluem o das crian\u00e7as Yanomami<\/a>\u00a0que foram transferidas no domingo (9) da comunidade Mai\u00e1 para o Hospital de Guarni\u00e7\u00e3o (HGU), administrado pelo Ex\u00e9rcito. Tr\u00eas delas testaram positivo, sendo que a quarta repetir\u00e1 o exame, pois tem poucos dias de sintomas e o pai est\u00e1 com Covid-19. O teste r\u00e1pido \u00e9 aplicado normalmente ap\u00f3s o oitavo dia da presen\u00e7a de sintomas.<\/p>\n<p>No comparativo dos meses de junho e julho, as comunidades apresentaram alta mais acentuada que o ambiente urbano. Em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, entre 30 de junho e 30 de julho, os casos da Covid-19 tiveram alta de 22%, passando de 2.710 para 3.321. J\u00e1 no Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena Yanomami (Dsei Yanomami), a alta foi mais acentuada nesse per\u00edodo: 134%, passando de 151 para 353 casos. No Dsei Alto Rio Negro, houve aumento de 107%, de 344 para 712.<\/p>\n<p>Pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz \u2013 Fiocruz Amaz\u00f4nia, Luiza Garnelo aponta que realmente h\u00e1 uma tend\u00eancia de interioriza\u00e7\u00e3o dos casos da Covid-19. \u201cNa Amaz\u00f4nia, h\u00e1 um perfil [da pandemia] que tem in\u00edcio pelas cidades grandes, como Manaus, Bel\u00e9m e Macap\u00e1, e come\u00e7a a se espraiar para o interior. Esse modelo de Manaus, que vai para o interior, como uma onda, vemos se replicar nos munic\u00edpios do interior. A tend\u00eancia em S\u00e3o Gabriel \u00e9 que a Covid-19 avance para as \u00e1reas rurais, em fun\u00e7\u00e3o do fluxo das pessoas\u201d, disse.<\/p>\n<p>O gestor em sa\u00fade coletiva da Secretaria Municipal de Sa\u00fade, Angelo Quintanilha analisou que atualmente a situa\u00e7\u00e3o parece mais controlada na cidade, por\u00e9m, alertou para o registro de avan\u00e7o da Covid-19 em comunidades no territ\u00f3rio ind\u00edgena onde ainda n\u00e3o havia casos. Ele refor\u00e7ou que h\u00e1 necessidade de aumentar a testagem, inclusive para a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<h2>Segunda onda<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/nsa\/arquivos\/analise_da_probabilidade_de_disseminacao_do_covid.pdf#overlay-context=pt-br\/noticias-socioambientais\/covid-19-avanca-em-comunidades-indigenas-do-rio-negro-apos-aumento-do-fluxo-aldeia-cidade\">Nota t\u00e9cnica sobre a probabilidade de dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19 no Noroeste Amaz\u00f4nico<\/a>, elaborada pelo Instituto Socioambiental (ISA) em conjunto com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), n\u00e3o descarta a possibilidade de um segundo pico de dissemina\u00e7\u00e3o no Noroeste Amaz\u00f4nico quando consideradas as diferentes din\u00e2micas sociais e fluxos de circula\u00e7\u00e3o entre as localidades rurais e sedes municipais. \u201cDesta maneira, \u00e9 essencial que os \u00f3rg\u00e3os gestores se mantenham atentos no acompanhamento de novos casos e nas novas demanda de atendimento hospitalar por pacientes com quadros de S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave\u201d, afirma a an\u00e1lise.<\/p>\n<p>At\u00e9 11 de agosto, segundo levantamento da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), eram 436 casos confirmados e 4 \u00f3bitos por Covid-19 na \u00e1rea do Dsei Yanomami, no Amazonas e Roraima. Dos 37 polos-base desse distrito, ao menos 25 (67,6%) registraram casos da doen\u00e7a. No Dsei-ARN \u2013 que atende a comunidades em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos -, at\u00e9 essa data, eram 927 casos com 12 \u00f3bitos. S\u00e3o 25 polos-base, com casos registrados em todos eles.<\/p>\n<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro (Foirn), Marivelton Barroso, da etnia Bar\u00e9, disse que lideran\u00e7as ind\u00edgenas apontam que o v\u00edrus j\u00e1 chegou a quase todo o territ\u00f3rio tradicional da regi\u00e3o. Mas, de acordo com levantamentos do Dsei-ARN, cerca de 18% das 740 comunidades em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o apresentaram casos da Covid-19. Essa discrep\u00e2ncia, segundo Barroso, mostra que est\u00e1 faltando realiza\u00e7\u00e3o de testes.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\"Enfermeira do DSEI-Y e lideran\u00e7a da Foirn fazem diagn\u00f3stico das pend\u00eancias dos benef\u00edcios sociais junto aos Yanomami|Ana Am\u00e9lia Handam\/ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/dsei_e_foirn_tentando_ajudar_beneficios_sociais.jpeg?itok=aXDcQLLg\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Enfermeira do DSEI-Y e lideran\u00e7a da Foirn fazem diagn\u00f3stico das pend\u00eancias dos benef\u00edcios sociais junto aos Yanomami\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/dsei_e_foirn_tentando_ajudar_beneficios_sociais.jpeg?itok=MpS7brVY\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">Enfermeira do DSEI-Y e lideran\u00e7a da Foirn fazem diagn\u00f3stico das pend\u00eancias dos benef\u00edcios sociais junto aos Yanomami<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>A pr\u00f3pria federa\u00e7\u00e3o, com apoio do ISA e da campanha Uni\u00e3o Amaz\u00f4nia Viva, fez a doa\u00e7\u00e3o de 4 mil testes r\u00e1pidos para os Dseis ARN e Yanomami. No Territ\u00f3rio Yanomami, a aldeia mais atingida \u00e9 Maturac\u00e1, com 94 casos e duas mortes, at\u00e9 8 de agosto. Essa comunidade tem a maior popula\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio Yanomami do Amazonas, com 2.082 moradores.<\/p>\n<p>No Mai\u00e1, onde as crian\u00e7as tamb\u00e9m est\u00e3o sendo atingidas, s\u00e3o 18 casos. Mas o n\u00famero \u00e9 certamente maior, pois as \u00faltimas confirma\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o foram contabilizadas. Em 30 de julho, eram 11 casos nessa comunidade. A alta acentuada pode estar ligada ao fato de um grande n\u00famero de ind\u00edgenas dessa comunidade ter seguido para S\u00e3o Gabriel no final de julho para sacar benef\u00edcios sociais.<\/p>\n<p>Muitos deles ficam em um barrac\u00e3o em \u00e1rea urbana, \u00e0s margens da BR-307, que n\u00e3o oferece condi\u00e7\u00f5es adequadas para preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19. Para amenizar esse problema, a Foirn e Dsei Yanomami tentam organizar, junto \u00e0s lideran\u00e7as ind\u00edgenas, um fluxo das viagens dos Yanomami at\u00e9 a cidade, para evitar que um grande n\u00famero de pessoas se dirija \u00e0 cidade ao mesmo tempo. J\u00e1 no Dsei Alto Rio Negro (Dsei ARN), as comunidades com maior n\u00famero de casos s\u00e3o Iauaret\u00ea (178), seguidas de Massarabi (83), Pari-Cachoeira (63), Taracu\u00e1 (56), Ilha das Flores (58), conforme levantamento de 8 de agosto.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\" Aglomera\u00e7\u00e3o no barrac\u00e3o de apoio do povo Yanomami na \u00e1rea urbana de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM)|Ana Am\u00e9lia Handam\/ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/barracao_yanomami_lotado_na_pandemia.jpeg?itok=rVzSNH3i\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\" Aglomera\u00e7\u00e3o no barrac\u00e3o de apoio do povo Yanomami na \u00e1rea urbana de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM)\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/barracao_yanomami_lotado_na_pandemia.jpeg?itok=ZtB208hR\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">Aglomera\u00e7\u00e3o no barrac\u00e3o de apoio do povo Yanomami na \u00e1rea urbana de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM)<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<h2>Cautela<\/h2>\n<p>Conforme a pesquisadora Luiza Garnelo, da Fiocruz, uma s\u00e9rie de fatores leva \u00e0 incerteza sobre o momento atual da pandemia, sendo um deles a insufici\u00eancia da testagem. \u201cTemos uma quantidade de teste irris\u00f3ria em escala nacional, mas pior na Amaz\u00f4nia e no interior da Amaz\u00f4nia. Hoje a rotina \u00e9 testar quem est\u00e1 sintom\u00e1tico apenas, n\u00e3o h\u00e1 testagem ampla da popula\u00e7\u00e3o\u201d, lamentou. Ela explica ainda que o teste r\u00e1pido, exame que vem sendo mais utilizado para detectar a Covid-19, pode dar falso negativo ou falso positivo. \u201cTudo isso dificulta muito uma vis\u00e3o clara do que est\u00e1 acontecendo em todos os lugares\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 a falta de conhecimento geral sobre a Covid-19, o que resulta em d\u00favidas at\u00e9 sobre a ocorr\u00eancia de uma segunda onda da doen\u00e7a. \u201cAs notifica\u00e7\u00f5es no estado do Amazonas ca\u00edram. Ampliamos o acesso a testes, mas a gente n\u00e3o tem um crescimento. Tem decl\u00ednio e ningu\u00e9m sabe exatamente dizer o motivo, se foi a imunidade de rebanho, se vai ter segunda onda. Estamos no escuro, de fato, enquanto sociedade\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a pesquisadora ressalta que \u00e9 necess\u00e1rio manter precau\u00e7\u00e3o e aumentar a vigil\u00e2ncia, com amplia\u00e7\u00e3o da busca ativa. \u201cA detec\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 quest\u00e3o chave na Amaz\u00f4nia, pois lidamos com \u00e1reas de dif\u00edcil acesso\u201d, indicou. \u201cDeve-se ampliar a testagem de forma adequada e consistente. E monitorar os casos. A falta de transpar\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos casos prejudica muito\u201d, completa.<\/p>\n<p>A pesquisadora aponta que o levantamento disponibilizado pela Sesai indica um n\u00famero de casos suspeitos menor que o de confirmados. Essa rela\u00e7\u00e3o vem causando estranheza entre os especialistas. \u201cOs casos confirmados \u00e9 que t\u00eam que ser muito menor porque n\u00e3o tem testagem massiva no Brasil. Significa que n\u00e3o est\u00e3o procurando ou n\u00e3o est\u00e3o enquadrando dentro da vigil\u00e2ncia essa quest\u00e3o de suspeitos\u201d, explicou. At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria, a Sesai n\u00e3o havia respondido aos questionamentos sobre o n\u00famero de aplica\u00e7\u00e3o de testes na regi\u00e3o do Alto Rio Negro.<\/p>\n<p>Conforme levantamento da Sesai de 11 de agosto, em todo o pa\u00eds h\u00e1 18.404 casos confirmados da Covid-19 entre ind\u00edgenas aldeados, com 322 \u00f3bitos. S\u00e3o 952 casos suspeitos. J\u00e1 o levantamento da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib) aponta para 23.712 casos confirmados e 658 mortes. Esse levantamento leva em conta tamb\u00e9m ind\u00edgenas que vivem no ambiente urbano.<\/p>\n<h2>Aumento do fluxo aldeia-cidade<\/h2>\n<p>Os dois primeiros casos da Covid-19 foram confirmados em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, munic\u00edpio brasileiro com maior concentra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, em 26 de abril. Em 11 de agosto, eram 3.468 casos e 49 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Em in\u00edcio de maio, quando ainda tinha 54 casos e 4 \u00f3bitos, a prefeitura decretou\u00a0<em>lockdown<\/em>, permitindo apenas o funcionamento do com\u00e9rcio essencial. Decreto municipal de 9 de julho flexibilizou de forma acentuada a reabertura do com\u00e9rcio e demais atividades. Nas ruas, o que se v\u00ea \u00e9 um ritmo praticamente de vida normal. Em 30 de junho venceu o decreto que suspendia o tr\u00e2nsito entre comunidades e cidade.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, h\u00e1 o aumento do fluxo das comunidades para a cidade, elevando o risco de contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus. Nesse momento de pandemia, os ind\u00edgenas t\u00eam se dirigido ao ambiente urbano principalmente para sacar benef\u00edcios sociais, fazer compras e visitar parentes que moram na cidade.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\"Enormes filas na lot\u00e9rica em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira aumentam risco de cont\u00e1gio do Covid-19|Ana Am\u00e9lia Handam\/ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/fila_loterica_em_23.07_pandemia.jpeg?itok=1XtQsvuF\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Enormes filas na lot\u00e9rica em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira aumentam risco de cont\u00e1gio do Covid-19\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/fila_loterica_em_23.07_pandemia.jpeg?itok=ffxToRb7\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">Enormes filas na lot\u00e9rica em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira aumentam risco de cont\u00e1gio do Covid-19<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>As filas em frente \u00e0 casa lot\u00e9rica da cidade para recebimento do aux\u00edlio emergencial v\u00eam sendo um problema durante todo o per\u00edodo de crise sanit\u00e1ria. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) moveu duas a\u00e7\u00f5es exigindo adequa\u00e7\u00f5es \u00e0 realidade ind\u00edgena, pedindo que o prazo para o saque de benef\u00edcios se estenda e, al\u00e9m disso, que o pagamento seja feito nas comunidades. O Governo Federal n\u00e3o atendeu \u00e0s exig\u00eancias, recebeu multa di\u00e1ria de R$ 100 mil determinada pela Justi\u00e7a e, ainda assim, n\u00e3o fez as altera\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n<h2>Contamina\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A nota t\u00e9cnica sobre a probabilidade de dissemina\u00e7\u00e3o da Covid-19 no Noroeste Amaz\u00f4nico, elaborada pelo ISA e Ufam, indica uma s\u00e9rie de fatores, al\u00e9m do isolamento e controle de fluxo, que pode interferir na intensidade do ritmo da contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Segundo a bi\u00f3loga Nat\u00e1lia Pimenta, analista de pesquisa intercultural do ISA, o estudo projeta quatro cen\u00e1rios de dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus em munic\u00edpios do Alto Rio Negro que variam de acordo com o n\u00edvel de isolamento social e controle de fluxo entre comunidades e cidades. O resultado do estudo refor\u00e7a a efici\u00eancia das medidas de interven\u00e7\u00e3o no combate ao novo coronav\u00edrus: quanto maior o controle da movimenta\u00e7\u00e3o, menor o risco de cont\u00e1gio, desafogando o sistema de sa\u00fade. Nat\u00e1lia Pimenta assina o estudo juntamente com Fabricio Baccaro, da Ufam.<\/p>\n<p>O modelo se baseia tamb\u00e9m na realidade local e inclui at\u00e9 mesmo a frequ\u00eancia de viagens das fam\u00edlias de acordo com a comunidade onde vive. Essas informa\u00e7\u00f5es foram compiladas a partir do Levantamento Socioambiental, realizado pelo ISA e pela Foirn em 2016 e 2017, para a elabora\u00e7\u00e3o dos Planos de Gest\u00e3o Territorial e Ambiental (PGTAs).<\/p>\n<p>Assim, o estudo leva em conta as medidas de isolamento, densidade populacional das localidades e frequ\u00eancia de viagens para analisar as probabilidades de contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus. \u201cAs comunidades dos polos base (dos Distritos Sanit\u00e1rios Especiais Ind\u00edgenas) mais pr\u00f3ximas do n\u00facleo urbano t\u00eam alta probabilidade de contamina\u00e7\u00e3o mesmo no cen\u00e1rio onde adotam um isolamento social, j\u00e1 que os moradores dessas localidades t\u00eam uma grande frequ\u00eancia de viagem, muito maior do que em outras comunidades afastadas. \u00c9 um padr\u00e3o que a gente j\u00e1 esperava\u201d, exemplificou a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise mais ampla possibilita maior clareza sobre os fatores que influenciam a curva de cont\u00e1gio dependendo da comunidade. Dessa forma, a nota t\u00e9cnica pode amparar tomada de decis\u00f5es pelo poder p\u00fablico que v\u00e3o al\u00e9m das medidas de isolamento podendo indicar, por exemplo, em quais pontos refor\u00e7ar a estrutura da sa\u00fade.<\/p>\n<ol>\n<li>Fonte: ISA<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viagens s\u00e3o para saque de benef\u00edcios sociais em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM); nota t\u00e9cnica alerta para ondas de dissemina\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus no Noroeste Amaz\u00f4nico Passados cerca de tr\u00eas meses do registro dos primeiros casos da Covid-19 em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM), os&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,22,1614,2],"tags":[1573],"class_list":["post-7659","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-amazonas","category-area-5-col1","category-indigenas","category-slideshow","tag-noroeste-amazonico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7659"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7659\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7661,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7659\/revisions\/7661"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}