{"id":7816,"date":"2020-12-03T09:56:11","date_gmt":"2020-12-03T12:56:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7816"},"modified":"2020-12-03T09:56:11","modified_gmt":"2020-12-03T12:56:11","slug":"mudanca-na-dinamica-de-queimadas-impoe-novos-desafios-a-bombeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/mudanca-na-dinamica-de-queimadas-impoe-novos-desafios-a-bombeiros\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a na din\u00e2mica de queimadas imp\u00f5e novos desafios a bombeiros"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/2020-09-10t061517z-1924202105-rc2ivi9yw37t-rtrmadp-3-climate-change-global-weather-e1607000110985.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7817\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/2020-09-10t061517z-1924202105-rc2ivi9yw37t-rtrmadp-3-climate-change-global-weather-e1607000110985.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"467\" \/><\/a>Em 2020, o Estado bateu recordes de queimadas, que avan\u00e7aram sobre suas regi\u00f5es mais conservadas; profissionais que combatem as chamas atuam tamb\u00e9m no resgate de animais<\/em><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do ano at\u00e9 o dia 18 de novembro, o Acre teve 9.151 focos de queimadas detectados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com esse n\u00famero, apesar de corresponder a apenas 3,2% do territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia Legal, o Acre foi respons\u00e1vel por 9,4% dos 96.996 focos de queimadas detectados nos nove estados da regi\u00e3o em 2020. O aumento das queimadas no estado foi de 35% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019, quando foram detectados 6.770 focos.<\/p>\n<p>Em 2020, o Acre bateu o recorde da d\u00e9cada em \u00e1rea queimada. Foram 265 mil hectares queimados entre janeiro e a primeira semana de novembro, de acordo com o Projeto Acre Queimadas, da Universidade Federal do Acre. O n\u00famero \u00e9 quase 40% maior do que o registrado no mesmo per\u00edodo de 2019 (190 mil hectares) e supera em mais de 15% o recorde dos \u00faltimos 10 anos, em 2020, quando foram incendiados 230 mil hectares.<\/p>\n<p>Metade dos focos de queimadas no Acre ocorreu em munic\u00edpios que ainda det\u00eam extensas \u00e1reas de florestas preservadas, incluindo alguns sem acesso rodovi\u00e1rio e que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s n\u00e3o eram motivo de grande preocupa\u00e7\u00e3o. Os munic\u00edpios de Jord\u00e3o e Marechal Thaumaturgo, por exemplo, tiveram em 2020 aumento de 20% e 94%, respectivamente, no n\u00famero de queimadas em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019.<\/p>\n<p>Isso marca uma mudan\u00e7a na din\u00e2mica do processo de devasta\u00e7\u00e3o no estado, com o fogo se expandindo de regi\u00f5es j\u00e1 bastante pressionadas pela agropecu\u00e1ria para as mais conservadas, causando danos irrepar\u00e1veis \u00e0 fauna e \u00e0 flora.\u00a0<strong>O Vale do Juru\u00e1, que concentra boa parte das unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UCs) e terras ind\u00edgenas acrianas e possui uma das mais ricas biodiversidades do mundo, \u00e9 uma das \u00e1reas mais afetadas.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Entre as UCs federais do Acre com mais queimadas, a Reserva Extrativista do Alto Juru\u00e1 foi a segunda colocada em 2020, com 139 focos. J\u00e1 no Parque Nacional da Serra do Divisor chama a aten\u00e7\u00e3o o aumento de mais de 70% no n\u00famero de queimadas este ano: foram 110 focos em 2020 e 64 no mesmo per\u00edodo de 2019. O munic\u00edpio de Cruzeiro do Sul teve 448 focos em 2020, um aumento de quase 60% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2019.<\/p>\n<h3>O desafio de combater o fogo<\/h3>\n<p>Com essa nova din\u00e2mica, debelar o fogo naquela regi\u00e3o \u00e9 cada vez mais desafiador. Quem faz esse trabalho \u00e9 o 4<sup>o<\/sup>\u00a0Batalh\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o, Preven\u00e7\u00e3o e Combate a Inc\u00eandio Florestal (BEPCIF) do Corpo de Bombeiros Militar do Acre. Formado por mais de 60 homens e mulheres, o grupamento ainda tem como atribui\u00e7\u00e3o apagar inc\u00eandios urbanos, al\u00e9m de realizar buscas e salvamentos de v\u00edtimas de afogamento nos rios e igarap\u00e9s da Bacia do Juru\u00e1.<\/p>\n<p>Outra atribui\u00e7\u00e3o dos bombeiros \u00e9 o resgate e captura de animais silvestres, trabalho que se intensifica no per\u00edodo das queimadas. Quando n\u00e3o s\u00e3o mortos pela a\u00e7\u00e3o direta do fogo ou pela inala\u00e7\u00e3o da fuma\u00e7a t\u00f3xica, muitos bichos acabam fugindo para as \u00e1reas urbanas em busca de ref\u00fagio.<\/p>\n<p>O 4<sup>o<\/sup>\u00a0Batalh\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por atender ocorr\u00eancias em cinco munic\u00edpios: Cruzeiro do Sul, M\u00e2ncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves. Dois deles (Marechal Thaumaturgo e Porto Walter) s\u00e3o acess\u00edveis apenas via fluvial ou a\u00e9rea. Os casos que necessitam da presen\u00e7a dos bombeiros o deslocamento \u00e9 feito por \u201cvoadeiras\u201d, subindo o rio Juru\u00e1 em um percurso que pode durar at\u00e9 um dia. Os bombeiros acrianos ainda atendem a chamadas mais graves nos munic\u00edpios de Guajar\u00e1 e Ipixuna, ambos no estado do Amazonas.<\/p>\n<p>De acordo com o capit\u00e3o Jos\u00e9 Dutra de Oliveira, comandante do 4\u00ba BEPCIF,\u00a0<strong>em 2020 houve aumento nas ocorr\u00eancias de captura de animais silvestres no per\u00edmetro urbano de Cruzeiro do Sul.<\/strong>\u00a0Os casos mais comuns s\u00e3o de aves como araras e corujas, o que n\u00e3o ocorria com tanta frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cO Corpo de Bombeiros \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o que atua na quest\u00e3o de captura de animal silvestre. Este ano houve acr\u00e9scimo no n\u00famero de solicita\u00e7\u00f5es, em especial na \u00e9poca do ver\u00e3o. O desmatamento e as queimadas fazem com que os animais apare\u00e7am mais\u201d, afirma o comandante Oliveira.<\/p>\n<h3>Na linha de frente, uma hist\u00f3ria de dedica\u00e7\u00e3o e orgulho<\/h3>\n<p>Desde 2015 integrando os quadros da corpora\u00e7\u00e3o, o soldado Geovane da Concei\u00e7\u00e3o Gomes, de 37 anos, \u00e9 um dos militares que atuam na linha de frente no combate ao fogo, no resgate e captura de animais. A forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em biologia ajuda o bombeiro em seu trabalho de manejo da fauna silvestre.<\/p>\n<p>De acordo com ele, ao terem seus habitats destru\u00eddos pelo fogo os animais buscam ref\u00fagios em locais mais seguros. Nessa busca, acabam sendo v\u00edtimas de atropelamentos nas estradas e ruas das cidades. Como a regi\u00e3o n\u00e3o disp\u00f5e de um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), a fauna capturada, quando apresenta boas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, \u00e9 devolvida \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>\u201cDevolvemos para uma \u00e1rea mais preservada onde exista alimento e \u00e1gua\u201d, explica. \u201cQuando pegamos animais ferido, n\u00e3o temos para onde lev\u00e1-los. No quartel n\u00e3o h\u00e1 um local espec\u00edfico para abrig\u00e1-los e recuper\u00e1-los para depois fazer a reintrodu\u00e7\u00e3o na natureza\u201d.<\/p>\n<p>O soldado Geovane exerce a profiss\u00e3o com dedica\u00e7\u00e3o e orgulho. Natural de Cruzeiro do Sul, conhece as caracter\u00edsticas da regi\u00e3o como poucos. Uma de suas \u00faltimas conquistas foi a aprova\u00e7\u00e3o no curso de mergulhador, um dos mais desafiadores na carreira de bombeiro. Mergulhar em rios de \u00e1guas barrentas \u00e9 uma tarefa especialmente \u00e1rdua.<\/p>\n<p>\u201cTanto faz voc\u00ea mergulhar de olhos abertos ou fechados, n\u00e3o tem a m\u00ednima diferen\u00e7a. N\u00e3o se v\u00ea nada. Ainda \u00e9 preciso ter cuidado pra n\u00e3o ficar preso entre os galhos das \u00e1rvores\u201d, diz Geovane, que cresceu pelos barrancos do rio Juru\u00e1.<\/p>\n<p>Nascido numa t\u00edpica fam\u00edlia de ribeirinhos da Amaz\u00f4nia, ele \u00e9 o terceiro mais velho entre seis irm\u00e3os. Como sua m\u00e3e n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de criar todos, Geovane passou a inf\u00e2ncia num orfanato da cidade. Aos 12 anos passou a trabalhar como pescador nos barcos pesqueiros do rio Juru\u00e1. Passava dias \u2013 ou semanas a fio \u2013 subindo e descendo os rios e igarap\u00e9s em busca dos melhores peixes.<\/p>\n<p>Ao completar os 18 anos, apresentou-se ao servi\u00e7o militar. Passou sete anos no 61\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria de Selva (BIS), do Ex\u00e9rcito, onde chegou ao posto de cabo. Ele estudava Biologia na Universidade Federal do Acre, quando foi dispensado do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de bacharel em biologia, Geovane tamb\u00e9m \u00e9 formado em um curso de t\u00e9cnico em enfermagem. Na \u00e1rea da sa\u00fade, trabalhou como agente de endemias durante o dia e, durante a noite, como vigilante em uma escola particular de inform\u00e1tica. Em 2012, foi aprovado no concurso do Corpo de Bombeiros, mas n\u00e3o alcan\u00e7ou a pontua\u00e7\u00e3o suficiente para ser chamado logo na primeira convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm 2015 fizeram uma convoca\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pensei duas vezes ao deixar o trabalho de agente de endemias. Finalmente iria fazer aquilo que gostava, atuar na \u00e1rea militar. Ao mesmo tempo, lidar com o resgate de animais era uma forma de estar em contato com o reino animal que estudei na universidade\u201d, afirma. Geovane conhece cada bicho da fauna amaz\u00f4nica \u2013 sabe na ponta da l\u00edngua tanto os nomes populares quanto os cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as aos estudos na academia, ele sabe o local certo para a soltura de cada esp\u00e9cie capturada. \u201cTem que ser um lugar seguro, com disponibilidade de comida e \u00e1gua.\u201d Estar longe da presen\u00e7a humana \u00e9 outro crit\u00e9rio para a seguran\u00e7a dos animais. Cada vez que faz uma opera\u00e7\u00e3o de resgate de animais, Geovane faz quest\u00e3o de registrar tudo com a c\u00e2mera do celular.<\/p>\n<p>WWF Brasil<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2020, o Estado bateu recordes de queimadas, que avan\u00e7aram sobre suas regi\u00f5es mais conservadas; profissionais que combatem as chamas atuam tamb\u00e9m no resgate de animais Desde o in\u00edcio do ano at\u00e9 o dia 18 de novembro, o Acre teve 9.151 focos de queimadas detectados&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26,22,35,2],"tags":[1173],"class_list":["post-7816","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-acre","category-area-5-col1","category-meio-ambiente","category-slideshow","tag-acre"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7816"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7816\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7818,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7816\/revisions\/7818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}