{"id":7835,"date":"2020-12-03T20:48:45","date_gmt":"2020-12-03T23:48:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7835"},"modified":"2021-05-12T22:10:31","modified_gmt":"2021-05-13T01:10:31","slug":"medio-rio-negro-investiga-impactos-de-incendios-florestais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/medio-rio-negro-investiga-impactos-de-incendios-florestais\/","title":{"rendered":"M\u00e9dio Rio Negro investiga impactos de inc\u00eandios florestais"},"content":{"rendered":"<div class=\"summary\"><em>Na regi\u00e3o de Barcelos, Amazonas, grupo de agentes ind\u00edgenas de manejo ambiental come\u00e7ou uma pesquisa sobre os preju\u00edzos ambientais e socioecon\u00f4micos da destrui\u00e7\u00e3o pelo fogo<\/em><\/div>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>Uma equipe de sete agentes ind\u00edgenas de manejo ambiental (AIMAs) da regi\u00e3o de Barcelos, no M\u00e9dio Rio Negro, iniciou uma pesquisa colaborativa sobre os efeitos da seca extrema que aconteceu entre setembro de 2015 e mar\u00e7o de 2016. Na \u00e9poca, inc\u00eandios florestais se espalharam por amplas \u00e1reas do munic\u00edpio. Mesmo com o passar dos anos, os efeitos das queimadas nessa escala seguem devido \u00e0 lenta recupera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. Um dos objetivos do estudo \u00e9 avaliar os preju\u00edzos ambientais e socioecon\u00f4micos imediatos p\u00f3s queimadas em \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e de manejo familiar e os efeitos que continuam a ser sentidos atualmente.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios nos igap\u00f3s geraram os impactos de maior longo prazo, mostrou estudo publicado no volume inaugural da Aru, Revista de Pesquisa Intercultural do Rio Negro (<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/publicacoes-isa\/aru-revista-de-pesquisa-intercultural-da-bacia-do-rio-negro-amazonia-v-1-n-1\">baixe aqui<\/a>). O solo das florestas alag\u00e1veis acumulam uma camada espessa de mat\u00e9ria org\u00e2nica \u2013 folhas, madeira, ra\u00edzes \u2013 que resseca nos longos ver\u00f5es e \u00e9 muito prop\u00edcia ao fogo. O fogo subterr\u00e2neo n\u00e3o se apaga facilmente e vai queimando as \u00e1rvores pelas ra\u00edzes. Mesmo aquelas que sobreviveram de imediato, morreram depois, provavelmente porque suas ra\u00edzes j\u00e1 haviam sido atingidas.<br \/>\nClarindo Campos, morador e conhecedor ind\u00edgena de Barcelos, e que teve suas ro\u00e7as perdidas com o fogo, fez seu relato:<\/p>\n<p><em>\u201cNos igap\u00f3s as \u00e1rvores como que entristeceram, come\u00e7aram a cair sozinhas. Em alguns lugares, aquelas \u00e1rvores que n\u00e3o queimaram, ficaram bem bonitas. A gente falou \u2013 nossa, que bom! N\u00e3o queimaram essas \u00e1rvores! Mas logo em seguida, vendo seus parentes morrendo, come\u00e7aram tamb\u00e9m a cair. E agora n\u00e3o tem mais nenhuma \u00e1rvore em p\u00e9, ca\u00edram tudinho. Acho que quando queima, queima aquele fundo de ra\u00edzes onde elas se firmam. Os peixes ainda ficaram uns seis meses naquele igap\u00f3 queimado em busca de comida, frutas&#8230; para pegar pacu o cara precisa de aranha, e n\u00e3o tem mais nenhuma, queimaram tudinho. Pouco a pouco, eles foram sumindo, porque os minhocais tamb\u00e9m foram queimados, borboletas sumiram, gafanhotos sumiram. Os macacos tamb\u00e9m, que derrubam frutas para os peixes, n\u00e3o podem mais sair porque n\u00e3o tem mais mato. Tudo isso trouxe preju\u00edzo, e agora meu medo \u00e9 esse \u2013 o peixe vai sumindo. Os peixes s\u00e3o iguais a n\u00f3s, o ser humano do planeta Terra, nessa dimens\u00e3o \u2013 ele tamb\u00e9m tem suas hist\u00f3rias, seus meios de transporte&#8230; ent\u00e3o o que vai acontecer? Se vem mais uma queimada, uma seca, o risco \u00e9 eles migrarem para outro lugar distante, para outros rios maiores. \u00c9 tipo estrada, quando n\u00e3o tem mais circula\u00e7\u00e3o de gente, a estrada cerra, uma \u00e1rvore cai e fica invi\u00e1vel o transporte. Ent\u00e3o os canais onde os peixes se movimentam ficam assim tamb\u00e9m \u2013 o lago se enterra, fica raso, a \u00e1gua se esquenta, os peixes morrem, e eles n\u00e3o querem mais vir, esse \u00e9 o risco hoje. Isso est\u00e1 acontecendo gradualmente, n\u00e3o \u00e9 de uma vez s\u00f3 \u2013 um ano, menos, outro ano ainda menos&#8230; Esses dias fui no s\u00edtio, e s\u00f3 comi frango, n\u00e3o tem como pescar mais.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto local nos ciclos de vida, a queima das florestas de igap\u00f3 e da turfeira (tipo de solo chamado na regi\u00e3o de bucha) tamb\u00e9m geram altas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, muito superior \u00e0s queimadas ocorridas em florestas de terra firme.<\/p>\n<p>Os AIMAs que iniciaram esse estudo s\u00e3o das comunidades de S\u00e3o Roque (no rio Caur\u00e9s), Cauboris, Cumaru e Canaf\u00e9 (no rio Negro), Bacabal (no rio Arac\u00e1) e na pr\u00f3pria cidade de Barcelos. Eles est\u00e3o conversando com outros moradores que tiveram suas \u00e1reas de uso impactadas, reunindo informa\u00e7\u00f5es para entender melhor as consequ\u00eancias dos inc\u00eandios na economia familiar, calcular os preju\u00edzos causados nas comunidades, conhecer como essas paisagens e \u00e1reas de manejo est\u00e3o se recuperando e, ainda, como as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas afetadas buscam mitigar os efeitos das queimadas e se adaptar \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\"Mapa de apoio utilizado pelos AIMAS na pesquisa em Barcelos\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/barcelos_2020_aimas_mapa_apoio_new_nsa.jpg?itok=Vl3RrG3t\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Mapa de apoio utilizado pelos AIMAS na pesquisa em Barcelos\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/barcelos_2020_aimas_mapa_apoio_new_nsa.jpg?itok=Yi5GAOuk\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">Mapa de apoio utilizado pelos AIMAS na pesquisa em Barcelos<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Essa pesquisa local est\u00e1 sendo complementada com an\u00e1lises de dados meteorol\u00f3gicos e de sensoriamento remoto. Entre janeiro de 2015 e agosto de 2020, o sat\u00e9lite AQUA registrou 810 focos de calor na regi\u00e3o de Barcelos, desse total cerca de 84%, ou 684 focos, foram registrados entre 2015 e 2016. As an\u00e1lises das imagens de sat\u00e9lite desses anos indicam que cerca de 3900 km\u00b2 de campinaranas e cerca 523 km\u00b2 de florestas de igap\u00f3 foram queimadas. Embora as maiores \u00e1reas queimadas sejam as de campinaranas, quando analisamos a propor\u00e7\u00e3o da paisagem queimada vemos que 12% das florestas de igap\u00f3 foram queimadas nesses anos e foram, portanto, o tipo vegetacional mais impactado pelos inc\u00eandios (Fonte ISA).<\/p>\n<p>As an\u00e1lises dos dados meteorol\u00f3gicos dispon\u00edveis indicam que o aumento das queimadas est\u00e1 em grande medida relacionado ao estabelecimento de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas prop\u00edcias \u00e0 dispers\u00e3o do fogo, tais como o aumento da temperatura e da velocidade do vento e a diminui\u00e7\u00e3o da umidade relativa do ar.<\/p>\n<p>Tanto as an\u00e1lises das imagens de sat\u00e9lite quanto os focos de calor apontam que as \u00e1reas mais afetadas pelos inc\u00eandios, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea e a severidade, foram regi\u00f5es de campinaranas e igap\u00f3s &#8212; relativamente distantes das comunidades. No entanto, comparando \u00e0 detec\u00e7\u00e3o dos focos de calor com as imagens de sat\u00e9lite, as \u00faltimas permitem acessar melhor o impacto dos inc\u00eandios sobre as \u00e1reas das comunidades. Em uma an\u00e1lise visual, foi verificado que 40 comunidades tiveram parte de suas \u00e1reas de uso atingidas pelas queimadas.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/nsa_dnbr_comunidades_prox_barcelos.jpeg?itok=LP9sl1Wt\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/nsa_dnbr_comunidades_prox_barcelos.jpeg?itok=mqrC2-Ao\" alt=\"\" \/><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m desse estudo, os AIMAs tamb\u00e9m est\u00e3o envolvidos na pesquisa e monitoramento ambiental e clim\u00e1tico da Bacia do Rio Negro (PMAC), um projeto mais abrangente geograficamente e de mais longo prazo, que acompanha os ciclos anuais a partir de um conjunto de indicadores definidos coletivamente. O PMAC \u00e9 uma das atividades da rede que soma 50 AIMAs, incluindo moradores de outras cinco sub-regi\u00f5es do alto e m\u00e9dio rio Negro.<\/p>\n<p>Fonte: ISA<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na regi\u00e3o de Barcelos, Amazonas, grupo de agentes ind\u00edgenas de manejo ambiental come\u00e7ou uma pesquisa sobre os preju\u00edzos ambientais e socioecon\u00f4micos da destrui\u00e7\u00e3o pelo fogo Uma equipe de sete agentes ind\u00edgenas de manejo ambiental (AIMAs) da regi\u00e3o de Barcelos, no M\u00e9dio Rio Negro, iniciou uma&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7836,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,19,35,2],"tags":[1599],"class_list":["post-7835","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonas","category-area-2","category-meio-ambiente","category-slideshow","tag-prejuizo-ambiental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7835"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7835\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8091,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7835\/revisions\/8091"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}