{"id":7838,"date":"2020-12-03T20:57:23","date_gmt":"2020-12-03T23:57:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7838"},"modified":"2021-04-16T22:12:11","modified_gmt":"2021-04-17T01:12:11","slug":"mais-de-90-de-refugio-de-araras-foi-destruido-pelo-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/mais-de-90-de-refugio-de-araras-foi-destruido-pelo-fogo\/","title":{"rendered":"Mais de 90% de ref\u00fagio de araras foi destru\u00eddo pelo fogo"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/araras_azuis_buscando_alimento_na_area_queimada_fsfperigara_set20__foto_bruno_carvalh_110278.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-7842\" src=\"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/araras_azuis_buscando_alimento_na_area_queimada_fsfperigara_set20__foto_bruno_carvalh_110278-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/araras_azuis_buscando_alimento_na_area_queimada_fsfperigara_set20__foto_bruno_carvalh_110278-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/araras_azuis_buscando_alimento_na_area_queimada_fsfperigara_set20__foto_bruno_carvalh_110278.jpg 304w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A\u00e7\u00e3o emergencial do WWF-Brasil apoiou o Instituto Arara Azul no diagn\u00f3stico do impacto do fogo na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie<\/em><\/p>\n<p>Em meio \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o provocada pelas queimadas no Pantanal, a Fazenda S\u00e3o Francisco do Perigara, em Bar\u00e3o de Melga\u00e7o, Mato Grosso, trouxe alento aos pesquisadores que come\u00e7am a avaliar os efeitos do p\u00f3s-fogo para o bioma. A propriedade \u00e9 santu\u00e1rio de araras azuis e, apesar de ter 92% do territ\u00f3rio afetado pelas chamas, ainda registra a presen\u00e7a maci\u00e7a dessa ave e de outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O levantamento preliminar foi feito pelo Instituto Arara Azul, com apoio de outros pesquisadores, de 22 a 27 de setembro desde ano, cerca de um m\u00eas depois do inc\u00eandio ter atingindo a propriedade de 24.994 hectares. O trabalho foi desenvolvido com o apoio de parceiros como o WWF-Brasil, respons\u00e1vel pela log\u00edstica. Este m\u00eas, o instituto far\u00e1 nova expedi\u00e7\u00e3o, reaplicando a metodologia de levantamento, para averiguar quais medidas precisam ser tomadas ou refor\u00e7adas no aux\u00edlio \u00e0 sobreviv\u00eancia das araras azuis.<\/p>\n<p>A Fazenda Perigara, como \u00e9 conhecida, \u00e9 o principal ref\u00fagio das araras azuis, concentrando 15% da popula\u00e7\u00e3o total da esp\u00e9cie. Pr\u00f3ximo da sede, um bocaivual (aglomerado de palmeiras bocai\u00favas) \u00e9 usado pelas aves como dormit\u00f3rio h\u00e1 pelo menos 60 anos. No pico, j\u00e1 foram registradas cerca de 1mil aves na \u00e1rea, a maior parte, jovens adultos n\u00e3o reprodutivos.<\/p>\n<p>O inc\u00eandio veio de uma \u00e1rea vizinha. \u201cO fogo entrou soberano, dominante\u201d, descreveu a propriet\u00e1ria da Perigara, Ana Maria Barreto, em\u00a0<em>live<\/em>\u00a0divulgada nas redes sociais no dia 29 de setembro.\u00a0\u201cQuando sobrevoamos, na ida, a sensa\u00e7\u00e3o que me deu foi acabou tudo, n\u00e3o tem mais Pantanal\u201d, disse a presidente do instituto, Neiva Guedes, docente do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Uniderp que coordenou a equipe da expedi\u00e7\u00e3o com mais cinco pesquisadores, entre bi\u00f3logos e ornit\u00f3logos. O dormit\u00f3rio n\u00e3o foi afetado, mas no entorno, a vegeta\u00e7\u00e3o em especial as palmeiras acuri e bocaiuva que s\u00e3o itens consumidos pelas araras, foram bastante impactados pelo fogo e levam um ano para produzirem novos cachos.<\/p>\n<p>Em campo, percorrendo a propriedade, a impress\u00e3o negativa inicial deu lugar \u00e0 esperan\u00e7a. Os pesquisadores perceberam que a passagem do fogo n\u00e3o foi homog\u00eanea. Foram encontradas \u00e1reas destru\u00eddas, em que at\u00e9 as palmeiras mais altas foram atingidas, outras com menor impacto e bols\u00f5es de \u00e1rea verde, bem conservados. No segundo dia de expedi\u00e7\u00e3o, a surpresa. \u201cEncontramos uma ema macho, com 16 filhotes com cinco dias de idade, um m\u00eas depois do inc\u00eandio, nosso cora\u00e7\u00e3o disparou, a gente n\u00e3o esperava mais ver essa cena\u201d.<\/p>\n<p>O ornit\u00f3logo Pedro Scherer Neto, que realizou o censo de aves na fazenda em 2001 e, desde ent\u00e3o, faz acompanhamento na propriedade, tamb\u00e9m se mostrou aliviado com o que encontrou. \u201cElas (araras) est\u00e3o l\u00e1\u201d, disse, explicando que, apesar de terem abandonado o dormit\u00f3rio, est\u00e3o espalhadas pela propriedade.<br \/>\nO censo, explicou Scherer, foi feito com base no comportamento \u00fanico adotado pelas araras azuis que povoam a Fazenda Perigara. Essas aves seguem o gado, aproveitando os frutos de palmeiras deixados pelas reses e esses frutos s\u00e3o a principal fonte de alimento das araras. Onde estava o rebanho, l\u00e1 estavam elas.<\/p>\n<p>Na expedi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m foram identificados outros animais pelo caminho. O bi\u00f3logo Bruno Carvalho flagrou pegadas de on\u00e7as, queixadas, veados e antas.\u00a0 O desafio ser\u00e1 garantir a sobreviv\u00eancia dos animais no p\u00f3s-fogo, quando a devasta\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 problema na busca de alimentos.<\/p>\n<p><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o das araras<\/strong><br \/>\nA reprodu\u00e7\u00e3o das araras tamb\u00e9m pode ser comprometida. Nesta viagem n\u00e3o foi poss\u00edvel monitorar os 30 ninhos cadastrados, devido aos acessos interrompidos por \u00e1rvores e galhos ca\u00eddos. Foram monitorados 21 ninhos dos quais um estava com um ovo e tr\u00eas estava com um filhote cada um. Analisando o m\u00eas de setembro em 2018 e 2019 verificou-se que houve um impacto de 35% nos casais reprodutivos.<\/p>\n<p>Algumas medidas j\u00e1 foram tomadas no manejo do ambiente, como aprofundamento dos tanques de armazenamento de \u00e1guas e uso de caixas para substituir ninhos. Segundo Neiva Guedes, os impactos p\u00f3s fogo s\u00e3o, talvez, piores que o pr\u00f3prio inc\u00eandio, pois a fauna que sobrevive precisa encontrar abrigo, alimento e escapar da preda\u00e7\u00e3o. E este \u00e9 o caminho que as araras v\u00e3o enfrentar agora.<\/p>\n<p><strong>Apoio do WWF-Brasil<\/strong><br \/>\nA fazenda \u00e9 de dif\u00edcil acesso e foi necess\u00e1rio apoio log\u00edstico para chegar at\u00e9 as \u00e1reas afetadas. A equipe partiu de Cuiab\u00e1, seguindo para Pocon\u00e9 e, de l\u00e1, de avi\u00e3o at\u00e9 a fazenda, localizada na \u00e1rea do munic\u00edpio de Bar\u00e3o de Melga\u00e7o, \u00e0s margens do Rio S\u00e3o Louren\u00e7o. A aeronave foi cedida pelo WWF-Brasil, assim como o ve\u00edculo usado na expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este apoio faz parte do Projeto \u201cRespostas Emergenciais em Campo\u201d, de acordo com o analista de conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil, Osvaldo Barassi Gajardo. O trabalho de resposta a essas emerg\u00eancias ambientais come\u00e7ou a ser desenvolvido em decorr\u00eancia das queimadas do Pantanal e da Amaz\u00f4nia em 2019.<\/p>\n<p>Gajardo explica que o projeto \u00e9 formado por quatro eixos: preven\u00e7\u00e3o e combate ao fogo, por meio da compra de equipamentos e capacita\u00e7\u00e3o de brigadas comunit\u00e1rias, em parceria com a ONG Ecoa (Ecologia em A\u00e7\u00e3o) e PrevFogo; ajuda humanit\u00e1ria, com distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, desenvolvido em conjunto com ICV (Instituto Centro de Vida); atendimento \u00e0 fauna, como doa\u00e7\u00e3o de equipamentos e medicamentos a centros de resgate aos animais e, ainda, na pesquisa, sobre impacto do fogo na flora e fauna mas tamb\u00e9m sobre as melhores t\u00e9cnicas de manejo do fogo para o Pantanal.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que as parcerias n\u00e3o se resumam a trabalhos pontuais, mas que seja constru\u00edda rela\u00e7\u00e3o de longo prazo para preven\u00e7\u00e3o aos inc\u00eandios e anteparo \u00e0 fauna e flora afetadas nos per\u00edodos de seca e grandes queimadas.<\/p>\n<p>\u201cTemos este trabalho mais espec\u00edfico e pontual, porem n\u00f3s tamb\u00e9m estamos estruturando, apoiar a\u00e7\u00f5es a m\u00e9dio e longo prazo, para atuar na conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies no contexto do fogo e desenhar, quais poderiam ser as a\u00e7\u00f5es futuras conjuntas mais estrat\u00e9gicas e que tenham maior impacto para a prote\u00e7\u00e3o do bioma\u201d, explicou o analista.<\/p>\n<p>Fonte: WWF Brasil<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7\u00e3o emergencial do WWF-Brasil apoiou o Instituto Arara Azul no diagn\u00f3stico do impacto do fogo na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie Em meio \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o provocada pelas queimadas no Pantanal, a Fazenda S\u00e3o Francisco do Perigara, em Bar\u00e3o de Melga\u00e7o, Mato Grosso, trouxe alento aos pesquisadores que&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,29,35],"tags":[1217],"class_list":["post-7838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-1","category-mato-grosso","category-meio-ambiente","tag-pantanal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7838"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7843,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7838\/revisions\/7843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}