{"id":7891,"date":"2021-01-02T09:57:36","date_gmt":"2021-01-02T12:57:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=7891"},"modified":"2021-05-12T21:05:06","modified_gmt":"2021-05-13T00:05:06","slug":"povos-indigenas-isolados-sao-acossados-por-queimadas-violencia-e-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/povos-indigenas-isolados-sao-acossados-por-queimadas-violencia-e-pandemia\/","title":{"rendered":"Povos ind\u00edgenas isolados s\u00e3o acossados por queimadas, viol\u00eancia e pandemia"},"content":{"rendered":"<div class=\"summary\"><em>Indigenistas suspeitam de situa\u00e7\u00e3o tensa dentro da mata, corroborada por dados que mostram aumento de invas\u00f5es e desmatamento, e cobram do Estado refor\u00e7o na prote\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas<\/em><\/div>\n<div class=\"field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<p>Um ataque incomum na<a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/es\/terras-indigenas\/3891\">\u00a0Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau (RO)<\/a>\u00a0tirou a vida de um dos maiores sertanistas brasileiros, Rieli Franciscato, em setembro deste ano. A flechada que atingiu Rieli foi disparada por um ind\u00edgena isolado que habita o territ\u00f3rio. Na classifica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), um registro confirmado, comprovado por expedi\u00e7\u00f5es e documenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"box\"><a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/publicacoes-isa\/cercos-e-resistencias-povos-indigenas-isolados-na-amazonia-brasileira\">Leia aqui o livro Cercos e Resist\u00eancias: Povos Ind\u00edgenas Isolados na Amaz\u00f4nia Brasileira.<br \/>\n<\/a><\/div>\n<p>O epis\u00f3dio n\u00e3o \u00e9 costumeiro e sinaliza para uma situa\u00e7\u00e3o limite dentro da floresta. \u00c9 dif\u00edcil saber o que acontece na mata fechada. Mas especialistas afirmam que a flecha n\u00e3o era para Franciscato, defensor dos povos ind\u00edgenas h\u00e1 mais de 30 anos. E sim consequ\u00eancia de um conflito, possivelmente deflagrado pelo processo de invas\u00e3o que ocorre na TI<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o da Linha 6 da TI Uru-Eu-Wau-Wau, tr\u00eas garimpeiros ilegais foram vistos deixando a mata alguns dias antes, segundo relato de moradores.<\/p>\n<p>\u201cAo que tudo indica, os isolados estavam em clima de guerra, de revide\u201d, comentou Fabr\u00edcio Amorim, que colaborou como consultor ad hoc da Comiss\u00e3o Nacional de Direitos Humanos (CNDH), e que esteve no local onde Franciscato morreu apurando as circunst\u00e2ncias exatas. \u201cMuita invas\u00e3o, altos \u00edndices de desmatamento. Quando se trata de isolados, as circunst\u00e2ncias s\u00e3o quase sempre muito invis\u00edveis. Possivelmente eles devem estar muito pressionados dentro da TI\u201d, diz.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\" Flecha que matou Rieli | ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/isolados_seringueiras_23.jpg?itok=6kSD3Ict\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\" Flecha que matou Rieli \" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/isolados_seringueiras_23.jpg?itok=OvJbgbJ0\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">Flecha que matou Rieli<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Ele destaca que o ataque foi em uma \u00e1rea tensa, com muitas den\u00fancias de invas\u00e3o. Durante a pandemia, entre mar\u00e7o e novembro, a terra ind\u00edgena j\u00e1 registrou 286 hectares desmatados, segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA).<\/p>\n<p>A vistoria feita por Amorim foi um pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, que queria ter informa\u00e7\u00f5es imparciais sobre a \u00e1rea. Amorim refor\u00e7a a tese de que os ind\u00edgenas est\u00e3o amea\u00e7ados dentro da floresta e, por isso, agiram com viol\u00eancia no epis\u00f3dio. Segundo ele, Rieli Franciscato n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de adentrar a floresta para uma expedi\u00e7\u00e3o, e fazia apenas uma vistoria r\u00e1pida nas bordas da floresta, no in\u00edcio da TI, quando foi atingido.<\/p>\n<p>Um epis\u00f3dio similar aconteceu em meados do ano na\u00a0<a href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/3600\">Terra Ind\u00edgena Ararib\u00f3ia (MA)<\/a>. Um ind\u00edgena guajajara, povo de contato antigo que habita o territ\u00f3rio, foi flechado por um isolado Aw\u00e1 Guaj\u00e1. A flecha quebrou a clav\u00edcula do ind\u00edgena, que foi levado ao hospital e sobreviveu.<\/p>\n<p>Segundo o grupo Guardi\u00f5es da Floresta, composto por ind\u00edgenas guajajara que protegem seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio de invas\u00f5es, essa flechada tamb\u00e9m foi resultado de um cen\u00e1rio tenso dessa floresta. \u201cMesmo com o compartilhamento intenso do territ\u00f3rio, com os Aw\u00e1 e os Guajajara ca\u00e7ando um do lado do outro, nunca aconteceu algo do tipo\u201d, afirma Carlos Travassos, assessor t\u00e9cnico dos Guardi\u00f5es da Floresta.<\/p>\n<p>A \u00e1rea tradicionalmente ocupada pelos isolados Aw\u00e1 Guaj\u00e1 foi palco de invas\u00f5es de madeireiros cerca de um m\u00eas antes do epis\u00f3dio, no final de abril. Os invasores chegaram a romper barreiras sanit\u00e1rias instaladas pelos Guajajara por conta da Covid-19, e entraram em conflito com os guardi\u00f5es. Estes, ao final, conseguiram expuls\u00e1-los, mas o estrago j\u00e1 estava feito.<\/p>\n<p>Segundo Travassos, os Guardi\u00f5es da Floresta relacionam o ataque dos isolados com as invas\u00f5es dos madeireiros. \u00c9 poss\u00edvel que, assim como na Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau, tenha ocorrido algum epis\u00f3dio de viol\u00eancia dentro da mata, deixando os isolados em alerta. \u201cOs Aw\u00e1 se aproximaram da aldeia guajajara (desabitada) porque a regi\u00e3o deles n\u00e3o estava tranquila\u201d, explica Travassos. Na Ararib\u00f3ia, foram 292 hectares desmatados de mar\u00e7o a novembro, nos meses da pandemia, segundo monitoramento do ISA.<\/p>\n<p>Abaixo, uma anima\u00e7\u00e3o produzida pelo ISA mostra um panorama das principais amea\u00e7as que pairam sobre os povos ind\u00edgenas isolados na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<h2>Assista ao v\u00eddeo:<\/h2>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iCz4RhhT5lw\" width=\"660\" height=\"350\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<h2>Amea\u00e7ados e sem prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e o desmonte das pol\u00edticas ambientais fez crescer o desmatamento e as invas\u00f5es em Terras Ind\u00edgenass, inclusive naquelas com a presen\u00e7a de povos isolados. A pandemia n\u00e3o parou esse processo, pelo contr\u00e1rio: a &#8220;boiada&#8221; do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que reduziu a prote\u00e7\u00e3o ambiental e medidas da pr\u00f3pria Funai, aumentou a press\u00e3o sobre territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Monitoramento do ISA em 15 TIs com registro da presen\u00e7a de povos isolados indica que, apenas em novembro, 48 hectares foram desmatados na TI Uru-Eu-Wau-Wau.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o norte da TI h\u00e1 um conflito hist\u00f3rico num assentamento chamado Burareiro, instalado pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) na d\u00e9cada de 1980. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma\u00a0<a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/pf-desmonta-esquema-de-grilagem-que-causou-prejuizo-ambiental-de-r-22-mi-na-terra-dos-indios-uru-eu-wau-wau\/\">quadrilha de grileiros<\/a>\u00a0que atuam roubando e vendendo terras p\u00fablicas, e que j\u00e1 foi flagrada em opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal. Junto com as invas\u00f5es, vem a viol\u00eancia. Em abril deste ano, Ari Uru-Eu-Wau-Wau foi\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ro\/rondonia\/noticia\/2020\/04\/20\/indigena-uru-eu-wau-wau-morto-em-rondonia-vinha-sofrendo-ameacas-havia-meses-dizem-ambientalistas.ghtml\">brutalmente assassinado<\/a>\u00a0em conflito com grileiros.<\/p>\n<p>Na TI Piripkura, onde vivem os dois \u00faltimos ind\u00edgenas da etnia Piripkura, a situa\u00e7\u00e3o piora a cada m\u00eas. Em novembro, foram 456 hectares derrubados. Uma enorme \u00e1rea desmatada vem crescendo desde julho e j\u00e1 destruiu 1.113 hectares de floresta.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio, que garante o modo de vida dos ind\u00edgenas Tamandua e Baita, agora tem uma grande clareira em seu interior. \u00c9 poss\u00edvel que a derrubada esteja relacionada a uma Instru\u00e7\u00e3o Normativa da Funai e a um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa do Mato Grosso que libera a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria para propriedades irregulares em TIs que n\u00e3o foram homologadas.Ou seja, onde o processo de demarca\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 inconcluso. \u00c9 o caso da TI Piripkura, delimitada por uma Portaria da Funai.<\/p>\n<h2>Imagens de sat\u00e9lite da TI Piripkura:<\/h2>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"juxtapose\" src=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/juxtapose\/latest\/embed\/index.html?uid=2b0747cc-4528-11eb-83c8-ebb5d6f907df\" width=\"100%\" height=\"750\" frameborder=\"0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 uma mudan\u00e7a nas condi\u00e7\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas locais, decorrentes do desmatamento e dos inc\u00eandios florestais, que promovem aquecimento global, ressecamento da floresta e dificultam ainda mais a vida dos isolados. Em 2020, a regi\u00e3o da TI Uru-Eu-Wau-Wau atravessou uma seca hist\u00f3rica de 90 dias. O clima \u00e1rido impulsionou as queimadas, que atingiram uma por\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio de perambula\u00e7\u00e3o\/ocupa\u00e7\u00e3o dos isolados. Dados da Ag\u00eancia Espacial Americana (Nasa) e apurados pelo ISA indicam 4.185 hectares de floresta queimados entre agosto e setembro apenas nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as invas\u00f5es limitaram a \u00e1rea de floresta onde eles podem circular. Roberto Ossak, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra de Rond\u00f4nia (CPT), que participou de algumas expedi\u00e7\u00f5es na \u00e1rea com o pr\u00f3prio Rieli, acredita que essa combina\u00e7\u00e3o pode ter levado os isolados a andar mais perto das bordas do territ\u00f3rio em busca de recursos. Isso porque, segundo ele, a oferta de recursos naturais se reduziu no centro da TI nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\" \u00c1rea onde os isolados apareceram | ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/isolados_seringueiras_8.jpg?itok=F5LTHTnq\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\" \u00c1rea onde os isolados apareceram \" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/isolados_seringueiras_8.jpg?itok=VJQsf9sa\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">\u00c1rea onde os isolados apareceram<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nSegundo Ossak, esse cen\u00e1rio pode explicar as apari\u00e7\u00f5es cada vez mais frequentes de isolados deste grupo. Em junho de 2020, por exemplo, um grupo de isolados apareceu pr\u00f3ximo \u00e0 casa de uma moradora, deixou um peda\u00e7o de carne e pegou uma galinha e um machado. Rieli Franciscato descreveu como uma apari\u00e7\u00e3o normal, em busca de ferramentas.<\/p>\n<p>Duas equipes da Funai foram at\u00e9 a \u00e1rea para tranquilizar e apaziguar os moradores, com o intuito de evitar conflitos entre os sitiantes e os ind\u00edgenas. Outro trabalho importante \u00e9 o de conscientiza\u00e7\u00e3o dos moradores sobre como agir nessas apari\u00e7\u00f5es. Depois deste epis\u00f3dio, Franciscato participou de uma expedi\u00e7\u00e3o na mata para monitorar esse grupo de isolados. A grande preocupa\u00e7\u00e3o, na \u00e9poca, era evitar que os ind\u00edgenas fossem contaminados pelo novo coronav\u00edrus ao se aproximar de sitiantes ou moradores das cercanias, ou mesmo pegar uma ferramenta que estivesse contaminada com o v\u00edrus.<\/p>\n<p>O grupo de isolados que apareceu em junho tinha cerca de 15 pessoas, segundo relatos de moradores, e contava com a presen\u00e7a de idosos e crian\u00e7as. Provavelmente, um grupo diferente do que flechou Franciscato em setembro. Esse grupo, chamado de Uraparaquara, e identificado como \u201cisolados do Caut\u00e1rio\u201d pela Funai, \u00e9 um grupo grande, com mais de cem pessoas.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 baseada nos rastros que eles deixam na floresta ap\u00f3s suas migra\u00e7\u00f5es, onde o grupo todo sai andando junto deixando \u201cpegadas\u201d na floresta porque cutucam as \u00e1rvores para pegar mel, coletar frutas etc. Franciscato acreditava ser um grupo n\u00f4made, que circula por toda a extens\u00e3o sul da Terra Ind\u00edgena. Durante a seca, permanecem na bacia do rio Caut\u00e1rio, onde h\u00e1 mais recursos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal apura a situa\u00e7\u00e3o dos isolados na TI. Recomenda que a Funai prepare, com urg\u00eancia, um plano de conting\u00eancia para a \u00e1rea, a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o, refor\u00e7o de recursos humanos, e a reabertura da Base de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental do Caut\u00e1rio. A base fica em um local estrat\u00e9gico dentro da terra ind\u00edgena, mas est\u00e1 inativa devido \u00e0 falta de recursos humanos para trabalhar l\u00e1. Ainda, as barreiras sanit\u00e1rias previstas no plano de enfrentamento da Covid19 (objeto da ADPF 709) ainda n\u00e3o foram implementadas<\/p>\n<p>A Funai afirma que disponibilizou tr\u00eas equipes para a \u00e1rea, uma fixa na base de prote\u00e7\u00e3o, e outras duas circulando pelo entorno para fiscaliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o dos moradores.<\/p>\n<p>Na TI Ararib\u00f3ia, o cen\u00e1rio de deteriora\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais dr\u00e1stico. Mesmo com a atua\u00e7\u00e3o constante dos Guardi\u00f5es da Floresta, o territ\u00f3rio \u00e9 palco de invas\u00f5es. Al\u00e9m disso, o roubo de madeira ano ap\u00f3s ano gerou um processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Uma floresta mais pobre, com menos \u00e1rvores, menor diversidade, mais ressecada e propensa a inc\u00eandios.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/na-amazonia-a-destruicao-e-muito-maior-do-que-conseguimos-ver\">Estudo do ISA em parceria com Joint Research Centre,<\/a>\u00a0da Comiss\u00e3o Europeia, mostra que 38% da floresta est\u00e1 comprometida pela degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\"\u00c1rvores derrubadas por madeireiros encontradas pelos Agentes Ambientais Ind\u00edgenas da TI Ararib\u00f3ia, em 2018 | \" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs26904_whatsapp_image_2018-11-16_at_16.33.29_e.jpeg?itok=3zAaTEqk\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"\u00c1rvores derrubadas por madeireiros encontradas pelos Agentes Ambientais Ind\u00edgenas da TI Ararib\u00f3ia, em 2018 \" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/rs26904_whatsapp_image_2018-11-16_at_16.33.29_e.jpeg?itok=PcBGFEG_\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">\u00c1rvores derrubadas por madeireiros encontradas pelos Agentes Ambientais Ind\u00edgenas da TI Ararib\u00f3ia, em 2018<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 que tribut\u00e1rios importantes dos rios que passam pela TI Ararib\u00f3ia ficaram fora da demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. Os tribut\u00e1rios s\u00e3o os rios que abastecem os rios principais. O resultado \u00e9 que muitas nascentes acabaram sendo desmatadas e virando a\u00e7udes de fazendeiros, grandes po\u00e7os artesianos onde os bois bebem \u00e1gua. Esse processo assorea as nascentes. A consequ\u00eancia \u00e9 que os rios na TI Ararib\u00f3ia est\u00e3o secos. \u201cExiste uma dificuldade de se obter \u00e1gua corrente, o que assusta os especialistas que v\u00e3o fazer expedi\u00e7\u00e3o no mato\u201d, comenta Travassos. Os Aw\u00e1 Guaj\u00e1, entretanto, tem suas pr\u00f3prias t\u00e9cnicas de conseguir \u00e1gua de cacimbas e ra\u00edzes e sobrevivem, num modo de vida cada vez mais \u00e1rido.<\/p>\n<p>Para Travassos, al\u00e9m de paralisar a explora\u00e7\u00e3o de madeira dentro do territ\u00f3rio, seria necess\u00e1rio investir na manuten\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o das florestas nessas \u00e1reas de cabeceira para poder reconstituir o ecossistema como um todo. \u201cOs assentamentos estabelecidos no entorno da TI foram vendidos e acabaram se tornando grandes fazendas\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo o \u00faltimo boletim do ISA, o desmatamento na TI Ararib\u00f3ia arrefeceu em novembro. Segundo Travassos, isso \u00e9 fruto do trabalho dos Guardi\u00f5es da Floresta, que fazem expedi\u00e7\u00f5es ao longo de todo o limite da terra ind\u00edgena. Mesmo assim, 24 hectares foram desmatados em novembro. Durante a pandemia, entre mar\u00e7o a novembro, a TI j\u00e1 acumulou 292 hectares em desmatamentos.<\/p>\n<h2>Vale do Javari*<\/h2>\n<p>Outro territ\u00f3rio que acendeu um alerta para especialistas \u00e9 a Terra Ind\u00edgena Vale do Javari (AM), que tem maior n\u00famero de registros de isolados. S\u00e3o ao todo 16 registros, 10 confirmados e seis em estudo.<\/p>\n<p>Historicamente, o territ\u00f3rio \u00e9 palco de invas\u00f5es de garimpeiros, ca\u00e7adores e pescadores ilegais. Em mar\u00e7o, a Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Vale do Javari (Univaja) se manifestou a respeito do aumento de grupo de\u00a0<a href=\"https:\/\/trabalhoindigenista.org.br\/nota-da-univaja-imprensa-aumento-do-assedio-de-grupos-missionarios-fundamentalistas-no-vale-do-javari\/\">mission\u00e1rios religiosos<\/a>\u00a0no territ\u00f3rio . A Covid-19 chega nesse contexto, trazendo ainda mais temor.<\/p>\n<p>No Vale do Javari, ind\u00edgenas com contato regular com popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o- ind\u00edgenas compartilham o territ\u00f3rio com grupos em isolamento. Segundo o Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena (Dsei) local j\u00e1 foram registrados 729 casos da doen\u00e7a entre ind\u00edgenas contatados da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre dezembro de 2018 e outubro de 2019, a Base Itu\u00ed-Itaqua\u00ed da Frente de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental Vale do Javari da Funai foi atacada oito vezes a tiros por invasores. Em 6 de setembro de 2019, o servidor da Funai Maxciel Pereira dos Santos foi assassinado a tiros em Tabatinga (AM), suspeita-se que, possivelmente, em retalia\u00e7\u00e3o a a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o que vinham sendo realizadas pelo \u00f3rg\u00e3o para coibir atividades ilegais na TI Vale do Javari.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o dos invasores se articula \u00e0 rede de com\u00e9rcio de pescado, carnes de ca\u00e7a e quel\u00f4nios da tr\u00edplice fronteira Brasil-Peru-Col\u00f4mbia. Al\u00e9m disso, a atua\u00e7\u00e3o de garimpeiros t\u00eam colocado em risco os Kanamari, os Tyohom Dyapa, de recente contato, e grupos isolados. Cerca de 300 balsas de garimpo operam na regi\u00e3o habitada por esses povos.<\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image\" title=\"Rio Itacoa\u00ed, Terra Ind\u00edgena Vale do Javari (AM) | Bruno Kelly - Amaz\u00f4nia Real \" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs54513_ti-vale-do-javari-kanamari_45836644185_o.jpg?itok=PGF30Ky1\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Rio Itacoa\u00ed, Terra Ind\u00edgena Vale do Javari (AM) \" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/rs54513_ti-vale-do-javari-kanamari_45836644185_o.jpg?itok=fraPRY3S\" alt=\"\" \/><span class=\"image-caption\">Rio Itacoa\u00ed, Terra Ind\u00edgena Vale do Javari (AM)<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Em outra regi\u00e3o, na beira do rio Itaqua\u00ed, ca\u00e7adores e pescadores ilegais esperam o cair da noite para agir. Pescam pirarucu, capturam tracaj\u00e1s e animais de ca\u00e7a como anta, caititu e queixada. Outras esp\u00e9cies tamb\u00e9m s\u00e3o alvos dos pescadores, como o tambaqui, pacu e filhotes de aruan\u00e3 (comercializado como peixe ornamental). Em janeiro de 2017, uma atividade de fiscaliza\u00e7\u00e3o conjunta da Funai e Pol\u00edcia Militar apreendeu 700 quel\u00f4nios e 150 kg de pirarucu em tr\u00eas canoas, al\u00e9m de seis espingardas. Em setembro de 2018, em outra atividade realizada no rio Itaqua\u00ed, foram apreendidas em uma \u00fanica canoa 389 tracaj\u00e1s e oito tartarugas.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o do rio Itu\u00ed, isolados t\u00eam se aproximado de aldeias Marubo. O risco \u00e9 enorme porque h\u00e1 muitos Marubo contaminados pela Covid-19. Em julho de 2020, a Organiza\u00e7\u00e3o das Aldeias Marubo do Rio Itu\u00ed (Oami) alertou novamente a Funai e a Procuradoria da Rep\u00fablica em Tabatinga sobre a aproxima\u00e7\u00e3o de isolados \u00e0 uma de suas aldeias. O documento destaca os riscos para estes ind\u00edgenas, as reiteradas comunica\u00e7\u00f5es feitas pelos Marubo \u00e0 Funai sobre essa situa\u00e7\u00e3o e a urg\u00eancia para que sejam tomadas medidas efetivas para sua prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cita, ainda, a contamina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o das 19 aldeias no rio Itu\u00ed por Covid-19 (mais de 200 casos, segundo o documento), a falta de transpar\u00eancia do Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena Vale do Javari (DSEI-VJ\/Sesai) sobre a quantidade de testes aplicados e casos confirmados, a presen\u00e7a de invasores no per\u00edodo de desova de quel\u00f4nios e a falta de a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o por parte da Base Itu\u00ed-Itaqua\u00ed da Funai \u2013 mesmo contando com apoio da For\u00e7a de Seguran\u00e7a Nacional.<br \/>\nA regi\u00e3o compreendida pelo m\u00e9dio rio Javari e m\u00e9dio e baixo Curu\u00e7\u00e1, habitada pelos Kanamari, Mats\u00e9s, Marubo e isolados, \u00e9 uma das mais vulner\u00e1veis \u00e0s invas\u00f5es de pescadores e ca\u00e7adores da Terra Ind\u00edgena Vale do Javari. As invas\u00f5es ocorrem ao longo de todo o ano e em todos os lagos utilizados pelos ind\u00edgenas nesta regi\u00e3o. Os invasores buscam o piracuru, quel\u00f4nios, e animais de ca\u00e7a. O pirarucu \u00e9 o que tem mais valor.<\/p>\n<p>A vulnerabilidade dos povos ind\u00edgenas isolados j\u00e1 era um fator de muita preocupa\u00e7\u00e3o antes da pandemia da Covid-19. \u201cAs a\u00e7\u00f5es do atual governo federal, tais como a baixa execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria dos \u00f3rg\u00e3os indigenistas e de combate ao desmatamento, as altera\u00e7\u00f5es nas normas infralegais, a completa paralisa\u00e7\u00e3o dos processos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, e principalmente a falta de di\u00e1logo com as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, indicam que est\u00e1 em curso um desmonte das pol\u00edticas e legisla\u00e7\u00f5es jamais visto\u201d, afirma Antonio Oviedo, pesquisador do ISA. Tal cen\u00e1rio tem se agravado pelo avan\u00e7o da Covid-19 nas terras ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia, especialmente naquelas onde vivem povos ind\u00edgenas isolados.<\/p>\n<p>\u201cUma a\u00e7\u00e3o efetiva do Estado brasileiro para a prote\u00e7\u00e3o dos povos isolados deveria ser pautada pelo que est\u00e1 escrito na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e pelo fortalecimento dos mecanismos de gest\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o desses grupos isolados. Nesse sentido, \u00e9 urgente que o Estado brasileiro avance na demarca\u00e7\u00e3o e extrus\u00e3o de invasores desses territ\u00f3rios, reforce a fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e o funcionamento das Frentes e Bases de Prote\u00e7\u00e3o\u201d, complementa.<\/p>\n<p>*Informa\u00e7\u00f5es obtidas a partir de relat\u00f3rio de Conrado Octavo, com dados do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), em coopera\u00e7\u00e3o entre ISA e CTI.<\/p>\n<p>Fonte: ISA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Indigenistas suspeitam de situa\u00e7\u00e3o tensa dentro da mata, corroborada por dados que mostram aumento de invas\u00f5es e desmatamento, e cobram do Estado refor\u00e7o na prote\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas Um ataque incomum na\u00a0Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau (RO)\u00a0tirou a vida de um dos maiores sertanistas brasileiros, Rieli Franciscato,&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7892,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,1614,35,32,2],"tags":[1503],"class_list":["post-7891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-3","category-indigenas","category-meio-ambiente","category-rondonia","category-slideshow","tag-ameaca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7891"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8078,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7891\/revisions\/8078"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}