{"id":8188,"date":"2021-06-14T18:15:54","date_gmt":"2021-06-14T21:15:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8188"},"modified":"2021-06-14T18:15:54","modified_gmt":"2021-06-14T21:15:54","slug":"intensidade-e-persistencia-da-estacao-chuvosa-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/intensidade-e-persistencia-da-estacao-chuvosa-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Intensidade e persist\u00eancia da esta\u00e7\u00e3o chuvosa na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<h1 id=\"befe\" class=\"fm dk fn ba cz fo fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz ga gb gc gd ge gf gg gh gi gj\">Cheia hist\u00f3rica no rio Negro p\u00f5e em risco seguran\u00e7a alimentar de comunidades<\/h1>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ap aq ar as at fl av w\">\n<p id=\"5558\" class=\"hc hd fn he b hf hg hh hi hj hk hl hm hn ho hp hq hr hs ht hu hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\"><em class=\"hw\">Intensidade e persist\u00eancia da esta\u00e7\u00e3o chuvosa na Amaz\u00f4nia refletem impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na regi\u00e3o; 16,6 mil fam\u00edlias amazonenses sofreram perdas agr\u00edcolas<\/em><\/p>\n<p id=\"4083\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Por Aloisio Cabalzar e Juliana Radler<\/p>\n<p id=\"e917\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">O rio Negro chegou \u00e0 marca de 29,98 metros em Manaus e ultrapassou nesta<span id=\"rmm\">\u00a0<\/span>ter\u00e7a-feira (01\/06) a cheia recorde de 2012, que era de 29,97 metros, de acordo com medi\u00e7\u00f5es feitas h\u00e1 119 anos. Sete das maiores cheias do Negro ocorreram nos \u00faltimos 12 anos, o que indica um agravamento dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na regi\u00e3o. As inunda\u00e7\u00f5es recordes destru\u00edram ro\u00e7as de comunidades instaladas nas cabeceiras dos rios e prejudicaram, no total, pelo menos 16,6 mil fam\u00edlias, segundo o governo do Amazonas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ic\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"id ie if ig ih ii as ij at ik av w\">\n<div class=\"il im in io ip n ax\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ap aq ar as at fl av w\">\n<p id=\"1535\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">A pesquisadora respons\u00e1vel pelo Sistema de Alerta Hidrol\u00f3gico do Amazonas, Luna Gripp, do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, em Manaus, afirma que as cheias v\u00eam se intensificando nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p id=\"506f\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cObservamos uma mudan\u00e7a no padr\u00e3o. Em Manaus, por exemplo, a grande cheia havia sido em 1953. Ela s\u00f3 foi ultrapassada em 2009, mais de 50 anos depois\u201d, explicou. \u201cEnt\u00e3o, em 2009, entendeu-se que, a cada 50 anos, seria o per\u00edodo de retorno desse evento\u201d. No entanto, como ressalta Gripp, tr\u00eas anos depois um novo recorde foi batido. \u201cSe consultarmos a base de dados do porto de Manaus, sete das maiores cheias aconteceram de 2009 para c\u00e1. Sem d\u00favida, indica uma mudan\u00e7a no comportamento. S\u00e3o eventos cada vez mais extremos e frequentes.\u201d<\/p>\n<p id=\"29d9\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">A Prefeitura de Manaus construiu mais de cinco mil metros de pontes provis\u00f3rias de madeira, em uma opera\u00e7\u00e3o contra enchentes denominada \u201cCheia 2021\u201d. A Defesa Civil do Amazonas alertou que 58 dos 62 munic\u00edpios do estado enfrentam problemas socioambientais com a inunda\u00e7\u00e3o e cerca de 450 mil pessoas foram diretamente afetadas, o que representa em torno de 10% da popula\u00e7\u00e3o amazonense.<\/p>\n<p id=\"70b5\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cEstamos vivendo realmente um momento muito at\u00edpico. Neste ano, o desastre da inunda\u00e7\u00e3o ocorreu de forma generalizada. Praticamente todos os munic\u00edpios ou boa parte dos munic\u00edpios que comp\u00f5em nossas calhas est\u00e3o sendo afetados\u201d, alertou o secret\u00e1rio executivo da Defesa Civil do Amazonas, Francisco Ferreira M\u00e1ximo.<\/p>\n<p id=\"f644\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">As cont\u00ednuas e excessivas chuvas de 2021 em toda a bacia hidrogr\u00e1fica do rio Negro e na Amaz\u00f4nia, inundando diversas cidades, amea\u00e7am as comunidades instaladas nas cabeceiras dos rios, dificultando as atividades agr\u00edcolas \u2014 essenciais para a seguran\u00e7a alimentar. \u201cIsso prejudica muito a capacidade de resili\u00eancia das comunidades. Uma coisa \u00e9 acontecer um evento catastr\u00f3fico a cada 50 anos. Outra \u00e9 praticamente todo ano\u201d, enfatizou Gripp.<\/p>\n<p id=\"c5f6\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Balan\u00e7o divulgado pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio e Florestal Sustent\u00e1vel do Estado do Amazonas (Idam) indica que 16,6 mil fam\u00edlias amazonenses sofreram perdas na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola devido \u00e0s enchentes e entre as culturas mais afetadas est\u00e3o a de bananas, hortali\u00e7as, mam\u00e3o e mandioca. O preju\u00edzo j\u00e1 soma mais de R $189 milh\u00f5es. O governo estadual est\u00e1 cadastrando as fam\u00edlias afetadas para o\u00a0<a class=\"ds jk\" href=\"http:\/\/auxilio.am.gov.br\/\" rel=\"noopener nofollow\">pagamento de um aux\u00edlio<\/a>.<\/p>\n<p id=\"3dca\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\"><strong class=\"he cz\">Oscila\u00e7\u00f5es Intra-sazonais<\/strong><\/p>\n<p id=\"739c\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Maria Assun\u00e7\u00e3o Faus da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), explica que os ventos que v\u00e3o de nordeste a oeste \u2014 do Atl\u00e2ntico at\u00e9 a cordilheira dos Andes, na Col\u00f4mbia \u2014 est\u00e3o mais fortes e persistentes. Por isso, as chuvas est\u00e3o acima da m\u00e9dia nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p id=\"98ea\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">O fen\u00f4meno tem a ver com o aquecimento das \u00e1guas do Oceano Atl\u00e2ntico, na regi\u00e3o da costa do norte do Brasil, e tamb\u00e9m com outra perturba\u00e7\u00e3o, muito intrigante, dos padr\u00f5es das oscila\u00e7\u00f5es intra-sazonais. Provenientes da Indon\u00e9sia, as oscila\u00e7\u00f5es geram, a cada 15 ou 30 dias, pulsos que influenciam substancialmente a din\u00e2mica atmosf\u00e9rica, inclusive numa certa varia\u00e7\u00e3o das chuvas, que se deslocam para a regi\u00e3o mais central do continente, levando mais umidade para o centro e sudeste do Brasil.<\/p>\n<p id=\"4f8f\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Segundo Assun\u00e7\u00e3o, as oscila\u00e7\u00f5es intra-sazonais n\u00e3o acontecem mais desde o ano passado, em raz\u00e3o de outras mudan\u00e7as na estratosfera (situada entre 20 e 30 quil\u00f4metros de altura), provavelmente relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Foco de pesquisas e discuss\u00f5es, o fato \u00e9 que o excesso de chuvas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica est\u00e1 associado \u00e0 escassez no centro e sul do pa\u00eds. Em 2014, essa mesma sequ\u00eancia de eventos provocou grandes inunda\u00e7\u00f5es no Acre.<\/p>\n<p id=\"44d6\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\"><strong class=\"he cz\">Monitoramento nas comunidades ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n<p id=\"5848\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Nas comunidades do m\u00e9dio e alto rio Negro, os primeiros meses do ano s\u00e3o muito importantes para as atividades produtivas e de manejo das ro\u00e7as. Ap\u00f3s a enchente de Boiua\u00e7u (\u2018Jararaca\u2019, entre os povos Tukano), que acontece entre novembro e dezembro, per\u00edodos chuvosos se alternam nos quatro primeiros meses, com repiquete (mudan\u00e7a s\u00fabita) do rio, quando acontecem o ajuntamento e a reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies de peixes, como os aracus, e per\u00edodos de estiagem, que podem durar at\u00e9 duas ou tr\u00eas semanas, como aqueles denominados pelos povos do rio Negro de \u2018Ver\u00e3o de Pupunha\u2019, \u2018Abiu\u2019 e \u2018Umari\u2019.<\/p>\n<p id=\"58ca\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Os veranicos, quando n\u00e3o chove, s\u00e3o os principais per\u00edodos do ciclo anual da agricultura. Muitas fam\u00edlias se programam para queimar pequenas clareiras de mata prim\u00e1ria, derrubadas algum tempo antes, para colocar seus ro\u00e7ados. As ro\u00e7as feitas em derrubada de mata prim\u00e1ria s\u00e3o mais diversas e podem ser usadas por mais tempo do que aquelas feitas do corte de capoeiras (matas rasteiras).<\/p>\n<p id=\"3c3e\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Em 2021, por\u00e9m, o excesso de chuvas perturbou o calend\u00e1rio econ\u00f4mico das comunidades, inviabilizando essa importante etapa do manejo agr\u00edcola. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de n\u00e3o poderem queimar as \u00e1reas novas para agricultura, as fam\u00edlias perderam ro\u00e7as j\u00e1 formadas.<\/p>\n<p id=\"f204\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Com apoio do Instituto Sociaombiental (ISA), agentes ind\u00edgenas de manejo ambiental (AIMA), agentes comunit\u00e1rios que fazem monitoramento ambiental e clim\u00e1tico (ver BOX abaixo), est\u00e3o acompanhando e reportando os \u00faltimos acontecimentos nas comunidades da bacia hidrogr\u00e1fica do rio Negro.<\/p>\n<p id=\"2082\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Em toda a regi\u00e3o, o excesso de chuvas \u00e9 um problema. No alto Tiqui\u00e9, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira do Brasil com a Col\u00f4mbia, Gabriel Barbosa, professor e pesquisador comunit\u00e1rio makuna, relata que todo dia est\u00e1 chovendo. \u201cCome\u00e7ou a chover mais no dia 2 de maio, teve piracema, e o rio continuou subindo. Nova enchente deu no dia 14 de maio de novo, encheu demais j\u00e1, passando do n\u00edvel normal.\u201d<\/p>\n<p id=\"6d2e\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Segundo Gabriel, a chuva segue e, consequentemente, o volume do rio. \u201cAqui no alto Tiqui\u00e9 n\u00e3o teve nenhum ver\u00e3o no ano passado, e nesse ano tamb\u00e9m n\u00e3o. De janeiro at\u00e9 agora em maio n\u00e3o teve ver\u00e3o, s\u00f3 chuva, n\u00e3o d\u00e1 pra queimar ro\u00e7a, est\u00e1 ficando cerrado de novo, as ro\u00e7as derrubadas n\u00e3o deram pra queimar mesmo, \u00e9 muito dif\u00edcil plantar maniva\u201d, afirma. Chovendo todos os dias, \u201co capim e o mato baixo crescem r\u00e1pido, por isso n\u00e3o estamos conseguindo plantar bem aqui na regi\u00e3o, porque n\u00e3o d\u00e1 para queimar para a ro\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p id=\"2ab8\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Din\u00e2micas atmosf\u00e9ricas em escala global, afetadas pela magnitude da a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica (humana) no planeta, acabam gerando desequil\u00edbrios mesmo nas regi\u00f5es mais conservadas da floresta amaz\u00f4nica. Segundo Gabriel Barbosa, antigamente, a enchente acontecia de acordo com a constela\u00e7\u00e3o. \u201cMas agora j\u00e1 mudou. Hoje em dia, enche, quando est\u00e1 secando, depois de dois dias, j\u00e1 enche de novo. Os velhos conhecedores est\u00e3o dizendo que atualmente mudou muito: as flora\u00e7\u00f5es, frutifica\u00e7\u00f5es, enchentes, piracemas, revoadas de sa\u00favas e maniuaras, n\u00e3o est\u00e3o acontecendo no tempo determinado. As pessoas, as gera\u00e7\u00f5es, mudam, por isso tamb\u00e9m muda o clima.\u201d<\/p>\n<p id=\"04d2\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Ad\u00e3o Barbosa, morador da comunidade e que costuma manter muitas ro\u00e7as, contou ao ISA que o rio est\u00e1 permanentemente cheio. \u201cN\u00e3o para de chover, todos os dias, todas as noites. Por isso, em nosso trabalho de ro\u00e7a, n\u00e3o conseguimos queimar, agora est\u00e1 tudo cerrado, por isso nosso trabalho est\u00e1 um pouco quebrado. Quando d\u00e1 ver\u00e3o, a gente queima e faz planta\u00e7\u00e3o, planta maniva e todas as nossas planta\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o deu ver\u00e3o para n\u00f3s\u201d, lamentou.<\/p>\n<p id=\"bee5\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Descendo o rio Tiqui\u00e9, em seu m\u00e9dio curso, est\u00e1 situada a comunidade de Pirarara que, junto com S\u00e3o Pedro, comp\u00f5e um conjunto de cerca de 50 comunidades situadas na bacia do principal afluente do rio Uaup\u00e9s \u2014 o principal formador do rio Negro. Diferentemente do alto Tiqui\u00e9, Pirarara est\u00e1 numa \u00e1rea de igap\u00f3s e lagos, com maior produ\u00e7\u00e3o pesqueira, mas tamb\u00e9m com terras firmes, boas para ro\u00e7as.<\/p>\n<p id=\"aa26\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Vilmar Azevedo, que \u00e9 AIMA da comunidade, relatou as dificuldades vividas: \u201co pessoal est\u00e1 reclamando muito. A pesca est\u00e1 um pouco dif\u00edcil. N\u00e3o encontramos daracubi (isca) e os peixes est\u00e3o ficando mais ariscos. Est\u00e1 ficando mais dif\u00edcil pegar em maior quantidade.\u201d<\/p>\n<p id=\"fdd4\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Outro morador, Dagoberto Azevedo, relata que a enchente alagou at\u00e9 as partes mais altas dos igap\u00f3s, as ilhas. \u201cAs ro\u00e7as, como est\u00e3o em \u00e1reas mais altas, n\u00e3o foram prejudicadas\u201d, disse. Uma das casas, que fica na parte mais baixa da comunidade, chegou a ser alcan\u00e7ada. \u201cOs igap\u00f3s est\u00e3o cheios e os pescadores est\u00e3o procurando os peixes desse ambiente, peixes de couro noturnos, como os daguirus. Como est\u00e1 tendo bastante peixe nos igap\u00f3s, tamb\u00e9m apareceram muitos piuns, que picam e incomodam as pessoas\u201d, contou. Outro fen\u00f4meno observado, pr\u00f3prio do rio cheio, \u00e9 a subida de piabas, um tipo de peixe.<\/p>\n<figure class=\"il im in io ip ic eu ev paragraph-image\">\n<div class=\"iw ix ao iy w iz\" tabindex=\"0\" role=\"button\">\n<div class=\"eu ev jl\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w ja jb\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/2560\/0*r1UrdLi4Lxl2HhCw\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"715\" \/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"jd je ew eu ev jf jg ba b bb bc by\" data-selectable-paragraph=\"\">Cheia do rio Tiqui\u00e9 em Pirarara|Cr\u00e9dito: Vilmar Azevedo<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"3727\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\"><strong class=\"he cz\">Rio Uap\u00e9s e I\u00e7ana alagados<\/strong><\/p>\n<p id=\"cc0c\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Descendo al\u00e9m da foz do Tiqui\u00e9 e j\u00e1 no Uaup\u00e9s, outro AIMA tem registrado em detalhes a enchente. Rosivaldo Miranda, pira-tapuya da comunidade A\u00e7a\u00ed, muito conhecida pelos viajantes desse rio, afirma que em maio a \u00e1gua subiu bastante. E deve seguir enchendo. \u201cJ\u00e1 tem muitos igap\u00f3s e os daracubis j\u00e1 subiram. A pescaria est\u00e1 boa para os peixes da noite. Peixe do dia est\u00e1 meio escasso, mas ainda d\u00e1 pra conseguir para a fam\u00edlia e um pouco para venda. O sol n\u00e3o tem sido favor\u00e1vel, sempre com muita chuva. Est\u00e1 dando muito a\u00e7a\u00ed do igap\u00f3, j\u00e1 maduro, at\u00e9 fizemos dabucuri de a\u00e7a\u00ed e peixes no dia das m\u00e3es\u201d, falou. Onde mora, v\u00e1rias ro\u00e7as j\u00e1 foram inundadas. Na semana passada, Rosivaldo viajou rio abaixo e viu comunidades, como Uriri, j\u00e1 alagadas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ic\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"id ie if ig ih ii as ij at ik av w\">\n<div class=\"il im in io ip n ax\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ap aq ar as at fl av w\">\n<p id=\"eb01\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">A bacia de outro importante formador do rio Negro, o I\u00e7ana, situado mais ao norte, tamb\u00e9m tem sido assolada por intensas chuvas, com alagamentos de ro\u00e7as em algumas comunidades. No alto I\u00e7ana, j\u00e1 na fronteira com a Col\u00f4mbia, um conjunto de 12 comunidades (entre Pana-Pan\u00e3 e Jerusal\u00e9m) s\u00e3o mais vulner\u00e1veis pela pr\u00f3pria escassez de terras firmes, o que deixa poucas op\u00e7\u00f5es para as fam\u00edlias colocarem seus cultivos.<\/p>\n<p id=\"796b\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201cMuitas vezes, nas proximidades das comunidades, n\u00e3o h\u00e1 solo f\u00e9rtil, que a gente chama de \u2018terra firme\u2019. E, quando as pessoas perdem uma ro\u00e7a, a \u00fanica que eles t\u00eam, sentem muita dificuldade. Acabam indo l\u00e1 no centro do mato para poder arranjar uma nova terra firme, onde possam tamb\u00e9m abrir um novo ro\u00e7ado. Demora muito tamb\u00e9m para crescer a maniva, chegar a amadurecer e ter mandioca. Isso afeta muito na vida dessas pessoas, que est\u00e3o tendo ro\u00e7a alagada com a enchente do rio\u201d, explicou Tiago Pacheco, presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Koripako do Alto I\u00e7ana (OIKAI).<\/p>\n<p id=\"14e1\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">O alto rio I\u00e7ana, uma das \u00e1reas de mais dif\u00edcil acesso da regi\u00e3o, j\u00e1 passou do n\u00edvel dos anos anteriores, alerta Tiago. \u201cLembrando que, em 2014, encheu muito o rio, mas j\u00e1 passou esse n\u00edvel agora. Algumas ro\u00e7as alagaram e as comunidades pr\u00f3ximas do rio est\u00e3o quase no n\u00edvel cr\u00edtico para elas. Vamos esperar que daqui para a frente baixe o n\u00edvel do rio no alto I\u00e7ana.\u201d<\/p>\n<p id=\"58a3\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Como a maior parte dos solos nessa regi\u00e3o, ou \u00e9 arenosa, ou igap\u00f3s, h\u00e1 pouca terra firme onde os moradores poderiam abrir ro\u00e7as. Eles acabam plantando fora do alcance do rio ou muito distante das comunidades. Com a inunda\u00e7\u00e3o, mandiocas e outros tub\u00e9rculos s\u00e3o encharcados, amolecem logo, e depois apodrecem. Perdida a ro\u00e7a, uma fam\u00edlia n\u00e3o tem mais como produzir farinha e beiju por exemplo, que s\u00e3o a base da alimenta\u00e7\u00e3o, relata Tiago.<\/p>\n<p id=\"31e1\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">O mesmo tem acontecido em outras regi\u00f5es do I\u00e7ana. No rio Aiari, seu principal e mais populoso afluente, que desagua em seu m\u00e9dio curso, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais grave, com mais preju\u00edzo para os agricultores ind\u00edgenas. Segundo Juv\u00eancio Cardoso, coordenador regional da Nadzoeri (uma das cinco coordena\u00e7\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro, a Foirn), seis comunidades j\u00e1 registraram alta no n\u00edvel do rio e com preju\u00edzo nas ro\u00e7as. S\u00e3o as comunidades de Canad\u00e1, Inambu, Maced\u00f4nia, S\u00e3o Joaquim, Urumutum e Miriti. Todas no rio Aiari.\u201d<\/p>\n<p id=\"9964\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Somadas \u00e0quelas do m\u00e9dio I\u00e7ana e do rio Cubate (outro afluente, que desagua no baixo I\u00e7ana), 29 fam\u00edlias j\u00e1 perderam suas ro\u00e7as, num total de 46. \u201c\u00c9 uma perda significativa\u2019\u2019, ressalta o l\u00edder baniwa. \u201cAs fam\u00edlias est\u00e3o bastante preocupadas, j\u00e1 que nos pr\u00f3ximos meses, pr\u00f3ximos anos, at\u00e9 recuperarem suas ro\u00e7as, vai levar tempo, at\u00e9 porque nesse come\u00e7o de ano as fam\u00edlias n\u00e3o conseguiram queimar sua ro\u00e7a. Ent\u00e3o, com essa enchente e as perdas, acaba agravando essa situa\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio um apoio mais cont\u00ednuo, at\u00e9 que essas fam\u00edlias consigam recuperar suas ro\u00e7as, o que pode demorar de tr\u00eas a cinco anos.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ic\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"id ie if ig ih ii as ij at ik av w\">\n<div class=\"il im in io ip n ax\">\n<p id=\"b08f\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Em relat\u00f3rio enviado para v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es locais na semana passada, Juv\u00eancio resumiu o problema das chuvas intensas ao longo dos primeiros meses do ano: \u201cO ver\u00e3o neste ano n\u00e3o aconteceu como esperado. Muitas fam\u00edlias n\u00e3o conseguiram queimar suas ro\u00e7as. Isso vai comprometer a seguran\u00e7a alimentar nos pr\u00f3ximos anos. O n\u00edvel do rio na \u00e9poca de seca ficou em alto, levando \u00e0 morte de minhoca \u2018daracubi\u2019 nas ilhas da foz do I\u00e7ana. Dificultou e prejudicou a pescaria, pois n\u00e3o acontecem as piracemas [n\u00edvel muito alto nos locais onde os peixes fazem seus ajuntamentos reprodutivos]. Sem poder arrumar cacuri [armadilha montada em certos locais na margem do rio], facilitou a prolifera\u00e7\u00e3o de mosquito, teve aumento de casos de mal\u00e1ria e aparecimento de doen\u00e7a de pele (coceira).\u201d<\/p>\n<p id=\"f368\" class=\"hc hd fn he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Como ressaltado nos relatos dos AIMAs, os impactos das cheias na agricultura familiar levam anos para serem recuperados, considerando o tempo para prepara\u00e7\u00e3o das \u00e1reas, plantio e crescimento dos cultivos usados na alimenta\u00e7\u00e3o do dia a dia. A pesquisa e o monitoramento ambiental e clim\u00e1tico feito pelos AIMAs no m\u00e9dio e alto rio Negro j\u00e1 v\u00eam demonstrando h\u00e1 anos que uma das maiores vulnerabilidades trazidas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em termos de seguran\u00e7a alimentar, \u00e9 justamente o excesso de umidade nos meses do calend\u00e1rio econ\u00f4mico-ecol\u00f3gico em que se faz a queima de novas \u00e1reas para ro\u00e7as. Agravando essa situa\u00e7\u00e3o, eventos mais extremos levam \u00e0 perda de ro\u00e7as j\u00e1 maduras pela inunda\u00e7\u00e3o. Essas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactam diretamente no calend\u00e1rio de manejo das comunidades e indicam a necessidade de adapta\u00e7\u00f5es mais estruturais.<\/p>\n<blockquote class=\"jo jp jq\">\n<p id=\"cc5f\" class=\"hc hd hw he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\"><strong class=\"he cz\">Pesquisadores ind\u00edgenas na Bacia do Rio Negro<\/strong><\/p>\n<p id=\"fd94\" class=\"hc hd hw he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Os Agentes Ind\u00edgenas de Manejo Ambiental (AIMAs) s\u00e3o moradores de comunidades ind\u00edgenas da bacia do rio Negro (munic\u00edpios de Barcelos, Santa Isabel e S\u00e3o Gabriel da Cachoeira) envolvidos em projetos e atividades de manejo ambiental, pesquisas interculturais e gest\u00e3o territorial para a prote\u00e7\u00e3o, monitoramento e sustentabilidade dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<figure class=\"il im in io ip ic eu ev paragraph-image\">\n<div class=\"iw ix ao iy w iz\" tabindex=\"0\" role=\"button\">\n<div class=\"eu ev jr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w ja jb\" role=\"presentation\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/3510\/1*-eWPOYKB03MFToWSx2zOdg.jpeg\" alt=\"\" width=\"1755\" height=\"1241\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<blockquote class=\"jo jp jq\">\n<p id=\"c1ff\" class=\"hc hd hw he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Atualmente, 40 AIMAs formam uma rede de pesquisa e monitoramento ambiental e clim\u00e1tica. Em alguns desses locais, os AIMAs j\u00e1 disp\u00f5em de acesso \u00e0 internet, o que favorece alertas mais \u00e1geis, como esse sobre as enchentes.<\/p>\n<p id=\"69b6\" class=\"hc hd hw he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Os AIMAs tamb\u00e9m participam de iniciativas de colabora\u00e7\u00e3o entre pesquisadores ind\u00edgenas e n\u00e3o-ind\u00edgenas na produ\u00e7\u00e3o colaborativa (intercultural) de conhecimentos, promovendo e trazendo para o primeiro plano os conhecimentos e experi\u00eancias dos povos ind\u00edgenas de seus territ\u00f3rios e seu manejo.<\/p>\n<p id=\"7124\" class=\"hc hd hw he b hf hx hg hh hi hy hj hk hl hz hm hn ho ia hp hq hr ib hs ht hv dm gj\" data-selectable-paragraph=\"\">Para tanto, recorre a m\u00e9todos simples de pesquisa dos ciclos anuais, desenvolvendo an\u00e1lises conjuntas, interculturais. Tem como horizonte a gest\u00e3o ambiental e clim\u00e1tica da bacia do rio Negro,\u00a0<a class=\"ds jk\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/aru-primeira-revista-de-pesquisa-intercultural-da-bacia-do-rio-negro-sera-lancada-em-manaus]\" rel=\"noopener nofollow\">com participa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena efetiva<\/a>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cheia hist\u00f3rica no rio Negro p\u00f5e em risco seguran\u00e7a alimentar de comunidades Intensidade e persist\u00eancia da esta\u00e7\u00e3o chuvosa na Amaz\u00f4nia refletem impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na regi\u00e3o; 16,6 mil fam\u00edlias amazonenses sofreram perdas agr\u00edcolas Por Aloisio Cabalzar e Juliana Radler O rio Negro chegou \u00e0&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8189,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,21,35],"tags":[1287],"class_list":["post-8188","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonas","category-area-4","category-meio-ambiente","tag-manaus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8188"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8188\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8190,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8188\/revisions\/8190"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}