{"id":8263,"date":"2021-09-21T21:36:32","date_gmt":"2021-09-22T00:36:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8263"},"modified":"2021-09-21T21:36:32","modified_gmt":"2021-09-22T00:36:32","slug":"mulheres-indigenas-protestam-por-seus-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/mulheres-indigenas-protestam-por-seus-direitos\/","title":{"rendered":"Mulheres ind\u00edgenas protestam por seus direitos"},"content":{"rendered":"<p><em>Pelo menos 5 mil representantes de 185 povos estiveram em Bras\u00edlia de 7 a 11 de setembro, em uma das mobiliza\u00e7\u00f5es mais potentes que a capital federal j\u00e1 assistiu\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Um dos mais fortes s\u00edmbolos da luta ind\u00edgena feminina brasileira, Tu\u00edre Kayap\u00f3, estampa no olhar um sorriso que se esconde embaixo da m\u00e1scara e estende as m\u00e3os para um cumprimento afetuoso. N\u00e3o deixa que sejam feitas perguntas sem antes destacar que se incomoda com jornalistas que deturpam suas palavras. Tamb\u00e9m n\u00e3o gosta que o que diz seja anotado, mas fala com generosidade em Meb\u00eang\u00f4kre, da fam\u00edlia lingu\u00edstica J\u00ea, olhando de perto e diretamente nos olhos. O antrop\u00f3logo Jo\u00e3o Lucas Moraes se disp\u00f5e a traduzir. De acordo com estudos do ISA (Instituto Socioambiental), a orat\u00f3ria \u00e9 uma pr\u00e1tica social valorizada por esse povo, que se considera como \u201caquele que fala bem, bonito (Kaben mei)\u201d.<\/p>\n<p>A guerreira Kayap\u00f3 \u00e9 uma das 5 mil participantes de 185 povos que estiveram na 2\u00aa Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, de 7 a 11 de setembro, uma das mobiliza\u00e7\u00f5es mais potentes que a capital federal j\u00e1 viu, constitu\u00edda por falantes de mais de uma centena de l\u00ednguas. Na sexta-feira (10), o grupo fez uma caminhada de 11 quil\u00f4metros na regi\u00e3o central de Bras\u00edlia, ampliando as reivindica\u00e7\u00f5es de outros dois acampamentos ind\u00edgenas: Levante Pela Terra, que ocorreu em junho, e Luta Pela Vida, iniciado em agosto, ambos para acompanhar a tramita\u00e7\u00e3o de projetos de lei que amea\u00e7am seus direitos no Congresso e o julgamento, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), do marco temporal, que afetar\u00e1 as demarca\u00e7\u00f5es de terras no pa\u00eds. Elas chamaram a aten\u00e7\u00e3o para temas que dizem respeito \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>Tu\u00edre ganhou notoriedade internacional em 1989, quando num encontro de povos do Xingu, em Altamira, no Par\u00e1, encostou o fac\u00e3o no rosto do ent\u00e3o presidente da Eletronorte, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Muniz, por ser contra a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica denominada Belo Monte. Hoje anci\u00e3, ela explica que o gesto foi para dizer \u201ceu estou aqui e defendo a floresta\u201d. A l\u00edder relata ao WWF-Brasil que, naquele momento, lembrou dos guerreiros na luta pela natureza, do av\u00f4 materno que participou muito de sua cria\u00e7\u00e3o, Betikre, e do av\u00f4 paterno, Pr\u00efnk\u00f4re, de quem ouvia hist\u00f3rias da av\u00f3 sobre suas lutas pela conserva\u00e7\u00e3o das matas. Ela vive na Terra Ind\u00edgena Las Casas, na comunidade Tekrejar\u00f4tire, no Par\u00e1, e diz que sua presen\u00e7a em Bras\u00edlia \u00e9 pela vida dos filhos, dos netos, das \u00e1guas limpas. \u201cA floresta \u00e9 tamb\u00e9m dos animais. E \u00e9 por tudo isso que continuamos agora lutando\u201d, destaca.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o da semana passada foi promovida pela Anmiga (Articula\u00e7\u00e3o Nacional de Mulheres Ind\u00edgenas Guerreiras da Ancestralidade) e foi focada no tema \u201cMulheres origin\u00e1rias: Reflorestando mentes para a cura da Terra\u201d, para chamamento \u00e0 humanidade para uma nova forma poss\u00edvel de relacionamento com a M\u00e3e Terra e entre as pessoas. \u201cEssa \u00e9 a \u00fanica forma de mantermos nossos corpos vivos\u201d, diz nota lan\u00e7ada pela institui\u00e7\u00e3o, com apoio da\u00a0<a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><u><strong>Apib<\/strong><\/u><\/a>\u00a0(Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil).<\/p>\n<p>\u201cEm todos os pa\u00edses do planeta, os impactos da crise clim\u00e1tica e ambiental associados aos efeitos da maior pandemia da hist\u00f3ria geram montantes assombrosos de mortos e novas hordas de exclu\u00eddos e flagelados. A fome, o desemprego, o racismo, a LGBTfobia e o machismo colocam milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade extrema e esgotam os recursos para se protegerem\u201d, diz ainda a nota. Segundo a Anmiga, esses s\u00e3o resultados de projetos explorat\u00f3rios insustent\u00e1veis, que empurram todo o mundo para um ponto sem possibilidade de retorno, comprometendo a exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>\u201cQueremos reflorestar n\u00e3o apenas a terra, mas as mentes e cora\u00e7\u00f5es\u201d, afirma C\u00e9lia Xakriab\u00e1, do povo Xakriab\u00e1, de Minas Gerais. Durante o lan\u00e7amento da\u00a0<u><strong><a href=\"https:\/\/reflorestarmentes.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plataforma Reflorestarmentes<\/a><\/strong><\/u>, que organiza conhecimentos e tecnologias ancestrais, ela citou a necessidade de \u201csemear a\u00e7\u00f5es por justi\u00e7a ambiental, territ\u00f3rios e corpos-territ\u00f3rios assassinados\u201d; e disse que ser\u00e3o mapeados coletivos regionais, nacionais, internacionais e territoriais que tenham o mesmo objetivo, citando como exemplo os coletivos de comunicadores M\u00eddia \u00cdndia e M\u00eddia Ninja como \u201cterrit\u00f3rios virtuais\u201d que colaboram para \u201cromper a padroniza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O acampamento feminino em Bras\u00edlia teve a visita solid\u00e1ria de mulheres ind\u00edgenas estrangeiras e de institui\u00e7\u00f5es como a Coica (sigla para Coordenadoria das Organiza\u00e7\u00f5es da Bacia Amaz\u00f4nica em espanhol), da qual faz parte a\u00a0<u><strong><a href=\"https:\/\/coiab.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coiab<\/a><\/strong><\/u>\u00a0(Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira). \u201cOs problemas no Brasil s\u00e3o os mesmos dos povos origin\u00e1rios de todo o mundo\u201d, afirmou Amalia Hernandez, do povo Lenka, de Honduras. Lineth Calapucha, do povo Kichwa, completou citando que no Equador s\u00e3o tamb\u00e9m as empresas petroleiras, mineradoras e madeireiras que representam amea\u00e7as de genoc\u00eddio. \u201cTemos costumes e formas de vida n\u00e3o compreendidos, mas nos empoderamos para que a luta continue\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Mar\u00eda Cuji, dirigente de A Mulher Kichwa, cita a marcha hist\u00f3rica realizada por m\u00e3es e av\u00f3s em 1992, que permaneceram em Quito durante um m\u00eas inteiro na luta por terras. Atualmente, o povo tem \u00e1reas escrituradas, mas as mulheres precisam se manter mobilizadas para a defesa contra invasores que desejam explorar recursos naturais.<\/p>\n<p>Os Kichwa da comunidade de Sarayaku realizaram, em 2018, uma cerim\u00f4nia na capital equatoriana, declarando 135 mil hectares seu territ\u00f3rio como \u201cselva vivente\u201d, com o objetivo de que o governo o reconhe\u00e7a como \u201cser vivo\u201d consciente de direitos, com novas medidas sustent\u00e1veis de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas da floresta no sentido material, como incluindo seres do mundo animal, vegetal, mineral, espiritual e c\u00f3smico que se relacionam com os humanos.<\/p>\n<p><em>Por Cristina \u00c1vila, especial para o WWF-Brasil<\/em><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 5 mil representantes de 185 povos estiveram em Bras\u00edlia de 7 a 11 de setembro, em uma das mobiliza\u00e7\u00f5es mais potentes que a capital federal j\u00e1 assistiu\u00a0 Um dos mais fortes s\u00edmbolos da luta ind\u00edgena feminina brasileira, Tu\u00edre Kayap\u00f3, estampa no olhar um&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8264,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,1614,31],"tags":[1633],"class_list":["post-8263","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-3","category-indigenas","category-para","tag-lideranca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8263"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8265,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8263\/revisions\/8265"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}