{"id":8304,"date":"2021-11-10T15:55:32","date_gmt":"2021-11-10T18:55:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8304"},"modified":"2021-11-10T15:57:02","modified_gmt":"2021-11-10T18:57:02","slug":"rede-de-sementes-une-familias-quilombolas-pelas-florestas-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/rede-de-sementes-une-familias-quilombolas-pelas-florestas-do-futuro\/","title":{"rendered":"Rede de Sementes une fam\u00edlias quilombolas pelas florestas do futuro"},"content":{"rendered":"<p><em>Trabalho de coleta envolve familiares de participantes, que com olhar atento passaram a desenvolver novas rela\u00e7\u00f5es com o territ\u00f3rio<\/em><\/p>\n<p>Sair para coletar sementes florestais mudou a realidade de 42 quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste do estado de S\u00e3o Paulo. E despertou um senso de cuidado coletivo sobre o mundo.<br \/>\n\u00c9 um trabalho que fortalece la\u00e7os e permite que os quilombolas se reconhe\u00e7am como importantes agentes na restaura\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>Essas fam\u00edlias fazem parte da Rede de Sementes do Vale do Ribeira.<\/p>\n<p><strong>ASSISTA \u00c0 ANIMA\u00c7\u00c3O QUE CONTA ESSA HIST\u00d3RIA.<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PyIbzspDFnk\" width=\"700\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Localizada numa regi\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica onde 80% da mata segue conservada, a Rede de Sementes do Vale do Ribeira atua h\u00e1 quatro anos na coleta de sementes nas comunidades quilombolas Andr\u00e9 Lopes, Bombas, Maria Rosa e Nhunguara, nos munic\u00edpios paulistas de Eldorado e Iporanga.<\/p>\n<p>Os quilombolas dessas comunidades mant\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o ancestral de cuidado com o territ\u00f3rio em que vivem e possibilitam que outras localidades tamb\u00e9m possam ser cuidadas por meio do plantio dessas sementes.<\/p>\n<p>Atualmente, 42 quilombolas participam da rede e atuam na coleta, manejo e comercializa\u00e7\u00e3o de sementes da Mata Atl\u00e2ntica \u2014 mas esse n\u00famero \u00e9 muito maior. Trabalhar com sementes n\u00e3o envolve apenas as pessoas que s\u00e3o membros da rede, mas engloba c\u00f4njuges, filhos e filhas \u2014 entre crian\u00e7as, adolescentes e adultos -, noras e genros, que participam de alguma etapa do caminho das sementes entre a coleta e a entrega final.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sementesdoribeira\/\">CLIQUE E SIGA A REDE DE SEMENTES DO VALE DO RIBEIRA NAS REDES SOCIAIS.<\/a><\/p>\n<p>Assim acontece com Donaria Messias dos Santos, a Preta, quilombola do Nhunguara. Ela faz parte da rede desde 2018 e embora apenas ela participe das atividades da rede, em sua casa recebe ajuda de seu marido e seus dois filhos que moram com ela e a acompanham nas coletas que realiza nos finais de semana. \u201cAgora, at\u00e9 a minha nora tem interesse em saber mais e quer ajudar limpando as sementes\u201d, contou. Al\u00e9m deles, ela sempre coleta com Ivo Pedroso, Nilza Oliveira e a irm\u00e3 Omelina Fran\u00e7a, ambos do quilombo Andr\u00e9 Lopes.<\/p>\n<p>A Rede de Sementes do Vale do Ribeira \u00e9 importante para gerar renda para essas fam\u00edlias, entre elas a da Preta. Antes de fazer parte do grupo, Preta cuidava da m\u00e3e no quilombo Andr\u00e9 Lopes e foi gra\u00e7as \u00e0s idas ao quilombo vizinho que conheceu a iniciativa e passou a coletar. L\u00e1, ela foi convidada por Z\u00e9lia Morato Pupo dos Santos para acompanh\u00e1-la em uma de suas sa\u00eddas e, ao conhecer o trabalho que era feito e que existia a possibilidade de ter uma renda a partir da coleta de sementes, Preta se interessou.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e1bado e domingo n\u00f3s vamos pegar sementes e, durante a semana, a gente trabalha na ro\u00e7a. Antes disso, j\u00e1 trabalhei em Eldorado e em Sete Barras. Depois que comecei com as sementes, deixei de trabalhar para os outros e passei a trabalhar para mim. O dinheiro que a gente recebe com as sementes ajuda bastante dentro de casa\u201d, destacou.<br \/>\n<a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Donaria Messias dos Santos separando sementes|Bianca Tozato-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs89111_mg_1530-lpr.jpg?itok=goYLMYE9\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Donaria Messias dos Santos separando sementes\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/rs89111_mg_1530-lpr.jpg?itok=_IZhb4D9\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Donaria Messias dos Santos separando sementes|Bianca Tozato-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs89111_mg_1530-lpr.jpg?itok=goYLMYE9\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><span class=\"image-caption\">Donaria Messias dos Santos separando sementes<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nNo \u00faltimo ano, os quilombolas reuniram cerca de 120 esp\u00e9cies de sementes florestais em um total de mais de 750 kg de sementes. Assim, foi poss\u00edvel gerar cerca de R$ 70 mil para as fam\u00edlias participantes, em m\u00e9dia R$ 2 mil por fam\u00edlia.<\/p>\n<p>As sementes coletadas s\u00e3o comercializadas para parceiros e projetos que atuam com viveiros ou restaura\u00e7\u00e3o florestal. No segundo caso, a restaura\u00e7\u00e3o acontece por meio da muvuca de sementes, t\u00e9cnica que mistura diversas esp\u00e9cies e planta todas juntas para recuperar \u00e1reas degradadas.<\/p>\n<p>A Rede de Sementes do Vale do Ribeira existe desde 2017 e, desde ent\u00e3o, seus coletores reuniram mais de uma tonelada de sementes, de mais de 150 esp\u00e9cies. As sementes foram enviadas para cerca de 20 munic\u00edpios nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. A muvuca com sementes quilombolas possibilitou a restaura\u00e7\u00e3o de mais de 20 hectares de Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Juliano Silva do Nascimento, agr\u00f4nomo e assessor t\u00e9cnico do ISA junto aos coletores e coletoras, observa que, embora seja mais barata, a restaura\u00e7\u00e3o florestal a partir de muvuca ainda precisa ser mais conhecida. \u201cMuitos ainda acham que a restaura\u00e7\u00e3o a partir de mudas \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais vi\u00e1vel e desconhecem o potencial da restaura\u00e7\u00e3o a partir das sementes\u201d, observou.<\/p>\n<h2>Controle de qualidade na coleta<\/h2>\n<p>Edna Rosa da Prata Santos \u00e9 um elo entre o Quilombo Maria Rosa e a Central Administrativa da Rede de Sementes. L\u00e1, ela \u00e9 um ponto focal, respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o e acertos com o grupo, como fazer os pedidos de sementes, de reuni\u00f5es ou atividades.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ela e outros elos nas outras tr\u00eas comunidades distribuem os pedidos a cada coletor e avaliam se as sementes est\u00e3o limpas, para que assim elas possam ir para a Casa de Sementes e, mais adiante, encontrar o seu destino final: o comprador.<br \/>\n<a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Louren\u00e7o Dias, Murilo Santos e Edna Rosa no quilombo Maria Rosa|Bianca Tozato-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs89160_mg_1985-editar-lpr.jpg?itok=SKZlU6nx\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"Louren\u00e7o Dias, Murilo Santos e Edna Rosa no quilombo Maria Rosa\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/rs89160_mg_1985-editar-lpr.jpg?itok=xb8wUEbI\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"Louren\u00e7o Dias, Murilo Santos e Edna Rosa no quilombo Maria Rosa|Bianca Tozato-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs89160_mg_1985-editar-lpr.jpg?itok=SKZlU6nx\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><span class=\"image-caption\">Louren\u00e7o Dias, Murilo Santos e Edna Rosa no quilombo Maria Rosa<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nEnquanto respons\u00e1vel, Edna percebe que muitas pessoas t\u00eam interesse em coletar sementes espec\u00edficas por saberem que algumas geram mais renda que outras. Entretanto, ela destaca que existe uma organiza\u00e7\u00e3o e que o trabalho \u00e9 muito maior que apenas coletar. \u201cTem bastante gente querendo entrar no grupo, mas s\u00f3 quer coletar o que d\u00e1 bom retorno. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 coletar. \u00c9 preciso participar das reuni\u00f5es, entender a import\u00e2ncia da coleta e cumprir os combinados\u201d.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de cada ano, os \u201celos\u201d, coletores e coletoras elaboram a Lista Potencial, que \u00e9 um levantamento com uma estimativa do que pretendem entregar ao longo do ano. Essa listagem \u00e9 apresentada \u00e0 Central Administrativa e, na sequ\u00eancia, a compradores e parceiros.<\/p>\n<p>Conhecer a flora local, acompanhar os per\u00edodos de flora\u00e7\u00e3o, frutifica\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o das sementes e observar fatores externos, como excesso ou falta de chuva ou ataque de pragas, por exemplo, permite que quem faz a coleta possa avaliar como esses fatores podem impactar a coleta daquele ano. O conhecimento dessas t\u00e9cnicas de manejo de paisagem e de saberes tradicionais quilombolas do Vale do Ribeira \u2014 o Sistema Agr\u00edcola Tradicional (SAT) \u2014 foi reconhecido em 2018 pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) como patrim\u00f4nio imaterial cultural do Brasil, valorizando, assim, o trabalho daqueles que coletam sementes.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o do ambiente hoje \u00e9 uma mudan\u00e7a significativa que os coletores de Maria Rosa notaram desde que ingressaram na rede, em 2019. Antes de participar, Louren\u00e7o Dias da Mota confessou que n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o tinha tanta curiosidade em conhecer as esp\u00e9cies.<br \/>\n\u201cA gente passava e n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o nas sementes. Mas agora a gente anda mais atento na mata ou na estrada, procurando por alguma coisa. E passamos a adentrar mais na mata atr\u00e1s das sementes\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Os filhos de Edna, Lara e Murilo, tamb\u00e9m t\u00eam o olhar bastante agu\u00e7ado e desde novos j\u00e1 reconhecem as esp\u00e9cies de \u00e1rvores e sementes. \u201cPeguei o costume de entrar na mata prestando aten\u00e7\u00e3o em tudo. Acabo me distraindo vendo as sementes! Mas antes n\u00e3o era assim. Eu podia pisar numa semente que n\u00e3o estava nem a\u00ed. Agora, os meninos s\u00e3o curiosos. V\u00e3o na mata, encontram sementes, trazem para a gente olhar e ver se est\u00e1 boa ou n\u00e3o. Eles j\u00e1 est\u00e3o crescendo com esse costume de observar as plantas e o ambiente e conhecer as sementes\u201d, contou a coletora.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1RZpDhjuJNXem2o5UG7rVvasR2zRffmvb\/view\">CONHE\u00c7A O CAT\u00c1LOGO DE SEMENTES DA REDE DE SEMENTES DO VALE DO RIBEIRA<\/a><\/p>\n<p>Por estarem mais afastados, a dificuldade dos quilombolas do Maria Rosa de obterem renda a partir da comercializa\u00e7\u00e3o de produtos da ro\u00e7a \u00e9 grande. Assim, a renda da Rede de Sementes \u00e9 crucial para as fam\u00edlias participantes.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente n\u00e3o tivesse a semente, a gente n\u00e3o teria o dinheiro, porque poucos trabalham ou recebem aux\u00edlio do governo. Ent\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a porque sabemos que, em algum momento, o dinheiro das sementes ir\u00e1 chegar\u201d, observou.<\/p>\n<h2>Conhecimento passado de m\u00e3e para filha<\/h2>\n<p>Z\u00e9lia e o seu esposo Maur\u00edcio Pereira Pupo foram um dos primeiros quilombolas a fazerem parte da Rede de Sementes do Vale do Ribeira. Hoje, a fam\u00edlia tem papel importante dentro do grupo, por explicar sobre a import\u00e2ncia da coleta de sementes, mas, inicialmente, Z\u00e9lia viu com desconfian\u00e7a o trabalho. Ap\u00f3s conversas e o convite para a viagem de interc\u00e2mbio entre coletores com a Rede de Sementes do Xingu, em 2018, ela mudou de vis\u00e3o do trabalho desenvolvido e passou a participar e a convidar outras pessoas. \u201cHoje, vendo a quest\u00e3o do desmatamento e sabendo que temos essa riqueza [nos quilombos], por que n\u00e3o compartilhar com outras pessoas?\u201d<br \/>\n<a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"As quilombolas de Andr\u00e9 Lopes Fia e Z\u00e9lia Pupo|Bianca Tozato-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs88238_mg_1145-lpr.jpg?itok=JnM-Y3sU\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><br \/>\n<span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><img decoding=\"async\" class=\"caption image-nsa-paisagem caption-processed\" title=\"As quilombolas de Andr\u00e9 Lopes Fia e Z\u00e9lia Pupo\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/nsa-paisagem\/public\/nsa\/rs88238_mg_1145-lpr.jpg?itok=ahuxUsOP\" alt=\"\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p><a class=\"colorbox colorbox-insert-image init-colorbox-processed cboxElement\" title=\"As quilombolas de Andr\u00e9 Lopes Fia e Z\u00e9lia Pupo|Bianca Tozato-ISA\" href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/blog.socioambiental.org\/files\/styles\/imagem-grande\/public\/nsa\/rs88238_mg_1145-lpr.jpg?itok=JnM-Y3sU\" data-colorbox-gallery=\"gallery-all\"><span class=\"image-caption-container image-caption-container-none\"><span class=\"image-caption\">As quilombolas de Andr\u00e9 Lopes Fia e Z\u00e9lia Pupo<\/span><\/span><br \/>\n<\/a><br \/>\nDurante as sa\u00eddas, eles s\u00e3o abordados na estrada por passantes curiosos com o trabalho, achando que as sementes servem para a alimenta\u00e7\u00e3o. Maur\u00edcio conta que, ao explicar o porqu\u00ea da coleta de sementes e a import\u00e2ncia do trabalho deles com o manejo da paisagem e que as sementes v\u00e3o ajudar na restaura\u00e7\u00e3o florestal, s\u00e3o elogiados pela iniciativa.<\/p>\n<p>\u201cAcho importante termos algum tipo de identifica\u00e7\u00e3o para que as pessoas saibam que fazemos parte da Rede de Sementes. Muitas olham desconfiadas quando nos veem com os cortadores achando que vamos desmatar a mata e acabam mudando de ideia quando nos escutam dizendo sobre o que \u00e9 o trabalho da rede\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Fia enquanto relembrava o seu in\u00edcio na Rede de Sementes. Foto: Bianca Tozato\/ISA<br \/>\nGeisieli Carina dos Santos Pupo, a Fia, \u00e9 uma das filhas mais novas de Z\u00e9lia e Maur\u00edcio. Ela \u00e9, tamb\u00e9m, a coletora mais jovem da Rede de Sementes, com 24 anos. O trabalho come\u00e7ou quando passou a ajudar a sua m\u00e3e no trabalho.<\/p>\n<p>A coleta \u00e9 uma atividade familiar, pois seus irm\u00e3os e tios tamb\u00e9m coletam sementes ou fazem alguma atividade, como a limpeza das esp\u00e9cies. Em 2021, dois anos ap\u00f3s Fia come\u00e7ar a acompanhar a fam\u00edlia, ela fez sua primeira coleta e entrega de forma independente. A partir desse momento, ela tamb\u00e9m passa a participar das atividades como coletora.<\/p>\n<p>Com uma fala t\u00edmida, Fia lembra que o in\u00edcio foi mais dif\u00edcil pois a fam\u00edlia n\u00e3o sabia como coletar e n\u00e3o conseguiam bater as metas. \u201cA primeira semente que coletei \u2014 e a que acho mais dif\u00edcil de separar at\u00e9 hoje \u2014 \u00e9 a caquera (Senna multijuga). Na primeira vez, se pegamos 200g foi muito\u201d, lembrou, destacando que hoje tanto ela quanto Z\u00e9lia possuem instrumentos de trabalho e t\u00eam mais pr\u00e1tica na coleta, limpeza e sele\u00e7\u00e3o de sementes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da caquera, a fam\u00edlia tamb\u00e9m coleta algodoeiro, assa-peixe, feij\u00e3o guandu, goiaba, jurubeba e urucum, dispon\u00edveis no pr\u00f3prio quilombo Andr\u00e9 Lopes, e olho de cabra, que \u00e9 encontrado a uma dist\u00e2ncia maior.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Fia no grupo inspira um sentimento de continuidade e renova\u00e7\u00e3o, pois mostra que, al\u00e9m dos mais velhos, a juventude tamb\u00e9m est\u00e1 preocupada com o cuidado com a Mata Atl\u00e2ntica e a restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando soube o que as pessoas [da Rede de Sementes] do Xingu faziam l\u00e1 e o que os quilombolas estavam fazendo aqui com a coleta de sementes, achei muito importante. Principalmente agora, com tantas queimadas acontecendo e acabando com as matas. Quando a minha m\u00e3e me alertou sobre isso, vi a import\u00e2ncia de se coletar. Se for para ajudar as pessoas a terem [a diversidade de plantas] que eu tenho aqui, ent\u00e3o deve ser importante e quis participar\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de renda, a rede contribui para o manejo de paisagem, que para Fia \u00e9 o mais importante. Por ainda morar com sua fam\u00edlia, ela opta por dar parte do dinheiro que recebeu para a m\u00e3e e ajudar com as despesas de casa.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o e engajamento da juventude quilombola tem aumentado cada vez mais. Na \u00faltima Feira de Troca de Sementes e Mudas das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, em 2019, eles formaram 30% do p\u00fablico total. A juventude quilombola tamb\u00e9m participou da escrita do livro \u2018Ro\u00e7a \u00e9 Vida\u2019, que aborda de forma po\u00e9tica a import\u00e2ncia do Sistema Agr\u00edcola Tradicional.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Fia esteve presente na edi\u00e7\u00e3o de 2018 e lembrou com saudade da possibilidade da troca de sementes e afetos entre as pessoas participantes: \u201cFoi bom para conhecer novas sementes e aprender mais com as pessoas. Fizemos trocas de sementes e mudas e algumas delas plantamos aqui no quilombo, como laranja e ju\u00e7ara\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: ISA<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho de coleta envolve familiares de participantes, que com olhar atento passaram a desenvolver novas rela\u00e7\u00f5es com o territ\u00f3rio Sair para coletar sementes florestais mudou a realidade de 42 quilombolas do Vale do Ribeira, no sudeste do estado de S\u00e3o Paulo. 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