{"id":8323,"date":"2021-11-01T16:37:42","date_gmt":"2021-11-01T19:37:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8323"},"modified":"2021-11-10T16:42:22","modified_gmt":"2021-11-10T19:42:22","slug":"botos-amazonicos-continuam-ameacados-pela-acao-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/botos-amazonicos-continuam-ameacados-pela-acao-humana\/","title":{"rendered":"Botos amaz\u00f4nicos continuam amea\u00e7ados pela a\u00e7\u00e3o humana"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia 24 de outubro \u00e9 comemorado o Dia Internacional dos botos, tamb\u00e9m conhecidos como golfinhos de rio.<\/em><\/p>\n<p>Apesar da data comemorativa, estes animais enfrentam v\u00e1rias amea\u00e7as, como a desconex\u00e3o de seu habitat por projetos hidrel\u00e9tricos, pesca predat\u00f3ria, desmatamento e contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario.<\/p>\n<p>Para conservar a esp\u00e9cie e tamb\u00e9m os habitats em que vive o WWF, em conjunto com cientistas de outras organiza\u00e7\u00f5es, fazer parte da\u00a0<u><strong><a href=\"http:\/\/river-dolphins.com\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SARDI<\/a><\/strong><\/u>\u00a0(Iniciativa Golfinhos de Rio da Am\u00e9rica do Sul, em ingl\u00eas, South American River Dolphin Initiative) que realiza estudos e expedi\u00e7\u00f5es para avaliar as condi\u00e7\u00f5es das esp\u00e9cies em seus habitats nos rios da Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e Venezuela. Os resultados destes estudos ajudam os governos locais e sociedade civil a desenvolver a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o de golfinhos na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>De acordo com Marcelo Oliveira, especialista de conserva\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil, as estimativas populacionais, estudos ecol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos de diversas regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia s\u00e3o ferramentas essenciais para orientar as estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o, manejo e desenvolvimento sustent\u00e1vel. \u201cOs trabalhos de conserva\u00e7\u00e3o dos botos possuem impactos diretos em centenas de outras esp\u00e9cies, inclusive na humana. Estes animais s\u00e3o indicadores de qualidade de ecossistemas pois precisam de \u00e1gua limpa, comida em abund\u00e2ncia, matas ciliares conservadas e um habitat equilibrado\u201d, afirma Oliveira.<\/p>\n<p>Atualmente, todos os botos de \u00e1gua doce do mundo est\u00e3o classificados na lista vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. E isso representa um risco para todo o ecossistema amaz\u00f4nico, j\u00e1 que, por ser um animal topo de cadeia, sua aus\u00eancia cria desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Altera\u00e7\u00f5es no curso e vazante de rios, como a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, consistem em um dos principais motivos para a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade dos botos.\u00a0<u><strong><a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/?79288\/Estudo-comprova-ocorrencia-de-botos-amazonicos-em-novas-areas-no-Amapa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um estudo<\/a><\/strong><\/u>\u00a0desenvolvido pelo WWF-Brasil, Instituto Mamirau\u00e1 e IEPA (Instituto de Pesquisas Cient\u00edficas e Tecnol\u00f3gicas do Estado, do Amap\u00e1) aponta que na bacia do Araguari, principal e maior rio do Amap\u00e1, a presen\u00e7a de tr\u00eas hidrel\u00e9tricas (Cachoeira Caldeir\u00e3o, Coaracy Nunes e Ferreira Gomes) mudou a vaz\u00e3o do rio, extinguiu o fen\u00f4meno da pororoca e isolou popula\u00e7\u00f5es de botos. Segundo o estudo, as barreiras das usinas alteram o fluxo do rio e impediram a movimenta\u00e7\u00e3o dos botos pelas \u00e1guas.<\/p>\n<p>O garimpo \u00e9 outra amea\u00e7a a essa esp\u00e9cie. A atividade causa o dep\u00f3sito de merc\u00fario e outros metais pesados no leito dos rios, contaminando toda a cadeia alimentar dos botos. Como s\u00e3o animais de topo de cadeia, conforme eles se alimentam de peixes j\u00e1 atingidos pelo merc\u00fario, o n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o desse metal em seu organismo vai aumentando.\u00a0 Botos pesquisados no Brasil, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia mostraram alta concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario em seus organismos, o que certamente prejudica seu sistema imunol\u00f3gico, deixando-os expostos ao desenvolvimento de diversas doen\u00e7as. Al\u00e9m disso, os efeitos em longo prazo ainda s\u00e3o desconhecidos,\u00a0<u><strong><a href=\"https:\/\/panda.maps.arcgis.com\/apps\/Cascade\/index.html?appid=e74f4fc219b3428b8e4bce4d7295f210&amp;_ga=2.58475874.930701893.1634697665-1917925053.1632845491\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mas no homem<\/a><\/strong><\/u>\u00a0o ac\u00famulo pode causar problemas neurol\u00f3gicos e outros dist\u00farbios.<\/p>\n<p>O desmatamento e a cria\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos e bovinos \u00e0s margens dos rios amaz\u00f4nicos tamb\u00e9m s\u00e3o causas de impacto negativo \u00e0 exist\u00eancia dos botos. A retirada de \u00e1rvores, degrada\u00e7\u00e3o do solo, o pisoteamento por parte da cria\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria das \u00e1reas \u00e0s margens fluviais causam eros\u00e3o e deteriora\u00e7\u00e3o na qualidade das \u00e1guas.<\/p>\n<p><strong>Curiosidades sobre os botos<\/strong><br \/>\nO boto \u00e9 animal encantado na mitologia ind\u00edgena, alimenta o folclore brasileiro, habita o imagin\u00e1rio popular e encanta aos que t\u00eam o privil\u00e9gio de v\u00ea-lo. E a ci\u00eancia ainda est\u00e1 aprofundando seus conhecimentos sobre o animal. Reunimos aqui, algumas curiosidades e caminhos para que voc\u00ea possa conhecer ainda mais sobre os golfinhos do rio.<\/p>\n<p><strong>Nunca dormem\u00a0<\/strong><br \/>\nOs botos, ao contr\u00e1rio de n\u00f3s, humanos, respiram voluntariamente, por isso n\u00e3o podem entrar em estados de inconsci\u00eancia, pois se afogariam. Pense nas pessoas que praticam snorkel, \u00e9 assim que os golfinhos s\u00e3o, cada respira\u00e7\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria e planejada. Para descansar e recuperar a energia eles diminuem sua atividade e entraram em um estado de letargia, diminuindo o estado de alerta, ao longo do dia e da noite<\/p>\n<p><strong>Gesta\u00e7\u00e3o longa\u00a0<\/strong><br \/>\nO per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o dos botos dura entre 10 e 11 meses e \u00e9 poss\u00edvel que nas\u00e7a apenas um filhote. Al\u00e9m disso, as f\u00eameas procuram \u00e1reas tranquilas em rios, como remansos e lagoas, e o trabalho de parto pode durar v\u00e1rias horas. Nas primeiras horas de vida, o beb\u00ea pode enfrentar dificuldade para respirar, por isso precisa da ajuda da m\u00e3e por perto. As m\u00e3es acompanham os filhotes at\u00e9 completarem entre dois e tr\u00eas anos.<\/p>\n<p><strong>Para poucos\u00a0<\/strong><br \/>\nOs botos s\u00e3o um grupo particularmente vulner\u00e1vel de cet\u00e1ceos de \u00e1gua doce, distribu\u00eddos em apenas 14 pa\u00edses na \u00c1sia e na Am\u00e9rica do Sul. No Brasil, encontramos tr\u00eas delas: de botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), tucuxis ou boto-cinza (Sotalia fluviatilis) e o botos-cinza (S. guianensis). E os cientistas ainda buscam o reconhecimento de uma nova esp\u00e9cie, o boto-do-araguaia (Inia araguaiaensis), que ainda precisa ser mais estudada.<\/p>\n<p><strong>Rei dos rios\u00a0<\/strong><br \/>\nOs botos s\u00e3o animais topo de cadeia, ou seja, sua presen\u00e7a \u00e9 considerada um indicador de qualidade e boa sa\u00fade dos locais em que habita, impactando positivamente para a sa\u00fade de todas as esp\u00e9cies ao seu redor, inclusive a dos seres humanos. Possui um avan\u00e7ado sistema de localiza\u00e7\u00e3o com emiss\u00e3o de ondas sonoras que fornece um eficiente sistema de comunica\u00e7\u00e3o, ferramentas que o ajudam na alimenta\u00e7\u00e3o e deslocamento.<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7as\u00a0<\/strong><br \/>\nTodas as esp\u00e9cies de botos do mundo est\u00e3o amea\u00e7adas pela modifica\u00e7\u00e3o de seus habitats.\u00a0<u><strong><a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/botos_da_america_do_sul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No Brasil<\/a><\/strong><\/u>, mudan\u00e7as hidrol\u00f3gicas causadas pela constru\u00e7\u00e3o de barragens e a presen\u00e7a do garimpo ilegal s\u00e3o as principais amea\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o internacional\u00a0<\/strong><br \/>\nA\u00a0<u><strong><a href=\"http:\/\/river-dolphins.com\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SARDI<\/a><\/strong><\/u>\u00a0\u2013 South American River Dolphins Initiative, ou &#8220;Iniciativa Golfinhos de Rio da Am\u00e9rica do Sul&#8221; \u00e9 um trabalho em conjunto que tem como prop\u00f3sito atuar de maneira coletiva pela conserva\u00e7\u00e3o dos botos e de seus h\u00e1bitats na Am\u00e9rica do Sul. Para isso, foi criada uma rede com organiza\u00e7\u00f5es e especialistas de todos os pa\u00edses onde eles vivem composta por organiza\u00e7\u00f5es ambientais na Col\u00f4mbia, Brasil, Bol\u00edvia, Peru, Equador e Venezuela. Clique aqui para conhecer o SARDI.<\/p>\n<p><strong>Surpreendem os cientistas\u00a0<\/strong><br \/>\n<u><strong><a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/?79288\/Estudo-comprova-ocorrencia-de-botos-amazonicos-em-novas-areas-no-Amapa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um estudo<\/a><\/strong><\/u>\u00a0desenvolvido pelo WWF-Brasil, Instituto Mamirau\u00e1 e IEPA (Instituto de Pesquisas Cient\u00edficas e Tecnol\u00f3gicas do Estado do Amap\u00e1) comprovou a exist\u00eancia de botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), tucuxis (Sotalia fluviatilis) e botos-cinza (S. guianensis) em uma extens\u00e3o de 4.224 km de rios no estado do Amap\u00e1, em uma regi\u00e3o onde n\u00e3o se tinha confirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia desses animais.<\/p>\n<p>Fonte WWF Brasil<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 24 de outubro \u00e9 comemorado o Dia Internacional dos botos, tamb\u00e9m conhecidos como golfinhos de rio. 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