{"id":8429,"date":"2022-03-23T19:51:21","date_gmt":"2022-03-23T22:51:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8429"},"modified":"2022-03-23T19:51:21","modified_gmt":"2022-03-23T22:51:21","slug":"moradores-de-areas-urbanas-e-ribeirinhas-tem-altas-taxas-de-exposicao-por-mercurio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/moradores-de-areas-urbanas-e-ribeirinhas-tem-altas-taxas-de-exposicao-por-mercurio\/","title":{"rendered":"Moradores de \u00e1reas urbanas e ribeirinhas t\u00eam altas taxas de exposi\u00e7\u00e3o por merc\u00fario"},"content":{"rendered":"<div id=\"article-text\"><em>Pesquisa analisou amostras de sangue de 462 adultos; 75,6% deles tiveram resultados acima do limite de seguran\u00e7a estabelecido pela OMS<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wwfbr.awsassets.panda.org\/downloads\/ijerph_19_02816.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estudo\u00a0<\/a>realizado pelo LEpiMol (Laborat\u00f3rio de Epidemiologia Molecular) da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1), em parceria com a Fiocruz (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) e o WWF-Brasil, mostrou uma alta taxa de concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario (Hg) no sangue de residentes de \u00e1reas urbanas e ribeirinhas da bacia do Baixo Tapaj\u00f3s, no Estado do Par\u00e1. O metal, que \u00e9 utilizado em zonas de garimpo para separar e extrair o ouro, foi encontrado em todos os 462 participantes da pesquisa. Desse total, 75,6% evidenciaram exposi\u00e7\u00e3o acima do limite de seguran\u00e7a de 10 \u00b5g\/L estabelecido pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade).<\/p>\n<p>Os resultados, que re\u00fanem an\u00e1lises de 203 indiv\u00edduos da \u00e1rea urbana de Santar\u00e9m (PA) e\u00a0259 participantes de comunidades ribeirinhas, est\u00e3o em um\u00a0<a href=\"https:\/\/wwfbr.awsassets.panda.org\/downloads\/ijerph_19_02816.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo publicado na revista cient\u00edfica \u201cInternational Journal of Environmental Research and Public Health\u201d<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 revoltante o quanto isso est\u00e1 se tornando cada vez mais grave e destruidor para nossas vidas\u201d, comenta Juci Bentes, ativista ambiental e integrante do Coletivo Jovem Tapaj\u00f4nico. \u201cO merc\u00fario vem sendo lan\u00e7ado no leito do rio e se transformando em material org\u00e2nico, assim ele passa a integrar a cadeia alimentar, contaminando os peixes que vivem no rio. Por isso, \u00e9 urgente interromper as atividades garimpeiras ilegais na nossa regi\u00e3o\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Para a coordenadora do estudo, a professora Heloisa do Nascimento de Moura Meneses, da Ufopa, mesmo que os garimpos n\u00e3o estejam pr\u00f3ximos ao Baixo Tapaj\u00f3s, os dados mostram que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 exposta aos efeitos da contamina\u00e7\u00e3o mercurial que ocorre atualmente na Bacia Amaz\u00f4nica. \u201cAssim como o garimpo, o desmatamento e as queimadas contribuem para a contamina\u00e7\u00e3o ambiental. Temos um conjunto de fatores que afetam o Rio Tapaj\u00f3s e, consequentemente, as pessoas que vivem \u00e0s suas margens\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para Raul Valle, Diretor de Justi\u00e7a Socioambiental do WWF-Brasil, esse tipo de pesquisa deve ocorrer com mais frequ\u00eancia e em outros lugares da Amaz\u00f4nia, para que possamos ter clareza da dimens\u00e3o do problema, que hoje \u00e9 quase invis\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cIsso pode ajudar a mudar a posi\u00e7\u00e3o de muitos parlamentares da regi\u00e3o que atualmente apoiam, de forma pouco consciente, projetos de lei que v\u00e3o piorar esse problema, como \u00e9 o caso do PL 191\/21, que pretende abrir as terras ind\u00edgenas para minera\u00e7\u00e3o e garimpo. N\u00e3o s\u00e3o apenas as comunidades ind\u00edgenas que ser\u00e3o afetadas, mas tamb\u00e9m as pessoas de grandes centros urbanos ser\u00e3o diretamente atingidas. N\u00e3o se trata, portanto, de um problema local, mas de um grande problema regional&#8221;.<\/p>\n<p>O PL 191\/20 integra um conjunto de projetos de lei apelidado de \u201cPacote da Destrui\u00e7\u00e3o\u201d, que inclui ainda projetos que estimulam o roubo de terras p\u00fablicas (grilagem), que fragiliza o licenciamento ambiental, impossibilita a demarca\u00e7\u00e3o de novas terras ind\u00edgenas, dentre outros.<\/p>\n<h3>Principais resultados<\/h3>\n<p>O trabalho de campo do estudo foi realizado entre 2015 e 2019, com coleta de sangue para an\u00e1lises dos n\u00edveis de merc\u00fario em laborat\u00f3rio. No total, participaram adultos com mais de 18 anos, moradores de 8 comunidades do Rio Tapaj\u00f3s, uma comunidade do Rio Amazonas e da \u00e1rea urbana de Santar\u00e9m.<\/p>\n<p>Para a coordenadora do estudo, os dados mostram que todas as pessoas que possuem um h\u00e1bito frequente de consumir peixe est\u00e3o sob risco de exposi\u00e7\u00e3o ao merc\u00fario. \u201cIsso n\u00e3o se restringe apenas \u00e0s \u00e1reas ribeirinhas, mas tamb\u00e9m \u00e0 zona urbana\u201d, diz.<\/p>\n<p>Apesar disso, Heloisa do Nascimento explica que o peixe tem uma grande import\u00e2ncia do ponto de vista nutricional, econ\u00f4mico, cultural e at\u00e9 mesmo tur\u00edstico, portanto, o consumo de peixes n\u00e3o deve ser restringido.<\/p>\n<p>\u201cA contamina\u00e7\u00e3o ambiental por merc\u00fario \u00e9 silenciosa, sem cor e odor, mas seus efeitos podem ser de longo prazo, inclusive comprometendo o feto, o rec\u00e9m-nascido e a crian\u00e7a e podem ser confundidos com outras doen\u00e7as\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a preval\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o de merc\u00fario foi maior na popula\u00e7\u00e3o ribeirinha (90%) do que naquelas que vivem em \u00e1reas urbanas (57,1%). Na \u00e1rea urbana, o n\u00edvel m\u00e9dio de merc\u00fario era 33,6 \u00b1 36,7 \u00b5g\/L, enquanto um n\u00edvel de 55,5 \u00b1 65,7 \u00b5g\/L foi registrado na \u00e1rea ribeirinha. Comparando as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, a preval\u00eancia de exposi\u00e7\u00e3o de merc\u00fario na beira do rio Tapaj\u00f3s (59,5%) foi maior que a do rio Amazonas (40,5%).<\/p>\n<p>Em resumo, o grupo de alta exposi\u00e7\u00e3o (que exibiu n\u00edveis acima dos limites de seguran\u00e7a) apresentou concentra\u00e7\u00f5es quase 4 vezes maiores do que o limite de seguran\u00e7a: 77,1% tinham n\u00edveis de Hg no sangue variando entre 10 e 50 \u00b5g\/L; 11,2% entre 51 e 100 \u00b5g\/L; 6,9% entre 101 e 200 \u00b5g\/L, e 4,9% exibiam n\u00edveis de Hg \u02c3 200 \u00b5g\/L. Surpreendentemente, o n\u00edvel mais alto de Hg foi 296,5 \u00b5g\/mL, detectado em uma mulher de 47 anos de idade morando em um local ribeirinho, quase 30 vezes maior do que o limite preconizado pela OMS.<\/p>\n<p>No corpo humano, alta concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario pode causar danos principalmente ao sistema nervoso central, f\u00edgado, rins, os sistemas cardiovascular, gastrointestinal e imunol\u00f3gico tamb\u00e9m podem ser prejudicados.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m considerou a variante idade e sexo. O grupo de 40-60 anos exibiu concentra\u00e7\u00f5es de Hg no sangue relativamente mais altos do que os participantes de 21-40 anos, com os homens apresentando n\u00edveis mais altos do que as mulheres. A bioacumula\u00e7\u00e3o de merc\u00fario associada ao consumo de peixe pode explicar essa varia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante dos resultados, Walter Kumaruara, que integra o Conselho da Juventude de Santar\u00e9m (PA), diz que se preocupa com os pais, que vivem em uma das \u00e1reas analisadas na pesquisa. \u201cMeu pai \u00e9 pescador e eles dependem do peixe para se alimentar. A gente tamb\u00e9m come o que vem de l\u00e1. N\u00e3o tem outro jeito, \u00e9 uma quest\u00e3o de vida\u201d, diz.<\/p>\n<p>Das mulheres amostradas, 64,7% estavam em idade f\u00e9rtil (18 a 49 anos), e destas, 69,9% tinham n\u00edveis m\u00e9dios de merc\u00fario de 36,2 \u00b5g\/L. Isto suscita preocupa\u00e7\u00f5es, dado o maior risco de malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas em rec\u00e9m-nascidos, cujas m\u00e3es foram expostas ao merc\u00fario durante a gravidez. O metilmerc\u00fario pode atravessar a barreira placent\u00e1ria e hematoencef\u00e1lica causando danos ao desenvolvimento do sistema nervoso central. Pequenas quantidades s\u00e3o suficientes para induzir problemas de desenvolvimento no feto.<\/p>\n<p>A pesquisadora da Fiocruz Sandra Hacon lembra que a contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario pela explora\u00e7\u00e3o do garimpo na Bacia Amaz\u00f4nica, especificamente no rio Tapaj\u00f3s, j\u00e1 acontece desde a d\u00e9cada de 1980. De acordo com ela, os primeiros estudos publicados no in\u00edcio dos anos 1990, por institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, j\u00e1 apontavam elevados n\u00edveis do metal em peixes e nas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. \u201cOs resultados da atual pesquisa realizada em grupos populacionais ribeirinhos e urbanos confirmam a presen\u00e7a do merc\u00fario no ecossistema aqu\u00e1tico e nos grupos analisados, o que representa uma grande preocupa\u00e7\u00e3o ambiental e, consequentemente, um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, considerando a propriedade neurot\u00f3xica e a capacidade de persist\u00eancia e reciclagem do merc\u00fario na bacia Amaz\u00f4nica\u201d.<\/p>\n<h3>Sobre a UFOPA<\/h3>\n<p>Criada em 5 de novembro de 2009, atrav\u00e9s da lei N\u00ba. 12.085\/2009, a Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 (Ufopa) foi a primeira Institui\u00e7\u00e3o Federal de Ensino Superior (Ifes) localizada no interior da Amaz\u00f4nia brasileira, com sede na cidade de Santar\u00e9m, no Oeste do Par\u00e1. Nasceu a partir do desmembramento do campus Santar\u00e9m da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), e da unidade descentralizada do Tapaj\u00f3s da Universidade Federal Rural da Amaz\u00f4nia (UFRA), no \u00e2mbito do programa de Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais \u2013 REUNI. \u00c9 uma universidade multicampi e, al\u00e9m da sede, possui campi nos munic\u00edpios de Alenquer, Itaituba, Juruti, Monte Alegre, \u00d3bidos e Oriximin\u00e1.<\/p>\n<h3>Sobre a Fiocruz<\/h3>\n<p>Criada em 25 de maio de 1900 &#8211; com o nome de Instituto Soroter\u00e1pico Federal -, a Fiocruz nasceu com a miss\u00e3o de combater os grandes problemas da sa\u00fade p\u00fablica brasileira. Hoje, a institui\u00e7\u00e3o, vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, atua para promover a sa\u00fade e o desenvolvimento social, gerar e difundir conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, ser um agente da cidadania.<\/p>\n<p>A Fiocruz segue pautada na produ\u00e7\u00e3o, dissemina\u00e7\u00e3o e compartilhamento de conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolida\u00e7\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e que contribuam para a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira, para a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais e para a din\u00e2mica nacional de inova\u00e7\u00e3o, tendo a defesa do direito \u00e0 sa\u00fade e da cidadania ampla como valores centrais. Acesse em:\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/fiocruz.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fiocruz.br<\/a><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fonte: <em> WWF-Brasil<\/em><\/div>\n<div class=\"col-md-12\"><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa analisou amostras de sangue de 462 adultos; 75,6% deles tiveram resultados acima do limite de seguran\u00e7a estabelecido pela OMS Estudo\u00a0realizado pelo LEpiMol (Laborat\u00f3rio de Epidemiologia Molecular) da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1), em parceria com a Fiocruz (Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz) e o&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8430,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,35,31,2],"tags":[1668],"class_list":["post-8429","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-3","category-meio-ambiente","category-para","category-slideshow","tag-baixo-tapajos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8429"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8429\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8431,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8429\/revisions\/8431"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8430"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}