{"id":8509,"date":"2022-06-15T20:19:43","date_gmt":"2022-06-15T23:19:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8509"},"modified":"2022-06-19T20:28:01","modified_gmt":"2022-06-19T23:28:01","slug":"pf-confirma-assassinatos-de-dom-phillips-e-bruno-pereira-no-vale-do-javari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/pf-confirma-assassinatos-de-dom-phillips-e-bruno-pereira-no-vale-do-javari\/","title":{"rendered":"PF confirma assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira no Vale do Javari"},"content":{"rendered":"<div class=\"node-bg\">\n<div role=\"article\">\n<div class=\"container share-margin\">\n<article class=\"node node--type-article node--promoted node--sticky node--view-mode-full clearfix\" role=\"article\">\n<div class=\"node__content clearfix\">\n<div class=\"node-content-data\">\n<p>Pol\u00edcia Federal informou que um dos suspeitos confessou ter participado de crimes. Corpos e pertences de v\u00edtimas ainda est\u00e3o sendo periciados e barco ser\u00e1 analisado nos pr\u00f3ximos dias<\/p>\n<p>A Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia Federal (PF) no Amazonas confirmou, na noite desta quarta-feira (15\/6), em entrevista coletiva em Manaus, que os corpos que seriam do jornalista brit\u00e2nico Dom Phillips e do indigenista e servidor da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) Bruno Ara\u00fajo Pereira foram encontrados perto da comunidade ribeirinha de S\u00e3o Rafael, na regi\u00e3o do munic\u00edpio de Atalaia do Norte, no extremo oeste do estado do Amazonas. Os dois estavam desaparecidos desde o domingo 5 de junho.<\/p>\n<p>De acordo com a PF, Amarildo da Costa, conhecido como \u201cPelado\u201d, confessou a participa\u00e7\u00e3o nos assassinatos de ambos. Ainda na quarta, ele foi levado por policiais ao local onde estariam os restos mortais das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Outro suspeito j\u00e1 preso \u00e9 o irm\u00e3o de Amarildo, Oseney da Costa Oliveira, conhecido como \u201cDos Santos\u201d. Ele negou a participa\u00e7\u00e3o nos crimes mas, segundo o superintendente da PF no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, h\u00e1 \u201cprovas em seu desfavor\u201d. Fontes tamb\u00e9m confirmou que h\u00e1 um terceiro suspeito em investiga\u00e7\u00e3o j\u00e1 preso.<\/p>\n<p>O superintendente da PF refor\u00e7ou que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel ter \u201c100% de certeza\u201d sobre a identidade dos restos mortais e sobre como as v\u00edtimas foram mortas ap\u00f3s a conclus\u00e3o da per\u00edcia. Apesar disso, informou que Amarildo contou que teria sido usada uma arma de fogo. O policial n\u00e3o deu mais detalhes, justificando que as investiga\u00e7\u00f5es correm sob sigilo.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da semana, a PF tinha encontrado documentos de Pereira e objetos pessoais dele e de Dom. Os pertences foram enviados para per\u00edcia em Manaus. Os itens estavam pr\u00f3ximos \u00e0 casa de Amarildo, submersos e amarrados em uma \u00e1rvore, para que n\u00e3o fossem encontrados. O barco em que estavam Phillips e Pereira tamb\u00e9m teria sido afundado com uso de sacos de terra para que n\u00e3o fosse encontrado. A embarca\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi encontrada.<\/p>\n<p>Amarildo havia sido preso em flagrante, na ter\u00e7a-feira (7\/6), por posse de drogas e de armas, uma delas de uso restrito. Tamb\u00e9m foram encontrados vest\u00edgios de sangue, que est\u00e3o em an\u00e1lise, no barco do suspeito.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2022-06\/WhatsApp%20Image%202022-06-15%20at%2010.59.40%20PM_0.jpeg?itok=rZ3plSmQ\" alt=\"Coletiva de imprensa com \u00f3rg\u00e3os que trabalham nas investiga\u00e7\u00f5es sobre as mortes de Dom Phillips e Bruno Pereira. Ao centro, o superintendente da PF no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes | PF-AM\" width=\"1200\" height=\"514\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption>Coletiva de imprensa com \u00f3rg\u00e3os que trabalham nas investiga\u00e7\u00f5es sobre as mortes de Dom Phillips e Bruno Pereira. Ao centro, o superintendente da PF no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes | Reprodu\u00e7\u00e3o Youtube<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Linha investigativa<\/h5>\n<p>Nos \u00faltimos dias, com base em vazamentos vindos da pr\u00f3pria PF, ve\u00edculos da imprensa divulgaram que Amarildo teria esquartejado e enterrado os corpos. Os assassinatos teriam sido cometidos por causa dos registros feitos por Phillips e Pereira sobre a pesca ilegal realizada por invasores na Terra Ind\u00edgena (TI) Vale do Javari, a segunda maior do pa\u00eds, com 8,5 milh\u00f5es de hectares. A pol\u00edcia suspeita que a atividade era usada para lavar dinheiro do narcotr\u00e1fico praticado na fronteira entre Brasil, Peru e Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Pouco antes de desaparecer, al\u00e9m da documenta\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica dos crimes, Pereira estava fazendo conversas com ind\u00edgenas, ribeirinhos e autoridades locais para tentar conter a pesca ilegal na regi\u00e3o e obrigar alguns dos invasores a aderirem a pr\u00e1ticas legais de manejo pesqueiro. Recentemente, o servidor realizou um grande mapeamento das atividades il\u00edcitas na TI Vale do Javari. O material foi entregue a \u00f3rg\u00e3os como o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF).<\/p>\n<p>Ele vinha recebendo amea\u00e7as h\u00e1 algum tempo por causa disso.\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/am\/amazonas\/noticia\/2022\/06\/15\/em-audio-bruno-pereira-denuncia-pescadores-do-vale-do-javari-sao-esses-caras-que-estao-atirando-na-equipe.ghtml\">De acordo com \u00e1udios do pr\u00f3prio Bruno divulgados pelo site G1, os pescadores ilegais vinham inclusive atirando nas equipes de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Funai.\u00a0<\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 Dom Phillips era um experiente e reconhecido rep\u00f3rter que colaborou para jornais importantes, como os norte-americanos\u00a0<em>New York Times<\/em>,\u00a0<em>Washington Post<\/em>\u00a0e, principalmente, para o brit\u00e2nico\u00a0<em>The Guardian<\/em>. Morava h\u00e1 15 anos no Brasil, tinha conhecimento da Amaz\u00f4nia e estava escrevendo um livro sobre os principais problemas ambientais da regi\u00e3o e como solucion\u00e1-los.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-nsa-meia-coluna\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-nsa-meia-coluna\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/nsa_meia_coluna\/public\/2022-06\/WhatsApp%20Image%202022-06-15%20at%2010.59.59%20PM.jpeg?itok=h0D_h2Yy\" alt=\"Per\u00edcia no barco do suspeito Amarildo da Costa | PF-AM\" width=\"600\" height=\"359\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption>Per\u00edcia no barco do suspeito Amarildo da Costa | PF-AM<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Univaja confirma crimes<\/h5>\n<p>Na coletiva em Manaus, chamou aten\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de mais informa\u00e7\u00f5es relevantes, de representantes dos povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, pe\u00e7as-chave nas buscas pelas v\u00edtimas, e do reconhecimento do seu trabalho e dedica\u00e7\u00e3o para elucidar o desaparecimento dos desaparecidos.<\/p>\n<p>Pouco antes da entrevista com a PF e integrantes dos \u00f3rg\u00e3os oficiais que auxiliam as investiga\u00e7\u00f5es, a Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Vale do Javari (Univaja) divulgou uma nota, tamb\u00e9m confirmando as mortes.<\/p>\n<p>\u201cHoje, 15\/06\/22, ap\u00f3s 11 dias de buscas, obtivemos a not\u00edcia de que os corpos de Pereira e Phillips, nossos parceiros e defensores dos Direitos Humanos, foram encontrados pelos \u00f3rg\u00e3os competentes envolvidos nas buscas\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p>\u201cA UNIVAJA compreende que o assassinato de Pereira e Phillips constitui um crime pol\u00edtico, pois ambos eram defensores dos Direitos Humanos e morreram desempenhando atividades em benef\u00edcio de n\u00f3s, povos ind\u00edgenas do Vale do Javari, pelo nosso direito ao bem-viver, pelo nosso direito ao territ\u00f3rio e aos recursos naturais que s\u00e3o nosso alimento e garantia de vida, n\u00e3o apenas da nossa vida, mas tamb\u00e9m da vida dos nossos parentes isolados\u201d, continua a\u00a0<a href=\"https:\/\/univaja.info\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Nota-da-Univaja-Sobre-o-assassinato-de-Bruno-Pereira-e-Dom-Phillips.pdf\">nota<\/a>.<\/p>\n<h5>Exonera\u00e7\u00e3o da Funai e trabalho com a Univaja<\/h5>\n<p>Pereira foi chefe da coordena\u00e7\u00e3o de Povos Isolados da Funai no Vale do Javari. No final de 2019, foi exonerado do cargo de coordenador geral de Povos Ind\u00edgenas Isolados e de Recente Contato da sede da Funai, em Bras\u00edlia, ap\u00f3s ser respons\u00e1vel por uma a\u00e7\u00e3o de repress\u00e3o ao garimpo ilegal no Vale do Javari, com a destrui\u00e7\u00e3o de dezenas de balsas.<\/p>\n<p>\u201cNa conjuntura atual de desmonte da pol\u00edtica indigenista e de ataques aos direitos ind\u00edgenas, ele [Bruno] optou por se afastar do \u00f3rg\u00e3o [indigenista] e seguir esse trabalho l\u00e1 no Vale do Javari, como assessor da Univaja, onde vinha participando de uma s\u00e9rie de iniciativas voltadas a proteger o territ\u00f3rio, produzir informa\u00e7\u00f5es, subsidiar a atua\u00e7\u00e3o do estado com informa\u00e7\u00f5es qualificadas sobre o conjunto de press\u00f5es e amea\u00e7as que incidem sobre essa terra ind\u00edgena\u201d, conta Conrado Oct\u00e1vio, ge\u00f3grafo associado ao Centro de Trabalho Indigenista (CTI).<\/p>\n<p>\u201cEra um profissional extremamente dedicado, competente e comprometido com os povos ind\u00edgenas do Vale do Javari, onde come\u00e7ou a trabalhar em 2010, quando entrou na Funai\u201d, complementa Oct\u00e1vio.<\/p>\n<p>\u201cNo Vale do Javari, ele veio desempenhando um papel fundamental nas a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o territorial, de prote\u00e7\u00e3o de povos isolados e de recente contato. Enquanto esteve \u00e0 frente desse trabalho, estendeu essas a\u00e7\u00f5es para muitos outros povos e territ\u00f3rios ind\u00edgenas\u201d, conclui.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"node\">\n<div class=\"related\">\n<div class=\"container\">Fonte: ISA &#8211; Por Ester Cezar e Oswaldo Braga de Souza<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol\u00edcia Federal informou que um dos suspeitos confessou ter participado de crimes. 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