{"id":8521,"date":"2022-06-21T20:15:12","date_gmt":"2022-06-21T23:15:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8521"},"modified":"2022-06-21T20:15:12","modified_gmt":"2022-06-21T23:15:12","slug":"yanomami-recebem-outros-povos-para-discutir-gestao-e-protecao-do-territorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/yanomami-recebem-outros-povos-para-discutir-gestao-e-protecao-do-territorio\/","title":{"rendered":"Yanomami recebem outros povos para discutir gest\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>O Yaripo, nome Yanomami para o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, com 2.995 metros de altitude, foi reaberto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o, com um projeto de turismo de base comunit\u00e1ria que tem os ind\u00edgenas Yanomami como protagonistas. A montanha est\u00e1 em plena floresta amaz\u00f4nica, em \u00e1rea de sobreposi\u00e7\u00e3o entre o Parque Nacional que leva seu nome em portugu\u00eas e o territ\u00f3rio ind\u00edgena, no extremo noroeste do Amazonas.<\/p>\n<p>A iniciativa de gest\u00e3o territorial e gera\u00e7\u00e3o de renda conduzida pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas com apoio de parceiros foi uma das experi\u00eancias compartilhadas em encontro com a participa\u00e7\u00e3o de representantes dos povos ind\u00edgenas Uru-eu-wau-wau (RO), Kaxuyana (PA) e Patax\u00f3 (BA), em Maturac\u00e1, na Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami (AM-RR). A aldeia fica entre os munic\u00edpios de Santa Isabel do Rio Negro e S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM). Povos da regi\u00e3o do Rio Negro \u2013 como os Bar\u00e9, Baniwa e Tukano \u2013 tamb\u00e9m apresentaram suas experi\u00eancias no evento.<\/p>\n<p>Assim como os Yanomami, as popula\u00e7\u00f5es que vieram dos outros estados vivem em \u00e1reas de sobreposi\u00e7\u00e3o com parques nacionais e relataram trabalhos principalmente de pesquisa e monitoramento, mas com abordagem tamb\u00e9m em vigil\u00e2ncia e turismo de base comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O interc\u00e2mbio aconteceu entre 8 e 12\/6 e foi promovido pela gest\u00e3o do Parque Nacional Pico da Neblina, vinculada ao Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), com apoio do\u00a0<strong>ISA<\/strong>, Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas do Rio Negro (Foirn), Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) e do projeto Legado Integrado da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica (Lira), do Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas (Ip\u00ea).<\/p>\n<p>Enquanto os Yanomami e os Patax\u00f3 falaram mais sobre suas experi\u00eancias de turismo, os Uru-eu-wau-wau e os Kaxuyana trouxeram informa\u00e7\u00f5es sobre vigil\u00e2ncia e monitoramento.<\/p>\n<h5>Pesquisas nos territ\u00f3rios<\/h5>\n<p>Os Agentes Ind\u00edgenas de Manejo Ambiental (Aimas) que atuam na Bacia do Rio Negro, no Amazonas, em projeto desenvolvido pelo\u00a0<strong>ISA\u00a0<\/strong>e Foirn com o apoio do Lira, falaram sobre como os ind\u00edgenas v\u00eam realizando pesquisas dentro dos territ\u00f3rios, incluindo rios como Uaup\u00e9s, Tiqui\u00e9, I\u00e7ana e Ayari. Os Aimas monitoram os ciclos da natureza e v\u00eam relatando altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em seus di\u00e1rios de papel ou eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram apresentadas no encontro as iniciativas da Rede de Turismo Ind\u00edgena do Rio Negro e o projeto Serras Guerreiras do Tapuruquara, do M\u00e9dio Rio Negro.<\/p>\n<p>Coordenadora-executiva do Lira, Neluce Soares, conta que o encontro em Maturac\u00e1 mostrou um mosaico de experi\u00eancias e de a\u00e7\u00f5es que t\u00eam os ind\u00edgenas com protagonistas, o que est\u00e1 alinhado com o projeto, que apoia iniciativas para o aumento da efetividade de gest\u00e3o de \u00e1reas protegidas, Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e TIs.<\/p>\n<p>\u201cCada um dos representantes dos ind\u00edgenas p\u00f4de mostrar suas experi\u00eancias, inspirando iniciativas que podem ser levadas adiante. Foi um encontro de muito trabalho, mas tamb\u00e9m festivo. Os Yanomami se abriram para mostrar parte de sua cultura\u201d, disse Lana Rosa, assessora do ISA para o Projeto Yaripo.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-nsa-meia-coluna\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-nsa-meia-coluna\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/nsa_meia_coluna\/public\/2022-06\/Maturac%C3%A1%20Jo%C3%A3o%20Claudio%20Moreira%2011%20de%20junho%20de%2022%20%286%29.jpeg?itok=OOXSn2xV\" alt=\"Rogelino Azevedo, Aima do povo Tukano que participa de pesquisas na regi\u00e3o do Rio Tiqui\u00e9 fala no encontro em Maturac\u00e1 | Jo\u00e3o Cl\u00e1udio Moreira\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption>Rogelino Azevedo, Aima do povo Tukano que participa de pesquisas na regi\u00e3o do Rio Tiqui\u00e9, fala durante encontro em\u00a0Maturac\u00e1 |\u00a0Jo\u00e3o\u00a0Claudio Moreira<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Turismo<\/h5>\n<p>Ela ressalta a import\u00e2ncia da troca de conhecimentos entre os povos ind\u00edgenas para o fortalecimento da gest\u00e3o territorial. Rosa informou ainda que a troca de experi\u00eancia foi primordial como contribui\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do plano de monitoramento de impactos socioambientais relacionados \u00e0 atividade de turismo no Yaripo.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 de base comunit\u00e1ria e busca o protagonismo dos ind\u00edgenas, tendo como objetivo gerar renda, proteger o territ\u00f3rio e fortalecer a cultura ind\u00edgena. A apresenta\u00e7\u00e3o da iniciativa foi conduzida pela Associa\u00e7\u00e3o Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca).<\/p>\n<p>Durante o encontro, o tema do turismo tamb\u00e9m foi abordado pelo representante do povo Patax\u00f3, o cacique Jos\u00e9 Fragoso, conhecido como Jita\u00ed Patax\u00f3. Ele relatou a experi\u00eancia do Parque Nacional do Descobrimento, em Prado, no Sul da Bahia.<\/p>\n<p>Um dos pontos primordiais para o sucesso da iniciativa foi o termo de compromisso assinado com o ICMBio, h\u00e1 cerca de quatro anos, encerrando uma s\u00e9rie de conflitos. O projeto tem tr\u00eas pilares: etnoturismo, cultura patax\u00f3 e soberania alimentar. Tamb\u00e9m foi apresentada a experi\u00eancia do Parque Nacional e Hist\u00f3rico do Monte Pascoal.<\/p>\n<p>As iniciativas de turismo de base comunit\u00e1ria interessam ao povo Uru-Eu-Wau-Wau, que vive num territ\u00f3rio em Rond\u00f4nia que abrange parte da Serra dos Paca\u00e1s Novos. Na \u00e1rea, est\u00e1 o ponto mais elevado do estado, o Pico do Traco\u00e1, que vem despertando interesse de turistas.<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a jovem Tejubi Uru-Eu-Wau-Wau refor\u00e7ou que seu povo quer conhecer melhor esse tipo de atividade, mas quer estar \u00e0 frente da iniciativa.\u00a0\u201cSabemos usufruir do nosso territ\u00f3rio sem prejudicar o ambiente ou os ind\u00edgenas isolados que vivem na regi\u00e3o\u201d, diz. Os ind\u00edgenas de Rond\u00f4nia trouxeram ao Amazonas sua experi\u00eancia com monitoramento e vigil\u00e2ncia do territ\u00f3rio.<\/p>\n<h5>Kaxuyana<\/h5>\n<p>Para o povo Kaxuyana, as iniciativas de turismo tamb\u00e9m levantam interesse, desde que n\u00e3o interfiram em seus modos de vida e que eles pr\u00f3prios estejam \u00e0 frente da atividade.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos ser empregados. Queremos estar \u00e0 frente do projeto\u201d, diz Juventino Peserina Kaxuyana. O territ\u00f3rio desse povo est\u00e1 em \u00e1rea de sobreposi\u00e7\u00e3o com a Floresta Nacional Trombetas, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Antes de seguir para Maturac\u00e1, os Kaxuyana ficaram em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, sendo que Juventino Kaxuana teve a oportunidade de rever a cidade onde morou h\u00e1 cerca de 40 anos. Ele conta que foi retirado de seu territ\u00f3rio e acabou sendo levado para estudar em um col\u00e9gio cat\u00f3lico em S\u00e3o Gabriel.<\/p>\n<p>\u201cEstudei num col\u00e9gio logo ali perto\u201d, diz ele, apontando para a catedral da cidade. Ele acabou retornando para perto de suas origens. A partir dos anos 2000, seu povo foi se reaproximando do territ\u00f3rio e, em 2006, a \u00e1rea passou a ser considerada Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. Com toda essa hist\u00f3ria, os Kaxuyana desenvolveram pr\u00e1ticas de vigil\u00e2ncia territorial.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do encontro em Maturac\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o Kanind\u00e9, o Instituto do Meio Ambiente e do Homem da Amaz\u00f4nia (Imazon), o Instituto de Pesquisa e Forma\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena (Iep\u00e9) e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Par\u00e1 (Ideflor-bio).<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Yaripo, nome Yanomami para o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, com 2.995 metros de altitude, foi reaberto \u00e0 visita\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o, com um projeto de turismo de base comunit\u00e1ria que tem os ind\u00edgenas Yanomami como protagonistas. 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