{"id":8571,"date":"2022-09-01T15:10:00","date_gmt":"2022-09-01T18:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8571"},"modified":"2022-09-01T15:11:50","modified_gmt":"2022-09-01T18:11:50","slug":"estrada-ilegal-rompe-importante-barreira-de-protecao-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/estrada-ilegal-rompe-importante-barreira-de-protecao-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Estrada ilegal rompe importante barreira de prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>O Xingu est\u00e1 por um fio e corre o risco de ser devastado pela invas\u00e3o ilegal de grileiros, garimpeiros e madeireiros. O monitoramento por sat\u00e9lite da Rede Xingu+ detectou uma estrada clandestina de 42,8 km que atravessa duas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) no cora\u00e7\u00e3o do Xingu: a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica (ESEC) Terra do Meio e a Floresta Estadual do Iriri.<\/p>\n<p>A descoberta \u00e9 grave pois, segundo especialistas, a abertura da estrada consolida a divis\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/xingumais.org.br\/corredor-xingu\">Corredor Socioambiental do Xingu<\/a>, uma vasta extens\u00e3o de \u00e1reas protegidas cont\u00edguas e que totalizam 53 milh\u00f5es de hectares de floresta tropical. Em maio de 2022, al\u00e9m da estrada, 907 hectares foram desmatados na ESEC e na Fes do Iriri.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2022-08\/estrada%20na%20fes3.jpg?itok=ptuBi1VP\" alt=\"estrada\" width=\"1200\" height=\"900\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Estrada ilegal no Xingu come\u00e7a no Rio Iriri (foto) e percorre trecho de mais de 40 km at\u00e9 a Floresta Estadual (FES) do Iriri, no Par\u00e1<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Rede Xingu +<\/figcaption><\/figure>\n<p>A estrada ilegal tem 42,8 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e corta uma \u00e1rea imensa de floresta nativa. A via une duas frentes de invas\u00e3o: uma saindo de Novo Progresso (PA) e outra saindo de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (PA). As duas cidades s\u00e3o polos de criminalidade, com serrarias para beneficiamento da madeira ilegal e casas de compra de ouro dos garimpos ilegais. A nova estrada monitorada cria um \u201ccorredor log\u00edstico\u201d do crime, conectando modais fluvial (barco) e rodovi\u00e1rio (caminhonete\/caminh\u00e3o).<\/p>\n<p>A conex\u00e3o facilita o escoamento de produtos ilegais retirados da floresta. Por isso, estradas s\u00e3o vetores perigosos de desmatamento. A tend\u00eancia \u00e9 que, no entorno de um ramal como este, a destrui\u00e7\u00e3o da floresta exploda. N\u00e3o \u00e0 toa, no \u00faltimo m\u00eas, 575 hectares foram derrubados na imedia\u00e7\u00e3o dessa estrada.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2022-08\/EstradaESEC_PaletaCinza_leg.png?itok=uyctYFqw\" alt=\"mapa\" width=\"1200\" height=\"848\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Mapa da Rede Xingu + mostra abertura de estrada ilegal no Xingu entre S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu e Novo Progresso, Par\u00e1<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Rede Xingu +<\/figcaption><\/figure>\n<p>A estrada clandestina segue a rota de desmatamento da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, vizinha \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica. \u00c9 como se a destrui\u00e7\u00e3o generalizada da APA que, desde 2013, \u00e9 a UC com maior desmatamento acumulado do pa\u00eds, transbordasse para a ESEC, consolidando um corredor da destrui\u00e7\u00e3o e partindo o Xingu ao meio. S\u00f3 em maio de 2022, a APA registrou mais de 9,7 mil hectares.<\/p>\n<p>J\u00e1 dentro da ESEC, a estrada parte do Rio Iriri e vai at\u00e9 perto do territ\u00f3rio da Floresta Estadual (FES) do Iriri. Dessa forma, este canal \u00e9 um vetor de press\u00e3o que sozinho incide sobre tr\u00eas UCs da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A rachadura na floresta, se confirmada, \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio muito pr\u00f3ximo da divis\u00e3o do corredor, resultando na perda da conectividade florestal e todos os benef\u00edcios associados.<\/p>\n<p>O processo acelera o ponto de n\u00e3o retorno da Amaz\u00f4nia, podendo provocar uma perda de 25% da cobertura nativa do bioma.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, aumenta o &#8220;efeito de borda&#8221;. A mata das bordas da floresta \u00e9 mais fr\u00e1gil, ressecada e vulner\u00e1vel a eventos como queimadas.<\/p>\n<p>Trata-se de um caso que simboliza as consequ\u00eancias da atua\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/site-antigo.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/desmatamento-no-xingu-avanca-com-governo-bolsonaro-e-poe-em-risco-escudo-verde-contra-a-desertificacao-da-amazonia\">Governo Bolsonaro<\/a>, que incentiva o avan\u00e7o das atividades ilegais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Hoje, o Corredor Xingu presta servi\u00e7os inestim\u00e1veis ao planeta, com a prote\u00e7\u00e3o de rios e nascentes e a regula\u00e7\u00e3o do clima a n\u00edvel regional e global.<\/p>\n<p>Suas florestas estocam 16 bilh\u00f5es de toneladas de carbono, e lan\u00e7am diariamente cerca de um milh\u00e3o de toneladas de \u00e1gua na atmosfera em forma de vapor, que formam os chamados &#8220;rios voadores&#8221; e levam chuvas para o resto do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A conectividade de um corredor, isto \u00e9, \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o cont\u00edguas e que formam grandes maci\u00e7os florestais, t\u00eam fun\u00e7\u00f5es importantes em um ecossistema. A perda de conectividade tem impacto direto em esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas e terrestres, por exemplo, impedindo as migra\u00e7\u00f5es sazonais.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de conectividade tamb\u00e9m resulta no aumento dos problemas de fronteira e da instabilidade do habitat natural, podendo acarretar desastres ecol\u00f3gicos como, por exemplo, a desertifica\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o de solo, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ou a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>\u201cA conectividade desempenha um papel importante na prote\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e dos solos e reduz as \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o entre ambientes de floresta e n\u00e3o floresta. Por exemplo, sabemos que na Amaz\u00f4nia existem cerca de\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.asm.org\/doi\/epdf\/10.1128\/mBio.00598-13\">tr\u00eas mil esp\u00e9cies de coronav\u00edrus<\/a>\u00a0(em morcegos), e o aumento de \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o entre floresta e n\u00e3o floresta, causada pelo desmatamento e redu\u00e7\u00e3o da conectividade, podem aumentar o risco de novas pandemias\u201d, explica Antonio Oviedo, pesquisador do Instituto Socioambiental (ISA).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com a &#8220;log\u00edstica&#8221; constru\u00edda, casos de invas\u00e3o nas Terras Ind\u00edgenas e outras Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o tendem a crescer ainda mais. As estradas interligadas dentro da floresta permitem o escoamento dos produtos da ilegalidade, impulsionando o roubo de madeira e o garimpo. Tamb\u00e9m, valoriza as terras dentro de um mercado informal e ilegal de venda de terras roubadas, abrindo caminho para a grilagem e a derrubada da floresta.<\/p>\n<p>O alerta est\u00e1 dado: em pouco tempo, a estrada pode causar o fim do Corredor Xingu se nada for feito.<\/p>\n<p>A Rede Xingu+ protocolou den\u00fancia ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) no \u00faltimo m\u00eas. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de comando e controle para interromper o funcionamento da estrada e impedir o avan\u00e7o do desmatamento nessa regi\u00e3o. N\u00e3o estamos mais falando de uma destrui\u00e7\u00e3o pontual, mas de uma divis\u00e3o irrevers\u00edvel de um dos principais corredores ecol\u00f3gicos do mundo, cujas consequ\u00eancias podem se estender por anos\u201d, afirma Biviany Rojas, pesquisadora do ISA.<\/p>\n<div class=\"node-bg\">\n<div role=\"article\">\n<div class=\"container share-margin\">\n<article class=\"node node--type-article node--promoted node--view-mode-full clearfix\" role=\"article\">\n<div class=\"node__content clearfix\">\n<div class=\"node-content-data\">\n<p>No caso da Fes do Iriri, o crescimento da estrada \u00e9 um alerta para a ina\u00e7\u00e3o estadual. O governador do Par\u00e1, Helder Barbalho (MDB-PA), tem se apresentado como um pol\u00edtico conectado \u00e0s causas do meio ambiente. Ele participou de confer\u00eancias na \u00e1rea e captou dinheiro de coopera\u00e7\u00e3o internacional para o cumprimento de metas clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>No entanto, o discurso n\u00e3o tem respaldo na atua\u00e7\u00e3o em campo, como mostra o crescimento da destrui\u00e7\u00e3o da FES do Iriri. A ina\u00e7\u00e3o do governo federal em reprimir os il\u00edcitos nas UCs Federais tem se repetido no contexto do governo do Estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de uma opera\u00e7\u00e3o pontual de fiscaliza\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o exige a\u00e7\u00f5es permanentes e de longo prazo, que n\u00e3o s\u00f3 retirem os invasores como impe\u00e7am que eles voltem a entrar nessas \u00e1reas. Caso contr\u00e1rio, em pouco tempo, a devasta\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o pode estar consolidada.<\/p>\n<h5>Contexto e hist\u00f3rico de den\u00fancias<\/h5>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o da ESEC j\u00e1 vinha acontecendo em um ritmo crescente. Em 2021, o monitoramento da Rede Xingu+ detectou 2.309 hectares de floresta derrubada, o que representa um aumento de 122% em rela\u00e7\u00e3o a 2020. Al\u00e9m disso, \u00e9 conhecida a exist\u00eancia de atividade garimpeira ilegal, com a reativa\u00e7\u00e3o de garimpos antigos e de pistas de pouso ilegais no meio da floresta.<\/p>\n<p>Desde 2018, a Rede Xingu+ vem denunciando aos \u00f3rg\u00e3os estaduais\u00a0<span class=\"ILfuVd\" lang=\"pt\" xml:lang=\"pt\"><span class=\"hgKElc\">\u2014<\/span><\/span>\u00a0Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE),\u00a0Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Par\u00e1 (SEMAS\/PA) e\u00a0Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Par\u00e1 (Ideflor-Bio)\u00a0<span class=\"ILfuVd\" lang=\"pt\" xml:lang=\"pt\"><span class=\"hgKElc\">\u2014<\/span><\/span>\u00a0a ocorr\u00eancia de novos e grandes pol\u00edgonos de desmatamento na APA Triunfo do Xingu, inclusive indicando poss\u00edveis envolvidos, sem ter obtido qualquer resposta institucional satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido criada em 2006, a APA Triunfo do Xingu ainda n\u00e3o disp\u00f5e de Plano de Manejo, Uso e Zoneamento, o que exemplifica a falta de gest\u00e3o da UC. Por isso, a Rede Xingu+ solicitou \u00e0s autoridades estaduais a implementa\u00e7\u00e3o dos instrumentos de gest\u00e3o, al\u00e9m do estabelecimento de uma zona de amortecimento no entorno da unidade, de forma a resguardar as \u00e1reas protegidas do entorno.<\/p>\n<p>O total descontrole fundi\u00e1rio e ambiental da APA Triunfo do Xingu vem resultando em invas\u00f5es e crimes ambientais nas \u00e1reas protegidas localizadas em seu entorno: Fes do Iriri, ESEC Terra do Meio, Parque Nacional Serra do Pardo e Terra Ind\u00edgena Ba\u00fa.<\/p>\n<p>O desmatamento na ESEC Terra do Meio est\u00e1 majoritariamente concentrado ao longo das estradas e vicinais ilegais, todas advindas da APA Triunfo do Xingu.<\/p>\n<p>Mesmo os pol\u00edgonos de desmatamento mais isolados est\u00e3o relacionados \u00e0s estradas ilegais, uma vez que garantem o acesso a \u00e1reas remotas e de floresta densa. Al\u00e9m das invas\u00f5es e do desmatamento, o caos fundi\u00e1rio e ambiental da APA Triunfo do Xingu tamb\u00e9m impacta a qualidade dos cursos d\u2019\u00e1gua da ESEC.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"node\">\n<div class=\"related\">\n<div class=\"container\">Fonte: ISA<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Xingu est\u00e1 por um fio e corre o risco de ser devastado pela invas\u00e3o ilegal de grileiros, garimpeiros e madeireiros. 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