{"id":8663,"date":"2022-11-07T21:48:37","date_gmt":"2022-11-08T00:48:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8663"},"modified":"2022-11-16T15:41:07","modified_gmt":"2022-11-16T18:41:07","slug":"maior-bancada-indigena-da-historia-enfrentara-oposicao-ferrenha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/maior-bancada-indigena-da-historia-enfrentara-oposicao-ferrenha\/","title":{"rendered":"Maior bancada ind\u00edgena da hist\u00f3ria enfrentar\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o ferrenha"},"content":{"rendered":"<p>N\u00famero de parlamentares autodeclarados ind\u00edgenas eleitos chega a sete. Expectativa \u00e9 de mais embates com bolsonaristas e ruralistas, mas tamb\u00e9m mais visibilidade e articula\u00e7\u00e3o na defesa da agenda socioambiental<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-nsa-meia-coluna\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-nsa-meia-coluna\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/nsa_meia_coluna\/public\/2022-10\/Tabela%20indigenas%20eleitos_0.png?itok=EPwRrtMc\" alt=\"Fonte: TSE\" width=\"600\" height=\"647\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Fonte: TSE<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir de 2023, o Congresso ter\u00e1 o maior n\u00famero de parlamentares ind\u00edgenas da hist\u00f3ria. A expectativa do movimento social e da sociedade civil \u00e9 que isso signifique mais visibilidade e capacidade de articula\u00e7\u00e3o na defesa dos direitos dos povos origin\u00e1rios e do meio ambiente. Outra expectativa, por\u00e9m, \u00e9 que a &#8220;bancada do cocar&#8221; enfrente uma oposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita por causa do crescimento de bolsonaristas e advers\u00e1rios diretos no Legislativo.<\/p>\n<p>O tamanho do problema tamb\u00e9m depender\u00e1 do novo presidente eleito. Jair Bolsonaro faz um governo anti-ind\u00edgena e anti-ambiental, enquanto Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva tem um legado positivo na \u00e1rea e fez promessas importantes na campanha, como criar um Minist\u00e9rio dos Povos Origin\u00e1rios e retomar a pol\u00edtica ambiental. As posi\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas ir\u00e3o se refletir no parlamento e apontar os rumos do debate da agenda.<\/p>\n<p>Com os resultados do 1\u00ba turno das elei\u00e7\u00f5es, os autodeclarados ind\u00edgenas eleitos para o Congresso s\u00e3o agora sete. Desses, duas novas deputadas federais tiveram as\u00a0<a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/2022\/08\/29\/apib-lanca-bancada-com-candidatos-indigenas-pela-primeira-vez\/\">candidaturas apoiadas formalmente pelo movimento ind\u00edgena<\/a>: Sonia Guajajara (PSOL-SP) e C\u00e9lia Xakriab\u00e1 (PSOL-MG). Tamb\u00e9m se autodeclararam e foram eleitos para a C\u00e2mara Juliana Cardoso (PT-SP), Paulo Guedes (PT-SP) e S\u00edlvia Wai\u00e3pi (PL-AP) (<em>saiba mais no quadro ao final da reportagem<\/em>). J\u00e1 Wellington Dias (PT-PI), ex-governador do Piau\u00ed, e Hamilton Mour\u00e3o (Republicanos-RS), o vice-presidente da Rep\u00fablica, chegaram ao Senado. Al\u00e9m deles, Capit\u00e3o Assum\u00e7\u00e3o (PL-ES) e \u00cdndia Armelau (PL-RJ) elegeram-se para assembleias estaduais.<\/p>\n<p>Em 2018, apenas Joenia Wapichana (Rede-RR) conseguiu uma vaga na C\u00e2mara, tornando-se a primeira mulher ind\u00edgena deputada federal. Antes dela, s\u00f3 M\u00e1rio Juruna (PDT-RJ) tinha exercido o cargo, entre 1982 e 1986. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) come\u00e7ou a registrar a cor e ra\u00e7a dos candidatos a partir de 2014 (<em>veja tabela<\/em>).<\/p>\n<p>Outra boa not\u00edcia para as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas \u00e9 que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/debate-socioambiental-vai-esquentar-no-novo-congresso-com-resultado-de\">aliados hist\u00f3ricos, com experi\u00eancia e peso pol\u00edticos, tamb\u00e9m conseguiram eleger-se ou reeleger-se<\/a>, como a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede-SP), que tamb\u00e9m chega \u00e0 C\u00e2mara.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2022-10\/TABELA%201%20FINAL.png?itok=ECdY3Qdk\" alt=\"Fonte: TSE\" width=\"1200\" height=\"343\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Fonte: TSE<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as<\/h5>\n<p>Nessas elei\u00e7\u00f5es, 44% do Legislativo federal foi renovado. Na C\u00e2mara, os partidos que, nos \u00faltimos anos, alinharam-se aos ambientalistas e ao movimento ind\u00edgena perderam duas cadeiras das 146 que t\u00eam hoje, somando 27% do total. No Senado, o n\u00famero baixou de 16 para 15 ou 18%.<\/p>\n<p>A conta considera as legendas que podem ser qualificadas como oposi\u00e7\u00e3o ao atual governo: PT, PSB, PDT, PCdoB, PSol, PV, Rede, Solidariedade, Pros, Avante e Cidadania. Obviamente, o n\u00famero de votos a favor ou contra as pautas socioambientais pode variar entre os partidos, dependendo do tema espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Por outro lado, agremia\u00e7\u00f5es de centro-direita, que s\u00f3 eventualmente votaram contra o governo na \u00faltima legislatura, perderam assentos, enquanto partidos mais \u00e0 direita ou de extrema-direita, em geral anti-ind\u00edgenas e antiambientais, ampliaram sua presen\u00e7a. Chamou aten\u00e7\u00e3o o crescimento do PL, ao qual Jair Bolsonaro \u00e9 filiado, que passou de 76 para 99 deputados, e de 9 para 13 senadores, sendo agora o maior do Congresso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Uni\u00e3o Brasil e PP, tamb\u00e9m com muitos bolsonaristas e ruralistas, avaliam uma fus\u00e3o. Se concretizada, ela pode originar uma nova for\u00e7a com mais de 100 assentos na C\u00e2mara e 15 no Senado \u2012 desconsiderando poss\u00edveis defec\u00e7\u00f5es ou ades\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, essas legendas continuar\u00e3o dominando a distribui\u00e7\u00e3o de cargos nas mesas diretoras e comiss\u00f5es e, logo, tamb\u00e9m a defini\u00e7\u00e3o das prioridades legislativas e o ritmo da tramita\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias. Em consequ\u00eancia, as press\u00f5es pela aprova\u00e7\u00e3o de propostas contra o meio ambiente e os direitos ind\u00edgenas devem aumentar e as negocia\u00e7\u00f5es tendem a ser ainda mais dif\u00edceis.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-nsa-meia-coluna\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-nsa-meia-coluna\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/nsa_meia_coluna\/public\/2022-10\/Camara%20eleita%202023%20-%20Camara%20dos%20Deputados.png?itok=e-tPe5AB\" alt=\"Fonte: C\u00e2mara dos Deputados\" width=\"600\" height=\"506\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Novo composi\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados a partir de 2023. Fonte: C\u00e2mara dos Deputados<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Menos compromisso socioambiental<\/h5>\n<p>O impacto do 1\u00ba turno na agenda socioambiental no novo Congresso foi medido pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/politica\/eleicoes-2022\/noticia\/2022\/10\/10\/agenda-ambiental-tera-mais-resistencia-no-novo-congresso.ghtml\">Farol Verde<\/a>, projeto liderado pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e a Rede Advocacy Colaborativo. A iniciativa criou o Indicador de Converg\u00eancia Ambiental total (ICAt) para avaliar o compromisso dos parlamentares com a pauta. Numa escala de 0% a 100%, quanto maior o \u00edndice, mais \u201cverde\u201d o posicionamento.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, o percentual de deputados \u201cverdes\u201d (acima de 50%) cair\u00e1 de 30% para 27% e dos \u201cmoderados\u201d (ICAt na faixa m\u00e9dia) passar\u00e1 de 30% para 33%, enquanto aqueles com ICAt abaixo de 50%, com baixo engajamento socioambiental, vai subir de 37% para 42%. O \u00edndice geral da C\u00e2mara hoje \u00e9 43%. Com a nova composi\u00e7\u00e3o, cai para 42%.<\/p>\n<p>O ICAt tem como refer\u00eancia as posi\u00e7\u00f5es do coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista em temas como regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, agrot\u00f3xicos e minera\u00e7\u00e3o em Terras Ind\u00edgenas. Para medir o \u00edndice da nova legislatura, foram avaliados posicionamentos dos parlamentares reeleitos e, no caso dos novatos, aplicada a m\u00e9dia do ICAt de cada partido.<\/p>\n<p>O consultor jur\u00eddico do\u00a0<strong>ISA\u00a0<\/strong>Mauricio Guetta concorda que o crescimento das bancadas alinhadas mais diretamente ao bolsonarismo ser\u00e1 um fator importante no Congresso a partir de 2023, mas ressalva que elas sozinhas n\u00e3o t\u00eam maioria nas duas casas legislativas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vamos convencer bolsonaristas radicais, como Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli (PL-SP) e Ricardo Salles (PL-SP). A sa\u00edda \u00e9 continuar a dialogar com o centro, que eventualmente pode votar a favor do meio ambiente e dos direitos dos povos origin\u00e1rios\u201d, aposta.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-nsa-meia-coluna\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-nsa-meia-coluna\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/nsa_meia_coluna\/public\/2022-10\/Christian%20Braga%20-%20MNI.jpg?itok=G-qmBIwr\" alt=\"Sonia Guajajara | Christian Braga \/ MNI\" width=\"600\" height=\"401\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Sonia Guajajara\u00a0<span class=\"camera\">\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Christian Braga \/ MNI<\/figcaption><\/figure>\n<h5>Desafio gigante<\/h5>\n<p>Sonia Guajajara reconhece que enfrentar uma maioria anti-ind\u00edgena e antiambiental ser\u00e1 um \u201cdesafio gigante\u201d. Apesar disso, est\u00e1 confiante de que a &#8220;bancada do cocar&#8221; conseguir\u00e1 fazer um contraponto eficaz, em articula\u00e7\u00e3o com os partidos progressistas e outras bancadas tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>\u201cDe qualquer modo, a gente precisa muito do movimento ind\u00edgena articulado, mobilizado e forte em Bras\u00edlia, como a gente sempre fez, para poder continuar dando essa legitimidade, esse respaldo para defendermos nossas bandeiras [no Congresso\u201d], afirma.<\/p>\n<p>Para Kl\u00e9ber Karipuna, da coordena\u00e7\u00e3o da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas no Brasil (Apib), o mandato de Joenia Wapichana \u00e9 um exemplo de capacidade de articula\u00e7\u00e3o dentro do Legislativo, com o movimento social e a sociedade civil, que deve ser seguido e aprimorado. A deputada reativou e coordena a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cEssa intensidade de atua\u00e7\u00e3o do movimento ind\u00edgena, a partir dessa representa\u00e7\u00e3o de Sonia e C\u00e9lia, vai ter um impacto superpositivo, trazendo como aliados, para esse debate, tanto os autodeclarados que mais se identificam com a pauta do movimento como outros parlamentares, tamb\u00e9m aliados, que a gente sempre teve no Congresso\u201d, ressalta Kl\u00e9ber.<\/p>\n<p>Ele aponta como prioridade do movimento ind\u00edgena barrar a aprova\u00e7\u00e3o dos Projetos de Lei (PLs) 490\/2007, que altera as regras das demarca\u00e7\u00f5es e abre as Terras Ind\u00edgenas para atividades de impacto ambiental, e 191\/2020, que libera a minera\u00e7\u00e3o e outras atividades insustent\u00e1veis nesses territ\u00f3rios. Outra amea\u00e7a \u00e9 o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 177\/2021, que autoriza a sa\u00edda do Brasil da Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), a qual garante a consulta livre, pr\u00e9via e informada de qualquer medida que afete os territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-nsa-meia-coluna\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-nsa-meia-coluna\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/nsa_meia_coluna\/public\/2022-10\/Benjamin%20Mast%20-%20La%20Mochila%20Produ%C3%A7%C3%B5es%20-%20ISA%20---.jpg?itok=DrWic5by\" alt=\"C\u00e9lia Xakriab\u00e1 | Benjamin Mast \/ La Mochila Produ\u00e7\u00f5es \/ ISA\" width=\"600\" height=\"456\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">C\u00e9lia Xakriab\u00e1\u00a0<span class=\"camera\">\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Benjamin Mast \/ La Mochila Produ\u00e7\u00f5es \/ ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cA minha expectativa \u00e9 de que, com mais representantes ind\u00edgenas, a gente possa fazer um \u2018barulho\u2019 maior\u201d, diz o s\u00f3cio fundador do\u00a0<strong>ISA\u00a0<\/strong>M\u00e1rcio Santilli. \u201cPorque esses parlamentares n\u00e3o trazem apenas um mandato ou um voto. Eles trazem uma carga de legitimidade hist\u00f3rica na sua representa\u00e7\u00e3o, no questionamento, por sua simples presen\u00e7a, de toda a trag\u00e9dia colonial que marcou nosso pa\u00eds\u201d, analisa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que os representantes ind\u00edgenas tenham capacidade de fazer as alian\u00e7as necess\u00e1rias e, sobretudo, de promover a mobiliza\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, no sentido de fortalecer sua agenda. Ser\u00e1 uma disputa dif\u00edcil, travada palmo a palmo\u201d, aposta. Santilli acredita que o curr\u00edculo e a envergadura pol\u00edtica dos eleitos far\u00e1 diferen\u00e7a no debate legislativo.<\/p>\n<h5>Autodeclarados bolsonaristas<\/h5>\n<p>Uma dificuldade adicional para a bancada ind\u00edgena podem ser dois autodeclarados eleitos sa\u00eddos do governo: Hamilton Mour\u00e3o e, sobretudo, S\u00edlvia Wai\u00e3pi. O receio \u00e9 de que tentem usar a condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica registrada na Justi\u00e7a Eleitoral para sinalizar uma suposta divis\u00e3o no movimento e na representa\u00e7\u00e3o ind\u00edgenas. Governo e ruralistas j\u00e1 v\u00eam promovendo ind\u00edgenas aliados, muitas vezes n\u00e3o reconhecidos como interlocutores de seus povos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muita expectativa de que Mour\u00e3o apresente-se como um l\u00edder ind\u00edgena. Neste ano, ele causou pol\u00eamica ao tentar registar a candidatura ao Senado como de uma pessoa \u201cbranca\u201d, porque autodeclarou-se ind\u00edgena em 2018.\u00a0<a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2022\/08\/11\/mourao-declaracao-branco-tse-erro.htm\">Depois que o assunto veio a p\u00fablico, voltou atr\u00e1s.<\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 S\u00edlvia sempre afirmou a condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e foi nomeada chefe da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), em 2019, por essa raz\u00e3o, entre outras. Ela deixou o cargo em 2020, ap\u00f3s press\u00f5es do movimento ind\u00edgena. De l\u00e1 para c\u00e1, posicionou-se contra as pautas ambiental e ind\u00edgena e defendeu o governo Bolsonaro. Na campanha, recebeu apoio de bolsonaristas conhecidos, como Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carla Zambelli (PL-SP).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vemos, pelo menos agora, inicialmente, nesta conjuntura, a S\u00edlva trabalhar a favor dos direitos ind\u00edgenas\u201d, diz Karipuna. \u201c[Sobre] a quest\u00e3o dela se colocar como uma lideran\u00e7a parlamentar ind\u00edgena, para a gente est\u00e1 claro que ind\u00edgena que trabalha contra os direitos ind\u00edgenas n\u00e3o tem conex\u00e3o [com o movimento], n\u00e3o tem coer\u00eancia\u201d, defende.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o questiona a condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da deputada eleita e diz que quem pode reafirm\u00e1-la ou neg\u00e1-la \u00e9 o povo Wai\u00e3pi. Tamb\u00e9m explica que o problema n\u00e3o \u00e9 estar em campos ideol\u00f3gicos diferentes. Ressalva, por\u00e9m, que o movimento ind\u00edgena continuar\u00e1 batendo de frente com quem apoiar propostas que amea\u00e7am os direitos dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>S\u00edlvia foi denunciada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico por supostamente ter usado dinheiro do fundo eleitoral para pagar uma opera\u00e7\u00e3o est\u00e9tica.\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ap\/amapa\/eleicoes\/2022\/noticia\/2022\/10\/08\/foi-forjado-contra-mim-diz-silvia-waiapi-sobre-a-acusacao-de-pagar-harmonizacao-facial-com-dinheiro-de-campanha.ghtml\">Ela nega a acusa\u00e7\u00e3o.<\/a>\u00a0Candidatos que perderam a elei\u00e7\u00e3o no Amap\u00e1 tamb\u00e9m questionaram a vota\u00e7\u00e3o para deputado federal no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A Comiss\u00e3o de Apura\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o rejeitou os argumentos e manteve o resultado. O relat\u00f3rio do colegiado ainda ser\u00e1 analisado pelo TRE.<\/p>\n<p>A reportagem entrou em contato com S\u00edlvia e a assessoria de Hamilton Mour\u00e3o, mas n\u00e3o obteve resposta.<\/p>\n<h5>Bancada ruralista<\/h5>\n<p>Maior advers\u00e1ria de ambientalistas e ind\u00edgenas, a bancada ruralista deve manter sua influ\u00eancia na nova legislatura \u2012 o quanto tamb\u00e9m depender\u00e1 de quem for o presidente eleito. Embora figuras importantes do bloco n\u00e3o tenham sido reeleitas, ser\u00e3o substitu\u00eddas por outras de peso pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Dos 39 senadores da Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA), cinco n\u00e3o se reelegeram. Entre eles est\u00e3o a ex-ministra da Agricultura do governo Dilma, K\u00e1tia Abreu (PP-TO), e o atual presidente da Comiss\u00e3o de Agricultura, Acir Gurgacz (PDT-RO). Em contrapartida, a deputada federal e ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-RS), conquistou uma vaga na casa.<\/p>\n<p>Na C\u00e2mara, \u201cbolsonaristas-raiz\u201d, como Nelson Barbudo (PL-MT), perderam as elei\u00e7\u00f5es. Neri Geller (PP-MT) teve sua candidatura \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o indeferida pela Justi\u00e7a. Jos\u00e9 M\u00e1rio Schreiner (MDB-GO) e Jer\u00f4nimo Goergen (PP-RS) n\u00e3o disputaram o pleito. Em compensa\u00e7\u00e3o, mantiveram seus mandatos o atual presidente da FPA, S\u00e9rgio Sousa (MDB-PR), e o presidente da Comiss\u00e3o de Agricultura, Giacobo (PL-PR).<\/p>\n<p>Segundo o Broadcast Pol\u00edtico do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo, a frente j\u00e1 est\u00e1 de olho na filia\u00e7\u00e3o de Ricardo Salles (PL-SP), eleito deputado, ex-ministro do Meio Ambiente e principal respons\u00e1vel pela pol\u00edtica antiambiental de Bolsonaro. No Senado, al\u00e9m da incorpora\u00e7\u00e3o natural de Tereza Cristina, tamb\u00e9m s\u00e3o visados Hamilton Mour\u00e3o e outros ex-ministros da atual gest\u00e3o, como Damares Alves, Rog\u00e9rio Marinho (PL-RN) e at\u00e9 S\u00e9rgio Moro (Uni\u00e3o Brasil-PR).<\/p>\n<p>&#8220;No Senado, h\u00e1 sempre dificuldade para passar as pautas do setor. A nova configura\u00e7\u00e3o d\u00e1 mais tranquilidade nisso. Agora, chegar\u00e3o senadores eleitos com um pouco mais de afinidade e conhecimento\u201d, afirmou Sousa ao Broadcast Pol\u00edtico. \u201cSem d\u00favida, nossa bancada ser\u00e1 t\u00e3o grande ou maior que a atual&#8221;, completou.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h5>Quem s\u00e3o os autodeclarados ind\u00edgenas eleitos para a C\u00e2mara<\/h5>\n<article class=\"align-left media media--type-image media--view-mode-imagem-pequena\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-menor\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/menor\/public\/2022-10\/Juliana%20Lira%20-%20M%C3%ADdia%20NINJA%202.jpg?itok=ufyxJ5xo\" alt=\"|\" width=\"150\" height=\"119\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p><strong>Sonia Guajajara (PSOL-SP)<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f4nia Bone de Souza Silva Santos, 48, nasceu na Terra Ind\u00edgena Ararib\u00f3ia (MA). \u00c9 formada em Letras e Enfermagem e especialista em Educa\u00e7\u00e3o Especial pela Universidade Estadual do Maranh\u00e3o (UEMA). Atua no movimento ind\u00edgena h\u00e1 mais de 20 anos. Come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria na Coordena\u00e7\u00e3o das Articula\u00e7\u00f5es dos Povos Ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o (Coapima), \u00a0foi vice-coordenadora da Coordena\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (Coiab) at\u00e9 chegar \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o da Apib. Em 2018, foi candidata a vice-presidente na chapa do PSOL encabe\u00e7ada por Guilherme Boulos. Em maio, foi eleita pela revista Time uma das 100 personalidades mais influentes do ano. Foi eleita a primeira mulher ind\u00edgena deputada federal por S\u00e3o Paulo, com mais de 156 mil votos, o maior n\u00famero j\u00e1 obtido por um ind\u00edgena na hist\u00f3ria. Ter\u00e1 como prioridades a defesa dos direitos ind\u00edgenas, das mulheres ind\u00edgenas e do meio ambiente (<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/sonia-guajajara-demarcando-terras-demarcando-telas\">saiba mais<\/a>).<\/p>\n<article class=\"align-left media media--type-image media--view-mode-imagem-pequena\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-menor\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/menor\/public\/2022-10\/Juliana%20Lira%20-%20M%C3%ADdia%20NINJA__2.jpg?itok=o6xRd_cf\" alt=\"|\" width=\"150\" height=\"132\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p><strong>C\u00e9lia Xakriab\u00e1 (PSOL-MG)<\/strong><\/p>\n<p>C\u00e9lia Nunes Correa, 32, \u00e9 da Terra Ind\u00edgena Xakriab\u00e1, nos munic\u00edpios de Itacarambi e S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es, no norte de Minas Gerais. Formou-se em Educa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena pela UFMG e tem mestrado em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, na \u00e1rea de Sustentabilidade dos Povos Tradicionais, pela \u00a0Universidade de Bras\u00edlia (UNB). Tamb\u00e9m \u00e9 doutoranda em Antropologia pela UFMG. Foi coordenadora de Educa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena de Minas Gerais e uma das fundadoras da Articula\u00e7\u00e3o Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). Foi eleita a primeira mulher ind\u00edgena deputada federal de Minas Gerais com mais de 101 mil votos. Tem como prioridades a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e do patrim\u00f4nio cultural; a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 cultura; a educa\u00e7\u00e3o especial ind\u00edgena; o reconhecimento e prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas; o combate \u00e0 minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria; as reformas agr\u00e1ria e urbana (<a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/celia-xakriaba-e-hora-de-mulherizar-e-indigenizar-politica-0\">saiba mais<\/a>).<\/p>\n<article class=\"align-left media media--type-image media--view-mode-imagem-pequena\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-menor\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/menor\/public\/2022-10\/Elineudo%20Meira%202.jpg?itok=4fykRagG\" alt=\"|\" width=\"150\" height=\"139\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p><strong>Juliana Cardoso (PT-SP)<\/strong><\/p>\n<p>Tem 42 anos, \u00e9 nascida e criada em Sapobemba, Zona Leste da cidade de S\u00e3o Paulo. Come\u00e7ou a militar cedo nas Comunidades Eclesiais de Base e na Pastoral da Juventude da Igreja Cat\u00f3lica. Seu pai era um ind\u00edgena Terena que migrou do Mato Grosso do Sul para S\u00e3o Paulo para estudar. Ele foi assassinado quando ela tinha apenas cinco anos e Juliana perdeu contato com a fam\u00edlia paterna por algum tempo. Retomou esses la\u00e7os e, hoje, autodeclara-se Terena. \u00c9 formada em Gest\u00e3o P\u00fablica e est\u00e1 no quarto mandato como vereadora, sendo a \u00fanica ind\u00edgena na C\u00e2mara Municipal paulistana. Ajudou a criar o Conselho Municipal dos Povos Ind\u00edgenas e participou de mobiliza\u00e7\u00f5es pelo direito \u00e0 terra e contra desocupa\u00e7\u00f5es de ind\u00edgenas aldeados. Foi eleita com mais de 125 mil votos a primeira deputada federal ind\u00edgena do PT. Atua nas \u00e1reas de direitos humanos, direitos das mulheres, moradia popular, sa\u00fade p\u00fablica, assist\u00eancia social, inf\u00e2ncia e juventude. Pretende integrar a \u201cbancada do cocar\u201d e lutar na linha de frente da defesa dos direitos ind\u00edgenas na C\u00e2mara (<a href=\"https:\/\/pt.org.br\/juliana-cardoso-e-a-primeira-indigena-eleita-deputada-federal-na-historia-do-pt\/\">saiba mais<\/a>).<\/p>\n<article class=\"align-left media media--type-image media--view-mode-imagem-pequena\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-menor\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/menor\/public\/2022-10\/Marina%20Ramos%20-%20C%C3%A2mara%20dos%20Deputados-2.jpg?itok=t_G3jewc\" alt=\"|\" width=\"150\" height=\"136\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p><strong>Paulo Jos\u00e9 Carlos Guedes (PT-MG)<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 natural de S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es, no norte de Minas Gerais, e tem 52 anos. Tem curso de Magist\u00e9rio. Estudou Direito e Gest\u00e3o P\u00fablica, mas n\u00e3o chegou a se formar. Iniciou sua vida p\u00fablica com 20 anos, como vereador na cidade de Manga (MG). Exerceu o cargo entre 1993 e 2004 e foi deputado estadual, entre 2007 e 2019. Em 2015, foi secret\u00e1rio de Desenvolvimento e Integra\u00e7\u00e3o do Norte e Nordeste de Minas Gerais na gest\u00e3o de Fernando Pimentel (PT). Em 2018, elegeu-se deputado federal. Autodeclarou-se ind\u00edgena neste ano. Nestas elei\u00e7\u00f5es, teve cerca de 134 mil votos. Tem atua\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de infraestrutura, transporte, log\u00edstica e seguran\u00e7a p\u00fablica, entre outras.<\/p>\n<article class=\"align-left media media--type-image media--view-mode-imagem-pequena\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-menor\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/menor\/public\/2022-10\/Alejandro%20Zambrana%20-Sesai-MS%3D2.jpg?itok=1c7n3kxb\" alt=\"|\" width=\"150\" height=\"121\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<p><strong>S\u00edlvia Wai\u00e3pi (PL-AP)<\/strong><\/p>\n<p>Silvia Nobre Lopes, 47, nasceu na Terra Ind\u00edgena Wai\u00e3pi (AP). Aos tr\u00eas anos, foi adotada por um casal de Macap\u00e1. Aos 13 anos, ap\u00f3s ser m\u00e3e, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde chegou a morar na rua e foi vendedora de livros e revistas. Conseguiu estudar artes c\u00eanicas, foi pesquisadora, figurinista, preparadora de elenco e atriz na TV Globo. Participou de novelas e miniss\u00e9ries. Tamb\u00e9m foi esportista e chegou a ganhar medalhas de atletismo pelo clube Vasco da Gama. Formou-se em Fisioterapia pelo Centro Universit\u00e1rio Augusto Motta. Em 2011, foi a primeira mulher autodeclarada ind\u00edgena a integrar o Ex\u00e9rcito brasileiro. Tamb\u00e9m \u00e9 formada em Pol\u00edtica e Estrat\u00e9gia e Lideran\u00e7a Estrat\u00e9gica pela Escola de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito (ECEME). Participou do governo de transi\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro e \u00a0foi chefe da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai) entre 2019 e 2020. Tem se alinhado ao governo Bolsonaro, defendendo a libera\u00e7\u00e3o de grandes projetos econ\u00f4micos nas Terras Ind\u00edgenas e a militariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica indigenista. \u00c9 muito pr\u00f3xima \u00e0 senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF). Foi eleita com 5.435 votos.<\/p>\n<p>Fonte: ISA<\/p>\n<\/div>\n<h5><\/h5>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00famero de parlamentares autodeclarados ind\u00edgenas eleitos chega a sete. Expectativa \u00e9 de mais embates com bolsonaristas e ruralistas, mas tamb\u00e9m mais visibilidade e articula\u00e7\u00e3o na defesa da agenda socioambiental Fonte: TSE A partir de 2023, o Congresso ter\u00e1 o maior n\u00famero de parlamentares ind\u00edgenas da&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8664,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,1614],"tags":[46],"class_list":["post-8663","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-4","category-indigenas","tag-congresso-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8663"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8665,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8663\/revisions\/8665"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}