{"id":8922,"date":"2023-04-18T17:12:23","date_gmt":"2023-04-18T20:12:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=8922"},"modified":"2023-04-18T17:12:23","modified_gmt":"2023-04-18T20:12:23","slug":"comissao-pastoral-da-terra-diz-que-o-numero-de-assassinatos-no-campo-aumentou-30-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/comissao-pastoral-da-terra-diz-que-o-numero-de-assassinatos-no-campo-aumentou-30-em-2022\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o Pastoral da Terra diz que o n\u00famero de assassinatos no campo aumentou 30% em 2022"},"content":{"rendered":"<p>De acordo com a entidade, tamb\u00e9m foram registradas 123 amea\u00e7as de morte, n\u00famero cerca de oito vezes maior que as 33 registradas em 2021<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio sobre conflitos no campo divulgado nesta segunda-feira (17) pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/a>\u00a0(CPT) mostra que em 2022 o n\u00famero de assassinatos ligados a disputas pela terra aumentou cerca de 30% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Foram 47 mortos no ano passado, sendo nove adolescentes e uma crian\u00e7a, ante 35 em 2021.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram registradas 123 amea\u00e7as de morte, n\u00famero cerca de oito vezes maior que as 33 registradas em 2021. Segundo a CPT, \u00e9 o maior registro em todo o s\u00e9culo 21. Os ind\u00edgenas foram os alvos mais frequentes (38%), com 18 mortos. Em seguida os sem-terra (19%), com nove. E tamb\u00e9m tr\u00eas ambientalistas, tr\u00eas assentados e tr\u00eas trabalhadores rurais.<\/p>\n<p>O levantamento mostra ainda aumento de 16,7% nos conflitos pela terra no Brasil em 2022 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Nesse cen\u00e1rio de crescimento do registro da pistolagem, dados do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno, da CPT, citam ainda a escalada do trabalho an\u00e1logo ao escravo e os ataques \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Foram 1.572 conflitos por terra no pa\u00eds, envolvendo 181.304 fam\u00edlias \u2013 4,61% a mais que o registrado em 2021. Povos ind\u00edgenas (28%) s\u00e3o os principais atingidos. Desde 2019 aparecem nos registros da CPT como os que mais t\u00eam sofrido com a viol\u00eancias nos conflitos por terra. Em seguida, os posseiros (19%), as comunidades quilombolas (16%), sem terra (12%) e fam\u00edlias assentadas da reforma agr\u00e1ria (9%).<\/p>\n<p>Os fazendeiros foram respons\u00e1veis por 23% dos conflitos em 2022, seguidos pelo governo federal (16%), empres\u00e1rios (13%) e grileiros (11%). O governo do ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro (PL) aumentou sua participa\u00e7\u00e3o nos conflitos no ano passado. O percentual em 2021 foi 10%.<\/p>\n<h2><b>Aumento das a\u00e7\u00f5es de pistoleiros e assassinatos<\/b><\/h2>\n<p>O tipo de viol\u00eancia mais grave levantado pela CPT foi a invas\u00e3o de territ\u00f3rios, que afetou 95.578 fam\u00edlias em todo o pa\u00eds. Dos 47 assassinatos no campo registrados pela CPT em 2022, 14,89% estavam associados a esse tipo de viol\u00eancia. Em 2021, foi 5,56%.<\/p>\n<p>Segundo a Pastoral, as invas\u00f5es de territ\u00f3rios t\u00eam crescido no pa\u00eds, especialmente a partir de 2019, com o in\u00edcio do governo Bolsonaro. Entre 2013 e 2022, foram registradas 1.935 invas\u00f5es de territ\u00f3rios no Brasil. Por\u00e9m, somente durante a gest\u00e3o Bolsonaro, foram 1.185. Isso equivale a 61,25% dos registros de toda a d\u00e9cada. Do total de 661 Terras Ind\u00edgenas invadidas na \u00faltima d\u00e9cada, 411 foram entre 2019 e 2022.<\/p>\n<p>Foram registradas 180 a\u00e7\u00f5es de pistoleiros, afetando 30.624 fam\u00edlias \u2013 um aumento de 32% no n\u00famero de fam\u00edlias e 86% nos registros em compara\u00e7\u00e3o ao ano anterior. De todos os assassinatos no ano passado, 27,66% estavam ligados a alguma ocorr\u00eancia de pistolagem. Em 2021, o percentual foi de 11%. Para a CPT, a pistolagem no campo emerge em contextos de aus\u00eancia de media\u00e7\u00e3o ou atua\u00e7\u00e3o do Estado para solucionar ou mitigar os conflitos no campo.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia Legal concentrou 1.107 conflitos no campo, mais da metade (54%) de todos ocorridos no pa\u00eds. \u00c9 o segundo maior n\u00famero j\u00e1 registrado pelo Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Balduino, perdendo para 2020.<\/p>\n<h2><b>Conflitos no campo na Amaz\u00f4nia Legal<\/b><\/h2>\n<p>Nos \u00faltimos 10 anos, a regi\u00e3o vive um crescimento da viol\u00eancia, com agravamento da situa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o golpe de 2016. Dos 47 assassinatos no campo registrados, 34 foram l\u00e1, o que equivale a 72,35% do total nacional.<\/p>\n<ul>\n<li>Em 2022, foram catalogados 207 casos de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o no meio rural, com 2.618 pessoas envolvidas nas den\u00fancias e 2.218 resgatadas, o maior n\u00famero dos \u00faltimos dez anos, aumento de 29% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. O estado de Minas Gerais concentrou o maior n\u00famero desse tipo de viol\u00eancia (62 casos com 984 pessoas resgatadas), seguido por:<\/li>\n<li>Goi\u00e1s (17 casos com 258 pessoas resgatadas);<\/li>\n<li>Piau\u00ed (23 casos com 180 pessoas resgatadas);<\/li>\n<li>Rio Grande do Sul (10 casos com 148 pessoas resgatadas);<\/li>\n<li>Mato Grosso do Sul (10 casos com 116 pessoas resgatadas);<\/li>\n<li>e S\u00e3o Paulo (10 casos com 87 pessoas resgatadas).<\/li>\n<li>O agroneg\u00f3cio \u00e9 o maior respons\u00e1vel pelo trabalho an\u00e1logo ao escravo no Brasil.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Comiss\u00e3o tamb\u00e9m destaca 113 registros de mortes em consequ\u00eancia de conflitos, como o garimpo, vivido pelos ianom\u00e2mi. Em 2022 foram 103, dos quais 91 eram crian\u00e7as. Estes n\u00fameros foram baseados em den\u00fancia do portal Suma\u00fama, que mostrou n\u00fameros ainda mais altos de mortes evit\u00e1veis de ind\u00edgenas Yanomami desde 2019.<\/p>\n<h2><b>Crian\u00e7as vitimadas<\/b><\/h2>\n<p>Segundo a CPT, \u201ca quase totalidade desta viol\u00eancia durante o governo Bolsonaro atingiu pessoas de 0 a 12 anos em Terra Ind\u00edgena Yanomami\u201d. Em 2021, foram 156 ocorr\u00eancias, das quais 150 eram crian\u00e7as (96,1%); em 2020, 162, e em 2019, 159 \u2013 nestes dois anos todos os registros foram de crian\u00e7as vitimadas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio traz ainda conflitos que se agravam com a contamina\u00e7\u00e3o pelo uso de agrot\u00f3xicos. Em 2022 o n\u00famero de casos aumentou 171,85%, passando de 71 para 193 pessoas atingidas. O n\u00famero de fam\u00edlias atingidas pela aplica\u00e7\u00e3o dos venenos aumentou 86% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior: 6.831 fam\u00edlias. \u00c9 o maior n\u00famero registrado pela CPT desde 2010, quando esse tipo de viol\u00eancia passou a ser apurada pela Pastoral.<\/p>\n<p>Fonte: Brasil 247<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com a entidade, tamb\u00e9m foram registradas 123 amea\u00e7as de morte, n\u00famero cerca de oito vezes maior que as 33 registradas em 2021 Relat\u00f3rio sobre conflitos no campo divulgado nesta segunda-feira (17) pela\u00a0Comiss\u00e3o Pastoral da Terra\u00a0(CPT) mostra que em 2022 o n\u00famero de assassinatos&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,1614],"tags":[1756],"class_list":["post-8922","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-3","category-indigenas","tag-conflitos-territoriais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8922"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8924,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8922\/revisions\/8924"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}