{"id":9082,"date":"2023-11-13T12:47:21","date_gmt":"2023-11-13T15:47:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=9082"},"modified":"2023-12-16T15:00:34","modified_gmt":"2023-12-16T18:00:34","slug":"garimpo-continua-a-assolar-xingu-e-estrago-deve-perdurar-por-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/garimpo-continua-a-assolar-xingu-e-estrago-deve-perdurar-por-anos\/","title":{"rendered":"Garimpo continua a assolar Xingu, e estrago deve perdurar por anos"},"content":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea detalha avan\u00e7o da atividade ilegal na gest\u00e3o Bolsonaro; 82% da destrui\u00e7\u00e3o ocorreu em \u00e1reas protegidas, sendo 72% somente na Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3<\/p>\n<div class=\"node-bg\">\n<div role=\"article\">\n<div class=\"container share-margin\">\n<article class=\"node node--type-article node--promoted node--view-mode-full clearfix\" role=\"article\">\n<div class=\"node__content clearfix\">\n<div class=\"node-content-data\">\n<p>Sob Bolsonaro, foram quatro anos de descontrole da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental. Taxas recordes de desmatamento e a expans\u00e3o, por toda a Amaz\u00f4nia, de atividades ilegais como o roubo de madeira e o garimpo.<\/p>\n<p>Na Bacia do Xingu, que atravessa os estados do Par\u00e1 e Mato Grosso, a destrui\u00e7\u00e3o causada pelo garimpo ilegal foi avassaladora entre 2019 e 2022.\u00a0<strong>Desmontar a estrutura de destrui\u00e7\u00e3o instalada nestes territ\u00f3rios demanda fortes investimentos, continuidade e consist\u00eancia na atua\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica na regi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/garimpo-o-mal-que-perdura-no-xingu-dados-de-2018-junho-de-2023\"><strong>Novo dossi\u00ea da Rede Xingu+<\/strong><\/a>\u00a0mostra o avan\u00e7o e reincid\u00eancia do garimpo nos \u00faltimos anos nas Terras Ind\u00edgenas e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Os dados produzidos pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.xingumais.org.br\/siradx\">Observat\u00f3rio De Olho no Xingu<\/a>\u00a0indicam que, desde 2018, foram mais de 12,7 mil hectares de \u00e1reas de garimpo abertas \u2013 82% dentro de \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2023-11\/capa%20dossie%20xingu.jpg?itok=d_0H90pv\" alt=\"dossi\u00ea\" width=\"400\" height=\"452\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\"><a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/garimpo-o-mal-que-perdura-no-xingu-dados-de-2018-junho-de-2023\">Clique aqui e baixe o dossi\u00ea completo\u00a0<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre 2018 e 2019, per\u00edodo de mudan\u00e7a de gest\u00e3o presidencial, o desmatamento gerado pela atividade aumentou 15% nas \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p>Em 2023, a atividade teve uma redu\u00e7\u00e3o expressiva, devido ao aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o parou.<\/p>\n<p>No primeiro semestre do ano, j\u00e1 foram desmatados cerca de 475 ha em TIs,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.xingumais.org.br\/tag\/4621?name=Sirad%20X&amp;is_gallery=1\">segundo os boletins divulgados<\/a>\u00a0pelo Sistema de Indica\u00e7\u00e3o por Radar de Desmatamento da Bacia do Xingu (Sirad X).\u00a0 Ao menos 17 frentes de explora\u00e7\u00e3o garimpeira em funcionamento ou com ind\u00edcio de atividades foram identificadas este ano.<\/p>\n<p>Durante o governo Bolsonaro, a reativa\u00e7\u00e3o de garimpos antigos foi uma a\u00e7\u00e3o recorrente na Bacia do Xingu, como os garimpos Coringa, Madalena e Manel\u00e3o nas TIs Ba\u00fa, Kuruaya e Trincheira Bacaj\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da desarticula\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o, a melhora da cota\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do ouro no mercado internacional estimulou o avan\u00e7o da megaestrutura bilion\u00e1ria que controla a atividade criminosa.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea detalhou a extens\u00e3o do garimpo em seis Terras Ind\u00edgenas e cinco Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o no Xingu.<\/p>\n<p>O caso mais dr\u00e1stico foi a Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3, que concentrou 72% de todo o garimpo na bacia entre 2018 e 2022 e \u00e9 a TI com a maior \u00e1rea de desmatamento gerado pelo garimpo ilegal de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse territ\u00f3rio,\u00a0 o garimpo destruiu mais em cinco anos do que nas tr\u00eas d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n<p>Existem tr\u00eas frentes principais de explora\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio do povo Mebengokr\u00e9: nos rios Arraias, Fresco e Branco, e uma quarta um pouco mais discreta, no Riozinho.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de\u00a0 2023, mais de 450 ha de floresta foram derrubados pelo garimpo na TI Kayap\u00f3 em suas diversas frentes.<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio j\u00e1 havia sido assolado pela atividade nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, impulsionado pela abertura de estradas e pelo aumento da cota\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do ouro. Nos anos seguintes, arrefeceu, at\u00e9 voltar com tudo no fim da d\u00e9cada de 2010.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-right\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2023-11\/127775scr_wm_ad73e3e86eb1113.jpg?itok=26qUaFui\" alt=\"Garimpo do rio Branco, Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3\" width=\"800\" height=\"530\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Garimpo ilegal do Rio Branco, Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3, em imagem produzida nos anos 90<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Thaise Rodrigues, analista do Instituto Socioambiental (ISA) e autora do dossi\u00ea, diz que a realidade encontrada hoje na TI Kayap\u00f3 \u00e9 resultado de muitos fatores.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o garimpeira nesse territ\u00f3rio remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1960, anterior \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o da TI, que ocorreu em 1991.<\/p>\n<p>A retirada mal sucedida dos garimpeiros na TI ap\u00f3s a sua homologa\u00e7\u00e3o, o f\u00e1cil acesso terrestre \u00e0s frentes de explora\u00e7\u00e3o garimpeira e a proximidade de cidades e munic\u00edpios com um longo hist\u00f3rico de pilhagem ambiental, criaram condi\u00e7\u00f5es para a consolida\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o da atividade ilegal na Kayap\u00f3.<\/p>\n<p>Em 2019, os incentivos diretos do governo \u00e0 explora\u00e7\u00e3o garimpeira somado ao desmonte da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, foram determinantes para o crescimento descontrolado do garimpo no local.<\/p>\n<h5>Garimpo em UCs<\/h5>\n<p>Outra triste novidade dos anos Bolsonaro foi o aumento do garimpo nas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em cinco anos, mais de mil hectares de vegeta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria foram derrubados para ocupa\u00e7\u00e3o de garimpos ilegais nas UCs. Rios tiveram seus leitos destru\u00eddos e suas \u00e1guas assoreadas e contaminadas.<\/p>\n<p>Os impactos n\u00e3o ficaram s\u00f3 na paisagem: peixes, tracaj\u00e1s e outros animais foram contaminados, afetando a sobreviv\u00eancia de diversas comunidades ribeirinhas que, ao longo desses anos, tamb\u00e9m sofreram com aliciamento e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Em 2023, novos focos de explora\u00e7\u00e3o foram identificados na Reserva Biol\u00f3gica (REBIO) Nascentes da Serra do Cachimbo e o funcionamento dos garimpos na Flona de Altamira e Reserva Extrativista (RESEX) Rio Iriri tamb\u00e9m continuou.<\/p>\n<p>Na RESEX Riozinho do Anfr\u00edsio, no Par\u00e1, ao menos cinco novos focos de garimpo foram abertos durante a gest\u00e3o de Bolsonaro, permanecendo ainda uma frente ativa em agosto de 2023 \u2013 apesar dos esfor\u00e7os de fiscaliza\u00e7\u00e3o do novo governo. Ao todo, na RESEX do Riozinho do Anfr\u00edsio foram derrubadas 42 hectares de floresta e 19 comunidades beiradeiras afetadas pela contamina\u00e7\u00e3o do merc\u00fario.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2023-11\/riozinho%20anfrisio%20garimpo.jpg?itok=x_-1NRvB\" alt=\"Balsa de garimpo no Rio Iriri, Resex Riozinho do Anfr\u00edsio, Par\u00e1, em registro de maio de 2014\" width=\"1057\" height=\"796\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Balsa de garimpo no Rio Iriri, RESEX Riozinho do Anfr\u00edsio, Par\u00e1, em registro de maio de 2014<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Anna Maria Andrade\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Outro caso que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o da Floresta Nacional (Flona) de Altamira. A UC tem a maior \u00e1rea de desmatamento por conta do garimpo ilegal na Bacia do Xingu. S\u00e3o duas frentes principais: na regi\u00e3o noroeste, onde foram 309 hectares derrubados entre 2018 e 2022, e na zona oeste do territ\u00f3rio, onde foram desmatados 428 hectares no per\u00edodo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente preocupante sobretudo porque as \u00e1reas de garimpo est\u00e3o localizadas nas chamadas &#8220;Zonas Primitivas&#8221; das UCs, isto \u00e9, \u00e1reas especialmente importantes para preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o, do ponto de vista da biodiversidade. Essas zonas s\u00e3o delimitadas para, teoricamente, estabelecer regi\u00f5es com a m\u00ednima interven\u00e7\u00e3o humana para prote\u00e7\u00e3o de cabeceiras de rios (\u00e1reas de nascente), e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas j\u00e1 degradadas no passado. Mas elas n\u00e3o est\u00e3o sendo respeitadas, e a degrada\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem aumentado.<\/p>\n<p>Rodrigues aponta que a persist\u00eancia do garimpo exige uma a\u00e7\u00e3o articulada e cont\u00ednua nesses territ\u00f3rios. \u201cEstamos falando de v\u00e1rias \u00e1reas destru\u00eddas com o uso de grande maquin\u00e1rio, e capitalizadas por uma rede criminosa. Isso exige um plano de prote\u00e7\u00e3o territorial consistente, com manuten\u00e7\u00e3o de bases de prote\u00e7\u00e3o em locais estrat\u00e9gicos e opera\u00e7\u00f5es regulares para desativar os focos de garimpo\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Segundo ela, essas a\u00e7\u00f5es devem incluir a inutiliza\u00e7\u00e3o de toda a infra-estrutura associada, como pistas clandestinas, estradas e a destrui\u00e7\u00e3o completa do maquin\u00e1rio utilizado na extra\u00e7\u00e3o de ouro.<\/p>\n<h5>Fiscaliza\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia<\/h5>\n<p>O garimpo tem se mostrado persistente mesmo ap\u00f3s sucessivas opera\u00e7\u00f5es feitas pelo Ibama, que tem intensificado as a\u00e7\u00f5es desde a mudan\u00e7a do governo. No garimpo do &#8220;Manel\u00e3o&#8221;, por exemplo, uma opera\u00e7\u00e3o feita em abril destruiu equipamentos avaliados em R$ 304.500, segundo informa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Ibama. Mesmo assim, novas cavas de explora\u00e7\u00e3o foram detectadas no primeiro semestre de 2023.<\/p>\n<p>O Manel\u00e3o, situado na Terra Ind\u00edgena Trincheira Bacaj\u00e1, foi aberto pela primeira vez ainda na d\u00e9cada de 1970, e reativado em meados da d\u00e9cada passada. Entre 2018 e 2022, foram detectados mais de 85 hectares de floresta derrubadas.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o similar ocorre na Terra Ind\u00edgena Apyterewa, do povo Parakan\u00e3. O Ibama realizou a opera\u00e7\u00e3o em 2023, mas o problema persiste. \u201cAinda existe garimpeiro. A aldeia Kaete fica muito pr\u00f3xima dos pontos de garimpo e os ind\u00edgenas que moram nessa aldeia escutam at\u00e9 a zoada do motor\u201d, afirma Wenathoa Parakan\u00e3, lideran\u00e7a e presidenta da associa\u00e7\u00e3o Tatooa.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2023-11\/97892scr_wm_2d66e8ae3163e8a.jpg?itok=sRZ8swvg\" alt=\"Sobrevoo na Terra Ind\u00edgena (TI) Apyterewa, onde est\u00e1 localizado o maior garimpo da TI\" width=\"800\" height=\"534\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Sobrevoo na Terra Ind\u00edgena (TI) Apyterewa, onde est\u00e1 localizado o maior garimpo da TI<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Rog\u00e9rio Assis\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p>O garimpo j\u00e1 havia sido um problema no passado, foi combatido e voltou a assolar o territ\u00f3rio dos Parakan\u00e3 em 2017. Durante os anos do governo Bolsonaro, o garimpo se expandiu, financiado por pessoas ligadas \u00e0 grilagem de terras, um problema estrutural no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Em 2018, um novo garimpo conhecido como Pista Dois foi aberto ao norte da TI no afluente do igarap\u00e9 Bom Jardim. Em 2019 e 2020, novos focos tamb\u00e9m surgiram. A regi\u00e3o j\u00e1 atingiu a marca de mais de 208 hectares derrubados pela explora\u00e7\u00e3o garimpeira entre 2018 e 2022. Em 2023, dados de sat\u00e9lite confirmam a situa\u00e7\u00e3o relatada por Wenathoa: a atividade segue em garimpos que haviam sido abertos em anos anteriores.<\/p>\n<p>\u201cO risco para n\u00f3s, Parakan\u00e3, \u00e9 sobretudo a polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, que t\u00e1 ficando suja, que \u00e9 o garimpo que fica l\u00e1 para cima, e tem v\u00e1rias aldeias no Rio Bom Jardim, a Kaet\u00e9, a Kana\u00e3, Tiv\u00e9, Itaet\u00e9, Catu, Paranapiana. O peixe pode estar contaminado e a gente n\u00e3o sabe\u201d, diz ela. Al\u00e9m disso, os Parakan\u00e3 s\u00e3o constantemente amea\u00e7ados pelos garimpeiros.<\/p>\n<p>Wenathoa se refere \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario. O metal pesado \u00e9 utilizado no processo de garimpagem, para amalgamar o ouro. Depois, ele \u00e9 queimado, restando apenas o metal nobre. Sua queima gera emiss\u00f5es t\u00f3xicas na atmosfera, que contaminam o solo e a \u00e1gua. Quando despejado em rios e lagos, o merc\u00fario se converte em sua forma mais t\u00f3xica, o metilmerc\u00fario, que \u00e9 consumido pelos peixes e por outros animais aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/noticias-socioambientais\/novo-estudo-mostra-que-ingestao-diaria-de-mercurio-excede-os-limites\">Estudo de contamina\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0do merc\u00fario em peixes lan\u00e7ado em 2023 pelo ISA, em parceria com o Iep\u00e9 e Greenpeace, mostrou \u00edndices de consumo de merc\u00fario acima dos n\u00edveis considerados seguro para a sa\u00fade nos centros urbanos de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu e Altamira, cidades no entorno dos territ\u00f3rios amea\u00e7ados do Xingu.<\/p>\n<p>Dados alarmantes tamb\u00e9m foram encontrados em outro estudo, feito em 2018, com base nos peixes dos rios Curu\u00e1 e Ba\u00fa, que abastecem a Terra Ind\u00edgena Ba\u00fa. \u201cUma crian\u00e7a que foi gestada e se desenvolveu tendo acesso a altos \u00edndices de merc\u00fario pode ter problemas de desenvolvimento, motores, neurol\u00f3gicos e isso \u00e9 pro resto da vida. Muito mais que longo prazo\u201d, afirma Estev\u00e3o Senra, pesquisador do ISA.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o e fragilidade da Apyterewa exigem esfor\u00e7os permanentes, articulados entre v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os, al\u00e9m da completa desintrus\u00e3o dos ocupantes n\u00e3o-ind\u00edgenas na \u00e1rea \u201cA solu\u00e7\u00e3o \u00e9 que tire todas as pessoas que t\u00e3o l\u00e1 dentro da nossa TI Apyterewa, antes que fazendeiros tirem todas as \u00e1rvores e poluam toda \u00e1gua. \u00c9 da floresta que a gente tira o nosso alimento, a \u00e1gua. Se n\u00e3o tiver \u00e1gua limpa, n\u00e3o conseguimos sobreviver, como os animais. Queremos \u00e1gua pura e a floresta em p\u00e9 para podermos respirar o oxig\u00eanio puro\u201d, exige Wenathoa.<\/p>\n<p>Outro caso de constante preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o da Terra Ind\u00edgena Ba\u00fa, que sofreu com a intensifica\u00e7\u00e3o do garimpo ilegal nos \u00faltimos anos e com sucessivas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.kabu.org.br\/2022\/09\/13\/instituto-kabu-rechaca-ameacas\/\">amea\u00e7as<\/a>\u00a0contra lideran\u00e7as e comunidades. Opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal e do Ibama em 2022 conseguiram desativar grande parte dos garimpos e de suas estruturas no territ\u00f3rio. Mesmo assim, a partir de imagens de sat\u00e9lite foi poss\u00edvel identificar a retomada de atividade em dois garimpos: o Pista Velha e o Jurandi. Trata-se de um exemplo na pr\u00e1tica de que esse tipo de crime exige constante aten\u00e7\u00e3o das autoridades.<\/p>\n<p>No dossi\u00ea, Rodrigues tamb\u00e9m detalha como o combate deve contar com o apoio de ag\u00eancias reguladoras para garantir a desarticula\u00e7\u00e3o da log\u00edstica, com a fiscaliza\u00e7\u00e3o das redes de comunica\u00e7\u00e3o (Anatel), da opera\u00e7\u00e3o irregular de aeronaves (Anac) e do controle da venda de combust\u00edvel (ANP).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante pensar na conscientiza\u00e7\u00e3o e no est\u00edmulo a uma cadeia econ\u00f4mica sustent\u00e1vel nessas regi\u00f5es. A economia da regi\u00e3o amaz\u00f4nica precisa se apoiar na sociobiodiversidade, de forma que as comunidades locais tenham uma renda obtida de forma sustent\u00e1vel, n\u00e3o il\u00edcita e n\u00e3o predat\u00f3ria, que garanta os recursos naturais para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es\u201d, conclui.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h5>Estrago deixado pelo garimpo ilegal<\/h5>\n<p>Entender a dimens\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o provocada pelo garimpo ilegal na Bacia do Xingu \u00e9 importante porque, mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental em 2023, as consequ\u00eancias da falta de controle dos anos passados devem perdurar por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Hoje, a garimpagem na Amaz\u00f4nia \u00e9 feita de forma mecanizada e com alto investimento. Nesse tipo de explora\u00e7\u00e3o, o meio ambiente \u00e9 destru\u00eddo, e o dano pode permanecer por muitos anos.<\/p>\n<p>\u201cO garimpo, como \u00e9 feito hoje, remove a cobertura do solo todo. Voc\u00ea praticamente n\u00e3o tem mais estrutura de solo para que uma vegeta\u00e7\u00e3o mais diversa possa colonizar essa \u00e1rea. Depois de 30 anos, uma \u00e1rea destru\u00edda pelo garimpo ainda n\u00e3o tem a floresta recuperada, apenas uma vegeta\u00e7\u00e3o muito pobre e escassa em recursos\u201d, explica Senra.<\/p>\n<p>Com grandes mangueiras, \u00e0s margens do rio s\u00e3o convertidas em lama, que passam por outras m\u00e1quinas para a extra\u00e7\u00e3o de ouro. Nesse processo, cursos d\u2019\u00e1gua menores, como igarap\u00e9s s\u00e3o destru\u00eddos e tornam-se lagos est\u00e9reis. Em consequ\u00eancia, os rios maiores s\u00e3o assoreados por essa lama. Esse \u00e9 outro tipo de impacto que ficar\u00e1 marcado no ambiente por d\u00e9cadas.<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2023-11\/Info_MapaCompleto_Desmatamento_Xingu_v4_page-0001.jpg?itok=cyH-2D8n\" alt=\"mapa\" width=\"1200\" height=\"2000\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\"><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"node\">\n<div class=\"related\">\n<div class=\"container\">Fonte: ISA<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea detalha avan\u00e7o da atividade ilegal na gest\u00e3o Bolsonaro; 82% da destrui\u00e7\u00e3o ocorreu em \u00e1reas protegidas, sendo 72% somente na Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3 Sob Bolsonaro, foram quatro anos de descontrole da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental. 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