{"id":9137,"date":"2023-12-16T15:54:59","date_gmt":"2023-12-16T18:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=9137"},"modified":"2025-04-21T13:28:25","modified_gmt":"2025-04-21T16:28:25","slug":"as-linguas-indigenas-faladas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/as-linguas-indigenas-faladas-no-brasil\/","title":{"rendered":"As l\u00ednguas ind\u00edgenas faladas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O territ\u00f3rio brasileiro abriga hoje apenas 20% das estimadas 1.175 l\u00ednguas que tinha em 1500, quando chegaram os europeus. E, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses da regi\u00e3o, como Peru, Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Paraguai e at\u00e9 Argentina, o Brasil n\u00e3o reconhece como oficiais nenhuma de suas l\u00ednguas ind\u00edgenas em \u00e2mbito nacional.<\/p>\n<p>O Censo 2010 contabilizou 274 l\u00ednguas ind\u00edgenas atualmente no Brasil (os n\u00fameros do Censo 2022 ainda n\u00e3o foram divulgados). Mas linguistas ligados \u00e0s principais institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, como o Museu Em\u00edlio Goeldi, no Par\u00e1, e o Museu do \u00cdndio, no Rio de Janeiro, falam em 160 a 180. Se considerarmos dialetos \u2014 varia\u00e7\u00f5es de uma mesma l\u00edngua que podem ser compreendidas mutuamente \u2014 chega-se a 218.<\/p>\n<figure class=\"rich-image\"><picture><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/001-mob.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/001-desk.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(min-width: 600px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/001-mob.jpg?ticker=1.0.5\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/001-desk.jpg?ticker=1.0.5\" alt=\"Mulher do povo kayap\u00f3 na aldeia Piaracu em Mato Grosso, em 17 de janeiro de 2020\" \/><\/picture><figcaption class=\"sans\">Territ\u00f3rio brasileiro j\u00e1 abrigou mais de mil l\u00ednguas diferentes | Foto: Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por que ainda n\u00e3o sabemos exatamente o n\u00famero de l\u00ednguas faladas pelos povos nativos brasileiros?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 mais simples \u2013 e tamb\u00e9m mais complicada \u2013 do que parece. O problema est\u00e1 em como a pergunta \u00e9 feita, ou melhor, em que crit\u00e9rios s\u00e3o considerados na hora de definir o que \u00e9 uma l\u00edngua e nome\u00e1-la.<\/p>\n<figure class=\"quote flow border-radius\">\n<blockquote class=\"font-l sans italic weight-500 margin-s\"><p>Muitos grupos ind\u00edgenas n\u00e3o t\u00eam um nome espec\u00edfico para a sua l\u00edngua. Nem para si mesmos. Eles dizem \u2018n\u00f3s somos n\u00f3s\u2019. Isso \u00e9 um problema para um levantamento como o Censo.<\/blockquote><figcaption class=\"flex-col flow-s padding-s border-radius background-2\"><span class=\"font-m weight-700 serif\">Denny Moore<\/span><span class=\"font-s sans\">Linguista e antrop\u00f3logo pesquisador do Museu Em\u00edlio Goeldi<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O Censo 2010 afirmava, por exemplo, que existiam 251 autodeclarados falantes da l\u00edngua tupinambara, que \u00e9 considerada pelos pesquisadores extinta h\u00e1 dois s\u00e9culos. Ou que a l\u00edngua aru\u00e1, falada em Rond\u00f4nia, tinha 189 falantes, enquanto levantamentos feitos no local por pesquisadores mostravam que somente cinco pessoas falavam a l\u00edngua.<\/p>\n<figure class=\"rich-image\"><picture><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/002-mob.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/002-desk.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(min-width: 600px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/002-mob.jpg?ticker=1.0.5\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/002-desk.jpg?ticker=1.0.5\" alt=\"Homens do povo tapirap\u00e9 se preparam para uma dan\u00e7a cerimonial, em 17 de janeiro de 2020 \" \/><\/picture><figcaption class=\"sans\">Perguntas do Censo 2010 sobre l\u00ednguas ind\u00edgenas geraram resultados confusos, segundo especialistas | Foto: Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p>Normalmente, as contagens mais altas de l\u00ednguas consideram alguns dialetos como l\u00ednguas separadas, mesmo que seus falantes consigam se entender \u2013 enquanto a maioria dos linguistas classificaria esses dialetos como uma mesma l\u00edngua.<\/p>\n<p>Essas contagens tamb\u00e9m costumam incluir grupos que deixaram de falar sua l\u00edngua tradicional, mesmo que a declarem como seu idioma.<\/p>\n<figure class=\"quote flow border-radius\">\n<blockquote class=\"font-l sans italic weight-500 margin-s\"><p>Isso acontece porque a l\u00edngua \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o dentro da ci\u00eancia, mas tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtica. H\u00e1 cada vez mais pessoas que se declaram falantes de l\u00ednguas que consideramos extintas porque esses grupos est\u00e3o lutando pelo seu reconhecimento.<\/blockquote><figcaption class=\"flex-col flow-s padding-s border-radius background-2\"><span class=\"font-m weight-700 serif\">Bruna Franchetto <\/span><span class=\"font-s sans\">Linguista e antrop\u00f3loga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cSe declarar falantes da l\u00edngua, para eles, \u00e9 uma quest\u00e3o de visibilidade e de sobreviv\u00eancia. E muitos est\u00e3o realmente empenhados em recuperar suas l\u00ednguas, seja junto a vizinhos falantes de uma variedade, fazendo pesquisas documentais ou recriando suas falas com base no que sobrou de conhecimento sobre suas origens&#8221;, afirma a linguista e antrop\u00f3loga Bruna Franchetto, da UFRJ.<\/p>\n<p>Ou seja, para contar as l\u00ednguas nativas do Brasil \u00e9 preciso estabelecer um crit\u00e9rio principal para definir quais s\u00e3o l\u00ednguas diferentes e quais s\u00e3o apenas dialetos de uma mesma l\u00edngua, mas tamb\u00e9m entender como os pr\u00f3prios grupos ind\u00edgenas consideram os idiomas \u201cparentes\u201d do seu \u2013 algo que pode mudar a depender das rela\u00e7\u00f5es que eles tenham em cada momento. E ainda \u00e9 necess\u00e1rio considerar a situa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica daquele grupo ind\u00edgena.<\/p>\n<h2 class=\"subtitle\">Troncos, fam\u00edlias, subfam\u00edlias<\/h2>\n<p>E como surgiram, e se diferenciaram, as l\u00ednguas?<\/p>\n<p>\u201cTradicionalmente, os linguistas acreditam que quando comunidades falam a mesma l\u00edngua, mas t\u00eam pouco contato, elas desenvolvem seus pr\u00f3prios sotaques. Com o passar do tempo, esses sotaques podem evoluir para dialetos diferentes, com partes distintas da gram\u00e1tica&#8221;, explica Hein van der Voort, especialista em l\u00ednguas ind\u00edgenas sul-americanas do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi.<\/p>\n<p>Se essa falta de contato entre os povos permanece por v\u00e1rios s\u00e9culos, os dialetos podem se tornar t\u00e3o diferentes que os falantes de um j\u00e1 n\u00e3o compreendem o outro.<\/p>\n<div class=\"static-content-container serif\">\n<p><strong class=\"highlight background-2\">Assim nascem l\u00ednguas diferentes<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"scrolly-container enhanced\">\n<div class=\"sticky-container sticky-container-1\">\n<div class=\"sticky-image sticky-image--1\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>As l\u00ednguas diferentes que t\u00eam a mesma \u201cl\u00edngua-m\u00e3e\u201d s\u00e3o parte de uma fam\u00edlia lingu\u00edstica, como o tupi-guarani.<\/div>\n<div>As fam\u00edlias em que a diferencia\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas est\u00e1 acontecendo h\u00e1 mais tempo podem ter subfam\u00edlias. Tupi-guarani, tupari e mond\u00e9, por exemplo, s\u00e3o subfam\u00edlias que surgiram dentro da fam\u00edlia tupi.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com 10 subfam\u00edlias e 40 a 45 l\u00ednguas, \u00e9 considerada uma das duas principais fam\u00edlias do Brasil a l\u00edngua tupi, por ter um grande n\u00famero de l\u00ednguas. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o chamadas de troncos, pelos especialistas brasileiros.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A outra l\u00edngua \u00e9 a macro-j\u00ea \u2014 uma de suas principais subfam\u00edlias \u00e9 a j\u00ea.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outras 20 fam\u00edlias lingu\u00edsticas n\u00e3o fazem parte do tronco tupi nem do macro-j\u00ea. Elas t\u00eam de uma at\u00e9 20 l\u00ednguas (como o karib e o aru\u00e1k).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As que possuem apenas uma l\u00edngua s\u00e3o chamadas de isoladas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m disso, j\u00e1 foram identificadas cerca de 17 l\u00ednguas de sinais ind\u00edgenas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por causa das migra\u00e7\u00f5es, naturais ou for\u00e7adas, dos povos ind\u00edgenas, l\u00ednguas de uma mesma fam\u00edlia est\u00e3o espalhadas pelo pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um exemplo de l\u00edngua do tronco tupi, da subfam\u00edlia tupi-mond\u00e9, \u00e9 o ikolen (gavi\u00e3o), falada principalmente na Terra Ind\u00edgena Igarap\u00e9 Lourdes, em Rond\u00f4nia, onde vive esse povo. Ela tem uma vers\u00e3o em assovios, que imita os tons da l\u00edngua falada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00e1 o kayap\u00f3 do tronco macro-j\u00ea, \u00e9 falado entre o Mato Grosso e o Par\u00e1, em ao menos oito terras ind\u00edgenas \u2014 algumas demarcadas e outras, n\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E o\u00a0 terena, l\u00edngua da fam\u00edlia aru\u00e1k, \u00e9 falado principalmente nas terras do Mato Grosso do Sul, mas tamb\u00e9m em algumas no interior de S\u00e3o Paulo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No sul de Rond\u00f4nia vive a etnia kwaz\u00e1, com cerca de 50 pessoas, que falam uma l\u00edngua isolada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As l\u00ednguas de sinais ind\u00edgenas apenas come\u00e7am a ser estudadas \u2014 a l\u00edngua dos ka&#8217;apor foi a primeira identificada no pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div class=\"static-content-container serif\">\n<p>Mas mesmo as contagens mais altas de l\u00ednguas ind\u00edgenas ainda n\u00e3o incluem as que s\u00e3o faladas por dezenas de grupos n\u00e3o contactados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>As dificuldades de mapear e registrar essas l\u00ednguas, combinadas \u00e0 press\u00e3o sofrida pelos grupos ind\u00edgenas no Brasil, faz com que todos os idiomas nativos do pa\u00eds sejam, hoje, considerados como amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, em maior ou menor grau.<\/p>\n<figure class=\"rich-image\"><picture><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/003-mob.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/003-desk.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(min-width: 600px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/003-mob.jpg?ticker=1.0.5\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/003-desk.jpg?ticker=1.0.5\" alt=\"Mulher yanomami sorri ao lado de crian\u00e7as na reserva Raposa Serra do Sol em Roraima, em 01 de julho de 2020\" \/><\/picture><figcaption class=\"sans\">Todas as l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras hoje s\u00e3o tidas como amea\u00e7adas | Foto: Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estima-se que o n\u00famero mediano (o valor do meio de uma s\u00e9rie) de falantes de uma l\u00edngua ind\u00edgena no Brasil seja de 300 pessoas. S\u00f3 cerca de 10% delas t\u00eam mais de 5 mil falantes. No entanto, essas estimativas s\u00e3o pouco confi\u00e1veis, porque costumam confundi-los com as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, mesmo que, muitas vezes, s\u00f3 uma parte do grupo ainda fale a l\u00edngua.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sabemos que, tradicionalmente, os muitos povos nativos do Brasil s\u00e3o multil\u00edngues. Al\u00e9m de falarem l\u00ednguas de povos vizinhos ou com os quais t\u00eam mais contato, aprendem portugu\u00eas desde cedo, j\u00e1 que \u00e9 essa a l\u00edngua na qual podem participar da sociedade brasileira.<\/p>\n<h2 class=\"subtitle\">Amea\u00e7as de extin\u00e7\u00e3o ou &#8216;adormecimento&#8217;<\/h2>\n<p>Quando a cultura de uma comunidade continua ativa e vibrante, a conviv\u00eancia com outros idiomas n\u00e3o \u00e9 um problema para a transmiss\u00e3o da l\u00edngua tradicional \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais novas.<\/p>\n<p>Mas esse n\u00e3o \u00e9 o caso da maioria dos povos brasileiros, que sofrem o impacto do desmatamento, migra\u00e7\u00f5es para as cidades, trabalhos ou reloca\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, grandes obras em seus territ\u00f3rios, atividades mission\u00e1rias, garimpo e extra\u00e7\u00e3o de madeira ilegais, assassinato de l\u00edderes e outros problemas.<\/p>\n<figure class=\"rich-image\"><picture><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/004-mob.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/004-desk.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(min-width: 600px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/004-mob.jpg?ticker=1.0.5\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/004-desk.jpg?ticker=1.0.5\" alt=\"Membros do povo terena fazem uma cerim\u00f4nia no acampamento ind\u00edgena Terra Livre em Bras\u00edlia em 23 de abril de 2023\" \/><\/picture><figcaption class=\"sans\">Falta de oportunidades em suas l\u00ednguas tradicionais na sociedade n\u00e3o ind\u00edgena dificulta a manuten\u00e7\u00e3o do idioma | Foto: Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por isso \u00e9 que, mesmo com as iniciativas de recupera\u00e7\u00e3o, o desaparecimento das l\u00ednguas ind\u00edgenas do Brasil continua, e de modo cada vez mais acelerado.<\/p>\n<figure class=\"quote flow border-radius\">\n<blockquote class=\"font-l sans italic weight-500 margin-s\"><p>\u00c9 sempre complicado dizer que uma l\u00edngua est\u00e1 extinta. Ela pode ainda estar viva, mesmo que seja na cabe\u00e7a de um \u00faltimo falante, que n\u00e3o tem mais com quem falar. E, mesmo aquelas em que os \u00faltimos falantes morreram, se estiverem bem documentadas, \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar um processo de retomada<\/blockquote><figcaption class=\"flex-col flow-s padding-s border-radius background-2\"><span class=\"font-m weight-700 serif\">Hein van der Voort<\/span><span class=\"font-s sans\">Especialista em l\u00ednguas ind\u00edgenas sul-americanas do Museu Em\u00edlio Goeldi.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEu vejo hoje muita motiva\u00e7\u00e3o entre os povos ind\u00edgenas para manter ou retomar suas l\u00ednguas. Mesmo assim, o perigo de as l\u00ednguas ind\u00edgenas n\u00e3o serem passadas para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es \u00e9 real\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No mundo, segundo o F\u00f3rum Permanente sobre Quest\u00f5es Ind\u00edgenas da ONU, ao menos 40% dos mais de 6 mil idiomas mundiais falados em 2016 estavam sob risco de desaparecer, e a maioria deles eram ind\u00edgenas. Em 2019, quatro em cada 10 l\u00ednguas ind\u00edgenas corriam esse risco.<\/p>\n<p>Em 2022, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) declarou a D\u00e9cada Internacional das L\u00ednguas Ind\u00edgenas.<\/p>\n<figure class=\"rich-image\"><picture><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/005-mob.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/005-desk.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(min-width: 600px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/005-mob.jpg?ticker=1.0.5\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/005-desk.jpg?ticker=1.0.5\" alt=\"Crian\u00e7as yanomami na regi\u00e3o dos Awaris, em Roraima, em 30 de junho 2020 \" \/><\/picture><figcaption class=\"sans\">Desafio para povos \u00e9 fazer com que as novas gera\u00e7\u00f5es usem a l\u00edngua tradicional para al\u00e9m da fam\u00edlia | Foto: Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cNo Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, um dos pedidos que mais recebemos \u00e9 para fazermos um mapeamento real da vitalidade das l\u00ednguas ind\u00edgenas no Brasil\u201d, diz Altaci Corr\u00eaa Rubim, Coordenadora-geral de articula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas educacionais ind\u00edgenas, no Departamento de L\u00ednguas e Mem\u00f3rias do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cQueremos fazer um mapeamento com equipes de t\u00e9cnicos, linguistas e antrop\u00f3logos ind\u00edgenas e tamb\u00e9m os parceiros da universidades. A partir disso, podemos saber quais l\u00ednguas est\u00e3o correndo risco de adormecimento \u2014 com um, dois ou tr\u00eas falantes \u2014 e realizar a\u00e7\u00f5es para salvar essas l\u00ednguas.\u201d<\/p>\n<p>Rubim, que \u00e9 do povo kokama, tamb\u00e9m \u00e9 a representante de Am\u00e9rica Latina e Caribe no Grupo de Trabalho da D\u00e9cada das L\u00ednguas Ind\u00edgenas da Unesco. Ela defende que as l\u00ednguas dos povos nativos s\u00e3o \u201cesp\u00edrito\u201d, algo que difere do entendimento de linguistas n\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, a l\u00edngua \u00e9 esp\u00edrito, e o esp\u00edrito n\u00e3o morre, n\u00e3o desaparece. As l\u00ednguas podem estar adormecidas, porque tiveram s\u00e9culos ou d\u00e9cadas de transmiss\u00e3o interrompida. Mas podem ser acordadas e fortalecidas em rituais, em pr\u00e1ticas culturais. Acredito que teremos um n\u00famero maior de l\u00ednguas aparecendo nos dados do pr\u00f3ximo Censo\u201d, diz.<\/p>\n<figure class=\"rich-image\"><picture><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/006-mob.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/006-desk.avif?ticker=1.0.5\" type=\"image\/avif\" media=\"(min-width: 600px)\" \/><source src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/006-mob.jpg?ticker=1.0.5\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 599px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/news.files.bbci.co.uk\/include\/vjamericas\/1299-Indigenous-Languages\/assets\/app-project-assets\/img\/006-desk.jpg?ticker=1.0.5\" alt=\"Mulher do povo tupi-guarani em Manaus, Amazonas\" \/><\/picture><figcaption class=\"sans\">Povos em todo o pa\u00eds tentam recuperar suas l\u00ednguas, com a ajuda de pesquisadores e grupos com l\u00ednguas semelhantes | Foto: Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ainda assim, ela acredita que dizer que as l\u00ednguas nativas correm perigo de extin\u00e7\u00e3o \u201cfaz total sentido\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA exist\u00eancia das l\u00ednguas ind\u00edgenas n\u00e3o depende s\u00f3 de os povos falarem. Precisamos criar uma pol\u00edtica, que o Brasil nunca teve, para essas l\u00ednguas. Para a l\u00edngua existir, o povo precisa de um territ\u00f3rio. E a l\u00edngua tamb\u00e9m precisa de status. N\u00f3s precisamos v\u00ea-la nas m\u00eddias sociais, valoriz\u00e1-la nos ambientes al\u00e9m das aldeias e das escolas. Isso far\u00e1 com que os jovens tamb\u00e9m queiram falar suas l\u00ednguas\u201d, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"vj-footer\">\n<div class=\"credits\">\n<div class=\"credits__text\">\n<h2 class=\"vj-footer__title\">Cr\u00e9ditos:<\/h2>\n<p><strong class=\"highlight background-2\">Reportagem:<\/strong>\u00a0Camilla Costa<br \/>\n<strong class=\"highlight background-2\">Design:<\/strong>\u00a0Caroline Souza<br \/>\n<strong class=\"highlight background-2\">Edi\u00e7\u00e3o e design de v\u00eddeo:<\/strong>\u00a0Daniel Arce<br \/>\n<strong class=\"highlight background-2\">Desenvolvimento:<\/strong>\u00a0Matthew Taylor, Kaveri Biswas, Alex Nicholas, Grace Richardson, Adam Allen<br \/>\n<strong class=\"highlight background-2\">Edi\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Carol Olona e Felipe Corazza<br \/>\n<strong class=\"highlight background-2\">Coordena\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Carol Olona<br \/>\n<strong class=\"highlight background-2\">Mapa de fam\u00edlias lingu\u00edsticas faladas em Terras Ind\u00edgenas reconhecidas no Brasil<\/strong>: Concebido originalmente para a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Nhe&#8217;\u0113 Por\u00e3: mem\u00f3ria e transforma\u00e7\u00e3o&#8221;, Museu da L\u00edngua Portuguesa (S\u00e3o Paulo, Brasil), curadoria de Daiara Tukano. Dados sobre Terras Ind\u00edgenas, povos e fam\u00edlias lingu\u00edsticas: ISA, 2022 (Tiago Moreira).\u00a0<strong class=\"highlight background-2\">Pesquisa:<\/strong>\u00a0Luciana Storto, Gustavo de Godoy e Silva e Majo\u00ed Gongora.\u00a0<strong class=\"highlight background-2\">Revis\u00e3o:<\/strong>\u00a0Hein van der Voort.\u00a0<strong class=\"highlight background-2\">Desenho do mapa original<\/strong>: Bruna Keese.\u00a0<strong class=\"highlight background-2\">Desenho nesta reportagem<\/strong>: Caroline Souza.<br \/>\n<strong class=\"highlight background-2\">Agradecimentos:<\/strong>\u00a0Marcos Gurgel, Holly Frampton, Majo\u00ed Gongora, Bruna Keese, Tiago Moreira, Denny Moore, Gustavo Godoy, Bruna Franchetto, Hein van der Voort, Kristina Balykova, Januacele Francisca da Costa, Elissandra Barros, Gasod\u00e1 Suru\u00ed, Julien Meyer, Joana Autuori, Andr\u00e9s Pablo Salanova, Fernando Orph\u00e3o de Carvalho, Edilson Melgueiro Baniwa, Francy Fontes Baniwa, Janina dos Santos, Maria do Carmo Martins, Esmeralda Maria Piloto, Keila Felicio Iaparr\u00e1, Kilia Sanum\u00e1, Kalepi Amarildo Sanum\u00e1, Djik Fulni-\u00f4, F\u00e1bia Fulni-\u00f4, \u00c9xetina Aristides Terena, Aronaldo J\u00falio, todas as mulheres e homens ind\u00edgenas que cederam seus v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Fonte: BBC News Brasil<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O territ\u00f3rio brasileiro abriga hoje apenas 20% das estimadas 1.175 l\u00ednguas que tinha em 1500, quando chegaram os europeus. E, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses da regi\u00e3o, como Peru, Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Paraguai e at\u00e9 Argentina, o Brasil n\u00e3o reconhece como oficiais nenhuma de suas l\u00ednguas&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9138,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1615,23,1614,2],"tags":[1805],"class_list":["post-9137","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-andrea-sarmento","category-area-5-col2","category-indigenas","category-slideshow","tag-diversidade-linguistica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9137"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9139,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9137\/revisions\/9139"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}