{"id":9168,"date":"2024-01-25T21:34:49","date_gmt":"2024-01-26T00:34:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=9168"},"modified":"2024-01-25T21:34:49","modified_gmt":"2024-01-26T00:34:49","slug":"estradas-na-amazonia-sao-tapete-vermelho-para-desmatadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/estradas-na-amazonia-sao-tapete-vermelho-para-desmatadores\/","title":{"rendered":"Estradas na Amaz\u00f4nia s\u00e3o tapete vermelho para desmatadores"},"content":{"rendered":"<p>BR-319 trar\u00e1 mesmo rastro de destrui\u00e7\u00e3o de outras rodovias asfaltadas se for feita como deputados querem, sem licenciamento ambiental rigoroso<\/p>\n<div>\n<p>Em 19 de dezembro no apagar das luzes do ano legislativo, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou o projeto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2395883\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">lei 4.994\/23<\/a>\u00a0que classifica a BR-319 (Manaus-Porto Velho) como \u201cinfraestrutura cr\u00edtica e indispens\u00e1vel \u00e0 seguran\u00e7a nacional\u201d. O PL prev\u00ea a elimina\u00e7\u00e3o de etapas do licenciamento ambiental e at\u00e9 mesmo o uso de recursos do Fundo Amaz\u00f4nia para asfaltar 405,7 km dos 885 km da via.<\/p>\n<p>A proposta, que ainda ser\u00e1 votada pelo Senado, ignora que um licenciamento fr\u00e1gil contribui para a destrui\u00e7\u00e3o da floresta. O entorno da BR-319, inclusive, j\u00e1 est\u00e1 sendo devastado. Reportagem publicada pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2023\/10\/10\/ramais-ligados-a-br-319-levam-fogo-a-areas-protegidas-no-amazonas-estado-tem-recorde-de-queimadas-em-setembro\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">InfoAmazonia<\/a>\u00a0mostra que, em quatro ramifica\u00e7\u00f5es de estradas ligadas \u00e0 BR-319, os ramais AM-254, AM-354, AM-364 e AM-366, houve aumento de focos de inc\u00eandio. De janeiro a 26 de setembro foram registrados 1.753 focos, contra 805 no mesmo per\u00edodo em 2022. Em fevereiro do ano passado, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/desmatamento-na-br-319-cresce-122-apos-anuncio-de-asfalto\/\" data-wpel-link=\"internal\">Observat\u00f3rio do Clima<\/a>\u00a0havia mostrado que o desmatamento no entorno da BR-319 havia crescido 122% entre 2020 e 2022. O pico coincidiu com o an\u00fancio da gest\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a pavimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que tem ocorrido na BR-319 \u00e9 parte de algo que at\u00e9 hoje \u00e9 virtualmente uma lei matem\u00e1tica na Amaz\u00f4nia: estrada asfaltada = grilagem, madeira ilegal, fogo e viol\u00eancia. Foi assim com todas as grandes rodovias pavimentadas na regi\u00e3o; ao ligar A e B, elas facilitaram a penetra\u00e7\u00e3o de todo tipo de especulador e criminoso na floresta e causaram a explos\u00e3o no desmatamento do bioma a partir dos anos 1970.<\/p>\n<p>O governo s\u00f3 tentaria intervir nessa realidade em 2003, quando se buscou vincular a pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-163 (Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m) a um rigoroso processo de licenciamento ambiental, que incluiu a interdi\u00e7\u00e3o de 8 milh\u00f5es de hectares em volta da estrada em 2005 para criar unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Os resultados foram agridoces: embora a devasta\u00e7\u00e3o tenha ca\u00eddo num primeiro momento, algumas \u00e1reas protegidas no entorno da 163 v\u00eam sendo invadidas e desmatadas, e a viol\u00eancia fundi\u00e1ria grassa na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia acumulada na 163 e a trag\u00e9dia das outras rodovias fez o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente subir a barra das exig\u00eancias para licenciar a 319. Contra isso se insurgiram o governo Bolsonaro, cujo ministro da Infraestrutura, Tarc\u00edsio Freitas (atual governador de S\u00e3o Paulo) obteve uma licen\u00e7a pr\u00e9via de legalidade questionada para o principal trecho da obra, e a bancada do Amazonas na C\u00e2mara dos Deputados, que ora busca legalizar as ilegalidades do licenciamento por meio do PL 4.994.<\/p>\n<p>Um estudo do pesquisador da UFMG Raoni Raj\u00e3o, hoje diretor de Controle do Desmatamento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, mostrou que a pavimenta\u00e7\u00e3o da 319 poderia\u00a0<a href=\"https:\/\/fakebook.eco.br\/quatro-razoes-pelas-quais-a-br-319-vai-acelerar-o-desmatamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">quadruplicar a devasta\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050 nos 12 munic\u00edpios do seu entorno<\/a>.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a abaixo outras estradas na Amaz\u00f4nia que causaram desastres socioambientais:<\/p>\n<h4><b>BR-010 (Bel\u00e9m-Bras\u00edlia)<\/b><\/h4>\n<p>Projeto de Juscelino Kubitschek, a BR-010 foi a primeira liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria da Amaz\u00f4nia com o restante do Brasil, e abriu a fronteira agropecu\u00e1ria na regi\u00e3o. A ocupa\u00e7\u00e3o do seu entorno, com explora\u00e7\u00e3o de madeira, carv\u00e3o e grilagem de terras, arrasou as florestas do leste do Par\u00e1 e do sudoeste do Maranh\u00e3o, gerou conflitos fundi\u00e1rios e produziu o flanco leste do Arco do Desmatamento, regi\u00e3o que concentra 75% da devasta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. Uma das cidades ic\u00f4nicas da rodovia, Paragominas, chegou a ser o maior polo madeireiro e carvoeiro da Am\u00e9rica Latina nos anos 1990, era conhecida pelo apelido de \u201cParagobala\u201d.<\/p>\n<h4><b>BR-230 (Transamaz\u00f4nica)<\/b><\/h4>\n<div id=\"attachment_15010\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15010\" src=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Transamazonia.png\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Transamazonia.png 853w, https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Transamazonia-300x249.png 300w, https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Transamazonia-768x637.png 768w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"663\" aria-describedby=\"caption-attachment-15010\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-15010\" class=\"wp-caption-text\">Desmatamento na Tranasmaz\u00f4nica em 1985 e em 2022 (Imagem: MapBiomas)<\/p>\n<\/div>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/transamaz%C3%B4nica-50-anos-entre-o-ufanismo-e-o-desastre-ambiental\/a-63242643\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Transamaz\u00f4nica<\/a>\u00a0foi planejada e entregue por Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici dentro do Plano de Integra\u00e7\u00e3o Nacional (PIN). Inaugurada em 1972, a via de 4,9 mil quil\u00f4metros segue da Para\u00edba at\u00e9 Humait\u00e1, no Amazonas, onde desaparece na selva.<\/p>\n<p>A Transamaz\u00f4nica foi um dos maiores desastres socioambientais do Brasil, iniciando o ciclo de desmatamento explosivo que perdurou at\u00e9 2005. O modelo de assentamento criado pela ditadura para espalhar colonos nordestinos ao longo da estrada, com ramais abertos a cada 3 quil\u00f4metros, deu origem ao padr\u00e3o de desmatamento conhecido como \u201cespinha de peixe\u201d, facilmente vis\u00edvel nas imagens de sat\u00e9lite. A rodovia causou massacres de ind\u00edgenas, esgotamento de florestas e viol\u00eancia no campo. O assassinato da freira Dorothy Stang, em 2005 em Anapu, cidade \u00e0 beira da rodovia, \u00e9 resultado direto dos problemas fundi\u00e1rios decorrentes da coloniza\u00e7\u00e3o, que permanecem at\u00e9 hoje.<\/p>\n<h4><b>BR-364 (Cuiab\u00e1-Porto Velho-Rio Branco)<\/b><\/h4>\n<div id=\"attachment_15011\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15011\" src=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/rondonha-832x1024.png\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/rondonha-832x1024.png 832w, https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/rondonha-244x300.png 244w, https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/rondonha-768x946.png 768w, https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/rondonha.png 856w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"985\" aria-describedby=\"caption-attachment-15011\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-15011\" class=\"wp-caption-text\">Desmatamento em Rond\u00f4nia, no eixo da BR-364, em 1985 e 2022 (Imagem: MapBiomas)<\/p>\n<\/div>\n<p>A BR-364 tamb\u00e9m \u00e9 obra de JK e abriu o flanco oeste do Arco do Desmatamento. Em 1982, reta final da ditadura militar, a rodovia foi pavimentada gra\u00e7as a recursos financeiros do Banco Mundial, gerando o per\u00edodo conhecido como a D\u00e9cada da Destrui\u00e7\u00e3o em Rond\u00f4nia \u2013 talvez o maior desmatamento num per\u00edodo curto j\u00e1 visto em todo o mundo tropical. Conforme lembra Philip Fearnside no\u00a0<a href=\"https:\/\/repositorio.inpa.gov.br\/handle\/1\/38899\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">artigo<\/a>\u00a0\u201cDestrui\u00e7\u00e3o e Conserva\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica\u201d, o asfaltamento do trecho em Rond\u00f4nia deveria ter ocorrido em paralelo com medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, como demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas e cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas protegidas, mas as a\u00e7\u00f5es foram ignoradas. Em meados dos anos 1980, o governo contraiu um outro empr\u00e9stimo internacional para estender o asfalto at\u00e9 o Acre, enfrentando resist\u00eancia dos seringueiros liderados por Chico Mendes.<\/p>\n<h4><b>BR-163 (Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m)<\/b><\/h4>\n<div id=\"attachment_15012\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15012\" src=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/163.png\" sizes=\"auto, (max-width: 744px) 100vw, 744px\" srcset=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/163.png 744w, https:\/\/www.oc.eco.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/163-273x300.png 273w\" alt=\"\" width=\"744\" height=\"818\" aria-describedby=\"caption-attachment-15012\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-15012\" class=\"wp-caption-text\">Desmatamento no entorno da BR-163 em 1985, antes do asfalto, e em 2022 (Imagem: MapBiomas)<\/p>\n<\/div>\n<p>A BR-163 tamb\u00e9m \u00e9 obra da ditadura militar. Integrante do PIN, de Em\u00edlio M\u00e9dici,\u00a0 foi inaugurada em 1976, durante o mandato de Ernesto Geisel. Os projetos de pavimenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 em governos democr\u00e1ticos prometiam sustentabilidade, o que n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/bibliotecadigital.economia.gov.br\/handle\/123456789\/530\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">Avan\u00e7a Brasil<\/a>\u00a0(2000 \u2013 2003), lan\u00e7ado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que comandou o pa\u00eds de 1995 a 2002, enfatizava que a obra teria impacto ambiental m\u00ednimo, mas somente o an\u00fancio da pavimenta\u00e7\u00e3o fez o desmatamento subir 500% no entorno. Na primeira gest\u00e3o de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), iniciada em 2003, a BR-163 tamb\u00e9m aparecia em um\u00a0<a href=\"https:\/\/catalogo.ipea.gov.br\/uploads\/7_2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">plano de desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/a>, que n\u00e3o se sustentou.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/informe-se\/amazonia\/biodiversidade\/amazonia-e-sua-biodiversidade-sofrem-com-a-falta-de-protecao-de-florestas-publicas-no-para\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">estudo de caso<\/a>\u00a0produzido pelo Greenpeace e publicado em 2020 ressalta que o plano \u201cBR-163 Sustent\u00e1vel\u201d n\u00e3o foi eficaz devido \u00e0 baixa aplica\u00e7\u00e3o de recursos no projeto, fiscaliza\u00e7\u00e3o insuficiente e falta de implementa\u00e7\u00e3o adequada das \u00e1reas criadas para prote\u00e7\u00e3o, o que contribuiu para o avan\u00e7o da agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em 2008, um\u00a0<a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/20325-br-163-longe-de-ser-sustentavel\/\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">levantamento<\/a>\u00a0de dados do INPE feito pelo site\u00a0<i>O Eco\u00a0<\/i>mostrava que as \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o criadas em volta da BR-163 estavam no topo entre aquelas com o maior n\u00famero de focos de inc\u00eandio. Em 2012, era\u00a0<a href=\"https:\/\/uc.socioambiental.org\/pt-br\/noticia\/116358\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">noticiado<\/a>\u00a0que o desmatamento disparava no trecho paraense da estrada mesmo em um momento que as taxas ca\u00edam no restante do estado.<\/p>\n<p>J\u00e1 um\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/meio-ambiente\/desmatamento-aumenta-359-em-um-ano-ao-redor-derodovia-que-leva-commodities-para-portos-no-para-25081225\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">relat\u00f3rio<\/a>\u00a0do Greenpeace e da Rede Xingu+, grupo que re\u00fane comunidades tradicionais e institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil, mostrou que o desmatamento no entorno da rodovia aumentou 359% entre janeiro e abril de 2021 em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<h4><b>BR-174 (Manaus-Boa Vista)<\/b><\/h4>\n<p>Constru\u00edda entre 1967 e 1977, a BR-174 foi \u00fatil para que os\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dhnet.org.br\/verdade\/resistencia\/a_pdf\/r_cv_am_waimiri_atroari.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">militares massacrassem<\/a>\u00a0o povo \u00edndigena Waimiri-Atroari. As popula\u00e7\u00f5es eram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mpf.mp.br\/am\/sala-de-imprensa\/noticias-am\/pela-primeira-vez-indigenas-waimiri-atroari-relatam-a-justica-ataques-sofridos-durante-a-abertura-da-br-174\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">atacadas<\/a>\u00a0a tiros e facadas, degoladas e envenenadas por subst\u00e2ncias jogadas a partir de aeronaves. Estima-se que o n\u00famero de habitantes Waimiri-Atroari era de 3.000 em 1968. Por volta de 1974, a popula\u00e7\u00e3o havia diminu\u00eddo para menos de 1.000 pessoas, sem casos de epidemias. Em 1983, existiam apenas 332 ind\u00edgenas na regi\u00e3o, sendo 216 pessoas com menos de 20 anos de idade e crian\u00e7as. Ao menos 10 aldeias desapareceram.<\/p>\n<p>A rodovia tamb\u00e9m facilitou a minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Ainda durante a constru\u00e7\u00e3o da via, empresas mineradoras conseguiram autoriza\u00e7\u00e3o para explorar as terras dos Waimiri-Atroari. Al\u00e9m disso, ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o houve a invas\u00e3o de uma mineradora que foi legitimada por \u00f3rg\u00e3os do governo. A grilagem de terras foi outro problema gerado pela obra da ditadura. Na d\u00e9cada de 1970, homens da elite de S\u00e3o Paulo invadiram terras, algumas ainda ocupadas por ind\u00edgenas, com o suporte do governo do Amazonas.<\/p>\n<p>Por fim, a BR-174 \u00e9 apontada como um estopim para o\u00a0<a href=\"https:\/\/repositorio.inpa.gov.br\/handle\/1\/13081\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"external\">desmatamento em Roraima<\/a>. O impulso come\u00e7ou pela ocupa\u00e7\u00e3o para plantar bananas e seguiu com explora\u00e7\u00e3o desordenada de madeira.<\/p>\n<p>Fonte: Observat\u00f3rio do Clima &#8211; Por <b>Priscila Pacheco<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"press-info col-md-6\"><\/div>\n<div class=\"relateds\"><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BR-319 trar\u00e1 mesmo rastro de destrui\u00e7\u00e3o de outras rodovias asfaltadas se for feita como deputados querem, sem licenciamento ambiental rigoroso Em 19 de dezembro no apagar das luzes do ano legislativo, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou o projeto de\u00a0lei 4.994\/23\u00a0que classifica a BR-319 (Manaus-Porto Velho)&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9169,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,20,35,32,2],"tags":[1814],"class_list":["post-9168","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonas","category-area-3","category-meio-ambiente","category-rondonia","category-slideshow","tag-aumento-de-focos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9168"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9170,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9168\/revisions\/9170"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}