{"id":9284,"date":"2024-05-07T10:53:12","date_gmt":"2024-05-07T13:53:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=9284"},"modified":"2024-05-14T11:03:40","modified_gmt":"2024-05-14T14:03:40","slug":"racionamento-e-fumaca-marcaram-estacao-seca-no-medio-e-alto-rio-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/racionamento-e-fumaca-marcaram-estacao-seca-no-medio-e-alto-rio-negro\/","title":{"rendered":"Racionamento e fuma\u00e7a marcaram esta\u00e7\u00e3o seca no M\u00e9dio e Alto Rio Negro"},"content":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas da regi\u00e3o relataram que os cantos das r\u00e3s anunciaram as cheias, mas as chuvas demoraram<\/p>\n<p>Entre o final de fevereiro e come\u00e7o de mar\u00e7o, na regi\u00e3o do Rio Tiqui\u00e9, Alto Rio Negro (AM), os cantos das r\u00e3s t\u00eam in\u00edcio, anunciando as cheias. Este ano, nessa \u00e9poca, as r\u00e3s j\u00e1 estavam cantando na comunidade de S\u00e3o Pedro, mas as chuvas atrasaram.<\/p>\n<p>\u201cAs r\u00e3s cantam na \u00e9poca logo antes da cheia. Agora, embora as r\u00e3s estejam cantando, o rio n\u00e3o est\u00e1 subindo, pelo contr\u00e1rio, est\u00e1 secando\u201d, relatou Roberval Sambrano Pedrosa, do povo Tukano, Agente Ind\u00edgena de Manejo Ambiental (AIMA).<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-05\/Roberval%20Sambrano%2C%20povo%20Tukano%2C%20traz%20observa%C3%A7%C3%B5es%20sobre%20o%20canto%20das%20r%C3%A3s%20e%20a%20chegada%20das%20chuvas%20-%20Danilo%20Parra_ISA%20-%20Fevereiro%20de%202024.jpg?itok=DZ1yeMqU\" alt=\"Roberval Sambrano, povo Tukano, traz observa\u00e7\u00f5es sobre o canto das r\u00e3s e a chegada das chuvas|Danilo Parra\/ISA\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Roberval Sambrano, povo Tukano, traz observa\u00e7\u00f5es sobre o canto das r\u00e3s e a chegada das chuvas<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Danilo Parra\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/foirn.org.br\/monitoriamento-ambiental-e-climatico-da-bacia-do-rio-negro\/\">Saiba quem s\u00e3o os AIMAs<\/a><\/p>\n<p>Essas observa\u00e7\u00f5es coincidem com as indica\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os oficiais. No ano em que o Amazonas apresentou seca recorde, a estiagem no M\u00e9dio e Alto Rio Negro foi prolongada, com o per\u00edodo de m\u00ednima registrado antes do esperado, altas temperaturas, sensa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua fervente, racionamentos de energia e alimentos e, ainda, o impacto de fuma\u00e7a de inc\u00eandios ocorridos em outros pontos da Amaz\u00f4nia, principalmente Roraima.<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o, a esta\u00e7\u00e3o seca vai de agosto a mar\u00e7o, sendo que historicamente aumenta em janeiro e fevereiro &#8211; em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, o recorde foi atingido em fevereiro de 1992, quando o Rio Negro chegou a 330 cm.<\/p>\n<p>Na esta\u00e7\u00e3o seca entre 2023 e 2024, a situa\u00e7\u00e3o foi diferente.\u00a0 A m\u00ednima aconteceu em 9 de novembro, com o rio atingindo 492 cm. Em seguida, no final de 2023, foi registrado o chamado repiquete \u2013 o rio sobe para em seguida voltar a descer.<\/p>\n<p>Mas, em mar\u00e7o deste ano, a situa\u00e7\u00e3o da seca se acentuou novamente, com o rio atingindo 533 cm no dia 1\u00ba de mar\u00e7o. Esse n\u00edvel est\u00e1 abaixo do ano da seca recorde: em mar\u00e7o de 1992, o rio estava em 573 cm.<\/p>\n<p>Conforme informa\u00e7\u00f5es do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil &#8211; Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB-CPRM), entre agosto de 2023 e fevereiro de 2024, houve um d\u00e9ficit de 30% nas chuvas na bacia do Rio Negro e Solim\u00f5es. A m\u00e9dia \u00e9 de 1.290mm, mas choveu 925mm, refletindo no n\u00edvel dos rios.<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9 o El Ni\u00f1o e o aquecimento das \u00e1guas do Oceano Atl\u00e2ntico, alongando a seca e propiciando inc\u00eandios em algumas regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia. Em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, n\u00e3o foram registrados inc\u00eandios. Mas a fuma\u00e7a chegou at\u00e9 o Alto Rio Negro, mesmo essa sendo uma das regi\u00f5es mais preservadas das Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-05\/Fuma%C3%A7a%20de%20inc%C3%AAndios%20em%20outros%20pontos%20da%20Amaz%C3%B4nia%20atingiram%20S%C3%A3o%20Gabriel%20da%20Cachoeira%20-%20Ana%20Am%C3%A9lia%20Hamdan_22-2-2024.JPG?itok=SabxJRVX\" alt=\"Fuma\u00e7a de inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia atingiram S\u00e3o Gabriel da Cachoeira|Ana Am\u00e9lia Hamdan\/ISA\" width=\"1200\" height=\"675\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Fuma\u00e7a de inc\u00eandios em outros locais da Amaz\u00f4nia atingiram S\u00e3o Gabriel da Cachoeira<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Ana Am\u00e9lia Hamdan\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ane Alencar, ge\u00f3grafa e diretora de Ci\u00eancia do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), afirmou que o impacto do in\u00edcio de per\u00edodo chuvoso na regi\u00e3o ainda n\u00e3o foi suficiente para recuperar a vaz\u00e3o do rio.<\/p>\n<p>\u201cO El Ni\u00f1o normalmente causa seca na Amaz\u00f4nia e, dependendo da sua intensidade, vai causar mais seca. O que houve em 2023 \u00e9 um El Ni\u00f1o forte e, ainda, o aquecimento desproporcional das \u00e1guas do Atl\u00e2ntico, tirando umidade do sistema. Esses dois efeitos por algum motivo se juntaram e se potencializaram e geraram essa seca desproporcional que afetou principalmente o Norte do Amazonas, que pega a regi\u00e3o conhecida como Cabe\u00e7a do Cachorro, Roraima, Norte do Par\u00e1. A regi\u00e3o continental da Amaz\u00f4nia\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o do munic\u00edpio de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira \u00e9 conhecida como Cabe\u00e7a do Cachorro devido a seu contorno no mapa.<\/p>\n<p>Conforme apontou a pesquisadora, nessa \u00e1rea a seca se estendeu tanto no in\u00edcio quanto no fim, gerando anomalias no calend\u00e1rio tradicional e impactando o dia a dia das comunidades.<\/p>\n<p>O n\u00edvel dos impactos ainda est\u00e1 sendo analisado. \u201cOs impactos podem ser mais preocupantes, visto que o ecossistema como um todo, plantas e animais, n\u00e3o est\u00e3o acostumados a esse tipo de estresse. O impacto ecol\u00f3gico acaba interferindo tamb\u00e9m nas comunidades e seus calend\u00e1rios, inclusive para a seguran\u00e7a alimentar dos povos da Amaz\u00f4nia\u201d, analisou.<\/p>\n<h5>Relatos dos povos do Rio Negro<\/h5>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-left\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-05\/Dami%C3%A3o%20Barbosa%2C%20povo%20Yepamas%C3%A3%2C%20relata%20que%20o%20rio%20encheu%20menos%20que%20o%20esperado%20na%20regi%C3%A3o%20do%20rio%20Tiqui%C3%A9%20-%20Danilo%20Parra_ISA%20-%20Fevereiro%20de%202024.jpg?itok=ExZ4GnE7\" alt=\"Dami\u00e3o Barbosa, povo Yepamas\u00e3, relata que o rio encheu menos que o esperado na regi\u00e3o do rio Tiqui\u00e9 - Danilo Parra_ISA \" width=\"400\" height=\"600\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Dami\u00e3o Barbosa, povo Yepamas\u00e3, relata que o rio encheu menos que o esperado<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Danilo Parra\/ISA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essas altera\u00e7\u00f5es no calend\u00e1rio tradicional v\u00eam sendo observadas pelos AIMAs. Dami\u00e3o Barbosa, do povo Yebamas\u00e3, tamb\u00e9m integra a Rede de AIMAs e compartilha algumas das suas observa\u00e7\u00f5es feitas na regi\u00e3o do Rio Tiqui\u00e9, onde ele mora, na comunidade de S\u00e3o Filipe.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 no Igarap\u00e9 Castanho, o ver\u00e3o passado foi muito forte, come\u00e7ou perto de agosto. Nessa \u00e9poca (mar\u00e7o de 2024) seria tempo de piracema, mas est\u00e1 um pouco atrasada. As r\u00e3s j\u00e1 cantaram, mas a piracema ainda n\u00e3o veio. As r\u00e3s cantaram em janeiro e fevereiro e nessas \u00e9pocas os rios e lagos encheram, mas pouco em compara\u00e7\u00e3o com os outros anos. Al\u00e9m das r\u00e3s, tem esse sapo, o tuhu\u00e3, que cantou muito, ele canta nessa \u00e9poca de umari. N\u00f3s estamos esperando uma grande piracema (o som desses animais indica a \u00e9poca de subida do rio, que \u00e9 quando ocorrem os eventos de reprodu\u00e7\u00e3o dos peixes) porque as f\u00eameas de alguns peixes j\u00e1 est\u00e3o com muitas ovas, como o aracu tr\u00eas pintas, o pacu, a tra\u00edra, e o jandi\u00e1, todos eles est\u00e3o s\u00f3 esperando o rio encher para come\u00e7ar a reproduzir. Tamb\u00e9m a constela\u00e7\u00e3o que est\u00e1 caindo agora \u00e9 Bigode de On\u00e7a (Yai Uhsekopuari, em Tukano) que \u00e9 quando ocorre a maior enchente\u201d, disse.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Astronomia_tukano\">Saiba mais sobre a astronomia Tukano<\/a><\/p>\n<p>O comunicador Jo\u00e3o Alex Lins, do povo Yanomami e integrante da\u00a0<a href=\"https:\/\/foirn.org.br\/rede-de-comunicadores-indigenas-do-rio-negro\/\">Rede Wayuri de Comunicadores Ind\u00edgenas<\/a>, informou que na comunidade Maturac\u00e1, na por\u00e7\u00e3o do Amazonas da Terra Ind\u00edgena Yanomami, a seca do Rio Cauaburis foi alarmante.<\/p>\n<p>\u201cEssa [seca] que a gente vivenciou, os fatos narrados pelos mais velhos, \u00e9 que a seca sempre existiu, mas n\u00e3o como essa que a gente presenciou. Os rios ficaram muito secos, o calor do sol ficou assustador e irritante. Percebemos essas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em todas as regi\u00f5es do planeta. Se percebe e \u00e9 preocupante. \u00c9 atingido por dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o, a gente depende muito das viagens fluviais\u201d, contou.<\/p>\n<p>Apesar dessa situa\u00e7\u00e3o, ele avalia, a floresta pode ter evitado uma situa\u00e7\u00e3o mais dr\u00e1stica: \u201cquanto mais floresta, mais capacidade de gerar chuva e mais capacidade da \u00e1gua ficar no sistema quando chove, porque a \u00e1gua n\u00e3o vai evaporar ou lixiviar muito r\u00e1pido. Ent\u00e3o, sim, a floresta \u00e9 muito importante para aumentar a capacidade de resistir \u00e0 seca\u201d.<\/p>\n<p>A seca hist\u00f3rica de 2023 no Amazonas afetou todas as 62 cidades do Amazonas e, segundo a Defesa Civil do Estado, atingiu diretamente a mais de 600 mil pessoas.<\/p>\n<p>Em Manaus, o Rio Negro atingiu a marca de 135,9 cm, a menor desde 1902, quando come\u00e7ou a medi\u00e7\u00e3o no porto da capital. Na capital, o chamado ver\u00e3o amaz\u00f4nico (quando chove menos) vai de junho a outubro.<\/p>\n<h5>Impactos nos territ\u00f3rios<\/h5>\n<p>No Alto Rio Negro, houve diversos impactos da estiagem severa. As balsas que transportam combust\u00edvel que abastece os postos e a termel\u00e9trica de S\u00e3o Gabriel, assim como alimentos, n\u00e3o conseguiram subir o rio, levando a um quadro de desabastecimento.<\/p>\n<p>Em 18 de outubro do ano passado, autoridades se reuniram no F\u00f3rum local para discutir a quest\u00e3o. No dia seguinte, moradores organizaram um protesto em frente a essa institui\u00e7\u00e3o, cobrando provid\u00eancias.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, foi informado que a cidade teria combust\u00edvel somente por mais quatro dias, havendo risco de apag\u00e3o. Para que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficasse totalmente sem fornecimento de energia, foi estabelecido racionamento de at\u00e9 18 horas ao dia entre 19 e 23 de outubro, levando a uma s\u00e9rie de transtornos e impactos at\u00e9 nos servi\u00e7os essenciais, como atendimento nos centros de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em novembro, a comunicadora ind\u00edgena Juliana Albuquerque, do povo Bar\u00e9, da Rede Wayuri, fez uma foto denunciando o lixo \u00e0s margens do Rio Negro, em um dos principais portos da cidade. A foto viralizou na cidade e levou \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o Dia D \u2013 o Rio Negro n\u00e3o \u00e9 lugar de lixo, que coletou cerca de 10 T de lixo. A mobiliza\u00e7\u00e3o foi finalista no Pr\u00eamio Megafone de Ativismo.<\/p>\n<figure class=\"caption caption-drupal-media align-center\" role=\"group\">\n<article class=\"media media--type-image media--view-mode-default\">\n<div class=\"field field--name-field-media-image field--type-image field--label-visually_hidden\">\n<div class=\"field__label visually-hidden\">Imagem<\/div>\n<div class=\"field__item\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-style-large\" src=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/sites\/default\/files\/styles\/large\/public\/2024-05\/Sujeira%20exposta%20em%20um%20dos%20principais%20portos%20de%20S%C3%A3o%20Gabriel_%20seca%20traz%20riscos%20%C3%A0%20sa%C3%BAde%20e%20ao%20ambiente%20-%20Juliana%20Albuquerque%2C%20povo%20Bar%C3%A9_Rede%20Wayuri%20-%208-10-23.JPG?itok=IXf4uiYE\" alt=\"lixo em S\u00e3o Gabriel da Cachoeira \" width=\"1200\" height=\"554\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/article><figcaption data-once=\"CameraOnSubtitles\">Sujeira exposta em um dos principais portos de S\u00e3o Gabriel. Seca severa trouxe riscos \u00e0 sa\u00fade e ao ambiente<span class=\"camera\">\u00a0\ud83d\udcf7\u00a0<\/span>Juliana Albuquerque, povo Bar\u00e9\/Rede Wayuri<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, durante todo esse per\u00edodo, ocorreram problemas como o racionamento de energia e \u00e1gua, dificuldade de acesso \u00e0 \u00e1gua nas comunidades ind\u00edgenas, sensa\u00e7\u00e3o de \u00e1gua fervente no rio, morte de peixes principalmente nos lagos, falta de produtos aliment\u00edcios nos supermercados, alta de pre\u00e7os, suspens\u00e3o de aulas.<\/p>\n<p>O transporte de passageiros nos barcos recreio &#8211; embarca\u00e7\u00f5es maiores, com espa\u00e7o para pendurar redes &#8211; foram suspensos em alguns per\u00edodos, ficando dispon\u00edvel apenas a lancha r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, o rio ficou abaixo da m\u00ednima hist\u00f3rica, indicando uma maior lentid\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o. O transporte de passageiros foi novamente suspenso. A termel\u00e9trica j\u00e1 havia se organizado com o estoque de combust\u00edvel, n\u00e3o havendo falta de energia. Entretanto, os moradores conviveram com falta do fornecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de abril, as chuvas come\u00e7aram na regi\u00e3o, mas continuam abaixo da m\u00e9dia. Em S\u00e3o Gabriel, o servi\u00e7o das balsas ainda n\u00e3o havia se normalizado totalmente, conforme informa\u00e7\u00f5es de comerciantes da cidade.<\/p>\n<h5>Previs\u00f5es<\/h5>\n<p>Em 2024, os rios do Amazonas devem ter cheia menos intensa, conforme o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (SGB), cen\u00e1rio resultante da seca severa de 2023 e de chuvas abaixo da m\u00e9dia, o que dificulta a recupera\u00e7\u00e3o dos rios. As previs\u00f5es contemplam os munic\u00edpios de Manaus, Manacapuru, Itacoatiara e Parintins.<\/p>\n<p>No noroeste do Amazonas, onde est\u00e1 S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, as proje\u00e7\u00f5es indicam chuvas acima da m\u00e9dia.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o divulgou o Alerta de Cheias do Amazonas em 2 de abril. \u201cPodemos destacar, por meio dos modelos de previs\u00e3o, que a cheia de 2024 no Amazonas n\u00e3o ser\u00e1 de grande magnitude\u201d, informou a pesquisadora em geoci\u00eancias do SGB, Jussara Cury.<\/p>\n<p>Segundo as previs\u00f5es (com 80% de intervalo de confian\u00e7a), o Rio Negro deve atingir 27,21 m em Manaus, com possibilidade de chegar \u00e0 m\u00e1xima de 28,01 m.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es climatol\u00f3gicas, divulgadas pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia (Censipam), indicam que as chuvas na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica podem retornar \u00e0 normalidade com o fim do El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>Fonte: ISA &#8211; Por Ana Am\u00e9lia Hamdan e Danilo Parra<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ind\u00edgenas da regi\u00e3o relataram que os cantos das r\u00e3s anunciaram as cheias, mas as chuvas demoraram Entre o final de fevereiro e come\u00e7o de mar\u00e7o, na regi\u00e3o do Rio Tiqui\u00e9, Alto Rio Negro (AM), os cantos das r\u00e3s t\u00eam in\u00edcio, anunciando as cheias. Este ano,&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9285,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,19,1614,35,31,33],"tags":[1836],"class_list":["post-9284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonas","category-area-2","category-indigenas","category-meio-ambiente","category-para","category-roraima","tag-estiagem-prolongada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9284"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9286,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9284\/revisions\/9286"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}