{"id":9309,"date":"2024-05-20T19:44:45","date_gmt":"2024-05-20T22:44:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=9309"},"modified":"2024-05-20T19:44:45","modified_gmt":"2024-05-20T22:44:45","slug":"mais-de-98-dos-territorios-quilombolas-no-brasil-estao-ameacados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/mais-de-98-dos-territorios-quilombolas-no-brasil-estao-ameacados\/","title":{"rendered":"Mais de 98% dos territ\u00f3rios quilombolas no Brasil est\u00e3o amea\u00e7ados"},"content":{"rendered":"<p>Estudo do ISA em parceria com a Conaq traz diagn\u00f3stico in\u00e9dito sobre o impacto de obras de infraestrutura, requerimentos miner\u00e1rios e sobreposi\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis rurais nos territ\u00f3rios quilombolas<\/p>\n<p>Os Territ\u00f3rios Quilombolas est\u00e3o entre as \u00e1reas mais conservadas no Brasil e s\u00e3o\u00a0 fundamentais no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. No entanto,\u00a0<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/pressoes-ambientais-nos-territorios-quilombolas-no-brasil\">levantamento in\u00e9dito<\/a>\u00a0do Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) aponta que 98,2% deles est\u00e3o amea\u00e7ados por obras de infraestrutura, requerimentos miner\u00e1rios e por sobreposi\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis particulares.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs resultados mostram que praticamente todos os quilombos no Brasil est\u00e3o impactados por algum vetor de press\u00e3o, evidenciando a viola\u00e7\u00e3o dos direitos territoriais das comunidades quilombolas\u201d, avalia Antonio Oviedo, pesquisador do ISA. \u201c\u00c9 urgente o cancelamento de cadastros de im\u00f3veis rurais e de requerimentos miner\u00e1rios que incidem sobre os quilombos, bem como consulta pr\u00e9via da comunidade sobre qualquer obra de infraestrutura ou projeto que possa degradar o territ\u00f3rio ou comprometer os modos de vida dos moradores\u201d, enfatiza.<\/p><\/blockquote>\n<p>O estudo traz um diagn\u00f3stico sobre o impacto potencial dos tr\u00eas vetores de press\u00e3o com base nas sobreposi\u00e7\u00f5es \u00e0s \u00e1reas tradicionais.\u00a0 Entre os impactos ambientais que afetam os territ\u00f3rios quilombolas est\u00e3o o desmatamento, a degrada\u00e7\u00e3o florestal e os inc\u00eandios, al\u00e9m da\u00a0 perda de biodiversidade e degrada\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos pela explora\u00e7\u00e3o mineral e atividades de agricultura e pecu\u00e1ria no entorno dos territ\u00f3rios &#8211; facilitadas por obras de infraestrutura como a abertura de estradas e rodovias.<\/p>\n<p>\u201cEstudos mostram que obras de infraestrutura e outros projetos agropecu\u00e1rios e de minera\u00e7\u00e3o s\u00e3o planejados, implementados e medidos conforme expectativas setoriais e segundo metas macroecon\u00f4micas, mas desconectados das reais demandas sociais locais\u201d, aponta o estudo. \u201cO resultado tende a viola\u00e7\u00f5es de direitos, perda de oportunidades socioecon\u00f4micas e estrangulamento de modos de vida e usos dos recursos naturais. Tais obras e projetos acabam abrindo caminho para mais degrada\u00e7\u00e3o ambiental e impactos sociais de todo tipo. As rodovias, por exemplo, causam grandes impactos sociais e ambientais, especialmente os projetos que n\u00e3o contemplam medidas de controle do desmatamento\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/pressoes-ambientais-nos-territorios-quilombolas-no-brasil\">Baixe a publica\u00e7\u00e3o AQUI<\/a><\/p>\n<p>O estudo lista ainda os dez territ\u00f3rios mais pressionados pelos tr\u00eas vetores analisados:<\/p>\n<h5>Obras de infraestrutura<\/h5>\n<p>Os territ\u00f3rios quilombolas da regi\u00e3o Centro-Oeste registram mais da metade (57%) de sua \u00e1rea total afetada por obras de infraestrutura, seguida das regi\u00f5es Norte (55%), Nordeste e Sul (34%,) e Sudeste (16%). O quilombo Kalunga do Mimoso, em Tocantins, tem 100% de sua \u00e1rea em sobreposi\u00e7\u00e3o com tr\u00eas empreendimentos planejados, uma rodovia, uma ferrovia e uma hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<h5>Requerimentos miner\u00e1rios<\/h5>\n<p>Um total de 1.385 requerimentos miner\u00e1rios pressionam 781 mil hectares em territ\u00f3rios quilombolas. O Centro-Oeste tamb\u00e9m figura como a regi\u00e3o em que os quilombos est\u00e3o mais pressionados por requerimentos miner\u00e1rios, com 35% da \u00e1rea dos territ\u00f3rios afetados, seguido do Sul (25%), Sudeste (21%), Norte (16%) e Nordeste (14%). O territ\u00f3rio Kalunga, no Goi\u00e1s, \u00e9 o mais pressionado, com 180 requerimentos em sobreposi\u00e7\u00e3o a 66% de sua \u00e1rea.<\/p>\n<h5>Cadastro Ambiental Rural\u00a0 (CAR)<\/h5>\n<p>Mais de 15 mil cadastros de im\u00f3veis rurais foram identificados em sobreposi\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios quilombolas. As regi\u00f5es Sul e Centro-Oeste s\u00e3o as mais impactadas, onde 73% e 71% da \u00e1rea dos territ\u00f3rios quilombolas, respectivamente, encontra-se pressionada por im\u00f3veis rurais privados.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o sudeste tamb\u00e9m apresenta uma alta taxa de sobreposi\u00e7\u00e3o, de 64%, seguida da regi\u00e3o Norte, com 19%. No Par\u00e1 est\u00e1 o territ\u00f3rio com a mais alta taxa: Erepecuru, com 95% de sua \u00e1rea em sobreposi\u00e7\u00e3o a im\u00f3veis rurais.<\/p>\n<p>O Cadastro Ambiental Rural (CAR) \u00e9 um instrumento nacional de registro de im\u00f3veis rurais que tem como finalidade integrar informa\u00e7\u00f5es ambientais de todas as propriedades e posses rurais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A inscri\u00e7\u00e3o ocorre junto aos \u00f3rg\u00e3os estaduais de meio ambiente, que devem prover assist\u00eancia t\u00e9cnica e sistemas eletr\u00f4nicos adequados para o cadastro em tr\u00eas segmentos: im\u00f3veis rurais (CAR-IRU), assentamentos (CAR-AST) e de povos e comunidades tradicionais (CAR-PCT), que \u00e9 a categoria em que se enquadram os quilombos.<\/p>\n<h5>Territ\u00f3rios quilombolas e a conserva\u00e7\u00e3o das florestas<\/h5>\n<p>Os territ\u00f3rios quilombolas ocupam 3,8 milh\u00f5es de hectares, o que corresponde a 0,5% de todo territ\u00f3rio nacional, e exercem um papel altamente positivo na conserva\u00e7\u00e3o ambiental, com mais de 3,4 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<div class=\"node-bg\">\n<div role=\"article\">\n<div class=\"container share-margin\">\n<article class=\"node node--type-article node--promoted node--view-mode-full clearfix\" role=\"article\">\n<div class=\"node__content clearfix\">\n<div class=\"node-content-data\">\n<p>Segundo dados do MapBiomas, em 38 anos os territ\u00f3rios quilombolas perderam apenas 4,7% de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, enquanto nas \u00e1reas privadas a perda foi de 17% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs florestas, a \u00e1gua, os animais e toda forma de vida s\u00e3o cuidados meticulosamente pelos quilombolas, seguindo os ensinamentos ancestrais, pois todas as vidas importam em um quilombo\u201d, explica Francisco Chagas, membro da Conaq.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para as comunidades quilombolas, ilustra Chagas, \u201ctais elementos s\u00e3o essenciais para a subsist\u00eancia e a continuidade da vida no planeta. Os micro-organismos naturais do solo cuidam do que a terra necessita, por isso, evitamos a introdu\u00e7\u00e3o de componentes estranhos ou sint\u00e9ticos nos territ\u00f3rios, como os agrot\u00f3xicos. Como resultado desse compromisso com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, os territ\u00f3rios sob dom\u00ednio quilombola s\u00e3o mantidos em estado de conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>V\u00e1rios estudos t\u00eam mostrado que o reconhecimento do direito a reivindica\u00e7\u00f5es territoriais por parte de comunidades tradicionais \u00e9 uma via promissora para a conserva\u00e7\u00e3o de florestas. No contexto legal e administrativo do Brasil, o direito das comunidades quilombolas permanecerem em seus territ\u00f3rios est\u00e1 previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>Apesar disso, historicamente, os territ\u00f3rios quilombolas t\u00eam enfrentado press\u00f5es internas e externas de m\u00faltiplas amea\u00e7as ambientais, com diferentes n\u00edveis de gravidade, que contribuem para a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e reduzem a integridade ambiental desses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Para Chagas, \u201cAs medidas pensadas para proteger e preservar o meio ambiente devem levar em considera\u00e7\u00e3o a grande popula\u00e7\u00e3o que depende e cuida desses recursos. Segundo o IBGE, vivem em comunidades quilombolas mais de um milh\u00e3o e 300 mil pessoas, ou 0,65% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. \u00c9 essencial consultar estas comunidades para aplicar pol\u00edticas de forma adequada em seus territ\u00f3rios\u201d.<\/p>\n<h5>Problemas com o CAR<\/h5>\n<p>O poder p\u00fablico tem a obriga\u00e7\u00e3o de apoiar a inscri\u00e7\u00e3o das propriedades individuais e dos territ\u00f3rios coletivos na modalidade \u201cpovos e comunidades tradicionais\u201d do CAR. No entanto, essas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam recebido orienta\u00e7\u00f5es incorretas de empresas terceirizadas ou mesmo dos \u00f3rg\u00e3os estaduais, que t\u00eam orientado a inscri\u00e7\u00e3o em categorias distintas: de im\u00f3vel rural ou assentamentos. Ainda, alguns estados n\u00e3o disponibilizam o sistema para inscri\u00e7\u00e3o do CAR de povos e comunidades tradicionais, excluindo as comunidades quilombolas dessa pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental promover um amplo debate nacional envolvendo todos os n\u00edveis de governo e os povos quilombolas para discutir as pr\u00e1ticas de racismo estrutural no Brasil. Os governos precisam reconhecer essa quest\u00e3o e pedir desculpas, pois somente assim ser\u00e1 poss\u00edvel resolver os problemas enfrentados pelas comunidades quilombolas no pa\u00eds\u201d, enfatiza Chagas, da Conaq.<\/p>\n<p>Diante da omiss\u00e3o do Estado, os pr\u00f3prios quilombolas t\u00eam se organizado para remediar a situa\u00e7\u00e3o. No Maranh\u00e3o, desde 2018, o registro do CAR-PCT em territ\u00f3rios quilombolas \u00e9 realizado atrav\u00e9s de articula\u00e7\u00f5es entre Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais, sindicatos rurais e as comunidades quilombolas.<\/p>\n<p>No Par\u00e1, o governo estadual criou a mesa de negocia\u00e7\u00e3o quilombola, institucionalizando um espa\u00e7o de di\u00e1logo no tema. No Tocantins, as pr\u00f3prias lideran\u00e7as quilombolas, com apoio da Coordena\u00e7\u00e3o Estadual Quilombola (COEQTO), t\u00eam realizado trabalhos de sensibiliza\u00e7\u00e3o nas comunidades para a inscri\u00e7\u00e3o no CAR-PCT.<\/p>\n<p>\u201cEm estados que n\u00e3o possuem um m\u00f3dulo de cadastro pr\u00f3prio, \u00e9 importante que utilizem o sistema nacional para que quilombos e outras comunidades tradicionais possam cadastrar seus territ\u00f3rios\u201d, orienta Chagas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>Fonte: ISA &#8211; Por Carolina Fasolo e Ester Cezar<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo do ISA em parceria com a Conaq traz diagn\u00f3stico in\u00e9dito sobre o impacto de obras de infraestrutura, requerimentos miner\u00e1rios e sobreposi\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis rurais nos territ\u00f3rios quilombolas Os Territ\u00f3rios Quilombolas est\u00e3o entre as \u00e1reas mais conservadas no Brasil e s\u00e3o\u00a0 fundamentais no combate \u00e0s&#8230;<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9310,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20,1614,31,2,34],"tags":[1842],"class_list":["post-9309","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-area-3","category-indigenas","category-para","category-slideshow","category-tocantins","tag-comunidades-tradicionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9309"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9311,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9309\/revisions\/9311"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}