{"id":9829,"date":"2025-05-01T14:28:35","date_gmt":"2025-05-01T17:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/?p=9829"},"modified":"2025-05-01T14:28:35","modified_gmt":"2025-05-01T17:28:35","slug":"turismo-de-base-comunitaria-como-ferramenta-de-conservacao-de-oncas-pintadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.portaldaamazonialegal.com.br\/site\/turismo-de-base-comunitaria-como-ferramenta-de-conservacao-de-oncas-pintadas\/","title":{"rendered":"Turismo de base comunit\u00e1ria como ferramenta de conserva\u00e7\u00e3o de on\u00e7as-pintadas"},"content":{"rendered":"<p>Por <strong>Cristiane Prizibisczki*<\/strong><\/p>\n<p>Atividade implicou em aumento da toler\u00e2ncia de comunidade local no Amazonas \u00e0 presen\u00e7a dos felinos. Resultados de pesquisa podem subsidiar planos de conserva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Monteiro-et-al-2024-The-Impact-of-Community-Based-Tourism-on-Human-Jaguar-Interactions-in-Central-Amazonia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudo realizado pelo Grupo de Pesquisa em Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o de Felinos na Amaz\u00f4nia, do Instituto Mamirau\u00e1<\/a>\u00a0mostrou que a presen\u00e7a da atividade de turismo de base comunit\u00e1ria tem ajudado nas a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o de on\u00e7as-pintadas. O trabalho foi recentemente publicado na revista cient\u00edfica Human Dimensions of Wildlife.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS) Mamirau\u00e1, na regi\u00e3o do m\u00e9dio Solim\u00f5es, Amazonas. Nela, foram ouvidos mais de 100 moradores \u2013 beneficiados pelo turismo, ou n\u00e3o \u2013 para entender a percep\u00e7\u00e3o deles em rela\u00e7\u00e3o aos grandes felinos e os motivos que os levariam a um eventual abate dos animais.<\/p>\n<p>Nesta RDS, onde o turismo de observa\u00e7\u00e3o de on\u00e7as-pintadas em vida livre j\u00e1 est\u00e1 consolidado e os recursos s\u00e3o distribu\u00eddos entre membros de toda a comunidade, os pesquisadores conseguiram identificar que, onde a atividade \u00e9 realizada, os moradores locais t\u00eam maior toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o aos felinos e menos inten\u00e7\u00e3o em abat\u00ea-los.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 comum ouvir dizer que o turismo de observa\u00e7\u00e3o de fauna ajuda na conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, mas poucos estudos de fato testaram se o envolvimento com turismo influencia na percep\u00e7\u00e3o de comunidades locais que, em \u00faltima an\u00e1lise, s\u00e3o atores-chave na prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e ecossistemas\u201d, diz Miguel Monteiro, analista de pesquisa do Instituto Mamirau\u00e1 e primeiro autor do estudo.<\/p>\n<p>Os resultados do trabalho, dizem seus autores, mostram que o turismo pode servir como uma ferramenta importante para melhorar as rela\u00e7\u00f5es entre comunidades tradicionais e a vida selvagem, ao mesmo tempo que indica que programas de pesquisa de base comunit\u00e1ria podem contribuir para rela\u00e7\u00f5es positivas entre comunidades locais e fauna.<\/p>\n<p>Segundo os autores da pesquisa, n\u00e3o existem ainda dados sobre ca\u00e7a de on\u00e7as-pintadas ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o do turismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Valsecchi-et-al-2022-Community-based-monitoring-of-wild-felid-hunting-in-central-Amazonia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Um outro trabalho, publicado em 2022<\/a>, no entanto, mostra que, entre 2002 e 2019, 71 fel\u00eddeos adultos foram mortos, sendo a metade deles on\u00e7as-pintadas.<\/p>\n<p>A maior parte das mortes (88,7%), segundo o estudo de 2022, ocorreu por oportunismo. Isto \u00e9, durante expedi\u00e7\u00f5es de ca\u00e7a direcionadas a outras esp\u00e9cies. Medo de ataque tamb\u00e9m apareceu como um dos motivos apontados pela popula\u00e7\u00e3o para ca\u00e7a dos grandes felinos.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large my-5\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-176920 shadow\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1.jpg?resize=640%2C441&amp;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=1920%2C1324&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=300%2C207&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=1536%2C1059&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=2048%2C1412&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=500%2C345&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=800%2C551&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=1280%2C882&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=640%2C441&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Turismo-observacao-oncas-Miguel-Monteiro-1-scaled.jpg?resize=150%2C103&amp;ssl=1 150w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"441\" data-recalc-dims=\"1\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption text-right text-muted font-italic small mt-2 caption-resized\">Ribeirinhos e ind\u00edgenas participam da atividade de turismo de observa\u00e7\u00e3o. Renda \u00e9 dividida com toda comunidade. Foto: Miguel Monteiro<\/figcaption><\/figure>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Percep\u00e7\u00e3o das comunidades<\/strong><\/h3>\n<p>O turismo de base comunit\u00e1ria foi implementado na RDS Mamirau\u00e1 em 2014. Neste per\u00edodo, a atividade de observa\u00e7\u00e3o de on\u00e7as gerou cerca de R$ 49 mil reais em renda para a comunidade da Reserva. Ao considerar todas as atividades desenvolvidas, o recurso chega a R$ 4,3 milh\u00f5es, divididos igualitariamente a todas as fam\u00edlias da RDS.<\/p>\n<p>A ((o))eco, Monteiro explica que a maior toler\u00e2ncia aos felinos se deve tanto pela renda gerada pela atividade quanto pelo maior conhecimento dos locais sobre a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u201cCom os dados que coletamos, a gente p\u00f4de perceber que as pessoas que trabalham com turismo t\u00eam a experi\u00eancia de ver as on\u00e7as em uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a, e elas narram que isso melhorou a percep\u00e7\u00e3o e toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao animal. Isto \u00e9, a mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o pesou mais do que o benef\u00edcio econ\u00f4mico. Por outro lado, tem pessoas na comunidade que n\u00e3o participam diretamente do turismo, mas t\u00eam a percep\u00e7\u00e3o de que a on\u00e7a traz benef\u00edcios financeiros\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Isso foi o que aconteceu com Hilson Rodrigues, morador da RDS e guia local. Segundo ele, o turismo mudou sua percep\u00e7\u00e3o sobre os fel\u00eddeos.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai foi atacado por uma on\u00e7a, e desde pequeno eu sentia muito medo dela por ouvir as hist\u00f3rias que contavam em minha comunidade. Depois que eu comecei a trabalhar de guia e participei do passeio de observa\u00e7\u00e3o da on\u00e7a, eu percebi que ela n\u00e3o ataca assim t\u00e3o f\u00e1cil. Hoje, quando vejo uma on\u00e7a, quero pegar meu celular para tirar foto\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Miguel Monteiro, as iniciativas de turismo de base comunit\u00e1ria t\u00eam aumentado na regi\u00e3o da RDS Mamirau\u00e1. Por isso, os autores do estudo esperam que os resultados alcan\u00e7ados sirvam de incentivo para novas pol\u00edticas p\u00fablicas e atra\u00e7\u00e3o de investimentos, voltadas aos pequenos empreendimentos que t\u00eam surgido.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m esperam que os resultados ajudem a subsidiar o Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o de Felinos, indicando que o turismo pode ser implementado em outras situa\u00e7\u00f5es onde h\u00e1 conflito, de forma a beneficiar tanto as comunidades locais, quanto esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO turismo de base comunit\u00e1ria pode ser uma ferramenta que n\u00e3o s\u00f3 melhora a qualidade de vida de uma forma geral para as comunidades ribeirinhas e ind\u00edgenas, mas que tamb\u00e9m ajuda a diminuir a rela\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o e conflito [entre humanos e animais], aumentando a toler\u00e2ncia das comunidades a certas esp\u00e9cies\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><strong>*Cristiane Prizibisczki<\/strong> \u00e9 jornalista com quase 20 anos de experi\u00eancia na cobertura de temas como conserva\u00e7\u00e3o, biodiversidade, pol\u00edtica ambiental e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. J\u00e1 escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cristiane Prizibisczki* Atividade implicou em aumento da toler\u00e2ncia de comunidade local no Amazonas \u00e0 presen\u00e7a dos felinos. 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